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Investimentos

Ibovespa hoje: mercados operam em viés positivo com expectativa de avanço nas negociações no Oriente Médio; veja destaques do dia

No último pregão, o Ibovespa passou por uma leve correção após uma sequência de cinco altas consecutivas

Por Matheus Spiess

16 abr 2026, 10:33

Atualizado em 16 abr 2026, 10:33

mercado ibovespa ações bolsa b3

Imagem: iStock.com/kontekbrothers

O ambiente global segue sustentado por um viés mais construtivo, com o S&P 500 renovando máximas históricas diante da expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, incluindo a possível extensão do cessar-fogo, o que também contribui para a estabilização do petróleo na faixa de US$ 96, bem abaixo dos picos recentes; ao mesmo tempo, os mercados globais operam em alta moderada, liderados pela Ásia, impulsionados por dados mais fortes da China (PIB de 5% no 1T26) e pela recuperação de índices como Nikkei (Japão) e Kospi (Coreia do Sul).

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Ainda assim, o cenário permanece complexo, com tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz e possíveis impactos nas relações entre EUA e China, enquanto dados econômicos mistos, como consumo mais fraco na China e inflação mais elevada na Europa, e a agenda relevante nos EUA, incluindo indicadores de atividade e discursos do Fed, mantêm os investidores atentos aos próximos desdobramentos.

· 01:57 — Dados mistos de atividade

No Brasil, depois de uma sequência expressiva de altas, o Ibovespa finalmente passou por uma leve correção no pregão de ontem. Esse tipo de ajuste faz parte do processo e, longe de comprometer a tendência, costuma ser necessário para dar mais sustentação e saúde a um movimento positivo mais prolongado. No câmbio, o dólar parece ter encontrado um piso na região de R$ 4,99, embora o vetor externo continue apontando para uma fraqueza mais estrutural da moeda americana.

Na agenda doméstica, o mercado absorve a divulgação do IBC-Br de fevereiro. Após dados mais fracos de serviços e varejo, a proxy do PIB calculada pelo Banco Central veio ligeiramente acima do esperado, embora ainda mostre uma desaceleração em relação a janeiro. Em outras palavras, os indicadores seguem transmitindo sinais mistos. Ainda assim, esse quadro não deve alterar de forma relevante a trajetória da política monetária. A tendência é que o Banco Central siga com o ciclo de cortes da Selic, mas em um ritmo mais gradual do que se imaginava anteriormente, provavelmente com ajustes de 25 pontos-base.

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· 01:46 — Novo recorde

Nos Estados Unidos, o mercado acionário segue em forte momento, com o S&P 500 avançando 0,8% e registrando seu quinto recorde do ano, enquanto o Nasdaq subiu 1,6% e alcançou a melhor sequência em mais de dois anos, refletindo um ambiente de otimismo sustentado pela percepção de que o conflito no Golfo Pérsico está próximo do fim e pelo bom desempenho corporativo, com destaque para resultados acima do esperado de grandes bancos, como Bank of America e Morgan Stanley, além de revisões positivas de projeções por parte de mais da metade das empresas.

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Ainda assim, apesar do impulso técnico e do suporte dos balanços, o cenário segue carregado de incertezas relevantes, incluindo a fragilidade do cessar-fogo, riscos geopolíticos, pressões domésticas como preços elevados de energia, tensões comerciais e até ruídos institucionais envolvendo o Federal Reserve, o que mantém parte dos investidores em postura cautelosa, mesmo diante da continuidade do rali.

· 02:39 — O tortuoso caminho para a paz

Teerã e Washington caminham para uma possível retomada das negociações e extensão do cessar-fogo, mas o cenário geopolítico segue longe de estabilização, especialmente após a decisão de Donald Trump de intensificar a pressão ao restringir o tráfego iraniano no Estreito de Ormuz, movimento que eleva o risco de disrupções mais amplas no fluxo global de energia.

O Irã já sinalizou que pode reagir caso o bloqueio persista, inclusive ameaçando ampliar as restrições em rotas estratégicas da região, o que evidencia o caráter frágil e potencialmente volátil da trégua atual. Ainda assim, a simples ausência de uma escalada imediata tem sido suficiente para sustentar uma leitura mais construtiva no curto prazo, embora o pano de fundo permaneça delicado e altamente dependente dos próximos passos diplomáticos.

· 03:24 — Uma estranha mudança de estratégia

A Allbirds anunciou uma mudança radical de estratégia, abandonando o foco em calçados sustentáveis para se reposicionar como uma empresa de infraestrutura de inteligência artificial. A proposta envolve captar cerca de US$ 50 milhões, mudar o nome para NewBirdAI e investir na compra de GPUs para alugá-las a empresas do setor. A reação do mercado foi imediata: as ações chegaram a disparar mais de 800% em um único dia, refletindo o entusiasmo dos investidores com qualquer exposição ao tema de IA, mesmo em companhias sem histórico no segmento.

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Apesar da euforia, a iniciativa levanta dúvidas relevantes. A Allbirds não possui experiência na nova área e o volume de investimento é pequeno frente aos bilhões que players estabelecidos estão alocando no setor. Ainda assim, o movimento ilustra uma tendência mais ampla: empresas em dificuldades tentando se reposicionar para capturar o boom da inteligência artificial, repetindo dinâmicas já vistas em ciclos anteriores, como internet e criptomoedas. Em um ambiente de forte apetite por crescimento, o mercado parece disposto a premiar narrativas, ainda que, em alguns casos, a execução permaneça uma incógnita.

· 04:11 — Avanço nos números

Com a manutenção do cessar-fogo no Oriente Médio e a expectativa de novas negociações entre Estados Unidos e Irã, a atenção dos investidores começa a se deslocar da geopolítica para fundamentos mais construtivos, como resultados corporativos e o avanço da inteligência artificial.

Nesse contexto, os números da TSMC reforçaram essa mudança de foco: a companhia reportou crescimento expressivo de lucro e elevou suas projeções, sinalizando que a demanda por IA segue robusta mesmo em meio às tensões globais. O movimento impulsionou as bolsas asiáticas, com destaque para Taiwan e Coreia do Sul, que passaram a liderar os ganhos recentes, refletindo o protagonismo do setor de tecnologia.

Esse reposicionamento do mercado sugere uma volta do apetite por risco, com investidores voltando a olhar além do conflito e enxergando oportunidades em ativos que foram penalizados no período de maior incerteza. Episódios recentes, como fortes altas em ações ligadas à narrativa de IA, reforçam esse ambiente mais construtivo, ainda que com traços de maior especulação. A leitura predominante é que, desde que o cessar-fogo se sustente, há espaço para continuidade da recuperação dos mercados, embora o cenário ainda dependa da evolução das negociações e dos riscos associados ao fornecimento global de energia.

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· 05:08 — Os principais temas do mundo

Inauguramos ontem uma nova carteira automatizada concebida para capturar, de maneira prática e eficiente, os principais temas que hoje moldam a economia global. A carteira Empiricus Megatendências foi estruturada para acompanhar vetores de transformação de longo prazo, movimentos que transcendem oscilações conjunturais e têm potencial de redefinir mercados, setores e geografias inteiras ao longo do tempo.

A estratégia parte da identificação dessas grandes mudanças, sejam elas tecnológicas, geopolíticas ou econômicas, para construir uma alocação coerente em temas, regiões e segmentos com maior potencial de valorização estrutural. Tudo isso é implementado por meio de ETFs e BDRs negociados na bolsa brasileira, o que permite ao investidor acessar, em um único portfólio, uma exposição global, diversificada e de fácil execução.

O objetivo da estratégia é claro: buscar, em reais, um retorno superior ao IDCOTS +2%, uma referência internacional baseada na taxa livre de risco americana acrescida de um prêmio adicional. Para isso, a carteira adota uma abordagem de retorno absoluto, sem se limitar a uma única classe de ativos ou a um único cenário macroeconômico.

Na prática, isso significa combinar exposições a ações, renda fixa, commodities e criptoativos, distribuídas entre diferentes geografias, de modo a ampliar as fontes de retorno e reduzir a dependência de um único país, moeda ou ciclo econômico. Trata-se, portanto, de uma proposta que alia diversificação global a uma leitura estratégica dos grandes movimentos que devem influenciar os mercados nos próximos anos.

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Ao optar pela versão automatizada da Megatendências, o investidor não acessa apenas uma tese de investimento, mas também uma solução completa de implementação e acompanhamento. A execução, os rebalanceamentos e os ajustes necessários ao longo do tempo passam a ser conduzidos de forma disciplinada, sistemática e profissional, preservando a coerência da estratégia mesmo em um ambiente global mais dinâmico e incerto. Em outras palavras, a carteira transforma a complexidade de investir em tendências estruturais globais em uma solução simples, acessível e alinhada aos objetivos de longo prazo, oferecendo uma forma eficiente de manter o portfólio exposto ao que realmente importa no mundo que está se formando.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.