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Agosto vai chegando ao fim no calendário, mas parece pouco disposto a terminar nos mercados.
Depois de semanas marcadas por petróleo, inflação, juros, tensão geopolítica e saída de capital do Brasil, esta sexta-feira ainda guarda um último capítulo importante: Jackson Hole.
Às 11h, Kevin Warsh faz seu primeiro discurso no simpósio como presidente do Fed. E, depois de uma semana em que a Nvidia mostrou que a inteligência artificial continua acelerando, o foco volta para a velha conhecida dos investidores: a inflação.
Até lá, o mercado prefere esperar. Os futuros americanos operam próximos da estabilidade, os Treasuries têm pouca variação e o dólar também se mexe pouco.
Agosto ainda não acabou. E parece querer aproveitar cada minuto.
00:30 – Jackson Hole: o que Warsh vai dizer?
Marcado para as 11h, o primeiro discurso de Kevin Warsh ganhou importância depois de a discussão dentro do próprio Fed ficar mais dura nos últimos dias.
Dados recentes de inflação, inclusive o PCE, ajudam a explicar por que vários integrantes voltaram a defender a possibilidade de novos aumentos de juros.
Analistas que acompanham o Federal Reserve buscam um sinal claro de que o combate à inflação é prioridade para o novo presidente.
Hoje, a manutenção das taxas em setembro continua sendo o cenário mais provável. Mas, olhando até dezembro, algum aperto monetário já está amplamente incorporado aos preços.
Warsh não precisa necessariamente dizer o que fará na próxima reunião, mas o mercado ainda está se adaptando à conduta do novo presidente.
Se Warsh quiser preparar o terreno para alguma mudança de comunicação, Jackson Hole é um lugar natural para começar.
01:40 – Geopolítica no radar
Um fator que conversa com o tópico anterior são os eventos geopolíticos, dada sua relevância para a dinâmica da inflação.
O Brent subiu ontem com o novo impasse entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e chegou a US$ 88,52.
O fluxo de petróleo bruto pelo Estreito de Ormuz vem aumentando gradualmente. Cerca de 6 milhões a 8 milhões de barris por dia estão sendo transportados atualmente pelo principal ponto de estrangulamento do comércio mundial de petróleo, segundo estimativas de operadores do setor que acompanham a movimentação de cargas.
Notícias de Moscou também entram no radar, diante de uma possível escalada do conflito contra a Ucrânia.
02:40 – Nvidia segue como destaque
Enquanto juros e petróleo seguem incomodando, a tecnologia continua surpreendendo Wall Street.
Os números da Nvidia (B3: NVDC34 | Nasdaq: NVDA), novamente acima das expectativas, reforçam o papel da companhia como um dos principais termômetros desse cenário.
Após quatro balanços consecutivos seguidos de desvalorização das ações no pregão seguinte, os papéis dispararam quase 9% ontem, levando o Nasdaq a uma alta de 1,57%.
A companhia indicou crescimento de receita de aproximadamente 70% para o ano fiscal de 2028, bem acima do que o mercado esperava.
Mesmo após anos de forte valorização, a empresa continua entregando crescimento acelerado, margens elevadas e uma execução que poucos concorrentes conseguem acompanhar.
03:35 – Enquanto isso, no Brasil…
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 0,31%, aos 175.135 pontos, renovando o maior nível de fechamento desde o início de agosto e ampliando para sete pregões a sequência de ganhos. O movimento ocorre em meio a uma melhora recente do fluxo e à atenção crescente dos investidores sobre o cenário eleitoral.
Entre os destaques do índice, a Petrobras (PETR4) avançou 3,14%, acompanhando a alta do petróleo. A commodity voltou a ganhar força diante das incertezas sobre o fluxo pelo Estreito de Ormuz e de preocupações com possíveis interrupções no fornecimento russo.
Na agenda desta manhã, o IGP-M de agosto recuou 0,22%, uma deflação um pouco menor que a esperada pelo mercado (-0,3%). Em 12 meses, o índice desacelerou para 2,10%.
O Banco Central também divulgou os dados monetários e de crédito referentes a julho. Mais tarde, as atenções se voltam para o Caged, cuja expectativa é de criação líquida de cerca de 115 mil vagas formais no mês.
04:05 – BTLG11: desconto começa a chamar atenção
Na leitura mais recente da nossa base, o P/VP ponderado do IFIX (Índice de Fundos Imobiliários) está próximo de 0,86 vez. Por mais que o indicador tenha suas falhas, quando olhamos para a indústria como um todo, o P/VP é uma boa régua para entender onde estamos dentro do ciclo.
Em resumo, o índice negocia em uma região de valuation que apareceu em relativamente poucos momentos da última década. Quando chegou a níveis parecidos no passado, o ponto de partida foi, na maioria das vezes, favorável para os retornos dos 12 meses seguintes. Isso não transforma agosto em um convite para comprar qualquer fundo em queda.
Entre as oportunidades no mercado de tijolos, o BTLG11 concentra mais de 30 imóveis logísticos, com cerca de 92% da área em São Paulo, vacância de apenas 2,1% e base locatícia diversificada.
Nesta semana, o FII anunciou a aquisição de um galpão logístico AAA em Guarulhos, 100% locado e localizado dentro do raio de 30 km da cidade de São Paulo. A transação, no valor de R$ 375 milhões, representa a primeira alocação dos recursos captados na 16ª emissão do fundo.
A operação foi avaliada como positiva, com cap rate consolidado de 9,1% e yield médio estimado de 15,2% nos próximos 18 meses, considerando o efeito do pagamento parcelado. Além disso, o ativo pode se beneficiar de futuras revisões de aluguel, em um mercado ainda com espaço para recomposição dos preços reais.
Com um portfólio que reúne diversificação, qualidade e localização privilegiada, o FII negocia com desconto patrimonial de 8,3%, o maior dos últimos 18 meses.