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Investimentos

Ibovespa hoje: mercado renova otimismo com EUA e Irã e posse de Kevin Warsh no Fed; confira destaques

O Ibovespa e demais mercados globais oscilam entre alívio e cautela diante das negociações entre Estados Unidos e Irã.

Por Matheus Spiess

22 maio 2026, 10:39

Atualizado em 22 maio 2026, 10:39

Estreito de Ormuz Oriente Médio

(Imagem: Suphanat Khumsap/iStock)

Os mercados globais seguem alternando momentos de alívio e cautela diante das negociações entre Estados Unidos e Irã. Embora autoridades americanas e iranianas tenham sinalizado avanços parciais nas conversas, os principais pontos de impasse continuam sem solução, especialmente em torno do estoque de urânio enriquecido iraniano e da proposta de criação de um sistema permanente de pedágio no Estreito de Ormuz, defendida por Teerã em parceria com Omã e rejeitada por Donald Trump.

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Ainda assim, a percepção de que as negociações seguem avançando ajuda as bolsas globais a sustentarem o movimento de alta, enquanto investidores tentam separar o que representa progresso concreto do que ainda parece refletir apenas um excesso de otimismo por parte do mercado.

Ao mesmo tempo, o ambiente permanece extremamente sensível aos riscos geopolíticos e energéticos. Em paralelo, investidores acompanham a posse de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve em um cenário marcado por inflação ainda elevada, guerra pressionando os preços de energia e dúvidas crescentes sobre o futuro dos juros americanos.

· 00:52 — Um olho no bloqueio e o outro na pesquisa

No Brasil, seguimos amplamente condicionados ao humor externo, especialmente às oscilações do noticiário envolvendo uma eventual liberação (ou não) do Estreito de Ormuz. O quadro doméstico, porém, continua adicionando um componente extra de fragilidade ao ambiente local.

Ontem, o Ibovespa conseguiu se manter acima dos 177 mil pontos, encerrando o pregão com leve alta, enquanto o dólar permaneceu próximo de R$ 5. O mercado segue monitorando atentamente os desdobramentos internacionais e geopolíticos, mas também começa a voltar parte da atenção para eventos relevantes da agenda doméstica. Entre eles, destaca-se a divulgação, nesta tarde, do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre, acompanhada pela coletiva da equipe econômica. Ontem, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou que o governo anunciará um aumento no bloqueio orçamentário (relacionado à surpresa nas despesas) atualmente em R$ 1,6 bilhão, embora tenha descartado, por ora, contingenciamento (mecanismo normalmente associado à frustração de receitas), já que estamos com recorde de arrecadação.

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O tema ganha relevância adicional diante do discurso recente da equipe econômica sobre controle de gastos obrigatórios e sustentabilidade do arcabouço fiscal. Como venho destacando há bastante tempo, parece cada vez mais inevitável algum grau de ajuste fiscal a partir do próximo ano, independentemente de quem vença a eleição presidencial. A principal diferença estará na profundidade, abrangência e credibilidade desse eventual ajuste.

Nesse contexto, qualquer surpresa no relatório ou na coletiva pode influenciar de maneira relevante o humor dos mercados, especialmente porque a deterioração fiscal tende a manter pressão sobre a política monetária, exigindo juros elevados por mais tempo. Além disso, investidores acompanham entre hoje e amanhã a divulgação da primeira pesquisa Datafolha após as notícias envolvendo o principal nome da oposição. O levantamento da Futura, divulgado nesta manhã, reforçou a leitura já apresentada pela AtlasIntel no início da semana, indicando uma melhora relativa do cenário para o grupo atualmente no poder.

· 01:49 — Dia de posse

Os mercados americanos encerram a semana sustentados por uma combinação delicada entre o entusiasmo contínuo com a inteligência artificial e a preocupação crescente com inflação, juros e política monetária. Apesar da volatilidade provocada pela guerra no Oriente Médio e pelas fortes oscilações do petróleo, o S&P 500 caminha para registrar sua melhor sequência semanal desde 2023, impulsionado pela percepção de que nem Estados Unidos nem Irã parecem dispostos, ao menos por ora, a permitir uma escalada mais ampla do conflito. Ao mesmo tempo, o consumo começa a exibir sinais mais evidentes de fragmentação: enquanto empresas voltadas ao público de maior renda continuam se beneficiando da resiliência das famílias mais ricas, gigantes do varejo popular já relatam consumidores pressionados pelo aumento dos combustíveis, pela redução do consumo e pelo avanço do estresse financeiro.

No centro das atenções está a posse de Kevin Warsh na presidência do Federal Reserve, encerrando oficialmente a gestão de Jerome Powell em um momento particularmente desafiador para o banco central americano. Embora Warsh tenha histórico mais favorável à flexibilização monetária e conte com forte apoio de Donald Trump, os dados econômicos seguem dificultando qualquer movimento de corte de juros no curto prazo. A inflação permanece persistentemente acima da meta de 2%, o mercado de trabalho continua relativamente sólido e os efeitos do petróleo elevado começam a contaminar expectativas inflacionárias e custos da economia. Nesse ambiente, os contratos futuros passaram a precificar probabilidade crescente de novas altas de juros até o fim do ano, enquanto investidores tentam equilibrar o forte entusiasmo com inteligência artificial, novamente liderado pela Nvidia e pelo setor de semicondutores, com o risco de um Federal Reserve forçado a manter juros elevados por mais tempo em meio ao choque energético e às incertezas geopolíticas globais.

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· 02:31 — Sinais minimamente mais promissores…

Os mercados seguem presos a uma dinâmica extremamente volátil no Oriente Médio, alternando momentos de alívio e forte aversão a risco diante dos sinais contraditórios vindos das negociações entre Estados Unidos e Irã. Embora Teerã tenha admitido avanços pontuais nas conversas e a Casa Branca tenha demonstrado maior abertura à proposta iraniana de curto prazo, envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz e o relaxamento parcial do bloqueio americano, os principais focos de tensão permanecem sem solução, especialmente em torno do estoque de urânio enriquecido iraniano, das sanções econômicas e do controle da principal rota global de petróleo. Nesse ambiente de elevada incerteza, o petróleo voltou a oscilar intensamente, chegando a superar os US$ 105 por barril antes de devolver parte dos ganhos, enquanto investidores tentam recalibrar as probabilidades entre um eventual acordo diplomático e uma nova escalada militar na região.

Ao mesmo tempo, os riscos econômicos do conflito começam a se espalhar de forma mais concreta pela economia global. O Rapidan Energy Group alertou que, caso o Estreito de Ormuz permaneça parcialmente bloqueado até agosto, os impactos poderiam se aproximar dos efeitos observados durante a crise financeira de 2008, com o Brent potencialmente alcançando US$ 130 por barril e aprofundando um ambiente marcado por inflação elevada, choques de oferta e desaceleração do crescimento global. Os efeitos da guerra já ultrapassam o setor energético e começam a atingir cadeias produtivas e comunidades ao redor do mundo, especialmente no Sudeste Asiático, onde a disparada dos preços do diesel vem reduzindo a atividade pesqueira, pressionando o custo dos alimentos e ampliando o estresse econômico sobre famílias e trabalhadores locais.

· 03:27 — Mais potente

A Eli Lilly divulgou resultados extremamente robustos com a retatrutida, seu novo GLP-1 experimental voltado ao tratamento da obesidade, reforçando a percepção de que o segmento ainda atravessa uma fase inicial de expansão e inovação. Em um estudo que ainda não passou por revisão por pares, pacientes tratados com a dose mais alta do medicamento perderam, em média, 28% da massa corporal após 80 semanas, desempenho significativamente superior ao observado com o Wegovy, da Novo Nordisk. Entre os pacientes com maior peso, a redução média chegou a aproximadamente 30% do peso corporal, patamar bastante próximo ao alcançado em procedimentos de cirurgia bariátrica.

Apesar do forte potencial terapêutico, os resultados também vieram acompanhados de efeitos colaterais gastrointestinais mais intensos, levando cerca de 11% dos participantes que receberam a dose mais elevada a abandonarem o tratamento. Ainda assim, após resultados financeiros sólidos e avanços regulatórios recentes no segmento de obesidade, a Eli Lilly pretende solicitar ainda neste ano a aprovação da retatrutida junto à FDA. O movimento reforça a visão de que a corrida global pelos medicamentos antiobesidade segue acelerando, em um mercado que pode se tornar uma das maiores avenidas de crescimento estrutural da indústria farmacêutica nas próximas décadas.

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· 04:13 — Turbinando a computação quântica

O governo Trump surpreendeu ao anunciar US$ 2 bilhões em investimentos em computação quântica via CHIPS Act, impulsionando empresas como IBM, D-Wave e Rigetti. Esse movimento reforça a percepção de que a computação quântica começa a deixar de ser apenas uma promessa distante para se transformar em uma das próximas grandes fronteiras estratégicas do novo ciclo tecnológico global.

Não por acaso, o ETF Defiance Quantum ETF (QTUM), que já recomendei anteriormente neste espaço, acumula alta de cerca de 33% em dólares apenas neste ano (mais de 70% em 12 meses), capturando justamente a reprecificação das empresas mais expostas à convergência entre IA, computação quântica, semicondutores avançados e infraestrutura crítica de próxima geração. Em um ambiente em que o mercado busca os próximos vencedores estruturais da revolução tecnológica, QTUM segue oferecendo uma forma diversificada e eficiente de acessar uma temática que ainda parece estar apenas nos estágios iniciais de desenvolvimento e adoção global.

· 05:08 — Quem quer rir tem que fazer rir

A Reforma Tributária deve mudar a conta de parte dos investidores que vivem de aluguel no Brasil. Pessoas físicas com mais de três imóveis destinados à locação e receita anual superior a R$ 240 mil poderão passar a recolher IBS e CBS sobre os aluguéis, além do Imposto de Renda. A carga total sobre a receita de locação poderia saltar até 35,9% quando o novo sistema estiver plenamente implementado, em 2033.

Esse movimento reforça uma discussão importante para o investidor do mercado imobiliário: a diferença entre investir diretamente em imóveis e acessar o setor por meio dos Fundos Imobiliários. Enquanto o investimento direto pode exigir gestão ativa, lidar com vacância, manutenção, burocracia, concentração patrimonial e, agora, maior atenção ao planejamento tributário, os FIIs oferecem uma forma mais simples, diversificada e líquida de exposição ao mercado imobiliário. Além disso, os rendimentos distribuídos por FIIs continuam sendo isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, desde que respeitadas as regras aplicáveis, o que preserva um diferencial relevante para quem busca renda recorrente.

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O momento segue interessante para alocação em FIIs, especialmente por meio de uma carteira diversificada, como a Empiricus Top FIIs. A seleção combina ativos descontados, dividend yields ainda atrativos e potencial de valorização – no acumulado de 2026, a carteira acumula retorno de 230% do Ifix. A indústria de FIIs, assim como outros mercados, vem passando por um mês de correção, movimento que pode abrir uma janela interessante de investimento para quem busca renda mensal, exposição ao mercado imobiliário e menor complexidade em relação à compra direta de imóveis.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.