(Imagem: iStock.com/BING-JHEN HONG)
Os resultados da TSMC (B3: TSMC34 | NYSE: TSM), divulgados na manhã desta quinta-feira (16), reforçam a visão construtiva para o ciclo de semicondutores, apesar da reação negativa das ADRs listadas em Nova York no pré-mercado. A maior fabricante terceirizada de chips do mundo registrou números recordes para o 2º trimestre de 2026 (2T26), superiores aos esperados pelo mercado.
A receita alcançou incríveis NT$ 1,27 trilhão (US$ 40,20 bilhões), com crescimento anual de 36% em dólares taiwaneses (33,7% em US$), atingindo o topo da faixa de guidance projetada para o trimestre (US$ 39,0–US$ 40,2 bilhões).
Destrinchando os números recordes da TSMC (TSMC34) no 2T26
Por plataforma, High Performance Computing (HPC) concentrou 66% da receita líquida (vs. 60% no 2T26), com crescimento de 20% anualmente, o que reflete a forte demanda por chips de inteligência artificial e data centers. Já a divisão de Smartphone respondeu por 22% da receita (ante 27% um ano antes), refletindo a contração de 4% na demanda. As demais frentes, como IoT, automotivo, DCE e outros, responderam pelos 12% restantes, com destaque para o segmento automotivo, que avançou 15% na comparação anual.
Nas tecnologias, os nós de 7 nanômetros ou menores responderam por 77% da receita com wafers. O destaque ficou com o processo de 5 nm (33% do total) e o de 3 nm (30%), enquanto o nó de 2 nm, ainda em estágio inicial, com produção em massa iniciada neste ano, já estreou com 3% da receita de wafers no trimestre, sinalizando o início do ramp-up, que a companhia espera acelerar no terceiro trimestre.
A margem bruta chegou a 67,7%, expansão de 9,1 pontos percentuais (p.p.) na comparação anual e acima do teto do guidance para este período (65,5%–67,5%), favorecida por maior utilização de capacidade produtiva, ainda que parcialmente pressionada pelas fábricas no exterior. A margem operacional avançou 10,7 p.p. na visão anual (a/a), para 60,3%, também acima da faixa projetada (56,5%–58,5%).
Na linha final, o lucro líquido somou NT$ 706,56 bilhões (US$ 22,36 bilhões), equivalente a NT$ 27,25 de lucro por ação diluído (US$ 4,31 por ADR), alta de 77,4% na comparação anual. Apesar do salto, uma pequena parte veio de ganhos não operacionais de NT$ 63,20 bilhões (US$ 2,00 bilhões) com a venda e marcação a mercado de ações da Vanguard International Semiconductor (VIS).
A companhia também elevou as projeções e ampliou o orçamento de investimentos, sinalizando confiança na continuidade da demanda de clientes como Nvidia, Apple e Broadcom. Para o terceiro trimestre, o guidance aponta receita entre US$ 44,6 bilhões e US$ 45,8 bilhões, com margem bruta de 65% a 67% e margem operacional de 56% a 58%. Para o ano de 2026, a expectativa é de crescimento da receita ligeiramente acima de 40% em dólares americanos.
O orçamento de capital foi elevado para uma faixa entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões, enquanto os investimentos no Arizona deverão aumentar em mais US$ 100 bilhões, levando o total destinado ao estado a US$ 265 bilhões. Os recursos serão direcionados à construção de novas fábricas para a produção de chips de 2 nanômetros e inferiores, além de unidades de empacotamento avançado, ampliando a capacidade local para atender à demanda de longo prazo dos principais clientes americanos.
TSMC (TSMC34): vale a pena comprar ações agora?
Embora persistam dúvidas sobre a sustentabilidade do ritmo de investimentos das grandes empresas de tecnologia e sobre uma eventual expansão excessiva da capacidade dos data centers, os números da companhia indicam que a demanda relacionada à inteligência artificial permanece robusta e respaldada por resultados concretos.
Na carteira Ações Internacionais, as ações da TSMC (B3: TSMC34 | NYSE: TSM) já acumulam mais de 450% de retorno desde a nossa recomendação, o que teria multiplicado seu capital em mais de 5 vezes. Diante dessa valorização, é natural que as ações passem a negociar acima da média de valuation dos últimos três anos.
Ainda assim, o preço sobre lucro (P/L) projetado de 22,7 vezes para os próximos 12 meses permanece em um patamar que consideramos conservador, especialmente diante da forte expansão das operações observada nos últimos trimestres e reflete parte da liderança tecnológica, poder de precificação, margens elevadas e uma posição estratégica na produção dos chips mais avançados do mundo.
Nesse contexto, a expansão da capacidade produtiva e o fortalecimento de sua presença nos Estados Unidos reforçam as perspectivas de crescimento de longo prazo, sustentando uma visão construtiva para as ações da companhia.