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Investimentos

Cerco se fecha para ajuste fiscal no Brasil: ‘a economia está sustentada em esteroides, e precisamos de um desmame’, diz analista

Analistas da Empiricus discutem “efeito dominó” que inicia no possível enfraquecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro e termina em um ajuste fiscal “inevitável” em 2027, que pode chegar ao bolso dos brasileiros

Por Anna Larissa Zeferino

19 maio 2026, 17:05

Atualizado em 19 maio 2026, 17:05

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Imagem: iStock.com/NatanaelGinting

Desde o fim da semana passada, um debate acendeu em relação à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Especialmente após eventos que associam seu nome ao de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master atualmente preso, e que podem reduzir a popularidade do candidato com o eleitorado.

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O mercado, que já vinha em viés de apreensão por conta dos conflitos no Oriente Médio, respondeu também a esse ocorrido. O Ibovespa, após flertar com quase 200 mil pontos no mês de abril, passou a negociar em torno de 175 mil pontos desde a última sexta-feira (15), queda de cerca de 14% desde o topo.

Além disso, os primeiros efeitos sobre o próprio eleitorado já podem ser percebidos, com a última pesquisa AtlasIntel, desta terça-feira (19), mostrando Flávio com o nível de rejeição em 52% – maior que o de Lula (50%) pela primeira vez.

Mas por que os eventos em torno de Flávio “fizeram preço” no mercado? A resposta, segundo analistas, é simples: um desgaste de sua candidatura favorece a reeleição de Lula. E independentemente do espectro político, uma conta a ser paga está chegando.

Matheus Spiess e Lais Costa, analistas da Empiricus Research, discutiram o assunto no último episódio do Empiricus PodCa$t, que foi ao ar no sábado (16). Confira:

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Economia brasileira precisa de um ‘desmame’, que tem tudo para custar caro, segundo analista

“Temos um eleitorado calcificado em torno de polarizações, bolsonaristas ou lulistas. Isso impede que haja alternativas sendo criadas”, afirma Matheus Spiess.

O possível enfraquecimento de Flávio vem ao mesmo tempo em que há uma ausência de nomes fortes na linha de sucessão da direita. Com isso, o grande favorecido é Lula, ao invés de outros candidatos em potencial.

Porém, Lula tem utilizado a máquina pública a favor da narrativa eleitoral, virado um “canhão assistencialista”, segundo o analista, que aumenta gastos e, consequentemente, a necessidade de um ajuste fiscal em 2027 – austeridade que parece pouco provável a ser posta em prática pelo governo por trás da própria causa.

“A alternativa [a Flávio] é o modelo tradicional de reeleição do incumbente, por meio da utilização da máquina pública. É o que vemos com Lula, gastando ‘mundos e fundos’, esgarçando o orçamento público, artificializando as contas públicas e aumentando a conta a ser inevitavelmente paga em 2027. Hoje a economia brasileira está sustentada em ‘esteroides’, e você precisa de um desmame. Esse desmame vai ser custoso, quanto mais você gasta.”

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Para Spiess, independentemente de quem esteja no governo, o ajuste fiscal em 2027 é “inevitável” e “será brusco para a população em geral”. Mas ao invés de endereçá-lo, o governo atual tem intensificado as medidas assistencialistas, especialmente mirando o nível de endividamento das famílias brasileiras atualmente.

“O governo está fazendo o ‘Desenrola’ para tentar minimizar esse impacto e melhorar a avaliação dentro de faixas de renda que usualmente estariam com um nível maior de aprovação ao governo. É viés eleitoral total. É o modelo lulopetista mostrando seu desgaste completo. Você incentiva o crédito, estrangula o fiscal, força os juros a subir, e estrangula quem pegou seu crédito, incentivado em um primeiro momento. Isso chega a um limite, e é o que estamos vendo.”

Por isso, a queda recente no mercado, que precifica maiores incertezas para 2027

“É por isso que o mercado está sensibilizado. Entendia-se que a oposição poderia trazer alguma reforma minimamente mais fiscalista”, afirma Spiess. Com o enfraquecimento da candidatura de Flávio sem um “substituto” óbvio, o panorama para 2027 acaba rondado por mais incertezas do que antes.

“Essa discussão, querendo ou não, pode tomar caminhos que não conhecemos, que não estamos prevendo aqui e agora, e que hoje podem parecer extremamente improváveis. Acho que isso é o que o mercado coloca na conta”, afirma Lais Costa.

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Porém, independentemente do “Flávio Day 2.0”, o risco eleitoral sempre existiu: então por que só chegou aos preços agora, como se precisasse de um gatilho mais concreto?

“O mercado estava ignorando isso no curto prazo por conta do fluxo gringo”, afirma Spiess.

O fluxo de capital estrangeiro no mercado brasileiro, que se mostrou alto nos primeiros meses de 2026, levou o Ibovespa a renovar máximas históricas consecutivas – criando uma fotografia positiva do momento de mercado.

Porém, a excelente temporada de resultados das empresas listadas nos Estados Unidos, especialmente do ramo de tecnologia, tem provocado uma “inversão parcial” no fluxo, segundo o analista, deixando a tese de investimentos em Brasil, talvez, em segundo plano.

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“Você vê o fluxo indo mais para crescimento de tech, e obviamente o Brasil fica penalizado, porque não somos um caso de tech. Não temos esse vetor para oferecer ao gringo aqui”, afirma Lais Costa.

Jornalista no mercado financeiro desde 2022. Escreve para os portais Empiricus, Money Times e Seu Dinheiro, e já passou por casas como Itaú BBA e XP.