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Investimentos

Ibovespa hoje: otimismo frágil com nova escalada no Oriente Médio, Câmara aprova PEC do fim da escala 6×1 e mais; confira destaques

Veja os principais destaques do mercado nesta semana, como o IPO da Quantinuum e outras manchetes.

Por Matheus Spiess

28 maio 2026, 10:00

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Imagem: iStock.com/peshkov

Os mercados globais voltaram a operar sob tensão após uma nova escalada militar no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram instalações iranianas próximas ao Estreito de Ormuz, enquanto o Irã retaliou contra bases americanas e ampliou o uso de drones na região. Israel também intensificou ataques no Líbano e em Gaza, elevando ainda mais o risco de ampliação do conflito regional.

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Apesar de a Casa Branca continuar afirmando que o cessar-fogo permanece em vigor e de Donald Trump seguir sugerindo que um acordo pode estar próximo, as negociações continuam marcadas por contradições, ameaças e crescente desconfiança entre as partes. Nesse contexto, o mercado tenta entender se o atual impasse representa apenas uma pressão diplomática temporária ou um risco mais estrutural para o fluxo global de energia.

· 00:57 — Pauta viciada

No Brasil, a agenda do dia é carregada. O mercado começa acompanhando a divulgação do IGP-M de maio, logo após o dado bastante negativo da prévia de inflação divulgado ontem. Na sequência, investidores monitoram os indicadores de emprego do IBGE, incluindo a taxa de desemprego, enquanto, à tarde, serão conhecidos os números do Caged. Caso os dados continuem mostrando um mercado de trabalho resiliente, a leitura tende a reforçar ainda mais a percepção de que o Banco Central possui espaço bastante limitado para seguir promovendo cortes de juros.

Além disso, os dados fiscais do Tesouro também permanecem no radar, em um ambiente no qual o desequilíbrio das contas públicas continua sendo um dos principais fatores por trás da manutenção de juros elevados por um período prolongado.

Enquanto isso, em Brasília, a Câmara aprovou, como já era amplamente esperado, a PEC que extingue a escala 6×1, reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de folga. O texto agora segue para o Senado, embora ainda não exista definição sobre quando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, pretende colocá-lo em votação.

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Como já debatemos neste espaço anteriormente, o tema passou a adquirir contornos cada vez mais eleitorais e populistas, sem enfrentar de maneira mais profunda os problemas estruturais de produtividade do mercado de trabalho brasileiro. Há anos, o país apresenta enorme dificuldade em elevar produtividade fora de setores específicos, como o agronegócio.

Nesse contexto, parte relevante do debate econômico nacional continua excessivamente concentrada em medidas de curto prazo que, embora frequentemente apresentadas como avanços sociais imediatos, podem acabar agravando desafios estruturais de longo prazo, especialmente em um cenário de baixo crescimento potencial e risco de estagnação ainda maior da produtividade.

· 01:47 — Aguardando os dados de PIB e inflação

Os mercados americanos voltaram a renovar máximas históricas, impulsionados principalmente pela queda do petróleo diante da percepção de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

O Nasdaq voltou a fechar em máxima histórica, enquanto S&P 500 e Dow Jones também avançaram, refletindo uma melhora temporária do apetite por risco. Ao mesmo tempo, investidores seguem atentos à temporada de resultados corporativos, com destaque para a Salesforce, que divulgou números fortes, embora alguns indicadores relacionados à demanda futura tenham frustrado parte do mercado.

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Na agenda, o foco absoluto permanece nos dados americanos de inflação e atividade. O mercado acompanha a divulgação do índice PCE de abril, principal referência inflacionária do Federal Reserve, com expectativa de aceleração da inflação anual de 3,5% para 3,9%, pressionada principalmente pela alta recente do petróleo e da gasolina.

O núcleo do PCE também deve permanecer elevado, reforçando a percepção de que o Fed terá pouco espaço para cortar juros no curto prazo. Além disso, serão divulgados dados do PIB do primeiro trimestre, encomendas de bens duráveis, pedidos semanais de auxílio-desemprego e vendas de novas casas, em meio à crescente preocupação de que o choque recente do petróleo esteja começando a contaminar inflação, atividade econômica e expectativas para a política monetária americana.

· 02:36 — A interminável negociação

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a elevar a tensão no Estreito de Ormuz após uma nova troca de ataques envolvendo drones e instalações militares próximas à principal rota global de petróleo. O Departamento do Tesouro americano anunciou sanções contra a nova autoridade iraniana criada para administrar Ormuz, enquanto militares dos EUA afirmaram ter desativado drones iranianos e atacado uma estação de controle em Bandar Abbas para impedir novos lançamentos.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica informou ter atacado a base utilizada pelos americanos na operação. Apesar da escalada militar, o mercado continua tentando interpretar se os episódios representam apenas pressão tática dentro das negociações ou um risco mais concreto de deterioração diplomática no Oriente Médio.

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As negociações entre Washington e Teerã seguem marcadas por avanços e recuos constantes. Depois de Donald Trump afirmar que um acordo estava “em grande parte negociado”, o Irã rapidamente voltou a endurecer o discurso após os ataques americanos no estreito, acusando os Estados Unidos de agirem com “má-fé”. Ainda assim, nenhum dos lados parece interessado em inviabilizar as negociações ou retornar a um conflito aberto.

Paralelamente, Israel ampliou ataques contra áreas controladas pelo Hezbollah no Líbano, enquanto o Irã pressiona para que qualquer cessar-fogo regional também inclua o grupo. Em meio ao conflito, o país tenta restabelecer parcialmente o acesso à internet após quase três meses de bloqueio, período que teria provocado perdas econômicas estimadas entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões por dia.

· 03:24 — IPO no radar

A Quantinuum está prestes a realizar o maior IPO de computação quântica de 2026 até o momento, buscando uma avaliação que pode chegar a US$ 12,7 bilhões. A empresa, apoiada pela Honeywell, pretende levantar cerca de US$ 942 milhões com a venda de aproximadamente 21 milhões de ações, consolidando-se como uma das principais apostas do mercado na próxima geração de tecnologia computacional. O movimento reforça o crescente interesse dos investidores por empresas ligadas à computação quântica, setor visto como uma potencial revolução tecnológica de longo prazo.

Diferentemente de concorrentes que recorreram a fusões com SPACs para acessar o mercado acionário, a Quantinuum optou pelo modelo tradicional de IPO, beneficiada pela estrutura financeira mais robusta de sua controladora. A empresa também ganhou destaque recentemente após ser selecionada para receber recursos de um programa federal americano voltado ao fortalecimento da cadeia nacional de suprimentos quânticos.

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O IPO acontece em um momento de forte retomada do mercado de ofertas públicas nos Estados Unidos, impulsionado pelo aumento do apetite dos investidores por temas ligados à inovação, inteligência artificial e tecnologias avançadas.

· 04:11 — Alternativas de segurança

O Reino Unido e a Polônia caminham para um novo tratado de defesa para reforçar a cooperação militar e a segurança coletiva em meio ao aumento das preocupações europeias de que a Rússia possa expandir o conflito para além da Ucrânia. O acordo segue iniciativas semelhantes já firmadas pelo Reino Unido com a França e a Alemanha, enquanto membros da OTAN tentam fortalecer as capacidades defensivas do continente.

Além de ampliar a cooperação em segurança e defesa, o pacto prevê atuação conjunta contra-ataques híbridos atribuídos à Rússia, incluindo incêndios criminosos, espionagem, ataques cibernéticos e sabotagens em território europeu. Os dois países também pretendem aprofundar a cooperação industrial e tecnológica no desenvolvimento de sistemas avançados de defesa, especialmente em áreas ligadas à defesa aérea e armamentos de nova geração.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos planejam reduzir ainda mais parte de seu apoio militar convencional à Europa, diminuindo capacidades estratégicas destinadas à OTAN em caso de conflito, incluindo bombardeiros, ativos navais e aeronaves de reabastecimento aéreo. O movimento reforça a pressão de Donald Trump para que os europeus assumam maior responsabilidade sobre sua própria defesa.

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Em paralelo, cresce a tensão entre a Rússia e os países bálticos. Moscou acusou a Letônia de apoiar operadores de drones ucranianos e ameaçou atacar “centros de decisão” no país, enquanto a Lituânia relatou aproximação de drones russos e aumento das interferências em sinais de GPS. O ambiente reforça a percepção de que a guerra na Ucrânia vem acelerando um processo mais amplo de remilitarização e reorganização estratégica da segurança europeia.

· 05:03 — IA segue ditando boa parte do jogo

A Inteligência Artificial segue ditando boa parte do jogo nos mercados globais. A temática continua marcada por elevada volatilidade, especialmente em um ambiente no qual expectativas de crescimento, competição tecnológica e ciclos de investimento mudam rapidamente. Ainda assim, é justamente essa combinação entre transformação estrutural e grande dispersão de resultados que cria oportunidades para investidores capturarem retornos significativamente acima da média do mercado. Em grandes ciclos de inovação, empresas capazes de converter demanda em crescimento consistente tendem a ser rapidamente reprecificadas pelos investidores.

Um exemplo recente foi o resultado divulgado pela Snowflake (B3: S2NW34 | NYSE: SNOW), cujas ações chegaram a subir mais de 30% após a companhia reportar números acima das expectativas do mercado. A empresa apresentou crescimento anual de receita de 33%, além de lucro ajustado por ação superior ao projetado pelos analistas.

Mais importante do que isso, a companhia também divulgou projeções para o próximo trimestre acima do consenso, tanto em margem operacional quanto em receita de produtos, reforçando a percepção de que a demanda por soluções ligadas a dados e Inteligência Artificial continua acelerada.

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Esse tipo de movimento evidencia como o mercado permanece disposto a premiar empresas que demonstram capacidade concreta de monetizar a adoção de Inteligência Artificial. Em um setor no qual muitas companhias ainda negociam, em grande medida, baseadas em expectativas futuras, resultados sólidos e revisões positivas de guidance funcionam como importantes catalisadores para movimentos expressivos nas ações.

Ao mesmo tempo, a volatilidade exige seletividade. Nem todas as empresas associadas ao tema conseguirão sustentar crescimento, rentabilidade e geração de caixa ao longo do tempo. Por isso, o investidor que busca retornos superiores precisa ir além da narrativa e identificar negócios com vantagens competitivas claras, capacidade de execução e exposição real ao aumento estrutural da demanda por infraestrutura, dados e aplicações ligadas à Inteligência Artificial.

Nesse contexto, os assinantes e clientes que acompanham nossa carteira Empiricus IA+Tech (antiga IA Cash) acabam bem posicionados para capturar movimentos como o observado hoje nas ações da Snowflake, movimento que, na nossa visão, pode representar apenas os estágios iniciais de uma tendência estrutural mais ampla dentro do ciclo de expansão da Inteligência Artificial.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.