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Investimentos

Ibovespa na semana: Super Quarta, temporada de resultados, dados de emprego, inflação e mais destaques

A última semana foi difícil para o Ibovespa, que voltou para a faixa dos 190 mil pontos, enquanto o dólar, por outro lado, conseguiu permanecer abaixo de R$ 5,00

Por Matheus Spiess

27 abr 2026, 09:57

Atualizado em 27 abr 2026, 09:57

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Imagem: iStock/ AndreyPopov

A semana começa com os mercados reagindo positivamente às notícias de que o Irã teria apresentado aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o Estreito de Ormuz, ainda que as discussões sobre o programa nuclear possam ficar para uma etapa posterior.

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Esse detalhe mantém incertezas relevantes no horizonte, pois o principal ponto de tensão entre os dois países segue sem solução definitiva. As bolsas asiáticas avançam e os mercados emergentes renovaram máximas, enquanto o petróleo permaneceu elevado, com o Brent acima dos US$ 100 por barril.

A leitura é simples: qualquer sinal de acordo ainda sustenta o apetite por risco, mas o prêmio geopolítico continua presente. Ao mesmo tempo, a reação positiva a cada nova manchete parece perder força, refletindo certo cansaço dos investidores com um conflito que avança em ciclos de esperança e frustração.

Além da geopolítica, a semana será marcada por uma agenda intensa de política monetária global. A chamada Super Quarta reunirá as decisões de juros do Fed e do Copom, enquanto Banco do Japão, Banco da Inglaterra e Banco Central Europeu também anunciarão suas decisões nos próximos dias, com expectativa predominante de manutenção das taxas. A temporada de resultados também ganha tração, ao lado de dados de peso.

· 00:54 — Superquarta vem aí

No Brasil, encerramos uma semana mais difícil para o Ibovespa, que voltou para a faixa dos 190 mil pontos, enquanto o dólar, por outro lado, conseguiu permanecer abaixo de R$ 5,00. Os próximos dias serão importantes para os ativos locais, com a temporada de resultados ganhando tração, incluindo Vale, Gerdau e Santander, além da divulgação do relatório de Produção e Vendas do 1T26 da Petrobras. No campo macroeconômico, a agenda também será relevante, com dados de emprego (Pnad e Caged), inflação (prévia do IPCA e IGP-M) e a próxima decisão de política monetária.

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A expectativa predominante segue sendo de corte de 25 pontos-base na Selic, mas o tom do Banco Central deve permanecer cauteloso. A autoridade monetária pode revisar para cima suas projeções de inflação no horizonte relevante, o que reforçaria a leitura de uma trajetória mais contida para os juros, ainda que o ciclo de cortes continue em andamento.

Enquanto o conflito no Oriente Médio persistir e o petróleo seguir acima de US$ 100 por barril, as expectativas inflacionárias tendem a permanecer pressionadas, limitando o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva no Brasil ao longo dos próximos meses.

· 01:41 — Semana agitada

A semana promete ser uma das mais movimentadas da temporada de resultados nos Estados Unidos, com cerca de 180 empresas do S&P 500 divulgando seus números, incluindo cinco integrantes do grupo conhecido como Magnificent 7.

O principal foco estará na quarta-feira, quando Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet apresentam seus balanços, enquanto a Apple divulga seus resultados na quinta-feira. Para o mercado, mais importante do que os números do trimestre será a mensagem das companhias sobre investimentos em inteligência artificial, expansão de margens, demanda por serviços de nuvem e ritmo de crescimento nos próximos períodos.

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O pano de fundo é de forte valorização recente do setor. S&P 500 e Nasdaq renovaram máximas históricas e acumulam quatro semanas consecutivas de alta, enquanto o índice de semicondutores avançou 47% em apenas 18 pregões seguidos de ganhos, refletindo o otimismo em torno da corrida global por infraestrutura de inteligência artificial.

Esse movimento, porém, também elevou os valuations e aumentou o nível de exigência dos investidores. Agora, os balanços das big techs serão um teste importante: se as empresas mantiverem investimentos elevados com bons sinais de retorno, podem reforçar a tese estrutural da IA; se indicarem moderação de gastos ou pressão sobre rentabilidade, o mercado poderá revisar parte do entusiasmo recente.

· 02:36 — Vai manter

A semana será especialmente relevante para a política monetária americana, com a reunião do FOMC na quarta-feira ocorrendo em um ambiente mais complexo para o Federal Reserve. A expectativa amplamente dominante é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas o foco do mercado estará menos na decisão em si e mais no tom da comunicação de Jerome Powell.

Com a inflação ainda resiliente, a atividade econômica relativamente firme e o choque recente nos preços de energia provocado pela guerra no Oriente Médio, o Fed enfrenta um dilema mais sensível: manter os juros elevados ajuda a conter os preços, mas também aumenta o risco de uma desaceleração mais forte da economia. Ao longo da semana, indicadores como confiança do consumidor, PIB do primeiro trimestre, PCE, principal medida de inflação acompanhada pela autoridade monetária americana, além de PMI e ISM industriais, devem ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos.

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No campo institucional, cresce a atenção em torno da sucessão de Powell, com o avanço político do nome de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Após a retirada de resistências no Senado, aumentou a probabilidade de sua confirmação, reduzindo o risco de uma vacância prolongada no comando do banco central.

Warsh é visto como um nome experiente, com passagem por Wall Street e pelo próprio Fed, além de potencialmente mais alinhado às prioridades econômicas do governo Trump. Para o mercado, essa transição importa porque pode sinalizar mudanças futuras na condução da política monetária, incluindo maior abertura para cortes de juros e uma postura mais rigorosa em relação ao balanço patrimonial do Fed. A reunião desta semana pode representar não apenas mais uma decisão sobre juros, mas também o início de uma nova fase para o banco central americano.

· 03:28 — Ainda há canal diplomático…

A tentativa de retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã no fim de semana fracassou, frustrando parte da expectativa de alívio que vinha sustentando os mercados nos últimos dias.

O encontro previsto no Paquistão foi cancelado após a saída de autoridades iranianas e a decisão americana de não enviar representantes, evidenciando o grau de impasse entre as partes. O Irã sustenta que não negociará sob pressão ou bloqueio, enquanto Washington mantém o cerco aos portos iranianos e amplia sua presença militar na região.

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Nesse contexto, o Estreito de Ormuz segue no centro da disputa, com impacto relevante sobre o fluxo global de petróleo, gás e insumos estratégicos, enquanto a tensão regional persiste mesmo sob cessar-fogo.

Ao mesmo tempo, ainda surgem sinais de canais diplomáticos indiretos em funcionamento. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, viajou à Rússia para reuniões com Vladimir Putin e também manteve contatos relacionados à mediação conduzida pelo Paquistão.

Segundo relatos de bastidores, Teerã teria sinalizado disposição para um acordo provisório que envolveria a reabertura de Ormuz em troca do encerramento do bloqueio americano aos portos iranianos, deixando a discussão sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.

Resumidamente, o cenário permanece marcado por avanços e recuos diplomáticos, mantendo o petróleo em níveis elevados e os mercados bastante sensíveis a qualquer novo desdobramento geopolítico.

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· 04:13 — Crise humanitária

A guerra no Oriente Médio já deixou de impactar apenas o mercado de petróleo e começa a pressionar também a cadeia global de alimentos. Desde o início do conflito, fertilizantes relevantes como ureia e amônia registraram fortes altas, em parte porque cerca de 30% desse comércio mundial transita pelo Estreito de Ormuz, ainda afetado pelas tensões na região.

Soma-se a esse quadro a interrupção parcial da produção russa e restrições de exportação impostas pela China, formando um ambiente de oferta mais apertada e custos mais elevados. Caso o bloqueio persista, os efeitos tendem a aparecer com maior intensidade nas próximas safras, elevando despesas no campo e ampliando o risco de inflação de alimentos ao longo de 2027.

Para os países mais pobres, contudo, a crise já começou. Pequenos produtores rurais operam com margens bastante limitadas e costumam ser os primeiros a sentir a alta de insumos, fretes e energia. Organismos internacionais alertam que a continuidade dessas disrupções pode agravar quadros de fome aguda e elevar a instabilidade social, repetindo padrões observados em outros momentos históricos, nos quais a insegurança alimentar antecedeu protestos e conflitos.

Em outras palavras, o choque atual reforça como guerras modernas extrapolam o campo militar: seus efeitos alcançam preços de alimentos, inflação e estabilidade política em escala global.

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· 05:07 — Porto Seguro de Crescimento

No Investor Day 2026, a Porto reforçou a solidez da transformação operacional construída ao longo dos últimos cinco anos e indicou que ainda vê espaço relevante para continuar expandindo resultados. Parte importante dessa trajetória veio do foco contínuo na experiência de clientes e corretores, elo central de sua estratégia comercial, aliado à ampliação do portfólio de produtos e ao uso crescente de ferramentas digitais que elevam produtividade, fortalecem vendas e ampliam oportunidades de cross-sell.

Outro destaque segue sendo a diversificação do grupo: a dependência histórica do seguro Auto vem diminuindo, enquanto frentes como banco, saúde e serviços ganham relevância e contribuem para uma rentabilidade mais equilibrada e resiliente. Ainda assim, mesmo o segmento tradicional de automóveis, segundo a administração, deve seguir crescendo em ritmo saudável.

Além disso, o Porto Bank tende a avançar apoiado pelo ganho de escala, expansão da base de clientes e melhora progressiva na qualidade do crédito. Já a Porto Saúde continua com perspectiva favorável, sustentada por novas operações, verticalização e evolução da sinistralidade, mesmo diante de uma base comparativa mais exigente.

Em relação ao cenário macro, a companhia reconhece que uma eventual queda da Selic pode reduzir parte das receitas financeiras, mas entende que esse efeito tende a ser mais do que compensado pelo impacto positivo sobre a atividade operacional e a demanda por seus produtos (além disso, a Selic não cairá tanto quando esperado anteriormente).

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Em síntese, a Porto reúne execução, negócios diversificados e valuation ainda atrativo, combinação que sustenta uma visão construtiva para PSSA3 e reforça seu potencial adicional de geração de valor aos acionistas.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.