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Investimentos

Ibovespa hoje: em dia de falha na B3, Microsoft (MSFT34) e Amazon (AMZO34) impulsionam índices nos EUA; veja destaques desta sexta (31)

Falha técnica na B3 impede abertura do mercado, enquanto as grandes empresas de tecnologia voltaram a ditar o ritmo de Wall Street.

Por Matheus Spiess

31 jul 2026, 12:15

Atualizado em 31 jul 2026, 12:15

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Imagem: Montagem Canva Pro

Os mercados globais encerram a semana com maior apetite por risco, impulsionados pela recuperação das ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores. Na Ásia, o principal destaque foi o salto recorde de 17,9% do Kospi, sustentado pelas valorizações de 28% da Samsung Electronics e de 30% da SK Hynix, em um movimento de recomposição após a forte correção recente do setor.

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O otimismo também foi reforçado pelos resultados de Microsoft e Amazon, que evidenciaram uma demanda robusta por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial, embora a Apple tenha frustrado parte das expectativas.

No Japão, o Banco Central manteve os juros em 1%, em uma decisão por oito votos a um, mas adotou uma comunicação mais firme ao reconhecer que a inflação subjacente pode superar a meta de 2%. Com isso, a autoridade preservou a possibilidade de elevar novamente a taxa, para 1,25%, até dezembro. O iene chegou a registrar sua maior valorização em mais de dois anos diante de indícios de uma intervenção coordenada entre Japão e Coreia do Sul, mas devolveu parte dos ganhos após a decisão monetária.

Paralelamente, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua relevante, com novos ataques a instalações americanas no Kuwait e no Barein, além de incidentes envolvendo navios no Egito. Ainda assim, o conflito deixou de determinar sozinho o comportamento dos ativos, à medida que os investidores voltaram a dividir sua atenção entre geopolítica, balanços corporativos, inflação e política monetária.

· 00:58 — Alívio externo, mas pressão fiscal segue no radar

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em forte alta de 1,88%, aos 177.159 pontos, na máxima do dia, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. O movimento acompanhou a melhora do apetite global por risco após a divulgação do PCE americano abaixo das expectativas, o que contribuiu para aliviar parte do desconforto provocado pela comunicação do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. As ações das grandes exportadoras de commodities deram sustentação ao índice, enquanto o desempenho negativo dos bancos limitou os ganhos.

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No cenário doméstico, o mercado também acompanhou as articulações eleitorais envolvendo Flávio Bolsonaro e a possibilidade de Tereza Cristina ocupar a vice-presidência da chapa, hipótese que pode fortalecer a candidatura. Ao mesmo tempo, o quadro fiscal permanece como uma importante fonte de preocupação: o terceiro mandato do presidente Lula pode terminar com déficit nominal equivalente a 8,6% do PIB, o maior em mais de duas décadas, enquanto a dívida bruta já alcança R$ 10,6 trilhões, ou 81,1% do PIB, e pode chegar a 100% em 2032. As contas do governo central acumularam déficit primário de R$ 92,2 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado desde 2020, e de R$ 144,1 bilhões em 12 meses, equivalente a 1,08% do PIB.

Como sabemos, o desequilíbrio fiscal, que contribui para a manutenção dos juros em patamares elevados no país, deverá ser enfrentado de forma mais efetiva apenas em 2027. No campo corporativo, a Vale registrou lucro líquido de US$ 1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% na comparação anual e resultado 27% abaixo das estimativas, embora o Ebitda pro forma tenha avançado 19%, para US$ 4,066 bilhões. A companhia também elevou sua projeção de custo caixa para 2026, anunciou a distribuição de R$ 2,03 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio e estendeu seu programa de recompra. A reação das ações, contudo, é tímida.

· 01:46 — Tecnologia reacende Wall Street

Nos Estados Unidos, os principais índices registraram forte recuperação na quinta-feira, impulsionados pela renovação do otimismo em torno do setor de tecnologia. O Nasdaq avançou 2,8%, o S&P 500 subiu 1,7% e o Dow Jones ganhou 1,2%, revertendo parte da instabilidade recente após a comunicação pouco clara do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh.

A Microsoft liderou o movimento, com alta de 15,5%, seu maior avanço diário desde 2008 e a reação mais positiva de sua história após a divulgação de um balanço. A SanDisk também se destacou, com valorização de 26%. Ainda assim, o movimento permaneceu concentrado: quase dois terços das empresas que compõem o S&P 500 recuaram, enquanto a versão do índice com pesos iguais encerrou o dia no campo negativo. A continuidade do rali passou a depender da reação aos resultados de Amazon e Apple, que superaram as expectativas, mas provocaram respostas opostas no pós-mercado, com alta da Amazon e queda da Apple.

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No campo macro, o PCE de junho trouxe sinais mais favoráveis para a inflação, com deflação de 0,11% no índice cheio e avanço de aproximadamente 0,15% no núcleo. O chamado supercore (“super núcleo”), que exclui habitação do componente de serviços, apresentou desaceleração expressiva, passando de 0,52% para 0,12% no mês. As pressões sobre os preços de bens, no entanto, permaneceram presentes, refletindo parcialmente os efeitos das tarifas. O PIB do segundo trimestre cresceu 1,5% em termos anualizados, abaixo dos 2,0% esperados, prejudicado pelo desempenho da balança comercial e pela variação dos estoques, que retiraram conjuntamente 1,7 ponto percentual do crescimento.

Em contrapartida, o consumo das famílias avançou 3,2% e o investimento privado cresceu 3,0%, indicando que a demanda doméstica continua sólida. Esse conjunto de dados sugere que o Fed seguirá orientado pelo comportamento da inflação e do mercado de trabalho, com espaço para uma postura menos restritiva caso o núcleo inflacionário continue recuando.

· 02:32 — Gigantes de tecnologia

Os balanços das grandes empresas de tecnologia voltaram a ditar o ritmo de Wall Street, com destaque para a Microsoft, que adicionou US$ 484 bilhões ao seu valor de mercado em um único pregão, o maior ganho diário já registrado por uma companhia americana. As ações avançaram cerca de 15% após o Azure crescer 43% no quarto trimestre fiscal, seu melhor desempenho desde o início de 2022.

O resultado reforçou a percepção de que a empresa consegue ampliar os investimentos em inteligência artificial sem abrir mão da disciplina financeira. O movimento impulsionou o setor de tecnologia do S&P 500, que subiu 5%. A Meta, por outro lado, seguiu na direção oposta e recuou quase 8%, pressionada pela frustração com o lucro e pelas preocupações relacionadas ao elevado volume de investimentos em IA.

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A Amazon também surpreendeu positivamente, com receita trimestral de US$ 201 bilhões, avanço de 20%, e lucro por ação de US$ 5,75, favorecido por US$ 53 bilhões em receitas não operacionais, sobretudo pelo ganho com a valorização de sua participação na Anthropic. A AWS cresceu 37%, acima dos 31% esperados, e alcançou margem operacional de 39%. O desempenho levou o mercado a receber com relativa tranquilidade o aumento da projeção anual de despesas de capital, ou capex, para US$ 220 bilhões, apesar do fluxo de caixa livre negativo e da necessidade de maior endividamento para financiar a construção de novos data centers.

Já a Apple apresentou receita e lucro acima das expectativas, com crescimento de 22% nas vendas de iPhones, mas suas ações recuaram mais de 6% após a divulgação de uma projeção mais fraca para o trimestre seguinte e de sinais de pressão crescente dos custos de memória sobre as margens. A reação ocorreu após a última teleconferência de Tim Cook como CEO, antes da sucessão por John Ternus, prevista para setembro.

· 03:27 — As potências médias

A política externa de “America First” tem estimulado uma aproximação entre potências médias, como Canadá, Japão, Austrália, Coreia do Sul e países europeus, que passaram a firmar novos acordos comerciais e de defesa para reduzir sua dependência da rivalidade entre Estados Unidos e China. Embora a formação de uma terceira força coordenada seja complexa e não elimine a influência americana, o fortalecimento desses vínculos pode sustentar um longo ciclo de investimentos públicos e privados em infraestrutura, defesa, commodities e cadeias de suprimentos.

Um exemplo é o compromisso conjunto de mais de US$ 1 bilhão entre Austrália e Japão para ampliar o comércio de minerais críticos, combinando a oferta mineral australiana com a demanda industrial japonesa. A reorganização das relações entre as potências médias pode se tornar uma das consequências mais duradouras da fragmentação atual.

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· 04:15 — O Iene testa seus limites

Após conquistar, em fevereiro, o maior mandato eleitoral do Japão desde a Segunda Guerra Mundial, Sanae Takaichi prometeu tirar o país de décadas de estagnação. Poucos meses depois, porém, esse projeto enfrenta obstáculos crescentes: a popularidade da primeira-ministra recua, o iene chegou ao menor nível em cerca de 40 anos frente ao dólar e o Banco do Japão avalia acelerar o ciclo de alta de juros, restringindo o espaço para uma política fiscal mais expansionista.

Diante da pressão cambial, o Ministério das Finanças aparentemente interveio para sustentar a moeda, embora esse tipo de medida só produza efeitos duradouros quando acompanhado por uma correção dos fundamentos que explicam a desvalorização. Os dados de inflação de Tóquio vieram ligeiramente pressionados pela energia, enquanto, na Europa, a inflação de julho não deve trazer sinais relevantes de alarme.

O Banco do Japão manteve a taxa básica em 1%, mas adotou uma comunicação claramente mais firme. A autoridade revisou para cima sua avaliação da economia, alertou para o risco de a inflação superar a meta de 2% e reforçou a percepção de que o país segue em direção a uma normalização mais ampla da política monetária, após a alta do mês anterior para o maior nível desde 1995. Um integrante do conselho defendeu novo aumento imediato, e os mercados passaram a tratar praticamente todas as reuniões como oportunidades reais para novos ajustes, inclusive já em outubro.

Nesse contexto, o Japão se tornou mais complexo: o banco central avança gradualmente rumo a juros mais altos, as autoridades tentam conter a fraqueza do iene e Sanae Takaichi descobre que uma vitória eleitoral expressiva não garante estabilidade política nem facilidade para implementar sua agenda econômica.

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· 05:01 — Amazon acelera na nuvem e investe no próximo ciclo

A Amazon apresentou resultados robustos, com receita trimestral de US$ 201 bilhões, crescimento de 20% na comparação anual e desempenho acima das expectativas. O lucro por ação alcançou US$ 5,75, também superando as projeções, embora tenha sido favorecido por US$ 53 bilhões em receitas não operacionais, principalmente relacionadas ao ganho não realizado com a valorização da participação da companhia na Anthropic.

Ainda assim, o principal destaque veio da operação: a Amazon Web Services cresceu 37%, bem acima dos 31% esperados por Wall Street, enquanto sua margem operacional atingiu 39%. Os números reforçam a recuperação da AWS e mostram que a maior plataforma de computação em nuvem do mundo voltou a crescer em ritmo mais próximo ao de concorrentes (Microsoft Azure e Google Cloud).

A aceleração da AWS ajuda a explicar por que o mercado recebeu de forma positiva o aumento da previsão de investimentos. A Amazon elevou sua estimativa anual de despesas de capital, ou capex, para US$ 220 bilhões, incorporando cerca de US$ 20 bilhões adicionais, destinados principalmente à construção de data centers e à expansão da infraestrutura voltada à inteligência artificial.

Embora os US$ 54 bilhões investidos no trimestre tenham superado o fluxo de caixa operacional em US$ 8,8 bilhões e levado a companhia ao segundo trimestre consecutivo de fluxo de caixa livre negativo, a demanda por capacidade computacional continua acima da oferta disponível. A empresa, inclusive, aumentou duas vezes neste ano os preços do aluguel de servidores destinados à IA, sinalizando poder de precificação e um ambiente de demanda ainda bastante favorável.

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O aumento do endividamento terá papel relevante no financiamento desse ciclo de expansão, especialmente diante da emissão adicional de US$ 25 bilhões em julho, somada aos US$ 63 bilhões em dívidas de longo prazo contratados no primeiro semestre e à linha de crédito de US$ 17,5 bilhões anunciada em junho. Esse movimento exige acompanhamento, sobretudo por seus possíveis efeitos sobre a geração de caixa e a estrutura de capital.

Ainda assim, o mercado parece compreender que os investimentos atuais estão associados a uma oportunidade estrutural de crescimento em computação em nuvem e inteligência artificial, e não a uma deterioração do negócio. Nesse contexto, os resultados reforçam uma visão construtiva para as ações da Amazon, negociadas na Nasdaq sob o código AMZN e acessíveis no Brasil por meio do BDR AMZO34, já recomendadas anteriormente em nossas séries voltadas a ações internacionais.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.