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Investimentos

Ibovespa hoje: desdobramentos do cenário eleitoral, guerra no Oriente Médio e petróleo na mira dos investidores

Ibovespa voltou a recuar no último pregão em meio à combinação entre um ambiente externo desafiador e o aumento das incertezas domésticas

Por Matheus Spiess

19 maio 2026, 09:53

Atualizado em 19 maio 2026, 09:53

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Imagem: Freepik

Os mercados globais continuam operando em um ambiente de elevada cautela diante da combinação entre guerra no Oriente Médio, petróleo em patamares elevados e perspectiva de juros mais altos por mais tempo.

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Donald Trump afirmou ter adiado um ataque militar planejado contra o Irã após pedidos de aliados do Golfo Pérsico, movimento que ajudou a alimentar expectativas de retomada das negociações diplomáticas, mas sem reduzir de forma relevante a percepção de risco nos mercados.

O petróleo Brent recuou para a região próxima de US$ 110 por barril, embora continue sustentado pela incerteza em torno do Estreito de Ormuz e pelo temor de desequilíbrio entre oferta e demanda global de energia. Ao mesmo tempo, investidores passaram a enxergar com crescente ceticismo a alternância entre ameaças militares e tentativas de negociação por parte da Casa Branca, enquanto os rendimentos dos Treasuries permanecem elevados diante do risco de uma inflação mais persistente.

· 00:57 — Um cenário eleitoral diferente do que se construiu ao longo do primeiro trimestre

No Brasil, o Ibovespa voltou a recuar ontem, iniciando a segunda metade de maio abaixo dos 177 mil pontos, em meio à combinação entre um ambiente externo mais desafiador e o aumento das incertezas domésticas. No cenário internacional, continuam pesando as tensões no Oriente Médio e seus potenciais impactos sobre inflação e juros globais.

Já no ambiente local, além das preocupações fiscais e monetárias, o mercado acompanha com atenção crescente os desdobramentos do cenário eleitoral para 2026. Nesse contexto, ganhou destaque a nova pesquisa AtlasIntel divulgada nesta manhã, que confirmou a tendência já sugerida por leituras preliminares na sexta-feira da semana passada.

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Segundo o levantamento, Lula ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, registrando 48,9% das intenções de voto contra 41,8% do senador. Em abril, os dois apareciam em situação de empate técnico, com leve vantagem para Flávio.

A percepção no mercado é de que essa tendência ainda pode se aprofundar nas próximas semanas, à medida que novas pesquisas passem a capturar de forma mais ampla os efeitos da reportagem publicada pelo Intercept envolvendo o principal nome da oposição neste momento, em especial os levantamentos realizados depois do dia 25 de maio.

O levantamento também mostrou que Flávio Bolsonaro passou a apresentar atualmente o maior nível de rejeição entre os principais nomes testados, diferente do cenário anterior que mostrava Lula como o mais rejeitado, fator relevante em uma eleição que tende a ser fortemente influenciada pelo voto negativo e pela disputa do eleitorado de centro no segundo turno.

Ainda é cedo para conclusões definitivas, e a eleição continua aberta e potencialmente apertada, mas a leitura predominante hoje é de que o governo voltou a recuperar vantagem após um primeiro trimestre em que parte do mercado enxergava um cenário mais equilibrado. A partir daqui, o foco passa a ser entender se a pré-candidatura de Flávio conseguirá recuperar tração política, se permanecerá competitiva apenas formalmente ou se poderá levar a oposição a buscar um novo nome até as convenções partidárias de agosto, período que deve ajudar a consolidar com mais clareza o desenho eleitoral para 2026.

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· 01:45 — Alívio rápido?

Os mercados globais continuam operando em ambiente de cautela diante da combinação entre guerra no Oriente Médio, inflação persistente e juros elevados. Mesmo após Donald Trump adiar um ataque planejado contra o Irã, atendendo a pedidos de aliados do Golfo para conceder mais tempo às negociações, os investidores permaneceram defensivos, pressionados principalmente pela alta dos rendimentos dos títulos americanos.

Ao mesmo tempo, surgiram sinais moderadamente positivos no campo diplomático, com o Irã enviando uma nova proposta de paz aos Estados Unidos por meio do Paquistão e autoridades iranianas afirmando que Washington teria suavizado parte de suas posições nas negociações. Ainda assim, o mercado reagiu com ceticismo, interpretando a ausência de um ataque como manutenção do status quo, com o petróleo negociando a US$ 100 por barril.

Nos Estados Unidos, o foco dos investidores segue dividido entre inflação, política monetária e a reta final da temporada de balanços corporativos. O mercado continua fortemente concentrado na narrativa de inteligência artificial, com a Nvidia sendo tratada como o principal termômetro desse movimento antes da divulgação de seus resultados, na quarta-feira, especialmente após uma correção recente nas ações de semicondutores e tecnologia.

Paralelamente, investidores acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve e aguardam a divulgação da ata da última reunião do FOMC em busca de sinais mais claros sobre os próximos passos da política monetária.

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A percepção predominante é de que uma inflação mais resistente, agravada pelos impactos da guerra sobre energia e commodities, reduziu significativamente o espaço para cortes de juros no curto prazo, aumentando inclusive os receios de uma postura mais conservadora do Fed no próximo encontro sob a nova liderança de Kevin Warsh.

· 02:39 — Um novo encontro chinês

A aproximação entre Rússia e China ganhou novos contornos diante da escalada das tensões geopolíticas globais. Vladimir Putin viaja hoje para Pequim em um momento de crescente fragilidade política, militar e econômica, buscando aprofundar a parceria estratégica com Xi Jinping em meio ao desgaste provocado pela guerra na Ucrânia e pelas sanções impostas pelo Ocidente.

A crise envolvendo o Irã e o aumento da volatilidade nos mercados de energia abriram uma nova oportunidade para Moscou tentar avançar nas negociações do gasoduto Força da Sibéria 2, projeto considerado fundamental para redirecionar parte relevante das exportações de gás russo após o colapso das vendas para a Europa.

Ao mesmo tempo, a China mantém uma posição relativamente confortável nas negociações, beneficiando-se tanto da crescente dependência econômica da Rússia em relação a Pequim quanto do enfraquecimento relativo de Moscou no cenário internacional verificado ao longo dos últimos anos.

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O encontro também ocorre em um contexto cada vez mais delicado para Putin no front doméstico. Ataques de drones ucranianos próximos a Moscou expuseram fragilidades importantes da defesa russa e ampliaram o desconforto da população com os custos humanos e econômicos do conflito, que já se tornou o mais sangrento para a Rússia desde a Segunda Guerra Mundial.

Estimativas apontam centenas de milhares de mortos e mais de um milhão de baixas totais entre mortos, feridos e desaparecidos desde o início da invasão da Ucrânia. Ainda assim, o Kremlin continua apostando na continuidade da guerra como forma de fortalecer sua posição em futuras negociações diplomáticas.

O pano de fundo reforça uma percepção cada vez mais presente nos mercados globais: enquanto o poder e a influência de Xi Jinping continuam crescendo, a Rússia se torna progressivamente mais dependente da China, aprofundando uma relação cada vez mais assimétrica em um mundo marcado por crescente fragmentação geopolítica. Vemos uma Rússia secundária nesta Nova Guerra Fria.

· 03:26 — Em busca de terras raras

As tensões comerciais recentes e o avanço acelerado da chamada inteligência artificial física, especialmente em áreas como robôs humanoides, veículos elétricos, defesa e automação industrial, vêm ampliando a percepção de que o mundo depende excessivamente da China no fornecimento de terras raras, minerais fundamentais para a fabricação de ímãs, chips, motores elétricos, smartphones e equipamentos militares.

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Atualmente, Pequim domina amplamente a cadeia global de mineração e processamento desses materiais, cenário que tem levado governos e investidores a direcionarem bilhões de dólares para projetos de exploração e refino fora do país, principalmente em regiões como Austrália, Brasil e Estados Unidos.

A produção global de óxidos de terras raras mais que triplicou ao longo da última década, enquanto os preços desses materiais avançaram de maneira significativa diante da crescente demanda e dos esforços americanos para construir cadeias de suprimento mais independentes da China. O pano de fundo reforça uma percepção cada vez mais presente nos mercados: sem uma expansão relevante da capacidade global de mineração e refino de terras raras, parte importante das ambições ligadas à nova revolução tecnológica, envolvendo inteligência artificial, robótica, transição energética e defesa, poderá enfrentar gargalos relevantes nos próximos anos.

· 04:12 — Vitória da OpenAI

A OpenAI conquistou uma vitória importante na Justiça após o júri rejeitar o processo movido por Elon Musk contra Sam Altman e a companhia. Musk alegava que a OpenAI teria abandonado sua missão original sem fins lucrativos ao se transformar em uma empresa voltada à geração de lucro, beneficiando financeiramente fundadores e investidores.

No entanto, o tribunal entendeu que o bilionário perdeu o prazo legal para apresentar a ação, uma vez que a mudança estrutural da OpenAI ocorreu em 2019, enquanto o processo só foi protocolado em 2024. A decisão representa uma vitória relevante não apenas para Altman, mas também para parceiros estratégicos da OpenAI, como a Microsoft, além de reduzir uma fonte importante de incerteza jurídica em torno da empresa justamente em um momento no qual o mercado já discute uma possível abertura de capital da companhia nos próximos anos.

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Apesar da vitória judicial, o julgamento também expôs publicamente diversas tensões internas envolvendo os fundadores da OpenAI. Depoimentos revelaram acusações de falta de transparência contra Sam Altman, disputas de poder, divergências sobre controle acionário e conflitos envolvendo Elon Musk antes de sua saída da companhia e posterior criação da xAI, hoje concorrente direta da OpenAI.

O caso reforçou o quanto a disputa pela liderança em inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver governança corporativa, influência política, bilhões de dólares em investimentos e rivalidades pessoais entre alguns dos principais nomes do Vale do Silício. Ainda assim, sob a ótica de mercado, a decisão tende a ser interpretada como um fator positivo para a OpenAI, que ganha mais liberdade para avançar em sua expansão comercial, renegociar parcerias estratégicas e consolidar sua posição na corrida global pela liderança em inteligência artificial.

· 05:04 — Entre drones e trilhões: a nova corrida armamentista

A guerra envolvendo o Irã continua sem sinais concretos de encerramento e segue reforçando uma tendência estrutural de aumento dos gastos militares ao redor do mundo.

Nos Estados Unidos, o governo solicitou um orçamento de US$ 1,5 trilhão para o Pentágono, enquanto tradicionais instituições financeiras americanas continuam tratando o processo de rearmamento global como uma das principais teses estruturais para os próximos anos.

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A percepção predominante é de que diversas economias buscarão reduzir dependências externas em áreas consideradas estratégicas, como energia, defesa, tecnologia e segurança nacional, em um mundo cada vez mais fragmentado geopoliticamente. Ainda assim, apesar desse pano de fundo estruturalmente favorável para o setor, as ações de empresas de defesa passaram recentemente por um movimento de correção desde o início dos bombardeios ao Irã, acompanhando uma realização mais ampla dos ativos de risco nos mercados globais.

Parte desse movimento parece estar associada ao sentimento dos investidores do que a uma deterioração efetiva dos fundamentos do setor. O conflito também reacendeu um debate relevante sobre a eficiência dos modelos tradicionais de guerra, já que o Irã, utilizando drones relativamente baratos e estratégias assimétricas, conseguiu impor dificuldades importantes mesmo diante da enorme superioridade militar americana.

Isso levou parte do mercado a questionar se os principais beneficiários do novo ciclo de rearmamento global serão necessariamente as gigantes tradicionais da indústria bélica ou empresas mais ligadas a tecnologias de defesa de menor custo, automação, drones e sistemas inteligentes. Ainda assim, a tendência de expansão dos gastos militares permanece bastante presente, sustentada por um ambiente internacional mais instável, fragmentado e marcado por rivalidades geopolíticas crescentes.

Nesse contexto, ETFs temáticos focados em aeroespacial e defesa, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), continuam surgindo como instrumentos eficientes para capturar essa tendência por meio de uma exposição mais diversificada ao setor.

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No Brasil, o iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BDR: BAER39) oferece acesso local a esse tema de forma relativamente simples e acessível. Ainda assim, a disciplina na alocação continua sendo fundamental: posições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para a alocação temática, ajudam a equilibrar o potencial de retorno com uma gestão de risco mais adequada, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.