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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA de junho, juros globais, Oriente Médio e inteligência artificial (IA) no centro das atenções; veja destaques desta sexta (10)

Com IPCA de junho abaixo das expectativas do mercado, cresce a percepção por um corte adicional na Selic, enquanto mercado monitora Oriente Médio e resiliência das teses de inteligência artificial (IA)

Por Matheus Spiess

10 jul 2026, 11:05

Atualizado em 10 jul 2026, 12:10

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

Os mercados globais operam de forma mista na manhã desta sexta-feira, em um ambiente de menor aversão ao risco, após os investidores reduzirem parte do prêmio de guerra acumulado nos últimos dias. Embora a situação no Oriente Médio permaneça frágil, ganhou força a percepção de que a nova escalada entre Estados Unidos e Irã tende a ser temporária e não deve impedir a retomada das negociações, especialmente após relatos de que Teerã voltou a procurar Washington e de que Catar e Paquistão atuam como mediadores.

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Esse movimento levou o petróleo a devolver parte dos ganhos, refletindo a avaliação de que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz continua sendo um cenário menos provável, apesar das restrições ainda presentes na rota e dos riscos para a recomposição dos estoques globais de energia.

No setor de tecnologia, o principal destaque é a estreia da SK Hynix nos Estados Unidos, em uma oferta de US$ 26,5 bilhões, a maior já realizada por uma empresa estrangeira no mercado americano, reforçando o interesse dos investidores por semicondutores e inteligência artificial. No Brasil, o IPCA de junho trouxe uma surpresa baixista, reforçando a percepção de desaceleração da inflação e ampliando, ainda que de forma cautelosa, o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses.

Na agenda macro internacional, a inflação desacelerou na França e veio em linha com as expectativas na Alemanha, enquanto, no Japão, os preços ao produtor aceleraram, fortalecendo os argumentos favoráveis a novos aumentos de juros pelo Banco do Japão. Nesse ambiente, os mercados encerram a semana divididos entre a expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio, a resiliência da tese de inteligência artificial e a reavaliação dos riscos para inflação, energia e política monetária.

· 00:52 — Inflação surpreendendo

Por aqui, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 1,22%, aos 172.742 pontos, interrompendo uma sequência de três quedas e acompanhando a recuperação dos ativos de risco no exterior. Apesar da permanência das tensões no Oriente Médio, os investidores aproveitaram o pregão para corrigir parte dos excessos recentes, favorecendo ações de setores ligados à economia doméstica, especialmente diante do recuo dos juros futuros.

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Nesta manhã, a atenção se voltou para o IPCA de junho, que surpreendeu positivamente ao avançar apenas 0,16% no mês, abaixo da expectativa de 0,31%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,64% (desacelerando frente ao mês passado, apesar de ainda estar acima do teto da meta do Banco Central). O resultado reforçou os sinais de perda de fôlego da economia e ampliou a percepção de espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, levando a taxa básica para 14% ao ano.

Ainda assim, os riscos fiscais, eleitorais e geopolíticos continuam limitando uma revisão mais ampla das expectativas ao longo dos próximos meses. Em paralelo, o governo manteve uma postura cautelosa em relação à retirada dos subsídios aos combustíveis, prorrogou por 60 dias a alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo e segue avaliando medidas para reduzir a dependência da gasolina, enquanto o mercado aguarda a conclusão da investigação do USTR sobre a possível imposição de tarifas ao Brasil.

· 01:48 — Desenhando os próximos passos

John Williams, presidente do Fed de Nova York, avaliou que o novo choque energético tende a ser temporário e destacou a demanda associada à inteligência artificial como uma fonte potencialmente mais relevante de pressão inflacionária no médio prazo. Já nesta semana, a ata do Fed reforçou a preocupação dos dirigentes com a persistência da inflação e manteve no radar a possibilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses, especialmente diante das pressões vindas dos preços de energia.

Em paralelo, Kevin Warsh anunciou a composição de cinco forças-tarefa destinadas a revisar áreas centrais da atuação do banco central: comunicação, gestão do balanço patrimonial, dados econômicos, produtividade e emprego, e estrutura da política de inflação.

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Entre os nomes escolhidos, destaca-se o brasileiro Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, que foi convidado para liderar a revisão da comunicação do Fed ao lado de Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra, e Peter R. Fisher, professor da Universidade de Washington. A presença de Fraga em um dos grupos mais estratégicos reforça o reconhecimento internacional de sua experiência em política monetária e gestão de crises.

As forças-tarefa atuarão de forma independente do FOMC, com apoio técnico do Fed, e deverão apresentar recomendações até o fim do ano. A iniciativa faz parte do esforço de Warsh para modernizar a comunicação com o mercado, aprimorar a coleta de dados, revisar a abordagem sobre inflação e reavaliar a gestão de um balanço de aproximadamente US$ 7 trilhões.

· 02:34 — Chegou aos Estados Unidos

A SK Hynix estreia hoje na Nasdaq por meio de suas ADRs como uma das principais protagonistas do mais recente ciclo de expansão da inteligência artificial, ampliando o acesso dos investidores americanos à segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul. A companhia é líder na produção de chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para as GPUs da Nvidia e para a operação de data centers voltados à IA, além de atuar nos segmentos de DRAM e NAND flash.

A oferta, estimada em cerca de US$ 24,5 bilhões, registrou demanda mais de sete vezes superior ao volume disponível, refletindo o forte interesse dos investidores por uma empresa cujas ações acumularam valorização expressiva e cujos lucros quase quintuplicaram no primeiro trimestre de 2026. A listagem também pode contribuir para reduzir o desconto tradicionalmente atribuído às empresas negociadas na Bolsa da Coreia, aproximando sua avaliação dos múltiplos observados entre concorrentes americanos.

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Os recursos captados devem ampliar a capacidade da SK Hynix de expandir sua produção e atender à demanda crescente por memórias avançadas, com investimentos previstos tanto na Coreia do Sul quanto nos Estados Unidos, incluindo a construção de uma nova fábrica em Indiana. Embora o setor seja historicamente cíclico e a expansão da capacidade produtiva leve anos para se materializar, analistas esperam que a escassez de chips de memória persista ao menos até 2027.

Nesse contexto, o desempenho da companhia tende a funcionar como um importante termômetro do próprio ciclo de expansão da IA e do apetite dos investidores por grandes ofertas de tecnologia, além de ajudar a calibrar as expectativas em torno de futuras aberturas de capital, como as de Anthropic e OpenAI.

· 03:21 — De volta aos holofotes

A guerra na Ucrânia e a nova escalada entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar os mercados de energia, com ataques cada vez mais concentrados em infraestruturas estratégicas. Enquanto drones ucranianos atingem refinarias russas, as novas ofensivas americanas contra o Irã provocaram retaliações contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e renovaram as preocupações com a segurança do Estreito de Ormuz.

Ao mesmo tempo, Donald Trump ampliou o apoio à Ucrânia ao autorizar a produção local de interceptadores Patriot, embora a elevada complexidade tecnológica e os gargalos nas cadeias de suprimentos indiquem que os efeitos práticos dessa medida devem levar anos para se materializar. A cúpula da OTAN também resultou na promessa de € 70 bilhões (cerca de US$ 80 bilhões) em ajuda militar a Kiev.

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Nesse contexto, os drones consolidam-se como uma das principais tecnologias da guerra moderna. Mais baratos e flexíveis do que os mísseis de cruzeiro, os modelos kamikaze podem permanecer em voo por longos períodos, operar em grande escala e atingir alvos móveis ou ocultos, além de sobrecarregar os sistemas de defesa adversários. É um novo formato de guerra que subverte a lógica de superioridade militar.

A importância crescente dessa tecnologia levou a OTAN a lançar a iniciativa Drone Edge, que prevê investimentos superiores a US$ 40 bilhões em capacidades de defesa antidrones ao longo dos próximos cinco anos, além do objetivo de multiplicar por cinco o número de operadores até 2027. A tendência é que a próxima etapa dessa evolução combine inteligência artificial, enxames autônomos, sistemas de interceptação a laser, veículos multimodais e munições produzidas por impressão 3D.

· 04:16 — Aceleração asiática

As empresas chinesas de inteligência artificial estão acelerando a captação de recursos para ampliar sua capacidade de competir com as grandes companhias americanas de tecnologia, as fabricantes de chips e outras gigantes como OpenAI e Anthropic. A Zhipu AI anunciou a intenção de levantar US$ 4 bilhões, movimento que impulsionou suas ações e reforçou a percepção de que parte do interesse dos investidores começa a migrar dos semicondutores para os grandes modelos de linguagem da China. Seu modelo GLM 5.2 já ocupa posição de destaque nos rankings, atrás de soluções da Anthropic e da OpenAI, mas já à frente do Gemini, da Alphabet.

A DeepSeek também ganhou relevância ao demonstrar que modelos avançados podem ser desenvolvidos a custos inferiores aos observados entre as empresas americanas. A companhia levantou mais de US$ 7 bilhões em sua primeira rodada de financiamento e oferece preços por token mais baixos. A combinação entre custos reduzidos, desempenho competitivo e acesso crescente ao mercado de capitais fortalece o ecossistema chinês de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, eleva as expectativas em torno das futuras aberturas de capital de Anthropic e OpenAI.

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· 05:05 — Localiza preserva sua vantagem operacional em um cenário desafiador

A gestão da operação de seminovos continua sendo um dos principais pilares da tese de Localiza, dado seu impacto direto sobre rentabilidade, geração de caixa e retorno sobre o capital. Embora os preços dos veículos usados tenham recuado 0,7% em junho, refletindo um ambiente ainda desafiador de juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias, a leitura parece mais pontual do que uma mudança estrutural de tendência.

Além disso, a renovação acelerada da frota ajuda a amortecer esse cenário: no primeiro trimestre do ano, a idade média dos veículos vendidos caiu para 19,7 meses, ante 23,1 meses no 1T25, enquanto cerca de 74% dos automóveis anunciados possuem menos de 45 mil quilômetros rodados, proporção superior à observada anteriormente e muito acima da registrada pela Movida.

A composição da frota também reforça essa vantagem operacional, com aproximadamente 81% dos seminovos concentrados nos modelos 2024/25 e 2025/26. Veículos mais novos e com menor quilometragem tendem a preservar melhor seu valor residual, permitir preços de venda mais altos e reduzir riscos de depreciação.

Nesse contexto, entendemos que a execução da Localiza continua se destacando diante das adversidades macroeconômicas. A combinação entre escala, gestão eficiente da frota, capacidade de precificação e disciplina operacional mantém a companhia como principal referência do setor. Negociada a 9,4 vezes os lucros para 2026, RENT3 segue como uma alternativa atrativa para complementar carteiras de ações no Brasil.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.