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Investimentos

Ibovespa hoje: petróleo dispara com escalada das tensões no Oriente Médio, resultados das big techs, repercussão da Super Quarta e mais

Mesmo antes da decisão de juros do Banco Central, a combinação entre a escalada geopolítica e a postura mais firme do Federal Reserve já havia elevado de forma relevante a tensão nos mercados.

Por Matheus Spiess

30 abr 2026, 10:21

Atualizado em 30 abr 2026, 10:22

petróleo investir em ações

Imagem: iStock/sankai

A escalada das tensões no Oriente Médio levou o petróleo Brent a atingir a flertar com os US$ 120 por barril novamente, após relatos de que Donald Trump avalia novas opções militares contra o Irã e condiciona o fim do bloqueio naval a um acordo nuclear.

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Esse contexto reforça o risco de um choque relevante de oferta, sobretudo diante do comprometimento do Estreito de Ormuz, sustentando preços elevados e ampliando as pressões inflacionárias em escala global.

Em paralelo, o Federal Reserve manteve a taxa de juros inalterada, mas com uma divisão interna significativa na última reunião de Jerome Powell como presidente, sinalizando um ambiente mais complexo para a condução da política monetária, especialmente diante da iminente transição para Kevin Warsh. A valorização do dólar e a pressão sobre moedas como o iene refletem esse cenário de divergência de juros e maior aversão a risco.

No campo corporativo, a temporada de resultados apresentou números robustos, ainda que acompanhados por uma reação mais seletiva do mercado. Alphabet e Amazon se destacaram positivamente no avanço em inteligência artificial, enquanto a Microsoft reportou receitas robustas, sem, contudo, dissipar integralmente as preocupações dos investidores. Já a Meta foi penalizada após elevar de forma relevante suas projeções de investimento em IA, trazendo maior atenção para a relação entre capex e retorno.

Bancos europeus também superaram as expectativas, contribuindo para um pano de fundo de resultados consistentes. Ainda assim, o ambiente global permanece marcado por elevada incerteza, com decisões de política monetária, como as do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu, e indicadores relevantes nos Estados Unidos, como PIB e PCE, sendo monitorados de perto para calibrar as expectativas de crescimento e inflação para os próximos meses.

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· 00:53 — Qual a convicção para o corte?

No Brasil, mesmo antes da decisão do Banco Central, a combinação entre a escalada geopolítica e a postura mais firme do Federal Reserve já havia elevado de forma relevante a tensão nos mercados.

Esse ambiente desencadeou uma reação defensiva global, com alta dos Treasuries, valorização do dólar, que voltou à casa de R$ 5, e abertura expressiva da curva de juros doméstica, pressionando os ativos de risco.

Em seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) confirmou as expectativas ao reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14,50% ao ano. Até aqui, nenhuma surpresa.

A mudança, contudo, esteve no tom: o Banco Central adotou uma comunicação mais cautelosa, refletindo a deterioração das expectativas inflacionárias. A projeção para o horizonte relevante, agora deslocado para o quarto trimestre de 2027, foi elevada para 3,5%, representando um aumento de 50 pontos-base em apenas quatro meses.

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Embora o Comitê tenha evitado um discurso explicitamente mais duro e mantenha a possibilidade de cortes graduais, o espaço para flexibilização torna-se mais limitado, sobretudo na ausência de normalização do Estreito de Ormuz.

Nesse contexto, ainda é possível vislumbrar novas reduções de juros nos próximos meses, mas o Banco Central pode ser levado a interromper temporariamente o ciclo para preservar a estabilidade do câmbio e evitar uma deterioração adicional das expectativas.

A credibilidade da política monetária segue como elemento central, e eventuais desvios podem ter custos elevados. Do ponto de vista de mercado, esse cenário tende a favorecer o real no curto prazo, mas mantém a curva de juros pressionada, o que penaliza empresas mais sensíveis a taxas e, por outro lado, pode oferecer algum suporte ao Ibovespa via companhias ligadas a commodities.

No ambiente político, o Senado impôs uma derrota histórica ao governo Lula ao rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, algo que não ocorria há mais de um século, desde o governo de Floriano Peixoto. O episódio evidencia um desgaste relevante na articulação política do Executivo e sugere um Congresso mais assertivo e menos alinhado, o que pode indicar que a percepção sobre a reeleição de Lula está longe de ser consensual.

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Esse aumento de incerteza política tende a ganhar relevância ao longo do ciclo eleitoral e pode, em um segundo momento, dialogar com movimentos de mercado típicos desse período, incluindo a possibilidade de um rali eleitoral.

· 01:48 — Vai ficar

O Federal Reserve manteve a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, em linha com as expectativas do mercado, mas adotou uma comunicação mais firme, refletindo a deterioração do ambiente macroeconômico.

O choque de energia decorrente da guerra no Oriente Médio, ainda sem ter atingido seu pico, foi destacado como um vetor relevante de pressão sobre a inflação e as cadeias de suprimento, ampliando a incerteza em relação ao crescimento.

No plano interno, o aumento do dissenso no Comitê, evidenciado por votos divergentes e questionamentos ao viés de afrouxamento, sinaliza que o espaço para cortes de juros está sendo reavaliado. Na prática, o Fed consolida uma postura mais cautelosa e dependente de dados, enquanto o mercado já desloca para mais adiante as expectativas de início da flexibilização monetária.

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Ao mesmo tempo, a reunião marcou a última participação de Jerome Powell como presidente, em um contexto de elevada divisão interna, algo que não se observava desde 1992. Ainda assim, Powell indicou a intenção de permanecer como membro do conselho até 2028, reforçando a autonomia institucional do Fed em meio a pressões políticas e à iminente transição para Kevin Warsh, que vai ter que lidar com a pressão para cortar.

O pano de fundo segue sendo de juros elevados por mais tempo, com a inflação ainda persistente, especialmente caso o núcleo (core PCE) permaneça próximo de 3,5% ao ano, e um cenário global mais desafiador, que limita a possibilidade de cortes e mantém a autoridade monetária em compasso de espera.

· 02:36 — Trilhões de dólares em valor de mercado

Os resultados das grandes empresas de tecnologia reforçam a robustez operacional do setor, que reúne companhias com valor de mercado agregado na casa de dezenas de trilhões de dólares, mas também evidenciam uma mudança importante na forma como o mercado os avalia: há menos ênfase no desempenho passado e maior foco nas perspectivas futuras, especialmente em inteligência artificial e no nível de investimentos.

A Microsoft reportou lucro por ação de US$ 4,27 e receita de US$ 82,9 bilhões, ambos acima do esperado, com destaque para o crescimento de 39% do Azure e uma receita anual de IA já em US$ 37 bilhões (+123% a/a). Ainda assim, a reação das ações foi contida, refletindo um ambiente mais exigente por parte dos investidores.

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Já a Alphabet se destacou positivamente, com alta superior a 6% no after market após divulgar receita acima do consenso (US$ 94,7 bilhões ex-TAC, frente a US$ 91,6 bilhões esperados) e forte expansão de lucros, reforçando sua posição entre as principais plataformas digitais globais.

Em contraste, a queda próxima de 7% da Meta ilustra com clareza o novo foco do mercado: a magnitude dos investimentos. Apesar de resultados operacionais sólidos, a empresa elevou seu guidance de capex para um intervalo entre US$ 125 bilhões e US$ 145 bilhões, acima das expectativas, o que trouxe questionamentos sobre o retorno desses gastos.

A Amazon, por sua vez, também apresentou números robustos, com lucro de US$ 30,25 bilhões (+76,6%) e crescimento acelerado na área de computação em nuvem, mas chamou atenção pelo aumento expressivo dos investimentos, que somaram US$ 44,2 bilhões no trimestre.

Em conjunto, os resultados apontam para um setor ainda altamente lucrativo e dominante, mas que entra em uma fase mais intensiva em capital, na qual a disputa por liderança em inteligência artificial passa a redefinir expectativas e torna o mercado mais seletivo, mesmo diante de empresas de escala trilionária.

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· 03:27 — Um flerte perigoso

A escalada das tensões no Oriente Médio levou o petróleo Brent a flertar novamente com os US$ 120, refletindo o chamado “prêmio de guerra” (ou geopolítico). Declarações de Donald Trump sinalizando a possibilidade de nova ação militar contra o Irã, somadas à preparação de planos de ataque pelos EUA e ao impasse nas negociações, reforçam a percepção de um choque relevante de oferta, especialmente diante da continuidade do fechamento do Estreito de Ormuz. Nesse ambiente, o mercado passa a precificar uma interrupção mais prolongada dos fluxos de petróleo, sustentando a expectativa de preços elevados até sinais concretos de normalização.

Paralelamente, decisões estratégicas, como o possível uso de armamentos mais avançados pelos americanos e a postura defensiva da China para garantir seu abastecimento energético, evidenciam a natureza sistêmica do choque. Em conjunto, esses fatores apontam para um ambiente de maior pressão inflacionária e elevação do risco macroeconômico global, em um estágio em que os impactos do conflito deixam de ser regionais e passam a influenciar a dinâmica econômica internacional.

· 04:15 — O próximo alvo de Trump

Cuba atravessa uma de suas mais graves crises econômicas em décadas, caracterizada por apagões recorrentes, escassez de combustível, deterioração de serviços essenciais e um fluxo migratório que já levou mais de 10% da população a deixar o país.

Nesse contexto, intensifica-se a pressão americana, com Donald Trump sinalizando interesse em um acordo que permita a abertura da ilha a investimentos e ao turismo americano, movimento que só faz sentido se houver uma troca de regime.

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O principal entrave, no entanto, é estrutural. A ausência de uma oposição política organizada limita alternativas de transição, enquanto um eventual acordo de natureza predominantemente econômica pode gerar tensões no cenário doméstico americano, sobretudo entre eleitores cubano-americanos. Em última instância, a questão cubana se revela menos como um problema de viabilidade imediata e mais como um tema inserido em uma dinâmica mais ampla de geopolítica e disputa de narrativas.

· 05:09 — Na fronteira

Para além do forte resultado divulgado ontem, o novo white paper do Google reforça o protagonismo da companhia na fronteira tecnológica ao indicar que avanços em computação quântica podem reduzir em até 20 vezes os recursos necessários para quebrar a criptografia tradicional, um ponto de atenção relevante para sistemas como o bitcoin, cuja segurança depende justamente da dificuldade computacional.

Embora ainda não exista um computador quântico capaz de explorar essa vulnerabilidade de forma prática, a estimativa de até 10% de probabilidade de isso ocorrer até 2030, somada ao plano do próprio Google de migrar sua infraestrutura para criptografia pós-quântica até 2029, evidencia não apenas um risco emergente, mas, sobretudo, a capacidade da empresa de antecipar e se posicionar diante dessas transformações.

Em um contexto em que ativos digitais e a tokenização de ativos do mundo real podem ultrapassar US$ 16 trilhões até o fim da década, essa leitura ganha ainda mais relevância. Do ponto de vista de investimento, a mensagem é menos sobre um risco imediato e mais sobre a consolidação do Google como um dos principais arquitetos da próxima geração da infraestrutura digital global — integrando inteligência artificial, computação em nuvem e, agora, avanços em computação quântica.

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Essa combinação reforça a tese estrutural da companhia como um ativo central na nova economia tecnológica, com múltiplas avenidas de crescimento e captura de valor ao longo do tempo. Para o investidor brasileiro, essa exposição pode ser acessada de forma eficiente por meio das BDRs GOGL34, que permitem participar dessa trajetória de inovação e liderança global diretamente no mercado local.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.