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Jojo Wachsmann e Roberta Scrivano entrevistam Kakay, advogado criminalista, que tece críticas à operação Lava Jato

No episódio 48 do podcast RadioCash, Jojo Wachsmann, CIO e sócio fundador da Vitreo, e a jornalista Roberta Scrivano entrevistam Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado criminalista conhecido como Kakay

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Data de publicação
20 de dezembro de 2021
Categoria
RadioCash

Crítico da Lava Jato, o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, mais conhecido como Kakay, não deixa de reconhecer o mérito da operação. Para ele, ela foi importante para desnudar “um esquema de corrupção profundo e capilarizado”, mas foram “cometidos abusos que prejudicaram (e ainda prejudicam) o país, inclusive economicamente”.

“Ao invés de fazer como todo país faz, atacar o crime e prender os responsáveis, eles quebraram as empresas”, disse Kakay em entrevista ao podcast RadioCash, da Empiricus, nesta semana apresentado pelo sócio-fundador da Vitreo, Jojo Wachsmann, e a jornalista Roberta Scrivano.

“Sem contar a Petrobras. Só o que ela teve que pagar, sendo que os elementos que subsidiaram as ações nos EUA foram fornecidos pelo Ministério Público, foi muito maior do que o que foi trazido de volta”, completou o criminalista.

Advogado de empresários, celebridades e políticos, incluindo ex-presidentes da República, Kakay diz que há comprovações de que, na verdade, a Lava Jato teria causado um prejuízo perto de R$ 172 bilhões, além de gerar “mais de 4 milhões de desempregados”, com as consequências para as empresas envolvidas.

No seu entendimento, a Lava Jato não contribuiu para a construção de um sistema anticorrupção eficaz. “Nós que criticávamos os excessos tínhamos que ouvir desse grupo que nós éramos contra o combate à corrupção. Nada. Eles são muito fracos em termos de Direito. Mas eles são muito bons de marketing, só que isso não se sustenta o tempo inteiro”, comentou, referindo-se aos responsáveis pela operação.

O convidado desta semana do RadioCash falou também sobre os impactos da operação nas próximas eleições presidenciais e revelou um pouco das suas preferências políticas. 

Com o ex-juiz Sérgio Moro, responsável pela força-tarefa e pelos casos em primeira instância da operação, cada vez mais presente no tabuleiro político, vai ficando complicado ignorar sua influência no cenário eleitoral para o ano que vem.

Mesmo em meio à bagunça fiscal, a dificuldade do governo Bolsonaro de aprovar reformas importantes, algumas delas já praticamente prontas, e a sua inépcia no enfrentamento à pandemia, a Operação Lava Jato terá influência decisiva no próximo pleito e movimenta importantes atores da política nacional.

Kakay esteve envolvido na Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) que derrubou a prisão em segunda instância, o que por sua vez habilitou o ex-presidente Lula a ser candidato nas próximas eleições. 

Mesmo assim, o advogado nega ser petista ou lulista e atribui as críticas de que teria uma atuação politizada ao fato de que a própria atuação dos membros da força-tarefa teria motivações políticas, na sua visão.

“O que o Moro queria? Ele queria atingir o poder (…) E ele ganhou. Eu não sou petista, nem sou lulista, a minha atuação é dentro da Constituição, embora digam que eu sou advogado do Lula e tal. Veja bem: ele prendeu o principal opositor do Bolsonaro e com isso ele elegeu o Bolsonaro. Claro que isso não é o único fator, mas para mim isso é o principal fator.”

A transição para a política partidária protagonizada por alguns dos cabeças da operação é bem vista pelo advogado, já que, segundo ele, agora sim o enfrentamento se dá no espaço adequado, o que é legítimo em uma democracia. 

Contudo, sua avaliação é de que pode ser difícil para o ex-juiz Sérgio Moro se tornar eleitoralmente viável: “Eu fui chamado agora pra fazer uma palestra para 60 empresários importantes de São Paulo, não tinha nenhum morista. Ninguém queria saber dele, porque todos sabem dos excessos que ele fez com as empresas.”

Kakay também trata da atuação “espetacularizada” do judiciário e como isso prejudicaria o ambiente de negócios no país: “No caso do mensalão, quando começou tudo isso, o meu cliente foi o Duda Mendonça, e ele foi absolvido. Só que durante aqueles meses de exposição massacrante, depois da absolvição dele, (nós fomos) comemorar e ele me disse que ia sair do país e abrir uma empresa em Lisboa e outra na Polônia, porque no imaginário popular ele estava condenado.”