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Crypto Pulse

Pela trigésima-nona vez, ‘dessa vez é diferente’: e como ficam as criptomoedas?

Trump anunciou, pela 39ª vez, estar perto de um acordo com o Irã; enquanto isso, inflação persistente e impasses regulatórios nos EUA não permitem avanços nos preços do Bitcoin

Por Luis Kuniyoshi

14 jun 2026, 15:00

Bitcoin, BTC, criptomoedas

(Imagem: iStock.com/sittipong phokawattana)

O cenário macro pouco mudou desde nossa última edição. O Bitcoin segue em lateralização, testando a faixa dos US$ 60 mil, região técnica mais importante deste ciclo, defendida em fevereiro e novamente colocada à prova agora. 

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No curtíssimo prazo, a queda foi aliviada por dois fatores: um CPI americano marginalmente melhor do que o esperado no núcleo, que reduziu parte da pressão imediata sobre os juros, e uma nova declaração de Donald Trump de que um acordo de paz com o Irã estaria próximo, reacendendo a expectativa de normalização gradual do Estreito de Ormuz e derrubando o petróleo. 

Mas o alívio ainda é frágil. Segundo levantamento da CNN, esta foi a 39ª vez que Trump afirmou que um acordo estaria próximo desde o início do conflito e, até aqui, nenhuma das promessas anteriores se concretizou. Ao mesmo tempo, a inflação segue acima da meta do Fed, enquanto o Banco Central Europeu elevou juros nesta semana pela primeira vez desde 2023. 

Nesta edição, explicamos por que esse conjunto ajuda a sustentar o Bitcoin acima dos US$ 60 mil no curto prazo, mas ainda não basta para falar em virada de tendência — e o que fazer com o portfólio nesse meio-tempo. 

Macro: alívio no petróleo, mas inflação ainda resistente 

No curtíssimo prazo, o principal alívio para os mercados veio do petróleo. O brent, principal referência internacional da commodity, voltou a recuar e segue formando fundos mais baixos. Esse movimento sugere que o mercado continua retirando parte do prêmio geopolítico incorporado desde a escalada no Oriente Médio. 

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A leitura por trás desse ajuste é simples. Apesar dos percalços e da ausência de um acordo formal, o cenário-base ainda parece ser o de uma resolução gradual do conflito. A expectativa de normalização do Estreito de Ormuz reduz o risco de um choque prolongado de energia, o que ajuda a aliviar as expectativas de inflação e, por consequência, parte da pressão sobre os juros. 

Isso não elimina o risco geopolítico nem muda, sozinho, o pano de fundo macroeconômico. Mas ajuda a explicar por que os ativos de risco ganharam fôlego nos últimos dias — e por que o Bitcoin conseguiu, ao menos por ora, defender a região dos US$ 60 mil. 

Petróleo Brent — formação de fundos mais baixos 

Fonte: TradingView

Ainda assim, o quadro inflacionário segue desconfortável. O CPI americano de maio veio marginalmente melhor no núcleo, medida que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia. Mas a composição do dado ainda não foi suficiente para alterar a leitura de médio prazo. Componentes mais persistentes, como moradia e serviços médicos, seguem pressionados, enquanto o índice cheio permanece distante da meta de 2% do Federal Reserve

Um dado isolado ajuda a reduzir a pressão imediata sobre os juros, mas não resolve o problema. Enquanto a inflação continuar persistente, o mercado seguirá convivendo com a expectativa de juros altos por mais tempo e, no limite, com a discussão sobre novas altas. 

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Essa dinâmica não está restrita aos Estados Unidos. Nesta semana, o Banco Central Europeu elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa de depósito para 2,25% — a primeira alta desde 2023. O movimento refletiu a combinação de inflação ainda acima da meta, energia pressionada e risco de contaminação para componentes mais persistentes da economia. 

Em resumo, o alívio recente melhora o ambiente de curto prazo, mas ainda não muda o quadro principal. Liquidez global segue pressionada, e ainda há pouca visibilidade sobre quando as condições financeiras voltarão a melhorar de forma consistente. Para o Bitcoin e, por consequência, para o mercado cripto, esse segue sendo um dos fatores centrais a monitorar.

O que isso significa para o Bitcoin (BTC)?

Para o Bitcoin, a mensagem principal é que ainda há espaço para repiques, mas não há confirmação de uma nova tendência de alta

O ativo segue negociando em uma região decisiva. A faixa dos US$ 60 mil tem funcionado como ponto de defesa relevante e conversa com o antigo topo do ciclo de 2021, uma referência técnica importante para o mercado. Enquanto esse nível for preservado, o cenário mais provável continua sendo de lateralização, com movimentos alternados de recuperação e realização. 

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É por isso que nossos modelos seguem apontando para um regime de reversão à média. Em vez de uma tendência clara, o Bitcoin ainda opera dentro de uma faixa ampla de preços. Nesses momentos, o risco não está apenas em cair, mas também em comprar repiques como se fossem o início de uma nova pernada de alta. 

Caso os US$ 60 mil sejam perdidos, o próximo suporte relevante aparece próximo dos US$ 50 mil. Com as informações disponíveis hoje, essa faixa aparece como uma candidata natural a marcar uma região de fundo caso a correção se aprofunde. 

Por isso, a postura recomendada segue sendo de cautela. Faz sentido manter caixa, reduzir exposição a ativos mais voláteis e concentrar a parte cripto da carteira em nomes de maior qualidade e liquidez, com o Bitcoin ocupando papel central. 

Para o investidor de longo prazo, porém, a região atual já começa a oferecer uma janela interessante para compras fracionadas. O Bitcoin foi um dos melhores ativos da última década e, para quem acredita no crescimento estrutural dos ativos digitais, momentos de estresse como o atual podem abrir boas oportunidades de entrada gradual. 

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Para quem busca exposição a esse mercado, a carteira Crypto Momentum tem se mostrado, até o momento, uma opção ainda mais interessante que o próprio Bitcoin. A estratégia é tão simples quanto comprar BTC, mas conta com gestão ativa de risco e seleção criteriosa de ativos. Desde o lançamento, tem superado com consistência o Bitcoin. 

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Regulação: tão perto, mas tão longe 

No front regulatório, a semana trouxe um capítulo frustrante para o projeto mais importante do setor nos Estados Unidos. 

Clarity Act — legislação que moderniza a estrutura regulatória de ativos digitais americana, cobrindo stablecoins, estrutura de mercado e tributação — travou em mais um impasse, dessa vez ético. Um grupo bipartidário tentou incluir no texto uma provisão que permitiria os procuradores-gerais estaduais processarem o Departamento de Justiça caso esse não aplicasse normas éticas relacionadas aos negócios cripto do próprio presidente Trump, estimados em US$ 2,3 bilhões

Os republicanos recuaram de imediato, alegando que a medida seria constitucionalmente problemática, e a reunião de negociação terminou sem acordo. 

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O relógio corre contra o setor. Restam apenas 31 dias de sessão legislativa antes do recesso de agosto, prazo informal que o próprio mercado usa como referência. Se o projeto não avançar até lá, corre o risco de ser engolido pela agenda do segundo semestre, tipicamente dominada por disputas orçamentárias. 

O projeto segue bipartidário no espírito e tecnicamente avançado, tão perto quanto nunca esteve. Mas a política cripto nos EUA é inseparável da política americana em geral, e o desfecho das próximas semanas será decisivo. Hoje, os mercados de previsão atribuem 49% de chance para o Clarity Act ser sancionado ainda em 2026. Na prática, a probabilidade de aprovação se aproxima do resultado de jogar uma moeda para cima. 

Fonte: Polymarket

Diante dos impasses recentes e a corrida contra o tempo, nosso viés passa a ser neutro/pessimista. A legislação ainda pode avançar, mas o equilíbrio de probabilidades já não permite tratar a aprovação neste ano como cenário-base, o que reforça o momento de cautela.

Analista de criptomoedas na Empiricus Research.