Investimentos

Modalidade Play-To-Earn é tendência no mundo dos games e conquista cada vez mais investidores

O grande fator de atratividade é que os gamers podem atuar na construção do universo dos jogos, mas alto valor dos NFTs ainda dificulta adoção em massa

Compartilhar artigo
Data de publicação
28 de abril de 2022
Categoria
Investimentos

Os jogos da modalidade Play To Earn (P2E ou jogue para ganhar) estão se tornando cada vez mais populares entre jogadores e investidores de ativos digitais. A explicação para esse fenômeno se centra na essência descentralizada desses jogos em blockchain, nos quais os gamers podem ser ativos na construção dos seus universos e ser donos certificados de tokens não fungíveis (NFTs, da sigla em inglês) nos jogos.

Só em 2021, segundo a empresa de estática e pesquisa de mercado Statista, os jogos em Blockchain obtiveram investimentos na ordem de US$ 3 bilhões. E o crescimento é exponencial, pois somente no primeiro trimestre deste ano mais de US$ 2,5 bilhões foram direcionados para essa modalidade, com a previsão de investimento de mais US$ 10 bilhões até o final de 2022, conforme apontou a DappRadar.

Segundo Vinícius Bazan, analista chefe do setor de inteligência de criptomoedas da Empiricus, em recente relatório aos assinantes da série Crypto Legacy, os números são o resultado do crescimento e aprimoramento das comunidades virtuais nos jogos do tipo play-to-earn, os quais estão exigindo cada vez mais recursos

“O que presenciamos com a ascensão dos games com inúmeros jogadores é a quebra de relação ‘jogador versus console’ para promover a relação ‘jogador versus jogador”’, pontua o analista. “Com isso, os jogos foram ganhando outras funcionalidades, angariando mais adeptos. E não à toa, hoje temos o play-to-earn que une diversão e investimentos”, acrescenta.

Negociação dos NFTs via smart contracts

A popularidade dos jogos desta modalidade, segundo Bazan, se deve ao  avanço da tecnologia blockchain, a qual promoveu a descentralização e posse dos ativos digitais no universo dos games. “Ao criar a possibilidade de NFTs via smart contracts, criou-se também outra possibilidade de interação com os jogos e um novo olhar dos investidores de criptomoedas para a modalidade P2E”, diz.

O analista fala dos contratos inteligentes (Smart Contracts), softwares autoexecutáveis dentro da blockchain que armazenam todas as informações dos NFTs e verifica se todos os termos estão sendo cumpridos durante a venda ou compra desses tokens. 

“Eles funcionam basicamente como garantidores da imutabilidade dos tokens, em que se verifica desde a identidade do criador até o histórico deste item na blockchain. Em outras palavras, os contratos inteligentes garantem que os NFTs sejam únicos e sejam transacionados de forma legal, razão pela qual eles têm valor”, acrescenta.

Nesse sentido, a vivência dentro do universo gamer não fica mais restrita a plataforma ou ao seu desenvolvedor, uma vez que ao permitir  que os jogadores criem itens e avatares tokenizados, eles poderão negociá-los livremente dentro da blockchain, sem demasiadas preocupações. Isso pois, anteriormente, os jogadores recorriam à negociação dos seus itens fora da plataforma do jogo, como observou Bazan.

Alto valor para entrada nos jogos P2E ainda é um entrave para sua popularização

Axie Infinity (AXS), Alien Worlds (TLM) e The Sandbox (SAND) são alguns dos jogos mais famosos que fazem uso da blockchain para o funcionamento do seu ecossistema de compras, vendas e trocas de NFTs.

Contudo, apesar de ganharem cada vez mais adeptos, tais games ainda não foram adotados em massa por exigirem a compra prévia de um NFT para entrada no universo do jogo. “Os tokens podem ter valores altos para os jogos, podendo ser acima de US$ 100,00 ou US$ 1000,00. Isso pode desmotivar os gamers a pagar um preço tão alto para entrada”.

No Brasil, isso pode representar um desafio para a adoção em massa do P2E, visto que o desemprego atinge o principal público consumidor desses jogos: jovens de 16 a 24 anos, conforme dados de 2021 da Secretaria de Política Econômica. Para Bazan, isso poderá ser contornado uma vez que as comunidades de gamers estão ficando cada vez mais acessíveis, a exemplo das guildas.

O termo se refere a um grupo de jogadores que compartilham os mesmos dados para sua participação no P2E. No universo gamer, eles são conhecidos como clãs ou facções que prezam pelo cuidado mútuo. A construção dessas mini comunidades leva em consideração os objetivos em comum das pessoas: obter renda por meio das partidas, ou simplesmente se fortalecer para avançar nos desafios.

A hora é agora

Bazan finaliza seu relatório alertando que ainda existem riscos na modalidade P2E, uma vez que há muito a ser desenvolvido e aprimorado. Entretanto, o analista vê que o momento é propício para se posicionar em bons ativos relacionados a esses jogos.

“A indústria do play-to-earn está crescendo em número de usuários e de investidores. Acredito que a hora de entrar nesse universo seja agora”.