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Day One

Upside de +50% à frente, mas nunca vem de graça

Passado o 1º turno, podemos constatar que nossas percepções se mostravam coerentes, e até mesmo conservadoras, face ao ímpeto do mercado

Por Rodolfo Amstalden

07 out 2026, 13:00

lupa investidor mercado

Imagem: iStock/@deepblue4you

Nas últimas duas edições da newsletter, abordamos o potencial impacto de um rali eleitoral, primeiro para o câmbio e depois para o ambiente de Bolsa.

Passado o 1o turno, podemos já constatar que nossas percepções se mostravam coerentes, e até mesmo conservadoras face ao ímpeto do mercado.

Week to date, o real acumula valorização de +4,4% frente ao dólar, enquanto o Ibovespa sobe +7,1% e o SMLL ganha +11,2%.

Vão ainda mais longe os nomes específicos que combinam quality com beta, tal como BPAC11 (+19,1%), B3SA3 (+19,4%) e CYRE3 (+22,1%) – todos integrantes de nossas Carteiras de Ações, cada um na sua praia.

Mas e agora, o que nos resta olhando adiante?

Sem cair na tentação de nos precipitarmos, entendemos que o Ibovespa pode flertar com um patamar de 300 mil pontos dentro de uma janela prospectiva de 12 meses.

No entanto, para que essa trajetória seja construída de maneira sustentável, quatro condições devem ser satisfeitas; e elas não são nada triviais.

  • (i) Flávio Bolsonaro precisa confirmar sua vitória no 2o turno. Embora isso pareça meio óbvio segundo o curso atual dos fatos, devemos lembrar que estamos no Brasil, e tudo pode acontecer.

  • (ii) O eventual novo Governo deve ser feliz e assertivo na arquitetura e na composição dos Ministérios. Sobretudo para as pastas da Fazenda, Casa Civil, Saúde e Educação, o mercado não aceitará nomes de segundo escalão, ou de perfil ideológico.
  • (iii) Uma vez conhecidos os Ministros, a iniciativa privada estará atenta às propostas de governo, com claro destaque às medidas capazes de controlar despesas públicas, promovendo o tão esperado crowding-in da economia brasileira. Nesse sentido, tentativas de maquiagem ou paleativos serão duramente punidos.

  • (iv) Por fim, as propostas terão de ser aprovadas pelo Congresso e devidamente executadas. Ainda que a composição parlamentar seja mais favorável a um casamento entre Executivo e Legislativo, nunca é fácil passar medidas impopulares em curto prazo (ex. Nova reforma da Previdência), mesmo que seus efeitos em longo prazo sejam largamente benéficos.

Logo, falar simplesmente em upside de +50% para o Ibovespa em 12 meses nos parece um reducionismo perigoso face aos desafios que se colocam à frente.

Em compensação, se esses desafios forem efetivamente encarados e satisfeitos, abriremos um contexto legítimo para retomada do investment grade e para um ciclo secular de bull market no Brasil, tal como o experimentado entre 2003 e 2008. Por essa e outras, seguimos promovendo um alto grau de carrego em nossas recomendações, enquanto elevamos a análise crítica sobre a capacidade de entrega das expectativas de consenso.

Sócio-fundador e CEO da Empiricus, é bacharel em Economia pela FEA-USP, em Jornalismo pela Cásper Líbero e mestre em Finanças pela FGV-EESP.