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O bitcoin (BTC) segue ancorado próximo ao suporte de US$ 77 mil. Os dados de inflação dos Estados Unidos vieram acima do esperado e, como resultado, o mercado passou a precificar alguma chance de alta de juros em 2026.
Esse ajuste de expectativas também apareceu nos nossos modelos proprietários, que começam a sinalizar perda de momentum. Ainda assim, o contexto não apresentou um ponto de inflexão negativo: a economia americana segue resiliente, o crédito continua fluindo e a combinação entre expectativas renovadas de fim do conflito no Oriente Médio e bons resultados da Nvidia (NVDC34) ajudou, por ora, a colocar o mercado de volta nos trilhos. A diferença é que, daqui em diante, o equilíbrio ficou mais sensível.
Aos que pensam no longo prazo, a leitura dos fluxos institucionais segue mais construtiva do que parece à primeira vista. Para aprofundar esse ponto, esta edição traz a participação especial de Matheus Parizotto, analista de criptoativos do BTG Pactual, que ajuda a interpretar o que há por trás desses movimentos.
Enquanto isso, HYPE, criptoativo comentado nas primeiras edições da newsletter, se destacou no mercado — acumulando cerca de 90% de valorização desde então, impulsionado por catalisadores que detalhamos abaixo.
Análise gráfica do Bitcoin (BTC)

O Bitcoin opera próximo de US$ 77.500, em uma região ainda sem definição clara de tendência. Pelo gráfico, o primeiro suporte relevante está em torno de US$ 70.800, enquanto a resistência mais próxima aparece em US$ 84.500. Considerando a volatilidade atual, o intervalo esperado para os próximos sete dias fica entre US$ 72.000 e US$ 80.000.
Essa leitura, combinada com nossos modelos proprietários, indica um mercado mais inclinado à reversão à média. Em essência, isso significa que o Bitcoin deve continuar oscilando dentro de uma faixa bem definida, sem força suficiente para sustentar uma tendência clara, como ocorreu nas últimas semanas.
O smart money desistiu do Bitcoin?
Esta seção conta com a participação especial de Matheus Parizotto, que nos ajuda a interpretar os dados de posicionamento institucional mais recentes.
Na sexta-feira (22), encerrou-se o prazo de divulgação dos relatórios 13F nos Estados Unidos. Esses documentos mostram, com cerca de 45 dias de atraso, as posições de grandes alocadores ao fim de cada trimestre. Embora não sejam um retrato em tempo real, ajudam a entender como esse capital estava posicionado no fechamento de março.
À primeira vista, a leitura parece negativa. As posições em ETFs de Bitcoin caíram pelo segundo trimestre consecutivo, enquanto a participação desses grandes investidores no patrimônio total dos fundos recuou para o menor nível desde o lançamento da categoria.

Mas essa queda precisa ser interpretada com cautela. Nem toda redução nos ETFs significa venda por falta de convicção no Bitcoin. Muitos fundos usavam esses produtos em uma estratégia específica: compravam o ETF de Bitcoin e, ao mesmo tempo, vendiam contratos futuros do ativo. A ideia era ganhar com a diferença entre o preço do Bitcoin no mercado à vista e no mercado futuro.
Essa diferença, porém, diminuiu. Com um retorno menor, a estratégia deixou de ser tão interessante. Por isso, parte dos fundos reduziu posição. Não necessariamente porque mudou a visão sobre o Bitcoin, mas porque a oportunidade de arbitragem ficou pior.
Esse movimento também aparece nos contratos futuros da CME, principal bolsa de derivativos usada por investidores tradicionais. O open interest, que mede o volume de posições abertas nesses contratos, caiu junto com o prêmio. Em outras palavras, os dados sugerem um desmonte de uma operação financeira específica, e não uma saída generalizada do Bitcoin.

Ou seja, a redução nos ETFs não significa, necessariamente, abandono da tese de Bitcoin. Em boa medida, ela reflete o desmonte de uma operação específica, que dependia de um prêmio maior nos contratos futuros.
O contraponto aparece na Strategy, empresa conhecida por manter Bitcoin em seu balanço. Mesmo com a queda recente das ações, grandes investidores aumentaram sua exposição à companhia. Fundos soberanos e fundos de pensão de países como Coreia do Sul, Noruega, Suécia, Finlândia, Canadá e Estados Unidos ampliaram ou iniciaram posições.

A leitura final é que o smart money não parece ter desistido do Bitcoin: o que mudou foi a forma de exposição. O capital mais tático reduziu posições em ETFs, enquanto investidores de perfil mais estrutural continuaram buscando acesso ao ativo por meio de veículos indiretos, como a Strategy. Isso reforça que a adoção do Bitcoin por grandes alocadores segue em curso.
Hyperliquid: o destaque do mercado cripto
Desde que apresentamos a Hyperliquid (HYPE) aqui na newsletter, em 6 de março, o ativo acumula cerca de 90% de valorização e opera hoje próximo ao seu all-time high.

Um dos pontos que mais chama atenção nessa trajetória é a descorrelação com o restante do mercado. Em um ambiente em que o Bitcoin lateralizou, e boa parte dos criptoativos acompanhou esse movimento, HYPE seguiu em tendência de alta.
Esse tipo de comportamento é raro, e costuma indicar que o ativo está respondendo a fundamentos próprios, não apenas ao humor geral do mercado.
A tese estrutural por trás disso passa por três vetores. O primeiro é o ambiente geopolítico: em um mundo mais ruidoso e fragmentado, cresce a demanda por uma infraestrutura de negociação que funcione 24 horas por dia, 7 dias por semana, com alta liquidez e execução eficiente — exatamente a proposta da Hyperliquid.
O segundo vetor é o avanço institucional, que ficou mais concreto nas últimas semanas. Bitwise e 21 Shares estruturaram os primeiros ETFs à vista de HYPE, com cerca de US$ 67 milhões em fluxos iniciais. Além disso, a Coinbase anunciou que se tornará a deployadora oficial do USDC na plataforma, repassando 90% da receita sobre as reservas diretamente ao protocolo.
Na prática, isso pode representar mais de US$ 160 milhões por ano em recompras de HYPE. Ter a maior corretora regulada dos EUA financeiramente alinhada ao protocolo também muda a percepção de risco da plataforma.

O terceiro vetor é o regulatório. A CFTC colocou a regulação do mercado de derivativos descentralizados entre suas prioridades, o que reduz parte da incerteza jurídica e abre caminho para uma adoção mais ampla.
Em conjunto, esses movimentos ajudam a explicar por que HYPE tem se comportado de forma diferente do restante do mercado. A alta não parece ser apenas reflexo de narrativa ou especulação de curto prazo, mas de catalisadores concretos que fortaleceram os fundamentos do ativo.
Ainda assim, como HYPE já opera próximo da máxima histórica, não seria surpreendente ver alguma realização de curto prazo antes de uma nova tentativa de rompimento. Para nós, eventuais correções, desde que os fundamentos sigam preservados, tendem a ser mais uma oportunidade de entrada do que um sinal de deterioração da tese.