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Os mercados globais seguem operando em um delicado equilíbrio entre o entusiasmo com inteligência artificial e o aumento das preocupações geopolíticas. Apesar dos novos ataques entre Estados Unidos e Irã e das ameaças de retaliação feitas pela Guarda Revolucionária Islâmica, investidores continuam apostando em uma eventual normalização diplomática, sustentando o bom desempenho das bolsas americanas.
O S&P 500 e o Nasdaq voltaram a renovar máximas históricas, impulsionados principalmente pelo rali de tecnologia e semicondutores. Ao mesmo tempo, o petróleo permanece próximo de US$ 100 por barril, refletindo as dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo e sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, enquanto os mercados tentam calibrar qual poderá ser o impacto de uma guerra mais prolongada.
Em paralelo, cresce a preocupação entre autoridades monetárias em relação a uma possível complacência excessiva dos investidores diante dos riscos globais. O Banco Central Europeu alertou que os preços dos ativos seguem elevados em comparação aos padrões históricos e que o mercado pode estar subestimando ameaças geopolíticas, fiscais e macroeconômicas.
O debate também ganhou força dentro do Federal Reserve, com dirigentes sugerindo que uma guerra prolongada poderia exigir juros elevados por mais tempo caso os efeitos inflacionários se espalhem pela economia. Enquanto isso, a Rússia intensifica os ataques contra a Ucrânia, a China surpreende com forte avanço dos lucros industriais e os mercados seguem tentando conciliar crescimento, inflação, juros e um ambiente geopolítico fragmentado.
· 00:52 — Uma inflação ruim
No Brasil, depois de um início de semana mais positivo, os mercados passaram por uma realização ontem após novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Na agenda doméstica, investidores acompanharam os dados de contas externas, que mostraram déficit em transações correntes de US$ 1,765 bilhão em abril, levemente acima do déficit de US$ 1,636 bilhão registrado no mesmo mês de 2025.
O resultado foi pressionado principalmente pelo aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior e pela deterioração da conta de serviços, apesar do superávit recorde da balança comercial no período. Ainda assim, os investimentos estrangeiros diretos continuaram mais do que suficientes para compensar o déficit no balanço.
Para hoje, o principal destaque ficou com os dados de inflação — e o resultado veio pior do que o esperado. Em linha com os indicadores recentes de preços, o quadro inflacionário voltou a se deteriorar. O mercado esperava desaceleração da prévia da inflação de 0,89% para 0,57% na comparação mensal, mas o índice veio acima das projeções, em 0,62%. Em 12 meses, a prévia voltou a superar o teto da meta, avançando de 4,37% para 4,64%, também acima das expectativas.
A composição do dado igualmente trouxe sinais negativos, com elevada difusão inflacionária, indicador que mede o espalhamento da alta de preços entre os diferentes itens da cesta, além de serviços subjacentes e núcleos de inflação piores do que o esperado.
A leitura reduz o espaço para cortes adicionais de juros pelo Banco Central, que provavelmente deverá realizar apenas mais uma ou, no máximo, duas reduções de 25 pontos-base antes de interromper o ciclo. Ao longo da tarde, o mercado ainda acompanha a divulgação do Relatório Mensal da Dívida Pública referente a abril de 2026.
Vale lembrar que o desequilíbrio fiscal acaba exigindo uma política monetária mais contracionista. Em ano eleitoral, o governo vem acelerando estímulos fiscais, mas isso reduz a eficácia da política monetária, como acelerar com o freio de mão puxado, diminuindo ainda mais a margem para cortes adicionais na Selic.
· 01:48 — O grande impulsionador
Os mercados globais seguem demonstrando resiliência diante da combinação entre tensões geopolíticas, inflação ainda elevada e perda gradual de confiança do consumidor americano. Mesmo após novos ataques dos Estados Unidos no Oriente Médio e a piora do índice de confiança do consumidor do Conference Board em maio, o S&P 500 e o Nasdaq voltaram a renovar máximas históricas, impulsionados principalmente pelo entusiasmo contínuo com inteligência artificial e semicondutores.
Vale destacar que os investimentos ligados à IA seguem funcionando como uma importante compensação para a desaceleração observada em outros setores da economia, especialmente após os fortes resultados recentes da NVIDIA, que reforçaram a percepção de crescimento estrutural da demanda por chips.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham atentamente os sinais sobre o consumidor americano, com foco especial nos resultados da Costco Wholesale, considerada uma referência relevante para famílias de renda mais alta nos Estados Unidos. Apesar das pressões inflacionárias e da alta nos preços da gasolina, os dados recentes indicam que os consumidores permanecem relativamente resilientes, sustentando gastos discricionários e favorecendo empresas ligadas a consumo, varejo e viagens.
Em paralelo, o mercado monitora a agenda política e monetária americana, incluindo a reunião de Donald Trump com seu gabinete para discutir o conflito com o Irã, discursos de dirigentes do Fed e novos leilões do Tesouro americano, em um ambiente ainda extremamente sensível à trajetória dos juros e à geopolítica.
· 02:36 — Trilhão
O boom da inteligência artificial continua impulsionando o setor global de semicondutores a níveis cada vez mais extremos. A SK Hynix e a Micron Technology ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, seguindo o movimento recente da Samsung.
O principal motor dessa euforia é a explosão da demanda por chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para inteligência artificial, data centers e processamento computacional avançado. A SK Hynix lidera atualmente esse segmento, enquanto analistas projetam que a escassez global desses chips pode persistir até 2027, ampliando o poder de precificação das fabricantes e fortalecendo ainda mais o ecossistema global de IA. O movimento ajudou a levar as bolsas globais a novos recordes.
· 03:25 — Flopou?
A Ferrari revelou oficialmente o Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, em uma das apostas mais ousadas da história da montadora. O modelo, desenvolvido com participação do ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, chamou atenção pelo visual futurista, maior foco em conforto e proposta mais familiar, tornando-se o primeiro Ferrari de cinco lugares. Equipado com quatro motores elétricos, mais de 1.000 cavalos de potência e autonomia de até 530 quilômetros, o veículo busca combinar desempenho extremo com a nova realidade da eletrificação automotiva e da crescente demanda energética associada à tecnologia e à inteligência artificial.
A iniciativa surge justamente em um momento em que outras fabricantes de luxo, como Porsche, Bentley e Lamborghini vêm desacelerando seus próprios projetos elétricos diante do enfraquecimento da demanda global por veículos elétricos.
Apesar das especificações impressionantes, a recepção inicial foi bastante negativa. O design do Luce recebeu críticas de fãs tradicionais e especialistas do setor, sendo comparado a veículos elétricos genéricos e acusado de diluir parte da identidade histórica da Ferrari. As ações da montadora chegaram a cair mais de 5% após o lançamento, refletindo a preocupação do mercado com o risco de afastar parte da base mais fiel da marca em troca da tentativa de atrair famílias de alta renda, consumidores mais jovens e o mercado chinês, onde os veículos elétricos ainda mantêm maior relevância. Em outras palavras, o Luce representa muito mais do que apenas um novo modelo: trata-se de uma aposta estratégica da Ferrari para atravessar a transição entre a era dos motores a combustão e o futuro elétrico, mesmo ao custo de desafiar parte de sua própria herança automotiva.
· 04:11 — Back to the game
Depois de um período em que chegou a ser vista como um centro financeiro em declínio, Hong Kong voltou a ganhar força, impulsionada pela retomada dos IPOs, pelo crescimento dos escritórios familiares e pela valorização de 28% do índice Hang Seng no último ano. Segundo o Boston Consulting Group, a cidade ultrapassou a Switzerland como o maior centro de riqueza transfronteiriça do mundo, alcançando US$ 2,9 trilhões em ativos internacionais sob gestão, movimento fortemente sustentado pelo fluxo de capital oriundo da China continental. A expectativa é que a rápida geração de riqueza na Ásia amplie ainda mais essa liderança até 2030, em meio ao fortalecimento da indústria chinesa, à recuperação do mercado de capitais local e à crescente busca de investidores ultra-ricos por diversificação geográfica. Tudo isso ocorre em um ambiente global marcado por tensões geopolíticas, reorganização dos fluxos internacionais de capital e expansão acelerada da riqueza privada mundial.
· 05:09 — Geopolítica, Inteligência Artificial e a Nova Corrida pelo Urânio
Naturalmente, a crise energética provocada pelas tensões no Oriente Médio tende a acelerar ainda mais a busca global por alternativas aos combustíveis fósseis, recolocando a energia nuclear no centro do debate energético internacional. Nos Estados Unidos, cresce o entusiasmo em torno da retomada da indústria nuclear, especialmente diante do aumento da demanda por eletricidade associado à inteligência artificial e à expansão dos grandes data centers. Ainda assim, o tema continua cercado por questionamentos relacionados à segurança, sobretudo devido à memória de acidentes históricos, como o de Three Mile Island, em 1979. A decisão de reabrir a usina para abastecer os data centers da Microsoft reacendeu preocupações da população local envolvendo armazenamento de resíduos radioativos, planos de evacuação e capacidade de fiscalização das autoridades reguladoras.
Ao mesmo tempo, o governo de Donald Trump vem adotando uma postura mais favorável à expansão da energia nuclear, priorizando desregulamentação e aceleração do licenciamento de novos reatores. O movimento, porém, gerou preocupação dentro da Comissão Reguladora Nuclear (NRC), cuja independência e capacidade operacional passaram a ser questionadas diante de cortes orçamentários, escassez de pessoal e envelhecimento da força de trabalho. Em outras palavras, enquanto a energia nuclear volta a ganhar relevância estratégica em um mundo pressionado por riscos energéticos, cresce também o debate sobre como equilibrar a expansão acelerada da capacidade nuclear com segurança regulatória e supervisão adequada.
Nesse contexto, instrumentos como o ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e o Global X Uranium ETF (URA) seguem como alternativas relevantes para capturar essa temática. No Brasil, o BURA39 cumpre papel semelhante. Para a maior parte dos investidores, alocações mais modestas — da ordem de até 1% do portfólio — tendem a ser suficientes para capturar o potencial da tese sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, permanece válida a disciplina fundamental: respeitar o próprio perfil de risco, manter diversificação adequada e estruturar o portfólio de forma capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com maior consistência.