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Investimentos

Ibovespa hoje: Prévia do PIB, avanços da China em IA e tarifaço de Trump são destaques desta sexta (17)

Mercado brasileiro aguarda divulgação do IBC-Br, indicador considerado uma prévia mensal do PIB. Veja mais destaques.

Por Matheus Spiess

17 jul 2026, 10:34

Atualizado em 17 jul 2026, 10:34

ChatGPT Image inteligência artificial nos investimentos

(Imagem: ChatGPT)

Os mercados globais operam em um ambiente de forte aversão ao risco, liderado pela correção das ações de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial. Na Ásia, o Taiex caiu 6,47%, o Nikkei recuou cerca de 4% e as ações da TSMC perderam 7,29%, mesmo após a divulgação de resultados robustos. O movimento reflete dúvidas crescentes sobre a capacidade dos elevados investimentos em IA de gerar retornos suficientes para sustentar as avaliações atuais, além de preocupações com a compressão das margens, um possível excesso de capacidade e os ganhos de eficiência apresentados por novos modelos chineses.

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A pressão sobre os mercados também foi intensificada pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que chegou à sexta noite consecutiva de ataques. Na Europa, as bolsas acompanham o pessimismo global, pressionadas tanto pelo desempenho do setor de tecnologia quanto pela persistência das tensões no Oriente Médio. Nos Estados Unidos, os futuros do Nasdaq recuam mais de 2%, enquanto as ações da Netflix caem cerca de 9% após a companhia frustrar as expectativas de receita.

· 00:50 — Quando Washington tarifa e Brasília hesita, a bolsa paga a conta

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda de 1,24%, retornando aos 173.825 pontos, pressionado pela menor disposição global para assumir risco, pela fraqueza das principais ações do índice e pelo aumento das incertezas domésticas. O dólar avançou 0,40%, para R$ 5,09, refletindo sobretudo a confirmação, pelos Estados Unidos, de uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras, além da perspectiva de juros elevados por mais tempo e dos sinais de perda de fôlego da atividade econômica. Nesse campo, as vendas no varejo cresceram apenas 0,1% em maio, bem abaixo da expectativa de 0,7%, reforçando a percepção de desaceleração da economia. O varejo restrito apresentou leve avanço, mas o conceito ampliado recuou, pressionado principalmente pelos segmentos de supermercados e atacarejo.

Nesta manhã, as atenções se voltaram para o IBC-Br, indicador considerado uma prévia mensal do PIB. A expectativa mediana apontava para queda de 0,2% em maio, após alta de 0,5% em abril, mas o resultado mostrou avanço de 0,1% no mês. Apesar da desaceleração em relação à leitura anterior, a surpresa positiva adiciona uma pedra no sapato do Banco Central, ao não deixar claro se a fraqueza recente tem caráter apenas pontual ou se representa uma desaceleração mais estrutural.

No comércio exterior, a tarifa americana entrará em vigor em 22 de julho e atingirá cerca de 3 mil produtos, equivalentes a aproximadamente US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, como discutimos ontem. A ampliação da lista de exceções, que inclui petróleo, café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves, reduziu a tarifa média efetiva para uma faixa entre 16% e 17%, limitando o impacto macroeconômico estimado. As projeções apontam para uma perda de aproximadamente US$ 700 milhões em exportações e um efeito de apenas 0,03 ponto percentual sobre o PIB.

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Esse impacto limitado decorre, em parte, de uma fragilidade estrutural da própria economia brasileira: ainda somos um país relativamente fechado, no qual as exportações líquidas têm participação reduzida na formação do PIB. Caso o Brasil apresentasse um grau de abertura semelhante ao de diversas economias do Sudeste Asiático, o choque seria mais intenso, embora o país também provavelmente tivesse registrado um crescimento mais robusto nos últimos anos.

O governo Lula afirmou que continuará negociando, mas rejeitou exigências consideradas incompatíveis com a soberania nacional. Ainda assim, o risco de novas tarifas e de uma escalada retaliatória continua ampliando as incertezas comerciais, fiscais e políticas. Para o mercado, a capacidade do governo de associar politicamente as tarifas à oposição reduz a probabilidade de uma mudança no pêndulo eleitoral e, consequentemente, diminui as chances de um ajuste fiscal conduzido com maior convicção em 2027.

· 01:42 — Pressão tech

O setor de tecnologia volta a pressionar os mercados, com destaque para a forte correção das ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial. Ontem, o Nasdaq recuou 1,5%, enquanto o ETF SOXX caiu 4,5%, apesar dos resultados positivos divulgados por TSMC e ASML. O movimento reflete uma mudança de postura dos investidores, que passaram a exigir retornos financeiros mais claros para justificar o elevado volume de investimentos em infraestrutura de IA.

A percepção de que as apostas em semicondutores estão excessivamente concentradas, somada às quedas de empresas como Micron, Alphabet, Meta, Amazon e Nvidia, reforçou a perda de força das estratégias baseadas em momentum; isto é, na continuidade das tendências recentes de valorização, que vinham sustentando boa parte do rali do setor.

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Ao mesmo tempo, a economia americana continua demonstrando resiliência. As vendas no varejo avançaram 0,2% em termos nominais e 0,6% em termos reais, enquanto o núcleo cresceu 0,5%, acompanhado por revisões positivas nos meses anteriores. A atividade industrial da região da Filadélfia surpreendeu para cima, os pedidos de seguro-desemprego permaneceram em níveis historicamente baixos e as estimativas para o crescimento do PIB no segundo trimestre foram revisadas em alta. Esse quadro, no entanto, mantém o Federal Reserve em uma postura cautelosa. Dirigentes como Philip Jefferson, Lorie Logan e Jeffrey Schmid reforçaram que a inflação continua elevada e que, caso não volte a desacelerar de forma consistente, uma nova elevação dos juros poderá se tornar necessária.

· 02:11 — Escalada no Oriente Médio sustenta alta do petróleo

Os confrontos entre Estados Unidos e Irã chegaram ao sexto dia consecutivo, sem sinais de arrefecimento. Segundo o CENTCOM, as forças americanas realizaram uma nova ofensiva contra alvos iranianos, enquanto Teerã respondeu com mísseis e drones direcionados a bases dos Estados Unidos em países vizinhos, incluindo uma instalação militar na Jordânia. A continuidade dos ataques mantém elevados os riscos para o abastecimento global de energia e para a navegação na região.

Nesse contexto, o Brent superou mais uma vez a marca de US$ 85 por barril, acumulando valorização próxima de 12% na semana. Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, alertou que a segurança da oferta de petróleo continuará sendo uma preocupação relevante caso o conflito se prolongue. A disputa persistente em torno do Estreito de Ormuz e do Mar Vermelho pode manter o petróleo acima de US$ 80 por vários trimestres ou levá-lo novamente para além de US$ 100 em um cenário mais grave, pressionando a inflação e reduzindo o crescimento econômico.

· 03:26 — China acelera na inteligência artificial e amplia a disputa com os EUA

A startup chinesa Moonshot provocou forte repercussão nos mercados ao anunciar o Kimi K3, um modelo de inteligência artificial que apresenta desempenho comparável ao das principais soluções da OpenAI e da Anthropic. O lançamento reacendeu o chamado “momento DeepSeek”, que já vimos antes, ao reforçar a percepção de que desenvolvedores chineses vêm avançando rapidamente, com custos potencialmente inferiores aos observados entre seus concorrentes. A notícia pressionou as ações de fabricantes de chips e os contratos futuros da Nasdaq, ao renovar as dúvidas sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos em infraestrutura de IA e sobre a demanda futura por semicondutores de alto desempenho.

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O anúncio coincidiu com a participação de Xi Jinping na Conferência Mundial de Inteligência Artificial, em Xangai, onde o presidente chinês defendeu uma abordagem mais inclusiva e cooperativa para o desenvolvimento da tecnologia. Xi procurou posicionar a China como uma liderança na formulação das regras globais para a inteligência artificial, com ênfase na ampliação do acesso pelos países do Sul Global e na contenção dos riscos de segurança. Como parte dessa estratégia, Pequim obteve a adesão de 29 países, incluindo a Rússia, a uma organização internacional de cooperação em inteligência artificial liderada pela China, reforçando suas ambições de ampliar a influência tecnológica e diplomática do país.

Ao mesmo tempo, as relações entre Estados Unidos e China voltaram a enfrentar novas tensões. Donald Trump acusou Pequim de interferir nas eleições americanas de 2020 e afirmou que registros de milhões de eleitores teriam sido comprometidos, embora essas alegações já tenham sido contestadas por órgãos de inteligência. Seu governo também anunciou restrições à duração dos vistos concedidos a jornalistas estrangeiros, com impacto especialmente relevante sobre profissionais chineses. O discurso teve forte conteúdo eleitoral e ocorre poucos meses antes das eleições de meio de mandato, em novembro, e da visita prevista de Xi aos Estados Unidos, em setembro, ampliando as incertezas sobre a estabilidade da trégua comercial e diplomática entre as duas potências.

· 04:13 — Vem aí um possível grande IPO

A DeepSeek está se preparando para uma possível abertura de capital em Xangai, com a apresentação do pedido prevista para até o fim deste ano e uma eventual estreia no mercado no segundo trimestre do próximo. A empresa ganhou projeção ao desenvolver modelos de inteligência artificial a custos significativamente inferiores aos de concorrentes americanos e, recentemente, captou US$ 7,4 bilhões em sua primeira rodada de financiamento externo, alcançando um valuation superior a US$ 50 bilhões. Agora, ela negocia uma nova rodada que poderá elevar esse valor para US$ 71 bilhões ou mais, ao mesmo tempo em que amplia os investimentos em capacidade computacional, data centers, aquisição de chips e contratação de profissionais.

O movimento ocorre em meio à intensificação da corrida chinesa por capital para financiar o desenvolvimento de inteligência artificial e semicondutores. A ByteDance negocia um empréstimo internacional de aproximadamente US$ 20 bilhões, a Zhipu AI captou US$ 4 bilhões em Hong Kong e a ChangXin Memory Technologies pretende levantar quase US$ 10 bilhões em sua listagem no STAR Market de Xangai, naquele que poderá ser o maior IPO da Ásia neste ano. Em paralelo, a Samsung Electronics negou relatos de que estaria avaliando uma oferta de ADRs, enquanto o mercado acompanha a crescente mobilização das empresas chinesas para reduzir a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos.

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· 05:08 — Cyrela mantém execução sólida em um ambiente ainda desafiador

A Cyrela (CYRE3) divulgou nesta semana a sua prévia operacional, mantendo um desempenho robusto no segundo trimestre de 2026, com 20 lançamentos que totalizaram R$ 3,84 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), considerando a participação da companhia e excluindo permutas. O volume representou crescimento de 34% em relação ao mesmo período de 2025 e de 120% frente ao primeiro trimestre deste ano. As vendas líquidas alcançaram R$ 2,56 bilhões, com avanços de 14% na comparação anual e de 18% na trimestral, enquanto a velocidade de vendas encerrou o período em 17%. A distribuição dos lançamentos permaneceu relativamente equilibrada entre os segmentos de alto padrão, médio padrão e as faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida, reduzindo a dependência de uma única faixa de renda.

Apesar do desempenho positivo, alguns indicadores ainda exigem acompanhamento. A velocidade de vendas acumulada em 12 meses recuou para 42,8%, ante 51,4% no segundo trimestre de 2025 e 44,7% no trimestre anterior, enquanto o indicador de meses de vendas atingiu 20 vezes no segmento de alto padrão. Ainda assim, a companhia continua apresentando uma execução superior à de grande parte de seus concorrentes, apoiada pelo crescimento das vendas e pela diversificação do portfólio. Como os riscos associados ao nível elevado dos juros e à maior sensibilidade dos segmentos de média e alta renda parecem estar parcialmente refletidos nos preços, com as ações negociando a aproximadamente 0,9 vez o valor patrimonial, CYRE3 permanece sendo uma boa pedida para complementar carteiras de ações brasileiras.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.