Imagem: Finbold
Após o fechamento dos mercados da última quarta-feira (29), a Meta Platforms (B3: M1TA34 | Nasdaq: META) reportou os resultados do 2T26. Apesar de a receita ter superado as expectativas, a alta de custos, investimentos e itens extraordinários pressionou a lucratividade da companhia e fez as ações caírem cerca de 9% no after-market.
Receita da Meta cresce forte, mas lucro decepciona
Nos três meses encerrados em junho, a receita da companhia totalizou US$ 60,80 bilhões, crescimento de 28% na comparação anual (+27% em moeda constante) e acima do consenso de cerca de US$ 60,2 bilhões.
Esse aumento se deu graças tanto ao maior número de impressões de anúncios (+14% vs. 2T25) quanto ao preço médio dos ads (+12%). A receita com publicidade somou US$ 59,36 bilhões (+27% a/a), enquanto o número de usuários ativos diários em seus aplicativos atingiu 3,60 bilhões, o maior nível da história da companhia.
Por outro lado, a divisão Reality Labs, responsável pelo desenvolvimento de dispositivos e tecnologias de realidade virtual e aumentada, reportou vendas de US$ 431 milhões, alta de 16% na comparação anual.
Os custos e despesas saltaram 55% na comparação anual, para US$ 42,03 bilhões. Nesse total, entraram US$ 2,40 bilhões em encargos relacionados a processos legais e US$ 1,18 bilhão em despesas de demissão ligadas à redução de quadro de maio. Com isso, a margem operacional caiu para 31%, uma retração de 12 pontos percentuais em relação aos 43% registrados no 2T25.
Na linha final, o lucro líquido da Meta foi de US$ 15,85 bilhões, ou US$ 6,18 por ação, queda de 13% ante um ano atrás e abaixo do consenso, de aproximadamente US$ 7,13, mas foi pressionado pelas despesas jurídicas e em custos relacionados às demissões recentes, que comentamos anteriormente.
Excluídos esses efeitos, o lucro operacional teria crescido 9% na comparação anual, o que sugere que a frustração do trimestre esteve mais ligada a itens extraordinários e ao ritmo de investimentos do que a uma perda de força do negócio de publicidade.
Outro ponto que pesou na percepção do mercado foi o fluxo de caixa livre, que somou apenas US$ 784 milhões. Para efeito de comparação, nos últimos dois anos a companhia vinha registrando uma geração trimestral entre US$ 8 bilhões e US$ 15 bilhões.
Mercado questiona o retorno dos investimentos
Para o terceiro trimestre, a direção espera reportar receita no intervalo de US$ 61 bilhões a US$ 64 bilhões. Já em relação ao ano de 2026, a Meta elevou o piso do guidance de despesas totais para US$ 165 bilhões a US$ 169 bilhões, incorporando os encargos legais do segundo trimestre, e estreitou a faixa de investimentos de capital para US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões (antes, US$ 125 bilhões a US$ 145 bilhões). A companhia reiterou a expectativa de lucro operacional acima do nível de 2025.
Ainda assim, o foco dos investidores continua voltado para a intensidade dos investimentos e para o retorno esperado desse ciclo. As despesas extraordinárias acabam ofuscando parte dos avanços operacionais, mesmo com o negócio de publicidade ganhando eficiência pela inteligência artificial, refletidos no aumento simultâneo das impressões e do preço médio dos anúncios.
No curto prazo, a combinação entre maiores investimentos, custos extraordinários e compressão de margem reduz a rentabilidade da companhia, mas isso não implica que esse patamar de lucratividade deva se tornar permanente.
Tese de longo prazo da Meta permanece intacta
Mesmo após a reação negativa das ações, o resultado não indica uma deterioração do núcleo econômico da Meta. A tese de longo prazo, portanto, continua ligada à capacidade da Meta de transformar sua infraestrutura de IA em novas fontes de receita sem comprometer estruturalmente sua elevada rentabilidade.
Parte desse retorno já aparece no negócio principal, por meio de recomendações mais eficientes, maior conversão dos anúncios e ferramentas criativas utilizadas por cerca de 9 milhões de pequenas empresas.
Ao mesmo tempo, a companhia começa a ampliar sua monetização para além da publicidade: a receita não publicitária da Família de Aplicativos superou US$ 1 bilhão no trimestre, com crescimento de 73%, impulsionada por mensagens pagas no WhatsApp e assinaturas.
A Meta também lançou o Meta One, serviço de assinatura com ferramentas e recursos de IA, e já conta com mais de 1 milhão de empresas utilizando semanalmente seus agentes de atendimento. Em uma etapa posterior, iniciativas como o Meta Compute, a venda direta de capacidade computacional e os serviços corporativos podem abrir uma nova frente de crescimento.
Valuation descontado sustenta recomendação de compra
Após a queda das ações, a relação entre preço e valor tornou-se mais favorável. Considerando a cotação de aproximadamente US$ 533 e as estimativas consensuais de lucro para os próximos quatro trimestres, a Meta é negociada perto de 16,5 vezes os lucros projetados, abaixo das cerca de 18 vezes observadas antes da divulgação do resultado e com desconto próximo de 33% em relação à referência de 24,6 vezes para as Magnificent Seven.
Esse múltiplo parece excessivamente baixo para uma companhia que ainda apresenta margem operacional recorrente próxima de 38%, retorno sobre o patrimônio ao redor de 30% e retorno sobre o capital investido de aproximadamente 17%.
Paralelamente, o preço atual já incorpora parte relevante dos riscos associados ao aumento do capex, às contingências jurídicas, às perdas da Reality Labs e à incerteza sobre a monetização das novas frentes de IA.
Por isso, nossa avaliação permanece positiva, embora essa recomendação dependa da execução e não elimine os riscos, a combinação entre um núcleo publicitário ainda robusto, novas opções de monetização e um múltiplo descontado sustenta nossa recomendação para a Meta Platforms (B3: M1TA34 | Nasdaq: META) nas séries voltadas às ações internacionais.