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Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça. O entendimento, mediado pelo Paquistão, foi confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas.
O acordo prevê a remoção do bloqueio naval americano, a reabertura gradual da principal rota energética do Oriente Médio e o compromisso de cessação das operações militares, inclusive no Líbano. Apesar do alívio, pontos sensíveis ainda permanecem em aberto: o texto completo não foi divulgado, a extensão dos danos à infraestrutura petrolífera segue incerta, a retomada da navegação pode ocorrer gradualmente e ainda veremos novos focos de tensão.
A reação dos mercados foi positiva, com alta das bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, queda do petróleo, recuo do dólar e recuperação dos ativos de risco, refletindo a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.
O acordo também devolve protagonismo aos bancos centrais em uma semana marcada pela reunião do Federal Reserve, a primeira sob o comando de Kevin Warsh, além das decisões do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, e pela cúpula do G7 na França, com a participação de Trump e Lula. Ainda assim, o alívio geopolítico não elimina os desafios inflacionários.
Christine Lagarde alertou que os preços elevados de energia já começam a se transmitir para outras partes da economia europeia, enquanto investidores seguem atentos ao risco de efeitos secundários sobre salários, inflação subjacente e política monetária. Em suma, o acordo reduz um importante risco energético global, mas o estrago da crise que vivemos já foi feito.
· 00:51 — Alívio para quem?
No Brasil, o alívio externo trazido pelo acordo entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante risco inflacionário global, especialmente ao aliviar as pressões sobre o petróleo e abrir espaço para alguma queda dos prêmios de risco na curva de juros e nos ativos domésticos. Ainda assim, esse alívio chega em um momento delicado para o Copom.
O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas ficou acima do esperado, com a surpresa concentrada principalmente em preços administrados, em razão de uma deflação menos intensa da gasolina, e em alimentos. A composição qualitativa trouxe algum alívio nos serviços subjacentes, mas os núcleos seguem em patamar desconfortável. Nesse contexto, as projeções permanecem pressionadas, com inflação esperada de 5,3% neste ano e 4,1% em 2027, ambas com viés altista.
Diante desse quadro, a decisão do Copom ganha relevância especial. O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar. O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.
Além da decisão de juros, a semana também traz dados relevantes, as vendas no varejo de abril (amanhã) e o IBC-Br (quarta-feira). No campo político-institucional, investidores acompanharão a pauta do Senado, com temas como a PEC da segurança, minerais críticos e a PEC da escala 6×1. Em suma, o acordo externo ajuda, mas o cenário local ainda exige cautela.
· 01:43 — Fim das hostilidades
Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça.
O entendimento, mediado pelo Paquistão e confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas, prevê o fim dos bloqueios na região, a retomada gradual do fluxo de petróleo, algum alívio nas sanções ligadas às exportações iranianas e o compromisso de ambas as partes de não realizar novos ataques. A reabertura plena do estreito, contudo, só deve ocorrer após a assinatura do acordo e a conclusão das operações de remoção de minas, o que pode levar algum tempo (até dois meses).
Seja como for, a reação dos mercados foi fortemente positiva, com valorização dos ativos de risco, queda do dólar e recuo expressivo do petróleo, refletindo o alívio diante da possibilidade de normalização de uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Ainda assim, o acordo exige cautela. O texto completo não foi divulgado, pontos centrais permanecem indefinidos, como o futuro do programa nuclear iraniano e os incentivos econômicos a Teerã, e já existem divergências nas interpretações iniciais de cada lado.
Além disso, Israel ficou fora das negociações e continua sendo visto como uma possível fonte de instabilidade para a consolidação da trégua. Em suma, o avanço diplomático reduz de maneira relevante o risco de um choque energético global, mas a implementação prática do acordo será decisiva para determinar se o alívio observado nos mercados terá sustentação.
· 02:34 — Uma chegada difícil
A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve ocorre em um ambiente muito menos confortável do que se imaginava. Assim como outros presidentes do Fed herdaram choques inesperados, de Alan Greenspan, com a Segunda-Feira Negra, a Ben Bernanke, com a bolha imobiliária, Warsh assume o comando em meio a uma nova rodada de riscos inflacionários, impulsionada pela guerra, pelos preços de energia, pelas tarifas e por uma economia americana ainda resiliente.
Embora Donald Trump tenha uma preferência clara por juros mais baixos, as condições que permitiram a Jay Powell iniciar um ciclo de afrouxamento monetário parecem ter desaparecido. A combinação entre inflação persistente e mercado de trabalho mais firme elevou as expectativas de inflação e reduziu a margem para cortes rápidos, levando o mercado a esperar uma postura mais cautelosa do novo comando do Fed.
Ainda assim, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, caso seja confirmado e implementado, melhora o pano de fundo para a política monetária ao reduzir o risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo. Isso não deve alterar a decisão imediata do Fed, que deve manter os juros inalterados em junho, mas ajuda a remover uma fonte relevante de incerteza para os próximos meses.
O mercado acompanhará com atenção o tom da primeira reunião sob Warsh, especialmente o gráfico de pontos, que mostra as projeções dos dirigentes para a trajetória dos juros, e a sinalização sobre possíveis cortes ainda neste ano.
· 03:27 — Trilionário
Elon Musk entrou em uma categoria inédita de riqueza ao se tornar o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela forte valorização de uma de suas companhias na estreia em bolsa. Segundo as estimativas citadas, sua fortuna chegou a cerca de US$ 1,1 trilhão, após um ganho de aproximadamente US$ 274 bilhões em apenas uma semana e de US$ 351 bilhões no acumulado do ano.
Com isso, Musk passou a figurar em um patamar muito acima dos demais bilionários globais, tornando-se mais de três vezes mais rico que Larry Page, quase quatro vezes mais rico que Jeff Bezos e cerca de dez vezes mais rico que Bill Gates. Embora grande parte desse patrimônio esteja concentrada em participações acionárias e, portanto, sujeita à volatilidade do mercado, o episódio reforça o tamanho da influência de Musk sobre tecnologia, mercados e formação de riqueza no capitalismo contemporâneo.
· 04:17 — Acesso suspenso
A Anthropic suspendeu o acesso aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, incluindo Mythos 5 e Fable 5, após uma ordem inédita do governo Trump para impedir que a tecnologia fosse acessada por cidadãos estrangeiros. A medida gerou forte preocupação no setor, tanto por seu caráter excepcional quanto pelas possíveis implicações constitucionais, comerciais e operacionais.
A Casa Branca teria dado à empresa um prazo de apenas 90 minutos para retirar os modelos do ar; diante do não cumprimento, impôs controles de exportação que forçaram a suspensão. A Anthropic classificou a resposta como desproporcional e alertou que uma abordagem semelhante poderia comprometer novas implementações de modelos avançados.
O episódio também expôs a crescente tensão entre segurança nacional, liderança tecnológica e concentração do mercado de IA. A decisão ocorreu justamente em um momento em que grandes startups do setor, incluindo a própria Anthropic, avaliada em mais de US$ 900 bilhões, se preparam para acessar o mercado de capitais.
A discussão ganhou ainda mais relevância após relatos de que Andy Jassy, CEO da Amazon, teria levantado preocupações sobre a possibilidade de o modelo Fable ser “desbloqueado” e usado sem restrições, embora a Anthropic tenha afirmado que nenhum testador encontrou uma forma universal de contornar suas proteções.
· 05:02 — Avanços importantes, mas ainda à espera de confirmação
As notícias recentes envolvendo Raízen e Rumo sugerem avanços importantes na agenda de simplificação da Cosan, ainda que o processo continue exigindo acompanhamento. Na Rumo, a possível venda de uma participação minoritária aparece em um momento operacional mais favorável, com melhora de volumes e resultados, e pode representar uma fonte adicional de liquidez para a holding.
Na Raízen, os movimentos foram mais concretos: a venda da operação de refino e distribuição na Argentina por US$ 1,4 bilhão deve gerar entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão de caixa líquido, além de retirar dívidas associadas ao ativo do balanço consolidado. Em paralelo, a companhia deve avançar em uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 66 bilhões em dívidas, com conversão relevante de dívida em ações e aporte de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta.
Embora a operação possa reduzir de forma significativa a participação da Cosan na Raízen, o ponto central é que a subsidiária tende a sair desse processo com uma estrutura de capital mais saudável, menor despesa financeira e melhores condições para focar na recuperação operacional. Em nossa visão, os movimentos caminham na direção correta, pois ajudam a reduzir incertezas, fortalecem o balanço das subsidiárias e diminuem o risco de novos aportes relevantes por parte da holding.
Ainda há etapas importantes a serem confirmadas, e o cenário macroeconômico segue pesando sobre as ações, mas a combinação entre venda de ativos, reforço de liquidez, redução de despesas, IPO da Compass e avanço na reestruturação da Raízen indica que a Cosan começa a construir um ambiente mais favorável do que aquele observado nos últimos meses.