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Investimentos

Ibovespa hoje: Resultado da Nvidia (NVDC34) e inflação dos EUA no radar do mercado; veja destaques desta quinta (27)

De um lado, a Nvidia mostrou que ainda há espaço para investimentos em IA, enquanto PCE mostrou que inflação americana segue persistente

Por Pedro Claudino

27 ago 2026, 10:14

Atualizado em 27 ago 2026, 10:14

Ações, Bolsa, Brasil, Ibovespa, B3

(Imagem: iStock.com/spawns)

Os mercados começam esta quinta-feira divididos entre duas forças. De um lado, a Nvidia voltou a mostrar que a expansão dos investimentos em inteligência artificial ainda tem bastante espaço pela frente.

Do outro, o PCE acima das expectativas mostrou ontem que a inflação americana continua persistente. Os juros dos Treasuries voltam a subir moderadamente nesta manhã, enquanto o dólar ganha força.

Em resumo, o crescimento voltou a sustentar o apetite por risco, mas os juros continuam no caminho.

00:30 – Nvidia mostra que o ciclo de IA segue forte

A Nvidia apresentou uma projeção de crescimento de receita para o ano fiscal de 2028 muito acima das expectativas, reduzindo o temor de que as grandes empresas de tecnologia estejam próximas de desacelerar seus investimentos em inteligência artificial.

Mais importante do que um trimestre isolado, a companhia indicou que a demanda por seus aceleradores continua crescendo. A discussão deixa de ser se existe procura suficiente por IA e passa a ser se haverá infraestrutura física para atendê-la.

Memória, energia, redes, data centers e disponibilidade de componentes permanecem entre os principais gargalos. A joint venture de US$ 31 bilhões anunciada por Kioxia e Sandisk para ampliar a produção de memória flash reforça essa leitura.

Isso também amplia o universo de empresas beneficiadas. Além dos fabricantes de chips e das plataformas de nuvem, o ciclo começa a alcançar companhias ligadas a armazenamento, conectividade, refrigeração, equipamentos e geração de energia.

01:40 – PCE mantém o Fed no jogo

O bom humor desta manhã não apaga a preocupação trazida pelo PCE de julho. O índice de inflação preferido do Fed avançou 0,2% no mês e 3,7% em 12 meses, acima das projeções.

A reação apareceu nos juros e no dólar. O rendimento do Treasury de dois anos voltou para perto de 4,22%, enquanto o mercado aumentou as apostas de que o banco central americano ainda terá de elevar os juros neste ano.

A manutenção continua sendo o cenário mais provável para a próxima reunião, com cerca de 64% de probabilidade. Até dezembro, porém, os contratos futuros já indicam aproximadamente 72% de chance de algum aperto monetário.

Uma alta até o fim do ano parece parcialmente incorporada aos preços. O risco maior seria uma sequência de dados fortes de inflação ou mercado de trabalho que levasse os investidores a precificar mais de um aumento adicional.

Por isso, o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed, amanhã, em Jackson Hole, ganhou ainda mais importância. O mercado buscará pistas sobre se ele pretende validar essa reprecificação mais dura ou manter uma postura de espera.

03:10 – Brasil: IPCA-15 ajudou, mas o exterior limitou o alívio

No Brasil, o IPCA-15 de agosto recuou 0,40%, ante expectativa de queda de 0,31%, provocando inicialmente uma redução relevante dos prêmios na curva de juros.

O movimento, porém, perdeu força depois do PCE americano. Os juros futuros terminaram próximos dos ajustes anteriores, com o DI para janeiro de 2031 em torno de 14,35%, enquanto o dólar encerrou próximo de R$ 5,15.

Um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro continua praticamente contratado. A discussão se concentra agora em novembro, quando as probabilidades de manutenção e de um novo corte estão bastante próximas.

04:00 – Agenda doméstica cheia

A agenda desta quinta-feira inclui os dados de conta corrente e investimento direto no país referentes a julho. O mercado espera déficit externo de US$ 6,7 bilhões, ante US$ 2,33 bilhões no mês anterior, e investimento direto próximo de US$ 8 bilhões.

Também será divulgada a taxa de desemprego, com expectativa de recuo de 5,4% para 5,3%. Um mercado de trabalho ainda forte sustenta a atividade, mas pode recomendar cautela adicional ao Banco Central na definição do ritmo de cortes.

No câmbio, o BC realizará uma venda de dólares à vista com operação simultânea de swap reverso, em volume de até US$ 1 bilhão. À tarde, teremos o resultado do Governo Central, com expectativa de déficit próximo de R$ 10,6 bilhões, além de novos leilões de títulos prefixados do Tesouro.

05:05 – IFRA11: o desconto parece maior do que o problema

A recente queda do IFRA11 pode chamar atenção, especialmente depois da redução dos rendimentos mensais. Mas nossa leitura é que o movimento está muito mais relacionado à abertura das taxas reais e à inflação mais baixa — que pressionaram a cota patrimonial e o resultado distribuível — do que a uma deterioração relevante dos ativos da carteira.

Os fundamentos seguem preservados. Aegea e Corsan permanecem entre os destaques positivos, enquanto a BRK Maceió, maior posição do fundo, apresentou melhora de margem e bom desempenho operacional. De forma geral, o portfólio continua sem problemas relevantes.

Com a cota negociando com deságio e a qualidade da carteira preservada, vemos os níveis atuais como uma oportunidade interessante para montar ou reforçar posição no IFRA11.

Formado em Economia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Pedro é analista certificado CNPI e faz parte do time de fundos da Empiricus desde fevereiro de 2022, com atuação focada em crédito privado.