Imagem: ChatGPT
A “loja que vende tudo”, Amazon (B3: AMZO34 | Nasdaq: AMZN), divulgou resultados fortes nesta quinta-feira (30) referentes ao 2T26. O grande destaque ficou para um dos principais pontos de atenção do mercado, a divisão de computação em nuvem da companhia. Esse segmento levou as ações a avançarem 11% no after-market.
A receita total cresceu 20% na comparação anual, somando US$ 200,6 bilhões. Esses números superaram as expectativas do mercado, que giravam em torno de US$ 197 bilhões. Além disso, foi a primeira vez que a companhia ultrapassou a marca de US$ 200 bilhões de receita em um único trimestre.
Por região, as vendas na América do Norte atingiram US$ 116,2 bilhões, representando um crescimento anual de 16%. A margem operacional para esta região avançou 0,4 ponto percentual, para 7,9%. Já nas operações internacionais, a receita somou US$ 42,2 bilhões, alta de 15% na comparação anual, ou 18% desconsiderando os efeitos do câmbio. A margem operacional permaneceu estável em 4,1%.
Nuvem e IA puxam o crescimento da Amazon
A AWS, principal aposta da Amazon para sustentar seu crescimento nos próximos anos, foi o grande destaque do trimestre. A divisão registrou seu maior ritmo de expansão em 18 trimestres, superando as expectativas do mercado. A receita alcançou US$ 42,2 bilhões, alta de 37% na comparação anual, enquanto a margem operacional avançou expressivos 6,5 pontos percentuais, atingindo 39,4%.
A companhia também informou que tanto o negócio de inteligência artificial quanto a divisão de chips próprios já superam US$ 25 bilhões em receita anualizada. Outros destaques operacionais também reforçaram a força do trimestre.
A receita com publicidade atingiu US$ 19,8 bilhões, crescimento de 26% na comparação anual. As lojas online faturaram US$ 70,4 bilhões (+15% a/a). Já os serviços prestados a vendedores terceiros (que incluem comissões e soluções logísticas para quem vende na plataforma) somaram US$ 46,8 bilhões. Esses números resultam em um avanço de 16% na mesma base de comparação.
Margem operacional atinge novo patamar
No consolidado, a margem operacional alcançou 13,7%, um avanço de 2,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o lucro líquido disparou para US$ 62,6 bilhões, resultado que inclui US$ 53,4 bilhões em receitas não operacionais antes de impostos. Esse cenário existe principalmente devido à valorização do investimento na Anthropic. O lucro por ação foi de US$ 5,75, um crescimento de aproximadamente 242% em relação aos US$ 1,68 registrados no 2T25.
Em relação ao guidance para o terceiro trimestre de 2026, a Amazon projeta receita entre US$ 197 bilhões e US$ 202 bilhões. Isso representa um crescimento anual entre 9% e 12%, além de lucro operacional entre US$ 22,5 bilhões e US$ 26,5 bilhões.
Vale lembrar que esse ritmo de crescimento será impactado negativamente pela mudança no calendário do Prime Day, antecipado para junho neste ano. Com isso, uma parcela maior das vendas ficou concentrada no segundo trimestre, reduzindo a contribuição para o terceiro. O leitor pode conferir em nosso relatório sobre a mudança de estratégia para o Prime Day.
IA justifica aumento do capex
Nesta temporada de resultados, um dos principais receios do mercado tem sido o aumento dos investimentos em infraestrutura. No caso da Amazon, porém, a reação foi positiva. A companhia elevou sua projeção de investimentos para cerca de US$ 220 bilhões em 2026, acima dos US$ 200 bilhões previstos anteriormente. Isso se deve principalmente devido ao maior custo de memórias para data centers.
Ainda assim, o mercado interpretou essa revisão como um sinal favorável. A gestão reforçou que esses investimentos são necessários para ampliar a capacidade da AWS e atender à crescente demanda por inteligência artificial.
A frente de cloud é uma das mais relevantes do mundo e detém entre 28% e 31% de market share, segundo estimativas de mercado. Dessa forma, ela se consolida como uma das líderes globais em infraestrutura de computação em nuvem e inteligência artificial.
Além disso, a companhia vem conseguindo acelerar suas operações mais rentáveis enquanto mantém a resiliência dos negócios mais tradicionais. Os investimentos na AWS começam a se refletir de forma mais clara na aceleração da receita e na expansão das margens da divisão. Paralelamente, as demais frentes seguem entregando crescimento consistente.
Diversificação segue como diferencial da Amazon (AMZO34)
O varejo compete diretamente com alguns dos maiores varejistas do mundo e partindo de uma base extremamente elevada. Ainda assim, continua expandindo suas vendas no segmento de forma relevante. Ao mesmo tempo, a operação logística ganha cada vez mais relevância. Isso é evidente pela expansão dos serviços oferecidos aos vendedores parceiros e pelo aumento da presença da Amazon em novas categorias de produtos.
Adicionalmente, a publicidade manteve um ritmo de crescimento acelerado no trimestre. Em conjunto, os números mostram uma empresa que continua fortalecendo seus negócios maduros. De forma crescente, a Amazon também captura os retornos dos investimentos realizados em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial.
O reflexo da divulgação dos resultados mostra-se na negociação a cerca de 26 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses. Esse múltiplo que continua refletindo seu potencial de crescimento. Diante dos resultados, seguimos com Amazon (B3: AMZO34 | Nasdaq: AMZN) como uma das principais posições das carteiras internacionais da Empiricus.