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Investimentos

Ibovespa abre semana de Copom reagindo a acordo EUA-Irã, mas o estrago já está feito; o que esperar do mercado nesta segunda-feira?

O acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz figuram nas manchetes desta segunda-feira (15).

Por Matheus Spiess

15 jun 2026, 10:31

Atualizado em 15 jun 2026, 10:32

mercado ibovespa ações bolsa b3

Imagem: iStock.com/sankai

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça. O entendimento, mediado pelo Paquistão, foi confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas.

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O acordo prevê a remoção do bloqueio naval americano, a reabertura gradual da principal rota energética do Oriente Médio e o compromisso de cessação das operações militares, inclusive no Líbano. Apesar do alívio, pontos sensíveis ainda permanecem em aberto: o texto completo não foi divulgado, a extensão dos danos à infraestrutura petrolífera segue incerta, a retomada da navegação pode ocorrer gradualmente e ainda veremos novos focos de tensão.

A reação dos mercados foi positiva, com alta das bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, queda do petróleo, recuo do dólar e recuperação dos ativos de risco, refletindo a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.

O acordo também devolve protagonismo aos bancos centrais em uma semana marcada pela reunião do Federal Reserve, a primeira sob o comando de Kevin Warsh, além das decisões do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, e pela cúpula do G7 na França, com a participação de Trump e Lula. Ainda assim, o alívio geopolítico não elimina os desafios inflacionários.

Christine Lagarde alertou que os preços elevados de energia já começam a se transmitir para outras partes da economia europeia, enquanto investidores seguem atentos ao risco de efeitos secundários sobre salários, inflação subjacente e política monetária. Em suma, o acordo reduz um importante risco energético global, mas o estrago da crise que vivemos já foi feito.

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· 00:51 — Alívio para quem?

No Brasil, o alívio externo trazido pelo acordo entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante risco inflacionário global, especialmente ao aliviar as pressões sobre o petróleo e abrir espaço para alguma queda dos prêmios de risco na curva de juros e nos ativos domésticos. Ainda assim, esse alívio chega em um momento delicado para o Copom.

O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas ficou acima do esperado, com a surpresa concentrada principalmente em preços administrados, em razão de uma deflação menos intensa da gasolina, e em alimentos. A composição qualitativa trouxe algum alívio nos serviços subjacentes, mas os núcleos seguem em patamar desconfortável. Nesse contexto, as projeções permanecem pressionadas, com inflação esperada de 5,3% neste ano e 4,1% em 2027, ambas com viés altista.

Diante desse quadro, a decisão do Copom ganha relevância especial. O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar. O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.

Além da decisão de juros, a semana também traz dados relevantes, as vendas no varejo de abril (amanhã) e o IBC-Br (quarta-feira). No campo político-institucional, investidores acompanharão a pauta do Senado, com temas como a PEC da segurança, minerais críticos e a PEC da escala 6×1. Em suma, o acordo externo ajuda, mas o cenário local ainda exige cautela.

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· 01:43 — Fim das hostilidades

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça.

O entendimento, mediado pelo Paquistão e confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas, prevê o fim dos bloqueios na região, a retomada gradual do fluxo de petróleo, algum alívio nas sanções ligadas às exportações iranianas e o compromisso de ambas as partes de não realizar novos ataques. A reabertura plena do estreito, contudo, só deve ocorrer após a assinatura do acordo e a conclusão das operações de remoção de minas, o que pode levar algum tempo (até dois meses).

Seja como for, a reação dos mercados foi fortemente positiva, com valorização dos ativos de risco, queda do dólar e recuo expressivo do petróleo, refletindo o alívio diante da possibilidade de normalização de uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Ainda assim, o acordo exige cautela. O texto completo não foi divulgado, pontos centrais permanecem indefinidos, como o futuro do programa nuclear iraniano e os incentivos econômicos a Teerã, e já existem divergências nas interpretações iniciais de cada lado.

Além disso, Israel ficou fora das negociações e continua sendo visto como uma possível fonte de instabilidade para a consolidação da trégua. Em suma, o avanço diplomático reduz de maneira relevante o risco de um choque energético global, mas a implementação prática do acordo será decisiva para determinar se o alívio observado nos mercados terá sustentação.

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· 02:34 — Uma chegada difícil

A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve ocorre em um ambiente muito menos confortável do que se imaginava. Assim como outros presidentes do Fed herdaram choques inesperados, de Alan Greenspan, com a Segunda-Feira Negra, a Ben Bernanke, com a bolha imobiliária, Warsh assume o comando em meio a uma nova rodada de riscos inflacionários, impulsionada pela guerra, pelos preços de energia, pelas tarifas e por uma economia americana ainda resiliente.

Embora Donald Trump tenha uma preferência clara por juros mais baixos, as condições que permitiram a Jay Powell iniciar um ciclo de afrouxamento monetário parecem ter desaparecido. A combinação entre inflação persistente e mercado de trabalho mais firme elevou as expectativas de inflação e reduziu a margem para cortes rápidos, levando o mercado a esperar uma postura mais cautelosa do novo comando do Fed.

Ainda assim, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, caso seja confirmado e implementado, melhora o pano de fundo para a política monetária ao reduzir o risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo. Isso não deve alterar a decisão imediata do Fed, que deve manter os juros inalterados em junho, mas ajuda a remover uma fonte relevante de incerteza para os próximos meses.

O mercado acompanhará com atenção o tom da primeira reunião sob Warsh, especialmente o gráfico de pontos, que mostra as projeções dos dirigentes para a trajetória dos juros, e a sinalização sobre possíveis cortes ainda neste ano.

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· 03:27 — Trilionário

Elon Musk entrou em uma categoria inédita de riqueza ao se tornar o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela forte valorização de uma de suas companhias na estreia em bolsa. Segundo as estimativas citadas, sua fortuna chegou a cerca de US$ 1,1 trilhão, após um ganho de aproximadamente US$ 274 bilhões em apenas uma semana e de US$ 351 bilhões no acumulado do ano.

Com isso, Musk passou a figurar em um patamar muito acima dos demais bilionários globais, tornando-se mais de três vezes mais rico que Larry Page, quase quatro vezes mais rico que Jeff Bezos e cerca de dez vezes mais rico que Bill Gates. Embora grande parte desse patrimônio esteja concentrada em participações acionárias e, portanto, sujeita à volatilidade do mercado, o episódio reforça o tamanho da influência de Musk sobre tecnologia, mercados e formação de riqueza no capitalismo contemporâneo.

· 04:17 — Acesso suspenso

A Anthropic suspendeu o acesso aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, incluindo Mythos 5 e Fable 5, após uma ordem inédita do governo Trump para impedir que a tecnologia fosse acessada por cidadãos estrangeiros. A medida gerou forte preocupação no setor, tanto por seu caráter excepcional quanto pelas possíveis implicações constitucionais, comerciais e operacionais.

A Casa Branca teria dado à empresa um prazo de apenas 90 minutos para retirar os modelos do ar; diante do não cumprimento, impôs controles de exportação que forçaram a suspensão. A Anthropic classificou a resposta como desproporcional e alertou que uma abordagem semelhante poderia comprometer novas implementações de modelos avançados.

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O episódio também expôs a crescente tensão entre segurança nacional, liderança tecnológica e concentração do mercado de IA. A decisão ocorreu justamente em um momento em que grandes startups do setor, incluindo a própria Anthropic, avaliada em mais de US$ 900 bilhões, se preparam para acessar o mercado de capitais.

A discussão ganhou ainda mais relevância após relatos de que Andy Jassy, CEO da Amazon, teria levantado preocupações sobre a possibilidade de o modelo Fable ser “desbloqueado” e usado sem restrições, embora a Anthropic tenha afirmado que nenhum testador encontrou uma forma universal de contornar suas proteções.

· 05:02 — Avanços importantes, mas ainda à espera de confirmação

As notícias recentes envolvendo Raízen e Rumo sugerem avanços importantes na agenda de simplificação da Cosan, ainda que o processo continue exigindo acompanhamento. Na Rumo, a possível venda de uma participação minoritária aparece em um momento operacional mais favorável, com melhora de volumes e resultados, e pode representar uma fonte adicional de liquidez para a holding.

Na Raízen, os movimentos foram mais concretos: a venda da operação de refino e distribuição na Argentina por US$ 1,4 bilhão deve gerar entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão de caixa líquido, além de retirar dívidas associadas ao ativo do balanço consolidado. Em paralelo, a companhia deve avançar em uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 66 bilhões em dívidas, com conversão relevante de dívida em ações e aporte de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta.

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Embora a operação possa reduzir de forma significativa a participação da Cosan na Raízen, o ponto central é que a subsidiária tende a sair desse processo com uma estrutura de capital mais saudável, menor despesa financeira e melhores condições para focar na recuperação operacional. Em nossa visão, os movimentos caminham na direção correta, pois ajudam a reduzir incertezas, fortalecem o balanço das subsidiárias e diminuem o risco de novos aportes relevantes por parte da holding.

Ainda há etapas importantes a serem confirmadas, e o cenário macroeconômico segue pesando sobre as ações, mas a combinação entre venda de ativos, reforço de liquidez, redução de despesas, IPO da Compass e avanço na reestruturação da Raízen indica que a Cosan começa a construir um ambiente mais favorável do que aquele observado nos últimos meses.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.