1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Crypto Pulse

‘Uptober’? Por que outubro pode ser, mais uma vez, o melhor mês para o Bitcoin (BTC)

As condições financeiras continuam favoráveis à tomada de risco, justamente no mês em que, historicamente, o Bitcoin registra a maior frequência de retornos positivos

Por Luis Kuniyoshi

04 out 2026, 15:00

bitcoin, BTC, criptomoedas, cripto, altcoins

[Imagem: Canva/Tiero]

Nesta edição, abrimos uma exceção. Além da leitura da semana, trazemos também o fechamento de setembro: um mês em que o Bitcoin deu continuidade à recuperação iniciada em agosto, voltou a superar bolsas e ouro, recebeu novamente fluxo relevante pelos ETFs e viu a alta se espalhar para boa parte das altcoins.

Ao mesmo tempo, a economia americana segue resiliente, as condições financeiras continuam favoráveis à tomada de risco e a expectativa de uma nova alta de juros em outubro perdeu força, justamente no “Uptober“, como o mercado apelidou o mês historicamente mais forte para o Bitcoin. Com esse conjunto de fatores, nossa visão para o médio prazo permanece positiva.

Para quem quer aproveitar esse cenário sem acompanhar o mercado todos os dias, a Carteira Crypto Momentum é uma forma automatizada de investir: ela compra e vende por você, está aberta a qualquer investidor e não cobra taxa de administração. E vem superando o próprio Bitcoin, um bom ponto de partida para quem compartilha da nossa expectativa positiva para o médio prazo.

Acesse a carteira clicando aqui

Nos Estados Unidos, risco de nova alta dos juros recua

A semana foi de consolidação para o Bitcoin. O ativo seguiu oscilando entre US$ 82,5 mil e US$ 85,5 mil, sem perder a região conquistada na reta final de setembro. Os ETFs seguiram no positivo, ainda que em ritmo mais lento do que na semana anterior, e a Strategy voltou a anunciar compras, fatores que se materializaram num BTC se mantendo acima do suporte mesmo em meio um petróleo que segue sendo negociado acima dos US$ 100.

No curto prazo, os dados macroeconômicos dos Estados Unidos ajudaram: atividade e mercado de trabalho vieram abaixo do esperado, e o dado de inflação (PCE, indicador “preferido” do FED) veio controlado, ainda que uma mudança de metodologia no cálculo tenha tirado um pouco do peso dessa leitura.

O efeito apareceu onde mais importa para os ativos de risco: os juros. Depois de elevar a taxa em setembro pela primeira vez em mais de três anos, o Fed chegou a ter uma nova alta como cenário mais provável para a reunião de 27 e 28 de outubro. Em 23 de setembro, essa probabilidade bateu 73%, mas foi arrefecendo à medida que novos dados econômicos foram divulgados. Hoje, está em 17%, enquanto a chance de manutenção dos juros supera 80%. Para os ativos de risco, isso representa um alívio: menor risco de aperto adicional nas condições financeiras tende a favorecer a tomada de risco.

O preço pausou; o pano de fundo melhorou. É com essa leitura que entramos no fechamento de setembro: como o Bitcoin consolidou a alta de agosto, como se saiu frente às bolsas e ao ouro, o retorno dos ETFs ao azul, a alta que se espalhou pelas altcoins e o que esperar de outubro.

Bitcoin (BTC): Fechamento de setembro

Setembro deu continuidade à recuperação iniciada em agosto. Depois da forte valorização no mês anterior, o Bitcoin avançou novamente e encerrou o período próximo de US$ 84 mil.

Agosto marcou o início dessa virada, com a retomada de uma trajetória de alta que se estendeu pelas semanas seguintes. Mais relevante, porém, foi a mudança no desempenho do Bitcoin em relação aos principais mercados.

O Bitcoin à frente dos pares, mesmo com mais oscilação

Desde 18 de agosto, o Bitcoin acumula alta de 29,21% em dólar, contra +2,17% do Nasdaq, −0,52% do S&P 500 e −3,92% do ouro. A diferença é expressiva, mas o retorno isolado não permite uma comparação totalmente equilibrada entre esses mercados.

Isso porque o Bitcoin também oscila muito mais do que bolsas e ouro. Para tornar a análise mais justa, medimos quanto retorno cada ativo entregou em relação à volatilidade enfrentada nos últimos 60 pregões. Em termos simples: quanto o investidor foi compensado pelos solavancos que precisou suportar?

Por essa métrica, o Bitcoin registra 3,21, contra 1,07 do Nasdaq, 0,79 do S&P 500 e 0,41 do ouro. Quanto maior o indicador, maior foi o retorno entregue para cada unidade de oscilação.

O resultado reforça uma mudança importante de dinâmica: o Bitcoin voltou a superar tecnologia e ouro mesmo depois de ajustar o desempenho pela volatilidade. Isso ganha relevância porque, nos meses anteriores, o ativo vinha perdendo espaço justamente para essas alternativas, em especial para empresas ligadas à inteligência artificial e para o próprio ouro.

A reversão sugere que parte dessa defasagem começa a ser corrigida e reforça nossa leitura de que ainda há subalocação em cripto. Nesse ambiente, quedas passam a ser aproveitadas para recompor posições, enquanto novas altas fortalecem a tendência e tornam o Bitcoin novamente mais competitivo na disputa por capital.

Esse movimento encontra suporte também no cenário macroeconômico. Embora os juros permaneçam elevados, até aqui eles não foram suficientes para provocar uma deterioração relevante da atividade: os spreads de crédito seguem próximos das mínimas, o consumo permanece resiliente, o mercado de trabalho continua saudável e as bolsas americanas estão perto das máximas. Em conjunto, esses sinais apontam para condições financeiras ainda favoráveis à tomada de risco.

Enquanto essa combinação persistir, vejo espaço para o Bitcoin continuar recuperando terreno frente aos demais ativos e prolongar a tendência iniciada em agosto. Por isso, apesar das oscilações naturais no caminho, nossa expectativa para o médio prazo permanece positiva.

No âmbito micro

Esse ambiente começou a se materializar de forma mais clara nos fluxos. Com o Bitcoin voltando a ganhar espaço frente a outros ativos e as condições financeiras ainda favoráveis à tomada de risco, os investidores institucionais retomaram a exposição por meio dos ETFs.

Ao mesmo tempo, fatores próprios do setor também ajudaram. SEC e CFTC, os dois principais reguladores americanos do mercado, continuaram avançando em regras para os ativos digitais. O Clarity Act, principal marco legal em discussão, permanece travado no Senado, o que ainda deixa parte desses avanços administrativos sujeita a revisão. Ainda assim, a direção continua sendo de maior clareza regulatória.

A própria estrutura das negociações também acelerou a valorização. Episódios de short squeeze, quando investidores posicionados para a queda são forçados a recomprar em preços mais altos, deram impulso ao movimento. Esse efeito, porém, é pontual. Para manter o Bitcoin em patamares mais elevados, é importante que essa pressão seja acompanhada por demanda efetiva no mercado à vista — e setembro trouxe justamente esse componente.

Até o fim de agosto, os ETFs de Bitcoin acumulavam saída líquida de US$ 1,68 bilhão em 2026. Setembro reverteu esse quadro, com US$ 2,65 bilhões em entradas, dos quais US$ 2,39 bilhões apenas entre os dias 21 e 25, na melhor semana de captação do ano. O saldo acumulado voltou ao positivo em 22 de setembro e encerrou o mês em +US$ 970 milhões, algo que não acontecia desde maio. Em paralelo, empresas como Strategy e Strive retomaram as compras de Bitcoin para seus caixas.

Mais importante do que o impacto imediato sobre o preço é o que essa demanda deixa para trás. Compras relevantes em níveis mais altos formam novas faixas de custo, concentrando capital nessas regiões e aumentando sua importância como potenciais zonas de sustentação.

Vem “Uptober” por aí?

A recuperação de setembro também deixou de ficar concentrada no Bitcoin. Depois de liderar o início do movimento, o ativo abriu espaço para uma rotação dentro do próprio mercado cripto, e boa parte das altcoins passou a acompanhar — e, em muitos casos, superar — seu desempenho ao longo do mês.

Dos top 100 maiores criptoativos, 85 superaram o Bitcoin em setembro, enquanto a dominância do BTC recuou de 58,3% para 56,7%. Em outras palavras, a valorização começou com o Bitcoin, mas terminou mais espalhada pelo restante do mercado.

Outubro começa agora com uma dinâmica diferente. Depois da alta acumulada desde agosto, o Bitcoin consolida próximo dos US$ 83 mil, enquanto os excessos de curto prazo começam a se normalizar. A região entre US$ 82,5 mil e US$ 83 mil ganhou importância para a manutenção da estrutura recente.

Essa pausa é compatível com um mercado que absorve uma valorização expressiva antes de uma eventual nova etapa. Para que o movimento continue saudável, o cenário mais favorável passa por uma retomada da liderança do Bitcoin, acompanhada pela continuidade dos fluxos institucionais e, depois, por uma nova rotação para as altcoins.

Nossa leitura para outubro permanece construtiva. As condições financeiras seguem favoráveis, a pressão por uma nova alta de juros diminuiu e a sazonalidade adiciona mais um elemento positivo: historicamente, outubro é o mês em que o Bitcoin registra a maior frequência de retornos positivos e também a melhor mediana de desempenho.

Luis Kuniyoshi é especialista em criptoativos na Empiricus Research. É bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e investidor do mercado cripto desde 2017. É consultado regularmente por relevantes portais de notícias brasileiros, como Exame, Valor Econômico, Seu Dinheiro e Money Times. Também integra o Crypto Never Sleeps, um dos maiores podcasts de ativos digitais do Brasil.