Os mercados globais iniciam a semana novamente sob forte tensão geopolítica após Donald Trump rejeitar a mais recente resposta do Irã à proposta americana de cessar-fogo, classificando-a como “totalmente inaceitável”.
A reação voltou a pressionar os preços do petróleo diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo. O Irã havia proposto concentrar as negociações inicialmente apenas em um cessar-fogo imediato, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior, proposta prontamente descartada por Washington.
Apesar da escalada geopolítica, as bolsas globais operam de forma mista, enquanto investidores acompanham uma agenda econômica particularmente relevante nesta semana, marcada por dados de inflação no Brasil, nos Estados Unidos e na China.
· 00:56 — Dólar abaixo de R$ 4,90 e petróleo acima de US$ 100: bem-vindo ao Brasil
No Brasil, a agenda da semana segue bastante carregada, tanto do lado microeconômico, com uma temporada de resultados intensa, quanto do lado macro, com destaque para a divulgação da inflação oficial de abril, prevista para amanhã.
As projeções apontam para uma desaceleração na margem, mas o mercado teme uma composição qualitativamente mais deteriorada, semelhante ao observado na prévia inflacionária recente, ainda pressionada principalmente pelos preços da gasolina e dos alimentos. Além disso, os investidores acompanharão os dados de vendas no varejo, na quarta-feira, e o volume de serviços, na sexta, indicadores importantes para medir o ritmo de atividade da economia brasileira.
Entre os ativos, o Ibovespa conseguiu se manter acima dos 184 mil pontos na última sexta-feira, embora a piora do ambiente geopolítico internacional possa voltar a gerar pressão sobre o fluxo estrangeiro para mercados emergentes.
Enquanto isso, o dólar encerrou abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024, cotado a R$ 4,89, beneficiado tanto pela fraqueza global da moeda americana quanto pela alta do petróleo, fator historicamente positivo para os termos de troca brasileiros.
E, por falar em petróleo, os investidores aguardam com atenção o resultado da Petrobras, que será divulgado hoje após o fechamento do mercado. As expectativas apontam para um crescimento superior a 40% no lucro líquido ajustado, além da distribuição de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em dividendos, sustentados pela forte geração de caixa da companhia. Pelo peso relevante da Petrobras no índice, o resultado da estatal tende a ter impacto mais amplo sobre o comportamento do mercado brasileiro.
· 01:44 — Wall Street entre o CPI e o Oriente Médio
Lá fora, a semana será dominada pelos dados de inflação nos Estados Unidos, também na terça-feira, em um ambiente no qual o mercado tenta medir os efeitos da guerra envolvendo o Irã sobre preços, atividade econômica e política monetária.
A expectativa é de aceleração dos preços, pressionados pela recente alta do petróleo e da gasolina, que já supera US$ 4,50 por galão, o maior patamar desde 2022. Ainda assim, os indicadores mais recentes de atividade continuam apontando para uma economia relativamente resiliente.
O payroll divulgado na última semana, por exemplo, mostrou criação de empregos acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,3%, reforçando a percepção de que o Federal Reserve ainda possui espaço para manter os juros elevados por um período mais prolongado.
Ao mesmo tempo, os indicadores de confiança do consumidor seguem deteriorados, refletindo o desconforto crescente das famílias americanas com o aumento do custo de vida e os impactos da inflação sobre o orçamento doméstico.
Mesmo diante de um ambiente mais desafiador, Wall Street continua renovando máximas históricas, impulsionada principalmente pelo forte desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O setor de tecnologia segue liderando os ganhos do mercado, sustentado por resultados corporativos robustos e pelo crescimento expressivo dos lucros das empresas do S&P 500. Contudo, já surge novamente receio de exagero por conta da concentração do movimento.
· 02:33 — Aparentemente inaceitável
A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em sua 11ª semana ainda sem avanços concretos, mantendo os mercados globais presos ao mesmo impasse que vem pressionando o petróleo, a inflação e as expectativas de crescimento ao redor do mundo.
A rejeição de Donald Trump à nova proposta de paz apresentada por Teerã reacendeu os temores de prolongamento do conflito e provocou reação imediata nos ativos globais (disse que a resposta iraniana era totalmente inaceitável), com alta do petróleo, fortalecimento do dólar e recuo dos futuros das bolsas americanas.
O Brent voltou a superar os US$ 100 por barril diante da percepção de que o Estreito de Ormuz pode permanecer fechado por mais tempo, enquanto o Irã segue exigindo suspensão de sanções, liberação de ativos congelados, controle sobre Ormuz e reparações de guerra. Ao mesmo tempo, Israel reforçou que “a guerra não acabou”, enquanto grandes bancos alertam para riscos crescentes de escassez global de combustíveis caso o bloqueio persista, afetando os níveis globais de preços e atividade.
· 03:29 — O encontro da semana
Donald Trump desembarca em Pequim nos dias 14 e 15 de maio para a primeira visita presidencial americana à China desde 2017, em um encontro com Xi Jinping que deve concentrar as atenções em três frentes principais: guerra no Oriente Médio, comércio e tecnologia.
O conflito envolvendo o Irã tende a ocupar parte relevante das conversas, diante de seus impactos crescentes sobre energia, inflação e cadeias globais de suprimento. Nesse contexto, Washington deve pressionar Pequim sobre sua relação econômica com Teerã e sobre possíveis caminhos diplomáticos para reduzir as tensões.
Ao mesmo tempo, os dois países devem discutir a extensão da trégua comercial firmada em Busan no ano passado, além de temas estratégicos como semicondutores, inteligência artificial, Taiwan e fornecimento de terras raras.
A agenda econômica também será ampla, com negociações envolvendo possíveis compras chinesas de soja, carne bovina, energia e aeronaves da Boeing, além da criação de um Conselho de Comércio EUA-China e de um Conselho de Investimentos bilateral.
A visita deve contar ainda com a presença de importantes executivos americanos, refletindo o esforço de reposicionamento das relações econômicas entre as duas maiores potências do mundo. Apesar do tom diplomático mais construtivo, o encontro ocorre em um momento sensível, marcado pela fragilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e pela persistência das disputas tecnológicas.
· 04:12 — Chega de deflação
E por falar na China, o país registrou uma saída do quadro deflacionário que vinha marcando sua economia desde o fim de 2022, principalmente por conta da alta dos preços de energia e commodities em meio à guerra envolvendo o Irã.
Os preços ao produtor avançaram 2,8% em relação ao ano anterior, o maior aumento desde julho de 2022 e acima das expectativas do mercado, enquanto a inflação ao consumidor surpreendeu ao subir para 1,2%. O movimento reflete tanto uma recuperação parcial da demanda quanto o impacto da forte valorização do petróleo e dos metais industriais, interrompendo um período prolongado de excesso de produção e intensas guerras de preços na indústria chinesa.
A mudança de cenário também fortaleceu o yuan, que atingiu o maior patamar em mais de três anos, levando o mercado a projetar uma valorização adicional da moeda chinesa nos próximos meses.
· 05:06 — Nova edição do Arquivo X
A divulgação de milhares de páginas de arquivos do Pentágono sobre Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAPs, na sigla em inglês) reacendeu o interesse do mercado em torno de possíveis avanços tecnológicos militares e de seus impactos sobre a indústria global de defesa.
Entre os relatos divulgados, chamaram atenção episódios envolvendo objetos realizando manobras consideradas incomuns para os padrões tecnológicos atualmente conhecidos, incluindo curvas abruptas em alta velocidade, movimentações submersas sem aparente perda de velocidade e sistemas invisíveis a olho nu, mas detectáveis por radar. Embora o tema continue cercado por especulações, o material reforçou o foco em segmentos ligados a aeronaves avançadas, tecnologia furtiva, guerra eletrônica e sistemas autônomos de defesa.
Do ponto de vista do mercado, os documentos acabaram fortalecendo narrativas já presentes no setor aeroespacial e militar, beneficiando companhias como Lockheed Martin, GE Aerospace, Northrop Grumman, RTX e L3Harris Technologies. Os relatos envolvendo interferência em sistemas de armas, tecnologias de camuflagem e detecção por radar aumentaram a atenção sobre programas militares classificados e projetos de próxima geração.
Nesse contexto, programas confidenciais da divisão aeronáutica da Lockheed Martin podem movimentar entre US$ 500 milhões e US$ 700 milhões em 2026, reforçando a percepção de que o novo ciclo global de investimentos em defesa, segurança e tecnologias estratégicas segue ganhando força.
Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), seguem surgindo como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição diversificada.
No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) cumpre papel semelhante, oferecendo acesso a esse tema de forma simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação permanece fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo a 5% para o tema, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.