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Os mercados globais operam de forma mista na manhã desta sexta-feira, em um ambiente de menor aversão ao risco, após os investidores reduzirem parte do prêmio de guerra acumulado nos últimos dias. Embora a situação no Oriente Médio permaneça frágil, ganhou força a percepção de que a nova escalada entre Estados Unidos e Irã tende a ser temporária e não deve impedir a retomada das negociações, especialmente após relatos de que Teerã voltou a procurar Washington e de que Catar e Paquistão atuam como mediadores.
Esse movimento levou o petróleo a devolver parte dos ganhos, refletindo a avaliação de que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz continua sendo um cenário menos provável, apesar das restrições ainda presentes na rota e dos riscos para a recomposição dos estoques globais de energia.
No setor de tecnologia, o principal destaque é a estreia da SK Hynix nos Estados Unidos, em uma oferta de US$ 26,5 bilhões, a maior já realizada por uma empresa estrangeira no mercado americano, reforçando o interesse dos investidores por semicondutores e inteligência artificial. No Brasil, o IPCA de junho trouxe uma surpresa baixista, reforçando a percepção de desaceleração da inflação e ampliando, ainda que de forma cautelosa, o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses.
Na agenda macro internacional, a inflação desacelerou na França e veio em linha com as expectativas na Alemanha, enquanto, no Japão, os preços ao produtor aceleraram, fortalecendo os argumentos favoráveis a novos aumentos de juros pelo Banco do Japão. Nesse ambiente, os mercados encerram a semana divididos entre a expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio, a resiliência da tese de inteligência artificial e a reavaliação dos riscos para inflação, energia e política monetária.
· 00:52 — Inflação surpreendendo
Por aqui, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 1,22%, aos 172.742 pontos, interrompendo uma sequência de três quedas e acompanhando a recuperação dos ativos de risco no exterior. Apesar da permanência das tensões no Oriente Médio, os investidores aproveitaram o pregão para corrigir parte dos excessos recentes, favorecendo ações de setores ligados à economia doméstica, especialmente diante do recuo dos juros futuros.
Nesta manhã, a atenção se voltou para o IPCA de junho, que surpreendeu positivamente ao avançar apenas 0,16% no mês, abaixo da expectativa de 0,31%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,64% (desacelerando frente ao mês passado, apesar de ainda estar acima do teto da meta do Banco Central). O resultado reforçou os sinais de perda de fôlego da economia e ampliou a percepção de espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, levando a taxa básica para 14% ao ano.
Ainda assim, os riscos fiscais, eleitorais e geopolíticos continuam limitando uma revisão mais ampla das expectativas ao longo dos próximos meses. Em paralelo, o governo manteve uma postura cautelosa em relação à retirada dos subsídios aos combustíveis, prorrogou por 60 dias a alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo e segue avaliando medidas para reduzir a dependência da gasolina, enquanto o mercado aguarda a conclusão da investigação do USTR sobre a possível imposição de tarifas ao Brasil.
· 01:48 — Desenhando os próximos passos
John Williams, presidente do Fed de Nova York, avaliou que o novo choque energético tende a ser temporário e destacou a demanda associada à inteligência artificial como uma fonte potencialmente mais relevante de pressão inflacionária no médio prazo. Já nesta semana, a ata do Fed reforçou a preocupação dos dirigentes com a persistência da inflação e manteve no radar a possibilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses, especialmente diante das pressões vindas dos preços de energia.
Em paralelo, Kevin Warsh anunciou a composição de cinco forças-tarefa destinadas a revisar áreas centrais da atuação do banco central: comunicação, gestão do balanço patrimonial, dados econômicos, produtividade e emprego, e estrutura da política de inflação.
Entre os nomes escolhidos, destaca-se o brasileiro Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, que foi convidado para liderar a revisão da comunicação do Fed ao lado de Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra, e Peter R. Fisher, professor da Universidade de Washington. A presença de Fraga em um dos grupos mais estratégicos reforça o reconhecimento internacional de sua experiência em política monetária e gestão de crises.
As forças-tarefa atuarão de forma independente do FOMC, com apoio técnico do Fed, e deverão apresentar recomendações até o fim do ano. A iniciativa faz parte do esforço de Warsh para modernizar a comunicação com o mercado, aprimorar a coleta de dados, revisar a abordagem sobre inflação e reavaliar a gestão de um balanço de aproximadamente US$ 7 trilhões.
· 02:34 — Chegou aos Estados Unidos
A SK Hynix estreia hoje na Nasdaq por meio de suas ADRs como uma das principais protagonistas do mais recente ciclo de expansão da inteligência artificial, ampliando o acesso dos investidores americanos à segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul. A companhia é líder na produção de chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para as GPUs da Nvidia e para a operação de data centers voltados à IA, além de atuar nos segmentos de DRAM e NAND flash.
A oferta, estimada em cerca de US$ 24,5 bilhões, registrou demanda mais de sete vezes superior ao volume disponível, refletindo o forte interesse dos investidores por uma empresa cujas ações acumularam valorização expressiva e cujos lucros quase quintuplicaram no primeiro trimestre de 2026. A listagem também pode contribuir para reduzir o desconto tradicionalmente atribuído às empresas negociadas na Bolsa da Coreia, aproximando sua avaliação dos múltiplos observados entre concorrentes americanos.
Os recursos captados devem ampliar a capacidade da SK Hynix de expandir sua produção e atender à demanda crescente por memórias avançadas, com investimentos previstos tanto na Coreia do Sul quanto nos Estados Unidos, incluindo a construção de uma nova fábrica em Indiana. Embora o setor seja historicamente cíclico e a expansão da capacidade produtiva leve anos para se materializar, analistas esperam que a escassez de chips de memória persista ao menos até 2027.
Nesse contexto, o desempenho da companhia tende a funcionar como um importante termômetro do próprio ciclo de expansão da IA e do apetite dos investidores por grandes ofertas de tecnologia, além de ajudar a calibrar as expectativas em torno de futuras aberturas de capital, como as de Anthropic e OpenAI.
· 03:21 — De volta aos holofotes
A guerra na Ucrânia e a nova escalada entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar os mercados de energia, com ataques cada vez mais concentrados em infraestruturas estratégicas. Enquanto drones ucranianos atingem refinarias russas, as novas ofensivas americanas contra o Irã provocaram retaliações contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e renovaram as preocupações com a segurança do Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, Donald Trump ampliou o apoio à Ucrânia ao autorizar a produção local de interceptadores Patriot, embora a elevada complexidade tecnológica e os gargalos nas cadeias de suprimentos indiquem que os efeitos práticos dessa medida devem levar anos para se materializar. A cúpula da OTAN também resultou na promessa de € 70 bilhões (cerca de US$ 80 bilhões) em ajuda militar a Kiev.
Nesse contexto, os drones consolidam-se como uma das principais tecnologias da guerra moderna. Mais baratos e flexíveis do que os mísseis de cruzeiro, os modelos kamikaze podem permanecer em voo por longos períodos, operar em grande escala e atingir alvos móveis ou ocultos, além de sobrecarregar os sistemas de defesa adversários. É um novo formato de guerra que subverte a lógica de superioridade militar.
A importância crescente dessa tecnologia levou a OTAN a lançar a iniciativa Drone Edge, que prevê investimentos superiores a US$ 40 bilhões em capacidades de defesa antidrones ao longo dos próximos cinco anos, além do objetivo de multiplicar por cinco o número de operadores até 2027. A tendência é que a próxima etapa dessa evolução combine inteligência artificial, enxames autônomos, sistemas de interceptação a laser, veículos multimodais e munições produzidas por impressão 3D.
· 04:16 — Aceleração asiática
As empresas chinesas de inteligência artificial estão acelerando a captação de recursos para ampliar sua capacidade de competir com as grandes companhias americanas de tecnologia, as fabricantes de chips e outras gigantes como OpenAI e Anthropic. A Zhipu AI anunciou a intenção de levantar US$ 4 bilhões, movimento que impulsionou suas ações e reforçou a percepção de que parte do interesse dos investidores começa a migrar dos semicondutores para os grandes modelos de linguagem da China. Seu modelo GLM 5.2 já ocupa posição de destaque nos rankings, atrás de soluções da Anthropic e da OpenAI, mas já à frente do Gemini, da Alphabet.
A DeepSeek também ganhou relevância ao demonstrar que modelos avançados podem ser desenvolvidos a custos inferiores aos observados entre as empresas americanas. A companhia levantou mais de US$ 7 bilhões em sua primeira rodada de financiamento e oferece preços por token mais baixos. A combinação entre custos reduzidos, desempenho competitivo e acesso crescente ao mercado de capitais fortalece o ecossistema chinês de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, eleva as expectativas em torno das futuras aberturas de capital de Anthropic e OpenAI.
· 05:05 — Localiza preserva sua vantagem operacional em um cenário desafiador
A gestão da operação de seminovos continua sendo um dos principais pilares da tese de Localiza, dado seu impacto direto sobre rentabilidade, geração de caixa e retorno sobre o capital. Embora os preços dos veículos usados tenham recuado 0,7% em junho, refletindo um ambiente ainda desafiador de juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias, a leitura parece mais pontual do que uma mudança estrutural de tendência.
Além disso, a renovação acelerada da frota ajuda a amortecer esse cenário: no primeiro trimestre do ano, a idade média dos veículos vendidos caiu para 19,7 meses, ante 23,1 meses no 1T25, enquanto cerca de 74% dos automóveis anunciados possuem menos de 45 mil quilômetros rodados, proporção superior à observada anteriormente e muito acima da registrada pela Movida.
A composição da frota também reforça essa vantagem operacional, com aproximadamente 81% dos seminovos concentrados nos modelos 2024/25 e 2025/26. Veículos mais novos e com menor quilometragem tendem a preservar melhor seu valor residual, permitir preços de venda mais altos e reduzir riscos de depreciação.
Nesse contexto, entendemos que a execução da Localiza continua se destacando diante das adversidades macroeconômicas. A combinação entre escala, gestão eficiente da frota, capacidade de precificação e disciplina operacional mantém a companhia como principal referência do setor. Negociada a 9,4 vezes os lucros para 2026, RENT3 segue como uma alternativa atrativa para complementar carteiras de ações no Brasil.