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Investimentos

Ibovespa hoje: IPCA de junho amplia apostas em corte da Selic e Oriente Médio vê nova escalada de conflitos; veja destaques desta segunda (13)

Resultado do IPCA de junho aumenta expectativa por um novo corte da Selic em agosto e mercado segue cauteloso com nova escalada de tensão entre EUA e Irã

Por Matheus Spiess

13 jul 2026, 10:11

Atualizado em 13 jul 2026, 10:11

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Imagem: iStock/ Victoria Kaipetskaya

A semana começa sob cautela redobrada após a nova escalada entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques e retaliações ao longo do fim de semana e por versões conflitantes sobre a situação do Estreito de Ormuz. Enquanto Teerã afirma ter fechado a rota até nova ordem, Washington sustenta que a passagem permanece aberta, embora o tráfego siga muito abaixo do normal e parte das embarcações tenha realizado a travessia com os transponders desligados.

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A deterioração do cenário ampliou as dúvidas sobre a continuidade do acordo interino firmado no mês passado e voltou a pressionar os preços do petróleo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries, diante do risco de novos impactos sobre os custos de energia e a inflação.

Nos mercados, o aumento da aversão ao risco afetou principalmente as bolsas asiáticas, com forte queda do Kospi após o recuo superior a 13% das ações da SK Hynix. Ao longo da semana, os investidores acompanharão a divulgação do CPI nos Estados Unidos, os depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso e o início da temporada de balanços dos grandes bancos, eventos importantes para calibrar as expectativas em relação à inflação, à trajetória dos juros e à resiliência dos lucros corporativos.

· 00:54 — Divisor de águas

O Ibovespa encerrou a sexta-feira em forte alta de 2,97%, aos 177.866 pontos, na máxima do dia e com o melhor desempenho diário desde 23 de março. Como antecipamos, o movimento foi impulsionado pelo IPCA de junho, que avançou apenas 0,16%, abaixo da expectativa de 0,31% e significativamente aquém dos 0,58% registrados em maio. A composição do índice também foi favorável, com deflação em alimentos e bebidas, desaceleração dos núcleos e dos serviços subjacentes, além de menor disseminação das altas de preços.

O resultado ampliou as apostas em um novo corte da Selic em agosto e contribuiu para a queda dos juros futuros, favorecendo principalmente as ações mais sensíveis à dinâmica da economia doméstica, com destaque para os bancos. O dólar, por sua vez, recuou para R$ 5,1084 e acumulou queda de 1,15% na semana, refletindo a melhora do apetite por ativos emergentes, mesmo diante da redução do diferencial de juros, ou carry.

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A atenção agora se volta para os próximos indicadores de atividade, como o volume de serviços, as vendas no varejo e o IBC-Br, que ajudarão a avaliar se a desaceleração da inflação também vem acompanhada de perda de fôlego da economia. Embora o resultado do IPCA tenha reforçado a possibilidade de um corte adicional da Selic, a inflação acumulada em 12 meses permanece em 4,64%, enquanto riscos fiscais, externos e climáticos, incluindo a possibilidade de um El Niño mais intenso, somados à alta do petróleo provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, limitam o espaço para um ciclo mais amplo de redução dos juros.

Ainda assim, a reação positiva do câmbio e da bolsa sugere que os investidores têm interpretado a flexibilização monetária como um fator potencialmente favorável ao crescimento e à retomada dos fluxos para os ativos brasileiros.

· 01:49 — Dado chave

Nos Estados Unidos, a agenda da semana será dominada pelos dados de inflação e pelos primeiros depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso desde que assumiu a presidência do Federal Reserve. O CPI de junho será divulgado na terça-feira, seguido pelo PPI e pelo Livro Bege na quarta, enquanto dados de vendas no varejo, produção industrial, pedidos de auxílio-desemprego e confiança do consumidor serão apresentados ao longo da semana.

Esses indicadores serão importantes para avaliar se a queda dos preços de energia em junho foi suficiente para aliviar as pressões inflacionárias e devolver o crescimento da renda real ao campo positivo. Embora Warsh mantenha uma postura inclinada ao aperto monetário, a expectativa é de que o Fed preserve os juros em níveis elevados por mais tempo, com um eventual corte apenas no terceiro trimestre de 2027, salvo uma nova escalada relevante do conflito.

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Em paralelo, a temporada de balanços do segundo trimestre ganha força e representará o primeiro grande teste para a sustentação do otimismo após as máximas recentes do S&P 500 e a forte valorização das empresas de tecnologia. JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo abrem a agenda na terça-feira, seguidos por BlackRock e Morgan Stanley na quarta. No setor de tecnologia, os principais destaques serão ASML, TSMC e Netflix, com atenção especial aos sinais sobre a demanda por chips e infraestrutura de inteligência artificial.

· 02:32 — Escalada problemática

A escalada entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo em que elevou os rendimentos dos Treasuries, reacendendo preocupações inflacionárias. Ainda assim, os mercados permanecem resilientes e próximos das máximas, sustentados pela expectativa de uma eventual retomada da trégua e pelo interesse contínuo dos investidores em temas ligados à inteligência artificial. No campo geopolítico, o Estreito de Ormuz voltou ao centro das tensões após novos ataques de ambos os lados.

Os Estados Unidos atingiram centenas de alvos iranianos, enquanto Teerã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas e instalações de países aliados no Golfo. O Irã afirma que a hidrovia permanece fechada, enquanto Washington sustenta que a rota continua aberta e não está sob controle iraniano.

Embora o tráfego siga muito abaixo do normal e o risco de regionalização do conflito tenha aumentado, os mercados ainda tratam o episódio como uma ameaça relevante, mas não como uma ruptura definitiva da oferta global de petróleo. A principal dúvida, agora, é se a deterioração do conflito será suficiente para alterar as expectativas de inflação e juros nos Estados Unidos e em outras economias.

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· 03:28 — Exportações de IA

As exportações chinesas relacionadas à inteligência artificial tornaram-se um dos principais vetores de crescimento do comércio exterior do país, ajudando a compensar a fraqueza do consumo doméstico e o desempenho mais modesto de setores tradicionais. Os produtos de alta tecnologia ligados à IA vêm registrando sua maior contribuição para a expansão das exportações em duas décadas, enquanto segmentos intensivos em mão de obra, como vestuário e móveis, perdem espaço. O movimento sinaliza uma transformação estrutural no perfil exportador da China, cada vez mais orientado para atividades de maior conteúdo tecnológico e valor agregado.

· 04:13 — Volatilidade elevada

O mercado acionário sul-coreano, um dos principais beneficiários do avanço da inteligência artificial, atravessa seu período de maior volatilidade desde a crise asiática de 1998. Após acumular valorização superior a 250% em 12 meses, o MSCI Korea passou a registrar oscilações extremas, com queda de 28% em relação à máxima de junho e sucessivos acionamentos de circuit breakers, mecanismos que interrompem temporariamente as negociações em momentos de forte instabilidade.

Parte desse movimento decorre da elevada concentração do índice em SK Hynix e Samsung, que juntas representam cerca de dois terços do mercado, além da expansão do uso de produtos alavancados e das dúvidas sobre o ritmo de investimentos em IA.

Apesar da turbulência, os fundamentos das principais empresas do setor permanecem robustos. A Samsung registrou forte expansão dos lucros, enquanto a SK Hynix projeta que a escassez de chips de memória deve persistir por vários anos e captou US$ 26,5 bilhões em sua estreia nos Estados Unidos.

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Ainda assim, nem mesmo bons resultados têm sido suficientes para evitar quedas expressivas nas ações, reforçando a percepção de que o mercado pode estar excessivamente concentrado em poucas teses de investimento. O principal desafio para os investidores será distinguir episódios de volatilidade de uma eventual deterioração estrutural, em um ambiente no qual o potencial de longo prazo da inteligência artificial continua relevante, mas a concentração dos índices e o excesso de posicionamento aumentam o risco.

· 05:07 — Micron amplia sua aposta na infraestrutura da inteligência artificial

A Micron Technology anunciou a ampliação de seu plano de investimentos nos Estados Unidos de US$ 200 bilhões para US$ 250 bilhões até 2035, em resposta ao forte crescimento da demanda por chips de memória impulsionada pela inteligência artificial. A estratégia prevê que 40% da produção de DRAM da companhia seja realizada em território americano, além da geração de empregos e do fortalecimento da cadeia local de semicondutores. Em paralelo, a empresa pretende investir até US$ 3 bilhões no ecossistema de fornecedores, incluindo US$ 500 milhões destinados à GlobalWafers para apoiar a construção de uma fábrica de wafers de silício no Texas.

As ações da Micron avançaram 4,5% após o anúncio e já acumulam valorização superior a 200% em 2026, apesar da volatilidade recente provocada por dúvidas sobre a duração do ciclo de expansão da IA. Ainda assim, a perspectiva segue construtiva. O BofA estima que as grandes empresas de tecnologia possam investir cerca de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura global de nuvem e inteligência artificial em 2027, sustentando a demanda por memórias avançadas e reforçando a relevância estratégica da companhia. Nesse contexto, a combinação entre expansão de capacidade, maior integração à cadeia de semicondutores e exposição direta ao crescimento da infraestrutura de IA mantém uma visão positiva para as ações da Micron, negociadas na Nasdaq sob o ticker MU e acessíveis no Brasil por meio dos BDRs MUTC34.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.