Uma boa notícia para o seu dinheiro

O jornal condensa a visão da média, já representada nas cotações vigentes no preço dos ativos. E se você quer ter retornos acima da média, por construção, não poderá seguir a opinião média.

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Uma boa notícia para o seu dinheiro

“Para ser completamente curado em relação aos jornais, passe um ano lendo as publicações de uma semana atrás.” Nassim Taleb, sempre ele.

Aqui estamos nós: beirando os 80 mil pontos do Ibovespa, com Petrobras acima de 20 reais/ação — essas últimas sobem 25% no ano.

A semana passada foi a melhor para o índice de ações em dois anos. Se vai mais? Difícil saber, mas ainda me parece haver bela assimetria na Bolsa e nas estatais em particular — aprecie com moderação, pois a volatilidade será protagonista nessa caminhada; estômago de avestruz.

Proponho um exercício efetivo: recupere os jornais de um mês atrás. Estavam todos, sem exceção, indicando a necessidade de cautela para setembro, com medo das eleições por aqui e da guerra comercial lá fora. “Não é hora de assumir posições de risco”, repetia o pasteurizado consenso.

Não é um caso particular. É sempre assim. O jornal condensa a visão da média, já representada nas cotações vigentes no preço dos ativos. E se você quer ter retornos acima da média, por construção, não poderá seguir a opinião média. “Não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz”, resumiu o megainvestidor Raul Seixas. Como sabemos, não ter mapa é sempre melhor do que dispor de um mapa errado.

O grande ganhador de dinheiro é, em última instância, um provocador, alguém que irrompe contra o sistema, representado na visão de consenso, seguindo uma caminhada gauche na vida de obediência apenas às suas próprias ideias — ainda que isso traga desconforto por algum tempo. No meio de muita volatilidade e às vésperas das eleições, somente os leprosos podem posicionar-se em Bolsa e, mais especificamente, em ações de estatais, não é mesmo?

Querendo falar para a média, por vezes, o jornalismo acaba falando com ninguém. Apenas como hipótese, talvez isso ajude a explicar parte da crise do setor em nível global. Mas no Brasil é pior, em especial no caso do jornalismo financeiro.

O número de páginas dedicadas à Economia (e sempre incluo as Finanças dentro da Economia, talvez por vício dos tempos de docência em Teoria das Decisões Financeiras, que desdobra o arcabouço estrito da microeconomia para os mercados financeiros) nos grandes jornais caiu na mesma proporção de suas receitas. Com menos espaço e menos equipe, como fica a qualidade?

Não é uma opinião, é um fato objetivo. Pegue os cadernos de anos atrás e compare com os atuais. Leia os editorais do único jornal impresso e financeiro estrito do país e perceba como ele, surpreendentemente, possui um viés de esquerda.

Não há no Brasil um único site com grande audiência com conteúdo independente sobre mercados. Aqui, as pessoas se informam sobre os produtos bancários num site de um… banco! Poderia até ser engraçado se não implicasse real prejuízo para as pessoas físicas.

Bom, isso era até ontem. Se quer ver um milagre, seja você mesmo o milagre. Poderíamos assistir ao fenômeno deitados em berço esplêndido ou fazer alguma coisa. Optamos pelo segundo caminho. “As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que de fato o mudam.”

Hoje nasce o Seu Dinheiro (www.seudinheiro.com), uma parceria entre a Acta Holding (a holding dona da Empiricus) e o Estadão Ventures, com o objetivo de preencher essa grande lacuna no jornalismo financeiro independente. Recomendo desde já salvá-lo na sua barra de favoritos, porque poderá fazer diferença na construção de seu patrimônio.

Nele, combatendo a ditadura do politicamente correto, não haverá imparcialidade. Desde a concepção, o site nasce tomando parte, colocando-se sempre ao lado do investidor pessoa física. Há um único objetivo: ajudar o cidadão comum a gerir melhor seu patrimônio. Tudo e só isso.

É motivo de orgulho ver a ideia concebida aqui indo ao ar concretamente hoje. Aproveito a estreia para formalizar um compromisso: será o melhor conteúdo jornalístico de finanças do Brasil. Em nome da Acta, peço que sejamos cobrados por isso.

Sabe de onde vem a minha confiança? Do propósito e das pessoas.

“Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que veem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los.”

A questão de democratizar o acesso aos melhores investimentos para o cidadão comum está impressa em nossas almas, correndo sob a pele. É mais um passo importante para a Acta, que, com seus mais de 300 mil assinantes, se consolida como uma das maiores empresas de comunicação do Brasil. Mas, acima de tudo, é um avanço para o investidor pessoa física, que ganha um conteúdo independente de primeira linha sobre seu dinheiro, sendo tratado exatamente como merece.

Nada disso, porém, seria possível sem as melhores pessoas na equipe. “I am a people’s person.” Como diria Ray Dalio, “quem importa muito mais do que ‘o quê’”.

Não teria como falar do Seu Dinheiro sem nominalmente citar, agradecer, elogiar, admirar-me e, se preciso fosse, ajoelhar-me diante da Olívia Alonso (CEO) e da Luciana Seabra (Diretora de Conteúdo). Vocês não fazem ideia do que essas mulheres fizeram! É simplesmente impressionante a capacidade delas. Por mais que as conheça de perto e tenha nelas fonte de inspiração, a cada dia sou surpreendido pela dedicação, pela inteligência, pela polivalência e pela competência das duas.

E que se estendam os agradecimentos do fã à toda experiente equipe, formada por Marina Gazzoni, Julia Wiltgen, Eduardo Campos e Vinícius Pinheiro.

Como primeira sugestão de leitura, aponto a excelente entrevista de Sérgio Rial (presidente do Santander) para o Vini. Em alguma instância, somos nós e um grande banco juntos — sim, também sabemos ser civilizados.

Esperem só para ver o que vem amanhã…

O jornalismo respira.

Mercados iniciam a semana demonstrando alguma aversão ao risco, monitorando preocupações com guerra comercial no exterior e nova pesquisa eleitoral.

Hoje entram em vigor as tarifas de 10 por cento dos EUA sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, com retaliação por parte da China.

Internamente, pesquisa BTG/FSB mostrou crescimento de Fernando Haddad de 16 para 23 por cento das intenções de voto e redução da diferença no segundo turno frente a Bolsonaro (na pesquisa anterior, o candidato do PSL ganhava de 46 a 38; agora, temos 44 contra 40). Está prevista para a noite a divulgação de mais uma pesquisa Ibope.

Agenda econômica traz relatório Focus e dados da conta corrente no Brasil. Nos EUA, saem atividade na região de Chicago e produção manufatureira de Daallas.

Ibovespa Futuro registra queda de 0,6 por cento, dólar e juros futuros sobem.