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Os mercados começam esta quarta-feira com um tom mais cauteloso. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã mantém o petróleo próximo de US$ 95 por barril e reforça uma preocupação que vinha ganhando força nas últimas semanas: a inflação pode continuar resistente por mais tempo do que os bancos centrais gostariam.
Ao mesmo tempo, os juros globais seguem elevados. O Treasury de 10 anos trabalha perto de 4,81%, enquanto o título de 30 anos voltou para a região de 5,29%, próxima das máximas dos últimos anos. Os futuros americanos oscilam entre estabilidade e leve queda, depois de três sessões consecutivas de baixa do S&P 500.
A combinação é relativamente simples: petróleo mais caro aumenta o risco inflacionário, inflação persistente mantém os juros elevados e juros elevados continuam limitando o espaço para expansão dos múltiplos das bolsas.
00:30 – Petróleo volta ao centro do mercado
O Brent voltou para perto de US$ 95 por barril depois de os Estados Unidos realizarem uma segunda rodada de ataques contra o Irã em apenas três dias.
O movimento recoloca a energia no centro da discussão macroeconômica. O problema não é apenas o impacto direto do petróleo sobre combustíveis, mas também seus efeitos indiretos sobre transporte, produção e expectativas de inflação.
E isso acontece em um momento particularmente delicado. O mercado já vinha revendo para cima suas expectativas para os juros, e a Bloomberg aponta que as probabilidades de alta ainda em setembro superam 50% para três grandes bancos centrais, chegando perto de 70% no caso do Federal Reserve.
00:55 – Juros longos continuam incomodando
A pressão também aparece com clareza no mercado de títulos. O Treasury de 10 anos voltou para níveis vistos em 2023, enquanto o rendimento do papel de 30 anos ronda 5,29%.
Por enquanto, o movimento continua relativamente ordenado. Não há sinais claros de estresse de crédito ou de liquidez; o mercado parece simplesmente exigir um prêmio maior para financiar governos por períodos mais longos.
Essa distinção é importante. O cenário atual se parece mais com uma reprecificação de um ambiente de juros estruturalmente mais altos — o famoso higher for longer.
O problema para as bolsas é que existe um limite para esse equilíbrio. Enquanto os juros sobem de forma gradual, resultados corporativos fortes conseguem sustentar parte do mercado. Mas uma nova aceleração dos Treasuries pode voltar a pressionar principalmente os ativos mais sensíveis a duration.
2:30 – IA continua forte, mas não consegue carregar o mercado sozinha
Mesmo em um ambiente mais negativo para as bolsas, algumas notícias corporativas seguem reforçando a força do ciclo de inteligência artificial.
A Dell avançou no pré-mercado depois de apresentar uma projeção forte de receita, enquanto a Palo Alto Networks divulgou uma perspectiva de lucros acima das expectativas, beneficiada pelo aumento da demanda por cibersegurança em um ambiente cada vez mais conectado à IA.
A Nvidia também estaria em negociações avançadas para adquirir a startup Hugging Face por aproximadamente US$ 14 bilhões.
O pano de fundo continua positivo para tecnologia. Mas, diferentemente do que vimos em outros momentos, bons resultados corporativos hoje precisam competir com um obstáculo macro cada vez maior: juros longos elevados.
É um lembrete de que crescimento de lucros importa muito, mas o preço que o mercado está disposto a pagar por esses lucros também depende da taxa de desconto.
3:20 – Brasil vem de uma sessão forte
No Brasil, o Ibovespa avançou cerca de 1,3% no último pregão, para a região dos 179,7 mil pontos, enquanto o real se valorizou e voltou para perto de R$ 5,15 por dólar.
Nesta quarta-feira, o principal destaque da agenda doméstica será a produção industrial de julho. O consenso da Bloomberg aponta para crescimento de 0,5% frente ao mês anterior, depois de queda de 1,8% em junho. Na comparação anual, a expectativa é de recuo de 0,3%.
O dado será mais uma peça importante para avaliar o ritmo da atividade brasileira justamente no momento em que o mercado discute os próximos passos do Banco Central.
Também teremos a divulgação do fluxo cambial semanal, enquanto o BC realiza novo leilão para rolagem de swaps cambiais.
4:15 – Emprego americano também entra no radar
No exterior, teremos ainda o relatório ADP de emprego nos Estados Unidos, com expectativa de criação de 47 mil vagas em agosto, ante 44 mil no mês anterior.
O dado ganha importância porque o Fed voltou a ficar especialmente sensível à combinação entre atividade e inflação. Um mercado de trabalho muito forte, somado à pressão recente das commodities, poderia reforçar ainda mais as apostas de alta de juros.
Mais tarde, também teremos pedidos à indústria e encomendas de bens duráveis.
Por enquanto, portanto, o mercado continua preso entre dois vetores: resultados corporativos ainda sólidos e um ambiente macro que voltou a exigir juros mais elevados. Com o petróleo perto de US$ 95 e a curva americana novamente pressionada, a segunda força começa a ganhar mais peso.
05:10 – JURO11: desconto interessante
O JURO11 foi pressionado nos últimos meses após reduzir os rendimentos, em um contexto de abertura dos spreads e alta dos juros reais. A reação dos cotistas levou o fundo a negociar com deságio relevante, sem que isso refletisse uma deterioração estrutural da carteira.
Como o JURO11 é um fundo fechado, ele não sofre com resgates e vendas forçadas em momentos de estresse, o que dá mais tempo para a gestão reciclar a carteira em taxas mais atrativas.
Além disso, nosso estudo mais recente mostrou que, entre os FI-Infras recomendados, deságios mais relevantes estiveram historicamente associados a retornos superiores nos 12 meses seguintes. Por isso, seguimos vendo os níveis atuais como uma boa oportunidade de entrada para o investidor de médio e longo prazo.