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Investimentos

Ibovespa hoje: tensão no Oriente Médio impulsiona petróleo e Fed mantém discurso cauteloso sobre juros; veja destaques desta quinta (9)

Riscos no Estreito de Ormuz elevam preços do petróleo e reacendem incertezas inflacionárias, enquanto o Fed mantém postura cautelosa sobre política monetária nos EUA

Por Matheus Spiess

09 jul 2026, 10:00

Atualizado em 10 jul 2026, 12:10

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, com as forças americanas atingindo cerca de 90 alvos militares em uma ofensiva destinada a reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases americanas, enquanto o tráfego de petroleiros pela região praticamente paralisou. Apesar da escalada, os mercados ainda atribuem baixa probabilidade a um conflito de grandes proporções, o que ajudou a conter a aversão ao risco.

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O petróleo permaneceu próximo dos níveis observados na assinatura do acordo provisório, refletindo tanto o aumento do risco geopolítico quanto a adaptação das cadeias globais ao conflito. É justamente a consequência da paz frágil que temos destacado: suficiente para evitar uma ruptura mais ampla, mas incapaz de eliminar episódios recorrentes de tensão e volatilidade.

· 00:54 — O petróleo volta a comandar o risco

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda, pressionado pela piora do sentimento de risco global após Donald Trump afirmar que considerava encerrado o cessar-fogo provisório com o Irã. A nova escalada levou o petróleo a se aproximar novamente de US$ 80 por barril durante o pregão, impulsionando as ações da Petrobras. Ainda assim, a forte queda da Vale e o desempenho negativo de parte dos bancos exerceram pressão maior sobre o índice, que recuou para a região dos 170 mil pontos.

O dólar, por sua vez, terminou praticamente estável, próximo de R$ 5,15, às vésperas de uma sessão com liquidez reduzida em razão do feriado de 9 de julho em São Paulo. A alta do petróleo também deve alterar os planos do governo para os combustíveis, aumentando a probabilidade de adiamento da retirada da subvenção à gasolina e de extensão do subsídio ao diesel. A defasagem em relação aos preços internacionais chegou a 35% no diesel e 24% na gasolina, ampliando a incerteza em torno de possíveis reajustes por parte da Petrobras.

· 01:46 — Reforçando o tom duro

A ata da reunião de junho do FOMC reforçou uma postura mais cautelosa e inclinada ao aperto monetário, com a inflação permanecendo como a principal preocupação do Federal Reserve. Embora todos os participantes tenham apoiado a manutenção dos juros na faixa de 3,5% a 3,75%, alguns dirigentes avaliaram que já havia argumentos para uma alta na própria reunião.

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O documento mostrou que os riscos inflacionários continuam inclinados para cima, especialmente diante dos preços elevados das commodities, de possíveis interrupções de oferta, das tensões geopolíticas, das tarifas e da demanda adicional gerada pelos investimentos em inteligência artificial. Nesse contexto, “quase todos” os membros indicaram que apoiariam um aperto monetário caso a inflação permanecesse elevada e o mercado de trabalho continuasse estável.

Ao mesmo tempo, a ata evidenciou a elevada incerteza em torno da trajetória dos juros e a preferência do Comitê por aguardar novos dados antes de se comprometer com um cenário específico. Muitos participantes avaliam que a taxa adequada ao fim do ano deve permanecer dentro ou ligeiramente abaixo da faixa atual, enquanto as projeções mais recentes mostram nove dirigentes esperando ao menos uma alta até o fim de 2026, oito prevendo estabilidade e apenas um defendendo um corte.

O mercado de trabalho ainda é visto como relativamente equilibrado, embora a criação de vagas tenha perdido força, e o cenário-base continue compatível com uma pausa prolongada. Ainda assim, a retomada das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo aumentam o risco de que a inflação leve mais tempo para convergir à meta, mantendo o Fed em posição de cautela por um período mais prolongado.

· 02:39 — Medo de escalada

Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã pelo segundo dia consecutivo, atingindo cerca de 90 alvos militares com o objetivo declarado de reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A ofensiva ocorreu depois que Donald Trump afirmou considerar encerrado o cessar-fogo e classificou as negociações como perda de tempo, ao mesmo tempo em que ameaçou retomar o bloqueio naval a portos iranianos. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases americanas, elevando novamente o risco de uma escalada regional e recolocando o controle de Ormuz no centro das preocupações geopolíticas.

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A nova escalada impulsionou os preços do petróleo, pressionou bolsas e ampliou a venda de títulos públicos, à medida que investidores passaram a elevar as apostas em juros mais altos. O Brent subiu 5,2%, para US$ 78 por barril, após tocar US$ 80 durante o pregão, enquanto o fim da trégua também reacendeu expectativas de alta nos preços dos combustíveis. Além do conflito entre Estados Unidos e Irã, ataques ucranianos contra refinarias russas aumentaram os riscos para a oferta global. Nesse ambiente, refinarias podem continuar se beneficiando de estoques reduzidos e margens elevadas, embora a alta do petróleo bruto também aumente seus custos.

Apesar do agravamento das tensões, ainda é cedo para concluir que uma escalada prolongada seja o cenário mais provável. A relação entre Washington e Teerã continua marcada por desconfiança, episódios recorrentes de confronto e tentativas intermitentes de distensão, o que sugere que a trégua pode permanecer instável sem necessariamente evoluir para uma guerra em larga escala. Ainda assim, os riscos para o petróleo seguem inclinados para cima no curto prazo, especialmente porque a capacidade do Irã de afetar o tráfego em Ormuz e ameaçar infraestruturas energéticas regionais lhe confere influência relevante sobre a economia global.

· 03:28 — Novo capítulo

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo após a Anthropic acusar a Alibaba de usar milhares de contas fraudulentas para gerar milhões de interações com o Claude e, assim, aprimorar seus próprios modelos por meio de uma técnica conhecida como destilação. Em resposta, a Alibaba proibiu seus funcionários de utilizar ferramentas da Anthropic, enquanto autoridades chinesas passaram a discutir restrições ao acesso externo a modelos desenvolvidos no país.

O episódio reforça preocupações de segurança nacional dos dois lados e ocorre em um momento em que a China estaria apenas alguns meses atrás dos Estados Unidos na corrida pela inteligência artificial, com modelos potencialmente muito mais baratos. Ainda assim, alguns especialistas avaliam que a destilação, isoladamente, não é suficiente para explicar o avanço dos modelos chineses.

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· 04:17 — Se consolidando

A Índia vem se consolidando como uma das principais novas fronteiras globais para a expansão de data centers, justamente em um momento em que projetos semelhantes enfrentam resistência crescente em diversas comunidades dos Estados Unidos. Esse avanço tem sido favorecido por uma política agressiva de atração de investimentos, baseada na oferta de terrenos a preços reduzidos, benefícios fiscais e descontos nos custos de água e eletricidade.

A estratégia já atraiu aportes superiores a US$ 15 bilhões de Microsoft e Alphabet, além de novos projetos de Meta, Amazon e OpenAI. A instalação dessas estruturas no país também faz sentido do ponto de vista operacional, já que a proximidade com os usuários reduz a latência e melhora a velocidade dos serviços digitais, especialmente em um mercado que reúne a segunda maior base de usuários do ChatGPT e do ClaudeAI no mundo.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação das comunidades locais com o impacto desses empreendimentos sobre recursos escassos, como água e energia, sobretudo em um ambiente no qual muitos projetos avançaram sem a realização de audiências públicas e com espaço limitado para participação social.

· 05:01 — Nvidia após a correção: liderança intacta na era da IA

A Nvidia foi uma das maiores vencedoras do avanço da inteligência artificial, com valorização superior a 1.100% entre o fim de 2022 e o ano passado, impulsionada pela posição dominante de suas GPUs na infraestrutura necessária para treinar e operar modelos de IA. Mesmo após a forte valorização acumulada, a companhia continua apresentando resultados robustos e sustentando uma liderança difícil de replicar, apoiada por escala, capacidade de inovação, ecossistema próprio de software e relacionamentos estratégicos com os maiores provedores globais de nuvem.

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Ainda assim, as ações perderam força recentemente: desde a máxima histórica de maio, recuaram cerca de 16%, acumulam alta de apenas 5,6% no ano e já eliminaram quase US$ 1 trilhão em valor de mercado em menos de dois meses. O movimento parece refletir menos uma ruptura da tese estrutural de inteligência artificial e mais uma reavaliação das expectativas, após um período de valorização muito acelerada e de concentração excessiva dos fluxos em um único nome.

O principal desafio está no aumento da concorrência e na busca dos investidores por novas oportunidades dentro do setor. Empresas como AMD, SambaNova e Micron passaram a atrair mais capital, enquanto grandes clientes da própria Nvidia, como Alphabet e Amazon, avançam no desenvolvimento de chips proprietários, e a chinesa DeepSeek também trabalha em soluções próprias.

Ainda assim, a Nvidia permanece como a referência do setor, com participação estimada de 97% no mercado de GPUs para servidores no ano passado, posição que lhe confere vantagens relevantes de escala, tecnologia e integração com o ecossistema de IA. Embora a competição deva aumentar e a volatilidade permaneça elevada, a correção recente tornou a relação entre preço e fundamentos mais equilibrada.

Para investidores com horizonte de longo prazo, as ações da Nvidia, negociadas na Nasdaq sob o ticker NVDA e acessíveis no Brasil por meio dos BDRs NVDC34, continuam representando uma das formas mais diretas de exposição ao crescimento estrutural da inteligência artificial e à expansão global da demanda por capacidade computacional.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.