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Investimentos

Ibovespa hoje: Alívio nos preços do petróleo e resultados da Microsoft (MSFT34) e Meta (M1TA34) no radar; veja destaques desta segunda (27)

Preços do petróleo recuam depois de Estados Unidos e Irã suspenderem ataques diretos por dois dias. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

27 jul 2026, 10:33

Atualizado em 27 jul 2026, 10:33

[Imagem: Canva]

[Imagem: Canva]

A interrupção dos ataques entre Estados Unidos e Irã por vários dias trouxe alívio relevante aos mercados, embora ainda não represente um cessar-fogo formal. O petróleo recuou com força, o dólar perdeu espaço e bolsas avançam, refletindo a percepção de que Washington e Teerã abriram uma janela para a diplomacia, com participação de Omã e, segundo alguns relatos, também da China e do Paquistão. Ainda assim, o quadro permanece frágil: o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz e por Bab el-Mandeb segue muito abaixo do normal, os custos de seguro e frete continuam elevados, e novos episódios envolvendo os Houthis, a Arábia Saudita e a Ucrânia mostram que o conflito já se espalhou por diferentes frentes.

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Do ponto de vista econômico, a principal consequência continua sendo o risco inflacionário. A alta recente do petróleo e do gás, combinada com novas tarifas dos Estados Unidos e com a expansão dos investimentos em inteligência artificial, reacendeu as preocupações com uma nova rodada de pressão sobre os preços justamente quando os bancos centrais começavam a enxergar algum alívio. Nesse ambiente, as reuniões do Federal Reserve, do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão ganham importância adicional.

Ao mesmo tempo, a tecnologia permanece como outro eixo central dos mercados. Nvidia, Microsoft, Amazon, Meta, Apple e outras grandes empresas continuam ampliando os investimentos em infraestrutura de IA, enquanto contratos bilionários envolvendo Samsung, Broadcom, SK Hynix e Naver reforçam a demanda estrutural no mundo por chips e capacidade computacional.

· 00:58 — Sinais para os próximos passos

No cenário doméstico, a agenda econômica está relativamente esvaziada, enquanto o recesso do Congresso reduz o fluxo de notícias locais e mantém os mercados mais sensíveis aos acontecimentos externos, sobretudo à decisão do Federal Reserve. Ainda assim, alguns indicadores serão importantes para a próxima reunião do Copom, marcada para a semana que vem, entre os dias 4 e 5 de agosto.

Antes disso, o IPCA-15 de julho, cuja expectativa é de desaceleração para 0,21%, após a alta de 0,41% em junho, e os dados de emprego da Pnad Contínua e do Caged deverão ajudar a avaliar se a atividade econômica está perdendo força em intensidade suficiente para sustentar um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic. Também entram no radar as contas externas, a nota de crédito e os dados fiscais de junho.

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No campo político e geopolítico, a conversa entre Lula e Xi Jinping reforçou a estratégia brasileira de diversificação de mercados e aprofundamento das relações com a China. Entre os temas discutidos estiveram a tentativa de acelerar as negociações de um acordo entre o Mercosul e Pequim, além da ampliação da cooperação em tecnologia, comércio e fóruns multilaterais.

No ambiente eleitoral, o cenário permanece fragmentado: Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para construir uma aliança mais ampla e definir um nome para a vice-presidência com o apoio do Centrão, enquanto Romeu Zema foi oficializado pelo Novo e busca ampliar seu reconhecimento nacional entre empresários, representantes do agronegócio e lideranças evangélicas. Ao mesmo tempo, parte do mercado demonstra cautela em relação à candidatura de Flávio e acompanha alternativas percebidas como mais estáveis, em um contexto no qual a situação fiscal, o nível dos juros e a trajetória da dívida pública continuam centrais para a precificação dos ativos.

· 01:47 — Começa a ganhar volume

A temporada de resultados começou com números corporativos sólidos, mas acompanhados por reações negativas das ações, refletindo a crescente preocupação dos investidores com o volume de capital destinado à inteligência artificial. Agora, a semana atual deverá testar novamente o apetite dos investidores por essa estratégia, com quase um terço das empresas do S&P 500 divulgando resultados. A agenda inclui Microsoft, Meta, Amazon e Apple, além de nomes como Boeing, Coca-Cola, Visa, Mastercard, Chevron e Exxon Mobil.

O mercado observará, sobretudo, se o crescimento dos negócios de nuvem e inteligência artificial será suficiente para justificar o avanço dos investimentos e a consequente pressão sobre as margens. A agenda também inclui a decisão do Federal Reserve, com expectativa predominante de manutenção dos juros na faixa de 3,5% a 3,75%, além da divulgação dos dados de inflação PCE e de crescimento do PIB. Em um mercado próximo das máximas históricas, a combinação entre os resultados das grandes empresas de tecnologia, as orientações sobre capex, a evolução da inflação, os preços do petróleo e a comunicação de Kevin Warsh deverá definir o tom dos ativos nos próximos dias.

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· 02:31 — Nova normalização

Os preços do petróleo recuaram após Estados Unidos e Irã suspenderem ataques diretos por dois dias consecutivos, alimentando expectativas de uma possível descompressão do conflito. O Brent caiu para menos de US$ 90 por barril, enquanto os contratos futuros do Nasdaq avançaram e o dólar perdeu força diante da menor procura por ativos de proteção. Washington afirmou que a pausa busca abrir espaço para as negociações, e Teerã indicou que manterá a suspensão enquanto os EUA fizerem o mesmo, embora autoridades iranianas avaliem que o movimento possa ter caráter apenas tático. A trégua também coincidiu com conversas mediadas por Omã sobre a navegação no Estreito de Ormuz, reduzindo, ao menos temporariamente, o receio de interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

Ainda assim, o ambiente permanece frágil. A Ucrânia afirmou ter atingido embarcações no Mar Cáspio ligadas ao transporte de cargas militares envolvendo o Irã, provocando uma reação de Teerã e reforçando as discussões sobre uma aproximação estratégica entre Rússia e Irã. Ao mesmo tempo, o risco de uma nova escalada mantém em evidência as rotas alternativas aos estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, como os oleodutos Sumed, Eilat–Ashkelon, East-West e Habshan–Fujairah, que oferecem apenas uma compensação parcial em caso de bloqueios marítimos. A duração dessa pausa nas hostilidades tende a ser determinante para o comportamento dos mercados, especialmente em uma semana marcada por decisões de bancos centrais, que avaliarão em que medida a recente alta dos preços de energia pode pressionar a inflação e alterar a trajetória dos juros.

· 03:29 — Em defesa da categoria

Os modelos de IA de peso livre (open-weight), que podem ser baixados, modificados e executados localmente, ganharam destaque após mais de 20 empresas de tecnologia divulgarem uma carta aberta em defesa dessa categoria. Diferentemente de sistemas fechados e proprietários, como o Claude Fable 5, da Anthropic, e a série GPT-5.6, da OpenAI, esses modelos ampliariam o acesso à chamada “economia da IA” ao oferecer alternativas de menor custo e maior flexibilidade.

Embora muitos dos exemplos mais conhecidos venham da China, como DeepSeek e Kimi K3, da Moonshot AI, a carta evitou mencionar diretamente o país e concentrou-se no potencial desses sistemas para tornar a inteligência artificial mais acessível e escalável em áreas como fábricas, hospitais, fazendas, escolas e pequenos negócios. O documento também reconheceu os riscos associados à abertura dos modelos, especialmente a possibilidade de modificações fora do controle de seus criadores.

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Nvidia, Microsoft e Hugging Face estiveram entre os primeiros signatários, e o apoio cresceu depois que Jensen Huang divulgou a iniciativa no X, elevando o total para cerca de 50 empresas. A OpenAI aderiu posteriormente, enquanto Anthropic, Amazon e xAI permaneceram de fora. Em termos mais amplos, a carta funciona como um apelo ao governo dos Estados Unidos para evitar restrições prematuras que possam reduzir a concorrência, sufocar a inovação doméstica ou empurrar o desenvolvimento de modelos abertos para outros países. A discussão, portanto, vai além da arquitetura tecnológica: envolve também acesso, competitividade e a posição dos EUA na disputa global pela inteligência artificial.

· 04:15 — Dos carros elétricos à disputa pela liderança global

As montadoras chinesas estão acelerando sua expansão internacional porque o mercado doméstico deixou de oferecer o mesmo impulso de crescimento. Desde outubro, as vendas de veículos no varejo passaram a recuar na comparação anual, movimento que também alcançou o atacado, enquanto margens, preços e utilização da capacidade produtiva seguem pressionados. Ao mesmo tempo, consumidores chineses vêm migrando com maior intensidade para o mercado de usados, reforçando a necessidade de buscar demanda fora do país. Nesse contexto, as exportações deixaram de ser apenas uma frente adicional e se tornaram parte central da estratégia do setor. Empresas como a BYD vêm ampliando participação no exterior, e os embarques combinados de veículos híbridos e elétricos já superam os de modelos a combustão, evidenciando a capacidade competitiva da indústria chinesa.

Esse avanço ajuda a contextualizar uma discussão que já comentei: a ascensão da China não implica, por si só, o declínio inevitável dos Estados Unidos nem conduz automaticamente a um confronto entre as duas potências. O setor automotivo ilustra bem essa ambiguidade. A China consolidou uma liderança relevante em veículos elétricos, energia limpa e manufatura, mas essa força convive com desafios internos, como a perda de dinamismo da demanda doméstica e o excesso de capacidade.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos preservam vantagens expressivas em tamanho econômico, presença militar, gastos com defesa e investimentos em inteligência artificial. A competição é estrutural e deve permanecer intensa, mas está longe de caber em uma narrativa simples de substituição inevitável de uma potência pela outra.

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· 05:04 — Qualidade e desconto em um setor em recuperação

O mercado de lajes corporativas de alto padrão em São Paulo segue em trajetória de recuperação, sustentado por uma absorção líquida consistente, pela redução da vacância e pelo avanço dos preços pedidos. No 2T26, a absorção líquida alcançou 93,2 mil m², superando os 57 mil m² de novo estoque entregues no período. Com isso, a taxa de vacância recuou para 12,7%, enquanto o preço médio pedido avançou 5,0%, para R$ 134,5/m². A melhora permanece mais evidente nos eixos corporativos consolidados e nos ativos de maior qualidade, favorecendo portfólios classe A+ bem localizados, com maior capacidade de elevar a ocupação e capturar reajustes nos aluguéis.

Nesse contexto, o Kinea Oportunidades Real Estate (KORE11) se destaca por reunir quatro ativos classe A+, que somam aproximadamente 59 mil m² de área bruta locável (ABL), apresentam bom nível de ocupação e contam com participação majoritária da gestão em todos os imóveis. Esse controle oferece maior flexibilidade para conduzir renegociações, reposicionar comercialmente os empreendimentos e realizar uma eventual reciclagem do portfólio. Ao mesmo tempo, a estrutura de capital desalavancada reduz os riscos financeiros e amplia a capacidade do fundo de atravessar o ciclo com maior estabilidade.

A tese construtiva para o KORE11 combina, portanto, qualidade patrimonial, maior controle sobre os imóveis e exposição a um segmento em processo de recuperação. Como o fundo ainda negocia com desconto relevante em relação ao seu valor patrimonial, entendemos que há potencial de valorização tanto pela melhora operacional do portfólio quanto por uma eventual redução desse desconto no mercado secundário. Ainda assim, trata-se de uma recomendação complementar dentro de uma carteira diversificada de fundos imobiliários, compondo a alocação ao lado de outros veículos com características, estratégias e fontes de retorno distintas. Embora a retomada das lajes corporativas deva permanecer heterogênea, o KORE11 nos parece bem-posicionado para capturar parte dos benefícios desse movimento sem concentrar, isoladamente, a exposição da carteira ao segmento.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.