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Investimentos

Berkshire (BERK34) honra legado de Buffett e registra números robustos no 2T26; veja os destaques do resultado

No 2T26, a companhia dobrou o lucro líquido atribuível aos acionistas em relação ao mesmo período do ano passado. Leia mais.

Por Matheus Spiess

10 ago 2026, 14:33

Atualizado em 10 ago 2026, 14:33

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Imagem: Descubra Sampa/Sergio Brisola

Suceder a Warren Buffett depois de 60 anos no comando da Berkshire Hathaway (B3: BERK34 | NYSE: BRK/B) talvez seja uma das tarefas mais desafiadoras do mercado financeiro. Sob intensa expectativa dos investidores em seu primeiro balanço, Greg Abel, novo CEO da companhia, entregou resultados do 2T26 acima das expectativas e mostrou que está à altura do cargo nessa transição.

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A receita total do conglomerado cresceu 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 101,81 bilhões, substancialmente acima das expectativas de mercado, que estavam em torno de US$ 95,3 bilhões.

Destaques de segmentos da Berkshire

O grande destaque continuou sendo a frente de Seguros, o verdadeiro coração da holding, que respondeu por US$ 88,50 bilhões da receita total e cresceu 10% na comparação anual. O avanço foi impulsionado principalmente pelas receitas de vendas e serviços, que subiram 15,4%, além das receitas de locação, que cresceram 15,1%. Enquanto isso, os prêmios de seguros avançaram apenas 1,3%, e a linha de juros e dividendos registrou uma leve contração de 2,4% na comparação anual.

Vale destacar que, mesmo com um resultado bastante forte, a operação foi parcialmente pressionada pelo aumento de 4,8 p.p. na sinistralidade da GEICO, que chegou a 76,6%, além de um desempenho abaixo do esperado da HomeServices, refletindo a sensibilidade do negócio de corretagem imobiliária ao ambiente de juros elevados.

Já em relação às operações de utilities, a receita somou US$ 13,31 bilhões. A subdivisão BNSF, responsável pelo transporte ferroviário de cargas na América do Norte, viu sua receita crescer 14,6%, enquanto a BHE, responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia, cresceu 5,7%.

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Carteira de ações da Berkshire valoriza 152,8% em 12 meses

A linha de ganhos com investimentos, que engloba a variação do valor da carteira de ações e derivativos da companhia, na qual a Berkshire investe em empresas como Alphabet, American Express, Apple, BofA e Coca-Cola, posições que, em conjunto, representam 66% do total da carteira de ações, registrou um ganho não operacional de aproximadamente US$ 16,08 bilhões, o que representa uma valorização impressionante de 152,8% frente ao mesmo período do ano anterior.

A fim de dimensionar o impacto, o valor total dos investimentos em ações da Berkshire Hathaway era de aproximadamente US$ 323,8 bilhões, equivalente a cerca de 25,6% dos US$ 1,263 trilhão em ativos totais da holding.

Falando da eficiência das frentes, a margem operacional da frente de Seguros atingiu 22,4%, o que representa uma expansão de 2,5 p.p. frente ao mesmo período do ano anterior. Já a frente de Utilities apresentou uma margem de 9%, 3,0 p.p. acima do registrado um ano antes.

Com isso, a margem operacional consolidada, desconsiderando os ganhos com investimentos em ações, chegou a 12,75%, o que representa um aumento de 0,69 p.p. na comparação anual. Já quando incorporamos os ganhos com investimentos em outras empresas, a margem salta para 31,3%, naturalmente inflada pela forte valorização da carteira de investimentos da companhia.

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Greg Abel dá continuidade ao legado de Buffett

Na última linha, a companhia dobrou o lucro líquido atribuível aos acionistas em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo US$ 25,67 bilhões, o equivalente a um lucro por ação classe B de US$ 11,91 — grande parte impulsionado pelos ganhos não operacionais.

A companhia segue acumulando um dos maiores caixas de sua história, encerrando o período com US$ 365,5 bilhões, resultado da combinação entre uma postura mais cautelosa diante dos valuations do mercado e uma forte geração operacional.

Ainda assim, ao contrário de Warren Buffett, Greg Abel acelerou a alocação desse capital, recomprando cerca de US$ 4,5 bilhões em ações da própria Berkshire, encerrando uma sequência de 14 trimestres consecutivos de vendas líquidas de ações, ampliando a exposição à Alphabet por meio da recompra de aproximadamente US$ 10 bilhões em ações da companhia, concluindo a aquisição da OxyChem, produtora de químicos industriais e derivados de cloro, e anunciando a compra da Taylor Morrison, uma das maiores construtoras residenciais dos Estados Unidos.

Diante dos números sólidos da companhia, a Berkshire Hathaway permanece como uma das maiores fortalezas defensivas do mercado global. O grande diferencial competitivo da companhia continua sendo o gigante aporte em seguros que os clientes realizam, que atingiu US$ 177,5 bilhões, permitindo que Abel invista um capital vasto a um custo essencialmente zero ou negativo.

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Do ponto de vista de valuation, a companhia negocia atualmente próxima de 1,5x o seu valor contábil, patamar considerado justo e alinhado com sua média histórica recente. Sendo assim, um dos principais catalisadores para a tese, além da força do negócio central da companhia, segue sendo a liberdade que essa montanha de caixa oferece para novos aportes, aquisições e outras operações capazes de acelerar a alocação de capital, além de ser uma empresa extremamente resiliente e voltada à preservação de capital, pontos que fundamentam nossa recomendação em Berkshire Hathaway (B3 BERK34 | NYSE BRK/B), uma das principais posições da carteira de Ações Internacionais.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.