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A semana começa sob cautela redobrada após a nova escalada entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques e retaliações ao longo do fim de semana e por versões conflitantes sobre a situação do Estreito de Ormuz. Enquanto Teerã afirma ter fechado a rota até nova ordem, Washington sustenta que a passagem permanece aberta, embora o tráfego siga muito abaixo do normal e parte das embarcações tenha realizado a travessia com os transponders desligados.
A deterioração do cenário ampliou as dúvidas sobre a continuidade do acordo interino firmado no mês passado e voltou a pressionar os preços do petróleo, o dólar e os rendimentos dos Treasuries, diante do risco de novos impactos sobre os custos de energia e a inflação.
Nos mercados, o aumento da aversão ao risco afetou principalmente as bolsas asiáticas, com forte queda do Kospi após o recuo superior a 13% das ações da SK Hynix. Ao longo da semana, os investidores acompanharão a divulgação do CPI nos Estados Unidos, os depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso e o início da temporada de balanços dos grandes bancos, eventos importantes para calibrar as expectativas em relação à inflação, à trajetória dos juros e à resiliência dos lucros corporativos.
· 00:54 — Divisor de águas
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em forte alta de 2,97%, aos 177.866 pontos, na máxima do dia e com o melhor desempenho diário desde 23 de março. Como antecipamos, o movimento foi impulsionado pelo IPCA de junho, que avançou apenas 0,16%, abaixo da expectativa de 0,31% e significativamente aquém dos 0,58% registrados em maio. A composição do índice também foi favorável, com deflação em alimentos e bebidas, desaceleração dos núcleos e dos serviços subjacentes, além de menor disseminação das altas de preços.
O resultado ampliou as apostas em um novo corte da Selic em agosto e contribuiu para a queda dos juros futuros, favorecendo principalmente as ações mais sensíveis à dinâmica da economia doméstica, com destaque para os bancos. O dólar, por sua vez, recuou para R$ 5,1084 e acumulou queda de 1,15% na semana, refletindo a melhora do apetite por ativos emergentes, mesmo diante da redução do diferencial de juros, ou carry.
A atenção agora se volta para os próximos indicadores de atividade, como o volume de serviços, as vendas no varejo e o IBC-Br, que ajudarão a avaliar se a desaceleração da inflação também vem acompanhada de perda de fôlego da economia. Embora o resultado do IPCA tenha reforçado a possibilidade de um corte adicional da Selic, a inflação acumulada em 12 meses permanece em 4,64%, enquanto riscos fiscais, externos e climáticos, incluindo a possibilidade de um El Niño mais intenso, somados à alta do petróleo provocada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, limitam o espaço para um ciclo mais amplo de redução dos juros.
Ainda assim, a reação positiva do câmbio e da bolsa sugere que os investidores têm interpretado a flexibilização monetária como um fator potencialmente favorável ao crescimento e à retomada dos fluxos para os ativos brasileiros.
· 01:49 — Dado chave
Nos Estados Unidos, a agenda da semana será dominada pelos dados de inflação e pelos primeiros depoimentos de Kevin Warsh ao Congresso desde que assumiu a presidência do Federal Reserve. O CPI de junho será divulgado na terça-feira, seguido pelo PPI e pelo Livro Bege na quarta, enquanto dados de vendas no varejo, produção industrial, pedidos de auxílio-desemprego e confiança do consumidor serão apresentados ao longo da semana.
Esses indicadores serão importantes para avaliar se a queda dos preços de energia em junho foi suficiente para aliviar as pressões inflacionárias e devolver o crescimento da renda real ao campo positivo. Embora Warsh mantenha uma postura inclinada ao aperto monetário, a expectativa é de que o Fed preserve os juros em níveis elevados por mais tempo, com um eventual corte apenas no terceiro trimestre de 2027, salvo uma nova escalada relevante do conflito.
Em paralelo, a temporada de balanços do segundo trimestre ganha força e representará o primeiro grande teste para a sustentação do otimismo após as máximas recentes do S&P 500 e a forte valorização das empresas de tecnologia. JPMorgan, Goldman Sachs, Bank of America, Citigroup e Wells Fargo abrem a agenda na terça-feira, seguidos por BlackRock e Morgan Stanley na quarta. No setor de tecnologia, os principais destaques serão ASML, TSMC e Netflix, com atenção especial aos sinais sobre a demanda por chips e infraestrutura de inteligência artificial.
· 02:32 — Escalada problemática
A escalada entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os preços do petróleo e do gás, ao mesmo tempo em que elevou os rendimentos dos Treasuries, reacendendo preocupações inflacionárias. Ainda assim, os mercados permanecem resilientes e próximos das máximas, sustentados pela expectativa de uma eventual retomada da trégua e pelo interesse contínuo dos investidores em temas ligados à inteligência artificial. No campo geopolítico, o Estreito de Ormuz voltou ao centro das tensões após novos ataques de ambos os lados.
Os Estados Unidos atingiram centenas de alvos iranianos, enquanto Teerã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra bases americanas e instalações de países aliados no Golfo. O Irã afirma que a hidrovia permanece fechada, enquanto Washington sustenta que a rota continua aberta e não está sob controle iraniano.
Embora o tráfego siga muito abaixo do normal e o risco de regionalização do conflito tenha aumentado, os mercados ainda tratam o episódio como uma ameaça relevante, mas não como uma ruptura definitiva da oferta global de petróleo. A principal dúvida, agora, é se a deterioração do conflito será suficiente para alterar as expectativas de inflação e juros nos Estados Unidos e em outras economias.
· 03:28 — Exportações de IA
As exportações chinesas relacionadas à inteligência artificial tornaram-se um dos principais vetores de crescimento do comércio exterior do país, ajudando a compensar a fraqueza do consumo doméstico e o desempenho mais modesto de setores tradicionais. Os produtos de alta tecnologia ligados à IA vêm registrando sua maior contribuição para a expansão das exportações em duas décadas, enquanto segmentos intensivos em mão de obra, como vestuário e móveis, perdem espaço. O movimento sinaliza uma transformação estrutural no perfil exportador da China, cada vez mais orientado para atividades de maior conteúdo tecnológico e valor agregado.
· 04:13 — Volatilidade elevada
O mercado acionário sul-coreano, um dos principais beneficiários do avanço da inteligência artificial, atravessa seu período de maior volatilidade desde a crise asiática de 1998. Após acumular valorização superior a 250% em 12 meses, o MSCI Korea passou a registrar oscilações extremas, com queda de 28% em relação à máxima de junho e sucessivos acionamentos de circuit breakers, mecanismos que interrompem temporariamente as negociações em momentos de forte instabilidade.
Parte desse movimento decorre da elevada concentração do índice em SK Hynix e Samsung, que juntas representam cerca de dois terços do mercado, além da expansão do uso de produtos alavancados e das dúvidas sobre o ritmo de investimentos em IA.
Apesar da turbulência, os fundamentos das principais empresas do setor permanecem robustos. A Samsung registrou forte expansão dos lucros, enquanto a SK Hynix projeta que a escassez de chips de memória deve persistir por vários anos e captou US$ 26,5 bilhões em sua estreia nos Estados Unidos.
Ainda assim, nem mesmo bons resultados têm sido suficientes para evitar quedas expressivas nas ações, reforçando a percepção de que o mercado pode estar excessivamente concentrado em poucas teses de investimento. O principal desafio para os investidores será distinguir episódios de volatilidade de uma eventual deterioração estrutural, em um ambiente no qual o potencial de longo prazo da inteligência artificial continua relevante, mas a concentração dos índices e o excesso de posicionamento aumentam o risco.
· 05:07 — Micron amplia sua aposta na infraestrutura da inteligência artificial
A Micron Technology anunciou a ampliação de seu plano de investimentos nos Estados Unidos de US$ 200 bilhões para US$ 250 bilhões até 2035, em resposta ao forte crescimento da demanda por chips de memória impulsionada pela inteligência artificial. A estratégia prevê que 40% da produção de DRAM da companhia seja realizada em território americano, além da geração de empregos e do fortalecimento da cadeia local de semicondutores. Em paralelo, a empresa pretende investir até US$ 3 bilhões no ecossistema de fornecedores, incluindo US$ 500 milhões destinados à GlobalWafers para apoiar a construção de uma fábrica de wafers de silício no Texas.
As ações da Micron avançaram 4,5% após o anúncio e já acumulam valorização superior a 200% em 2026, apesar da volatilidade recente provocada por dúvidas sobre a duração do ciclo de expansão da IA. Ainda assim, a perspectiva segue construtiva. O BofA estima que as grandes empresas de tecnologia possam investir cerca de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura global de nuvem e inteligência artificial em 2027, sustentando a demanda por memórias avançadas e reforçando a relevância estratégica da companhia. Nesse contexto, a combinação entre expansão de capacidade, maior integração à cadeia de semicondutores e exposição direta ao crescimento da infraestrutura de IA mantém uma visão positiva para as ações da Micron, negociadas na Nasdaq sob o ticker MU e acessíveis no Brasil por meio dos BDRs MUTC34.