Imagem: Barrick/ Reprodução
Nesta manhã (10), a Barrick Mining (B3: BARR34 | NYSE: B) divulgou os resultados do 2T26, com desempenho operacional forte, beneficiado também pelo aumento do preço do ouro ao longo do último ano. Ainda assim, a ação recuou cerca de 5% no pregão estendido, com o mercado mais atento à alta dos custos.
A receita totalizou US$ 5,29 bilhões, alta de 44% na comparação anual e acima do consenso de cerca de US$ 5,1 bilhões. O avanço foi impulsionado principalmente pelos preços mais elevados do ouro e do cobre, que atingiram médias de US$ 4.417/oz para o ouro (+34%) e US$ 6,15/lb para o cobre (+41%).
Além disso, a maior produção de ouro, de 796 mil onças, acima da faixa de guidance de 730 mil a 770 mil onças, e a produção de cobre, de 56 mil toneladas (-5% a/a), em linha com o plano, também contribuíram para o avanço da receita.
Custos de produção e vendas de ouro e cobre no 2T26
Do lado dos custos, a disciplina operacional manteve os indicadores dentro do guidance do ano, mas a pressão inflacionária ficou evidente. O custo de vendas do ouro subiu para US$ 1.993 por onça, ante US$ 1.654 no 2T25, enquanto o custo total de sustentação da produção (AISC) avançou 11% a/a, para US$ 1.866 por onça, puxado por royalties maiores devido ao preço do metal, combustível mais caro e menor teor em parte das operações. No cobre, o AISC avançou 36% a/a, para US$ 3,95 por libra.
Com os preços das commodities mais elevados, a margem EBITDA ajustada atribuível atingiu 60%, um forte avanço de 5 p.p. em relação ao mesmo período do ano passado.
Na linha final, o lucro líquido da Barrick somou US$ 1,22 bilhão (+50% a/a). O lucro líquido ajustado foi de US$ 1,36 bilhão, equivalente a um lucro por ação ajustado de US$ 0,82, alta de 74% na comparação anual. Frente ao consenso, o número ficou em linha com a estimativa mais citada, de cerca de US$ 0,81, e marginalmente abaixo de outras projeções próximas de US$ 0,84, o que ajuda a explicar as manchetes de miss e a reação cautelosa do mercado.
A Barrick também seguiu gerando valor aos acionistas. A companhia declarou dividendo trimestral de US$ 0,175 por ação e recomprou US$ 1,21 bilhão em ações no trimestre, elevando a devolução total aos acionistas para US$ 1,50 bilhão (+242% a/a).
Para 2026, a companhia manteve o guidance de produção e custos. A previsão de produção de ouro permanece entre 2,90 milhões e 3,25 milhões de onças, enquanto a de cobre fica entre 190 mil e 220 mil toneladas. No ouro, o custo de vendas projetado ficou entre US$ 1.870 e US$ 2.070 por onça, com AISC entre US$ 1.760 e US$ 1.950 por onça. No cobre, o AISC ficou entre US$ 3,45 e US$ 3,75 por libra.
Já o guidance de investimentos de capital atribuível foi reduzido para US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões, ante US$ 4,0 bilhões a US$ 4,45 bilhões anteriormente, refletindo principalmente o menor dispêndio no projeto Reko Diq, mina de cobre e ouro da Barrick no Baluchistão, no Paquistão, considerado um dos maiores depósitos ainda não desenvolvidos do mundo.
Além disso, a Barrick fechou um acordo com a Newmont para ampliar a joint venture Nevada Gold Mines. O acordo adiciona três ativos ao complexo, que terá quase 100 milhões de onças, e garante à Barrick US$ 1,95 bilhão em caixa, além do consentimento para o IPO norte-americano.
Barrick Mining (BARR34): Vale a pena investir nas ações?
Entre os pontos positivos dos resultados, estão a produção de ouro acima do plano pelo terceiro trimestre seguido, o forte crescimento de receita e lucro impulsionado pelo ciclo de preços, a redução do guidance de investimentos de capital atribuível para US$ 3,8 bilhões a US$ 4,2 bilhões, ante US$ 4,0 bilhões a US$ 4,45 bilhões, e, sobretudo, o acordo com a Newmont.
Do lado negativo, o que pesou na avaliação do mercado foi a alta dos custos unitários, o aumento do custo de produção do cobre e um lucro por ação ajustado que não superou de forma clara o consenso mais otimista. Parte das casas também segue atenta à execução do IPO e à revisão de projetos como Reko Diq, que está por trás da redução do orçamento de capital. Esses pontos devem continuar no centro da narrativa da companhia ao longo do segundo semestre.
Ainda assim, o ouro segue sendo uma das melhores formas de proteção em momentos de conflito e maior tensão. Nesse contexto, o investimento em uma mineradora que reforça sua tese operacional no ciclo do ouro, com produção acima do plano e resultados impulsionados pelos preços, continua servindo como uma luva no cenário atual.
Negociada atualmente a cerca de 10x os lucros projetados para os próximos 12 meses, a Barrick Mining (B3: BARR34 | NYSE: B) segue sendo uma das principais teses da carteira Ações Internacionais.