1 2019-12-09T13:32:41-03:00 xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 xmp.did:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 saved xmp.iid:217a1f9b-69a9-426f-a7e6-7b9802d22521 2019-12-09T13:32:41-03:00 Adobe Bridge 2020 (Macintosh) /metadata
Investimentos

Mercados entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões no Oriente Médio; veja os destaques desta quarta (3)

No Brasil, o principal foco deve continuar sendo a ofensiva tarifária do governo americano

Por Matheus Spiess

03 jun 2026, 10:49

Atualizado em 03 jun 2026, 10:56

ibovespa bolsa mercado bull bear

Imagem: iStock/ @asbe

Os mercados globais iniciam o dia divididos entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com a recente escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques a alvos estratégicos, tentativas de ofensivas com drones e novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, o petróleo voltou a avançar e se aproxima de US$ 98 por barril, refletindo os riscos para a oferta global de energia, enquanto investidores monitoram atentamente a possibilidade de novos desdobramentos militares capazes de influenciar inflação, crescimento econômico e política monetária em diversas regiões do mundo.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica ganha relevância com a divulgação do relatório ADP de criação de empregos no setor privado, dos PMIs de serviços e composto, dos estoques semanais de petróleo e do Livro Bege do Federal Reserve.

Além dos indicadores, o mercado acompanha discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre a trajetória dos juros. Paralelamente, Donald Trump voltou a defender uma nova rodada de tarifas sobre importantes parceiros comerciais, reforçando uma agenda mais protecionista que pode gerar pressões inflacionárias adicionais justamente em um momento em que o banco central americano ainda busca consolidar o processo de convergência da inflação para a meta.

Mesmo diante desse ambiente mais complexo, a principal força de sustentação dos mercados continua sendo o setor de tecnologia e inteligência artificial. O Nasdaq acumula forte recuperação desde as mínimas registradas em março, enquanto o S&P 500 renovou sucessivos recordes nas últimas semanas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

· 00:56 — Atividade aquecida

Apesar do aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o mercado brasileiro voltou a apresentar alguma recuperação, com o Ibovespa avançando após a forte correção observada nos últimos pregões.

Ainda assim, para hoje, o principal foco deve continuar sendo a ofensiva tarifária do governo americano. Além da proposta de tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros no âmbito da Seção 301, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a investigações envolvendo o comércio de bens produzidos com trabalho forçado, ampliando o grau de incerteza para exportadores e investidores.

Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser relativamente limitado, uma vez que as exportações brasileiras para os Estados Unidos representam cerca de 2% do PIB, enquanto as medidas ainda estão passíveis de consultas públicas, negociações diplomáticas e eventuais contestações judiciais.

Paralelamente, o debate em torno do Pix ganhou relevância por representar uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Desde seu lançamento, o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos, disponíveis 24 horas por dia e a custos reduzidos, podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário.

Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard.

A tendência aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, no qual o Pix pode ser visto como um dos primeiros capítulos de uma transformação que tende a alcançar também os mercados de capitais e os ativos tokenizados.

Na agenda doméstica, os dados de produção industrial vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de que a atividade econômica continua mais resiliente do que o esperado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para a política monetária, essa dinâmica se soma a um ambiente de inflação pressionada e expectativas em deterioração, reduzindo o espaço para novos cortes da Selic. Os fundamentos que sustentavam um ciclo mais prolongado de flexibilização perderam força diante da combinação entre inflação surpreendendo para cima, mercado de trabalho aquecido e crescimento econômico consistente.

Embora ainda seja possível observar mais um ajuste residual — ou, no máximo, dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual — a percepção predominante é de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de redução dos juros, com elevada probabilidade de manutenção da taxa em patamar estável até o final do ano.

· 01:47 — E o rali continua apesar dos ruídos globais

Os Estados Unidos seguem no centro das atenções dos mercados globais, combinando uma economia ainda resiliente com um ambiente geopolítico e comercial cada vez mais complexo.

Apesar das tensões no Oriente Médio e da alta recente do petróleo, Wall Street permanece nas máximas históricas, sustentada principalmente pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Empresas como Nvidia, Alphabet, Anthropic e diversas companhias ligadas à infraestrutura tecnológica seguem anunciando investimentos bilionários, novas parcerias e captações de recursos para expandir data centers, redes e capacidade computacional.

Esse movimento reforça a percepção de que a inteligência artificial permanece como a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, ajudando a sustentar lucros, atrair fluxo de capital e impulsionar o desempenho das bolsas, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

Isso depois de um relatório de rotatividade de mão de obra mais forte do que o esperado e de novas medidas tarifárias, que pode gerar novas pressões inflacionárias em um momento em que o Fed ainda busca consolidar a convergência da inflação para a meta.

Dessa forma, os mercados americanos seguem equilibrando três forças: a resiliência da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e os riscos crescentes associados à geopolítica e ao comércio.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

· 02:34 — A sanha tarifária está de volta

As tensões comerciais voltaram ao centro das atenções após o governo Donald Trump propor novas tarifas de importação para cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos originários de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.

Embora a justificativa formal esteja relacionada a uma investigação sobre falhas no combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado, a iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de reconstrução da política tarifária da atual administração americana, após parte das medidas anteriores ter sido contestada judicialmente. O movimento reforça a percepção de que o protecionismo continuará ocupando papel relevante na agenda comercial dos Estados Unidos.

Para o Brasil, o tema ganha importância adicional porque surge logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301.

Embora ainda existam incertezas sobre uma eventual cumulatividade entre as diferentes medidas, o anúncio amplia o grau de incerteza para exportadores e investidores. Além disso, a discussão ocorre em um contexto internacional já marcado pela alta dos preços de energia e commodities em decorrência das tensões no Oriente Médio. Nesse ambiente, a nova ofensiva tarifária tem potencial para aumentar os custos de produção, pressionar a inflação global e elevar a volatilidade dos mercados financeiros ao longo dos próximos meses.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

· 03:22 — Estão preparados para o Super El Niño?

O possível retorno do El Niño voltou a ganhar atenção após a Organização Meteorológica Mundial elevar para 80% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até o fim de agosto.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, o El Niño pode provocar mudanças relevantes nos padrões climáticos globais, ampliando o risco de secas, enchentes, incêndios florestais, furacões e outros eventos extremos em diferentes regiões.

Além disso, cresce a preocupação com a possibilidade de um “Super El Niño”, episódio mais intenso que poderia contribuir para temperaturas globais recordes em 2027. Historicamente, fenômenos dessa magnitude já produziram impactos econômicos importantes, afetando cadeias produtivas, pressionando preços de commodities e reduzindo o crescimento global.

Para os mercados, o tema vai além. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produção agrícola, a oferta de alimentos, os custos de energia e a logística global, gerando pressões inflacionárias e influenciando decisões de política monetária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No Brasil, os riscos são particularmente relevantes para o agronegócio e para a geração hidrelétrica: enquanto o Sul costuma enfrentar excesso de chuvas e maior risco de enchentes, Norte e Nordeste tendem a sofrer com temperaturas mais elevadas e períodos de seca.

Em um ambiente já marcado por preocupações com inflação e juros, o comportamento do Pacífico passa a ser uma variável econômica importante, reforçando que fatores climáticos também podem exercer influência significativa sobre crescimento, mercados e preços de ativos nos próximos trimestres.

· 04:15 — Nova expansão fiscal

O Japão anunciou um orçamento suplementar de cerca de US$ 19,4 bilhões, para mitigar os impactos da inflação e da alta dos preços das commodities associadas à instabilidade no Oriente Médio. O pacote inclui uma reserva de US$ 16 bilhões, destinada principalmente a subsídios para combustíveis, além de recursos para recompor reservas orçamentárias e apoiar governos regionais.

A medida, porém, exigirá nova emissão de dívida em um momento em que os investidores acompanham com atenção a trajetória fiscal do país e a recente alta dos rendimentos dos títulos públicos japoneses, movimento que reflete preocupações com inflação, aumento dos gastos públicos e o processo gradual de normalização monetária conduzido pelo Banco do Japão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, o governo japonês voltou a demonstrar preocupação com a desvalorização do iene. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, reiterou que as autoridades estão preparadas para intervir no mercado cambial sempre que necessário, enquanto a moeda voltou a se aproximar de 160 ienes por dólar, patamar semelhante ao que motivou intervenções recentes.

Entre o fim de abril e maio, o governo gastou um valor recorde de aproximadamente US$ 73,5 bilhões para sustentar a moeda. O movimento evidencia o desafio enfrentado pelo Japão: equilibrar estímulos fiscais, inflação mais elevada, normalização gradual dos juros e a necessidade de evitar uma depreciação excessiva do iene, fatores que devem continuar influenciando os mercados japoneses nos próximos meses.

· 05:01 — Ainda dá para comprar?

Como comentei ontem, a Marvell Technology voltou ao centro das atenções do mercado após disparar 32% em um único pregão, impulsionada por declarações de Jensen Huang, CEO da Nvidia, que afirmou enxergar a companhia como a próxima potencial integrante do seleto grupo de empresas avaliadas em US$ 1 trilhão.

A fala ganhou peso adicional por vir de uma empresa que já investiu cerca de US$ 2 bilhões na Marvell e mantém uma parceria estratégica voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A tese está diretamente ligada ao crescimento exponencial dos data centers de IA, que exigem soluções cada vez mais sofisticadas de conectividade, redes e componentes ópticos, áreas nas quais a Marvell ocupa posição relevante. Não por acaso, outras empresas ligadas ao segmento de óptica também registraram altas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo após a expressiva alta recente, a empresa ainda está distante da marca simbólica de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Após o rali, a Marvell passou a valer aproximadamente US$ 254 bilhões, o que significa que ainda precisaria avançar cerca de 300% para atingir o patamar mencionado por Huang.

Naturalmente, trata-se de uma projeção ambiciosa e sujeita a riscos de execução, concorrência e ciclos do setor de tecnologia. Ainda assim, a companhia permanece bem posicionada em uma das áreas mais estratégicas da revolução da inteligência artificial: a infraestrutura necessária para conectar e alimentar os gigantescos data centers que sustentam esse crescimento.

Para investidores brasileiros, as BDRs M2RV34 (lá fora o ticker é MRVL na Nasdaq) seguem oferecendo uma forma acessível de capturar essa tendência estrutural por meio da B3, mantendo exposição a uma empresa que pode continuar se beneficiando da expansão global dos investimentos em IA nos próximos anos.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.