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Investimentos

Ibovespa hoje: ata do Copom em tom cauteloso, petróleo acima dos US$ 110 e mais destaques desta terça (5)

Embora o Banco Central evite explicitar, os sinais são claros: há abertura para eventual interrupção temporária do ciclo de queda da Selic

Por Matheus Spiess

05 maio 2026, 09:30

Atualizado em 05 maio 2026, 09:30

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imagem: iStock/ diegograndi

O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã mostra sinais claros de fragilidade após a intensificação dos ataques no Golfo Pérsico, com episódios envolvendo drones e embarcações no Estreito de Ormuz, além de ofensivas contra aliados americanos, como os Emirados Árabes Unidos.

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Enquanto os EUA tentam assegurar a navegação por meio da escolta de navios, inclusive com relatos de confrontos diretos e destruição de embarcações iranianas, o Irã amplia sua pressão sobre a região, mantendo, na prática, o bloqueio da principal rota global de transporte de petróleo.

Ainda assim, o discurso político evita classificar a situação como uma ruptura definitiva, reforçando a percepção de um impasse instável, marcado por risco constante de escalada. Ao menos o início desta terça-feira traz um ambiente com leve melhora em relação à abertura da semana, com os ativos globais ensaiando uma recuperação moderada.

· 00:57 — Está com vergonha?

No Brasil, o principal destaque do dia é a divulgação da ata do Copom referente à reunião da semana passada. Como já comentado na última quinta-feira e ao longo de ontem, o Banco Central passou a adotar um tom mais cauteloso desde a decisão anunciada na noite de quarta-feira, e o documento divulgado nesta manhã confirmou essa inflexão.

A autoridade monetária reconhece uma deterioração adicional das expectativas de inflação, ao mesmo tempo em que ainda enxerga algum espaço para ajustes residuais na taxa de juros. Em outras palavras, novos cortes seguem possíveis, mas em magnitude significativamente menor do que se projetava antes da recente piora do cenário.

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Embora o Banco Central evite explicitar de forma mais direta essa mudança, os sinais são claros: há abertura para uma eventual interrupção temporária do ciclo, sobretudo diante da inconsistência de um cenário em que, com projeção de inflação mais elevada — agora em 3,5% no horizonte relevante (quarto tri de 2027) —, ainda se mantenha a mesma inclinação à flexibilização observada quando essa expectativa estava mais próxima da meta.

Esse quadro torna-se ainda mais desafiador quando incorporamos a dinâmica fiscal. Na semana passada, o déficit nominal acumulado em 12 meses atingiu R$ 1,2 trilhão, o maior da série histórica (maior que durante a pandemia), evidenciando uma trajetória que pressiona a dívida pública e contribui para a desancoragem adicional das expectativas.

Não por acaso, uma parcela relevante do nível elevado de juros no Brasil está associada à fragilidade do arcabouço fiscal. Na ausência de uma âncora fiscal crível, a política monetária acaba sendo forçada a assumir um papel mais duro, compensando esse desequilíbrio — ainda que esse mecanismo tenha limites claros.

Como se não bastasse, iniciativas como o Desenrola 2.0 tendem a introduzir distorções adicionais na dinâmica de crédito e endividamento das famílias, reduzindo a efetividade da política monetária. Mesmo que não seja explicitado pela equipe econômica, o quadro sugere a acumulação de desequilíbrios que deverão exigir algum grau de ajuste mais à frente, a partir de 2027.

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· 01:43 — Dados de emprego

Nos Estados Unidos, a agenda econômica ganha relevância com a divulgação de indicadores de atividade e do relatório JOLTS, em um momento em que investidores começam a considerar a possibilidade de juros mais elevados.

Esse pano de fundo foi reforçado por um novo fator de atenção: a guerra no Oriente Médio voltou ao centro do radar, interrompendo um ambiente que vinha sendo sustentado por resultados corporativos positivos. Na segunda-feira, os principais índices recuaram após notícias de novos episódios mais violentos envolvendo o Irã no Estreito de Ormuz.

Ainda assim, o mercado segue operando sob a premissa de que uma solução diplomática permanece como o desfecho mais provável, embora o risco de uma interrupção mais prolongada no fornecimento de energia continue relevante.

A recente escalada surpreende em parte porque os ativos vinham avançando com base na expectativa de uma normalização rápida do conflito, o que reforça a percepção de que os investidores, até aqui, têm absorvido ou mesmo relativizado uma série de riscos geopolíticos. Nesse contexto, a força dos lucros corporativos, com revisões positivas expressivas para o S&P 500, permanece como o principal fator de sustentação.

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Por sua vez, a liderança das ações de tecnologia continua intacta, mesmo diante da alta recente do petróleo e da pressão sobre os juros e as expectativas de inflação. A aparente desconexão entre esse segmento e o restante do mercado reflete, de um lado, o impacto das apostas em inteligência artificial e, de outro, características estruturais do setor, tradicionalmente menos sensível ao ciclo de commodities e mais resiliente em diferentes ambientes econômicos.

Assim, mesmo com a deterioração do cenário, o desempenho das bolsas segue ancorado na dinâmica de resultados, mantendo o setor de tecnologia como principal vetor de direção dos mercados.

· 02:38 — Novo risco de escalada

A escalada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico voltou a pressionar o já frágil cessar-fogo, com novos episódios envolvendo drones, mísseis e embarcações no Estreito de Ormuz, incluindo ataques a petroleiros e a infraestruturas energéticas nos Emirados Árabes Unidos.

Em resposta, os EUA passaram a liderar esforços para escoltar navios na região, embora a execução ainda careça de maior clareza e permaneça sujeita ao risco de retaliações por parte do Irã, que mantém o bloqueio da principal rota marítima e condiciona sua reabertura à suspensão das restrições impostas por Washington. O ambiente segue marcado por impasse nas negociações e por elevada incerteza quanto à duração e à intensidade do conflito.

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Os efeitos já se fazem sentir de forma relevante nos mercados. O petróleo avançou de maneira expressiva, com o Brent superando US$ 110 por barril, refletindo o risco de interrupções prolongadas na oferta e a retirada de milhões de barris diários enquanto o estreito permanece comprometido.

Paralelamente, observa-se contaminação de outros ativos, com recuo das bolsas, elevação dos rendimentos dos Treasuries, especialmente nos vencimentos mais longos, e fortalecimento do dólar, em meio à revisão das expectativas para a política monetária. Nesse contexto, o mercado passa a precificar um conflito mais prolongado, com impactos recorrentes sobre energia, inflação e crescimento global, elevando o risco de uma desaceleração econômica.

· 03:22 — Questão de segurança

No Japão, o debate sobre a possível revisão da Constituição pacifista, em vigor desde 1947 e responsável por limitar o uso de forças militares e a participação em conflitos, ganha intensidade. A proposta da primeira-ministra Sanae Takaichi de avançar nessa agenda provocou protestos, evidenciando uma sociedade dividida entre a tradição pacifista e as crescentes demandas por segurança, especialmente diante de episódios recentes como as tensões no Estreito de Ormuz.

A eventual mudança exigiria amplo apoio político e validação popular, configurando-se como um teste tanto para a liderança do governo quanto para o reposicionamento estratégico do país no mundo.

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Na Europa, por sua vez, observa-se um movimento gradual em direção a maior autonomia na área de defesa, em meio a incertezas quanto ao grau de comprometimento dos americanos com a segurança do continente.

Com isso em mente, líderes europeus têm discutido alternativas de cooperação e segurança coletiva, especialmente após o anúncio da retirada de tropas americanas da Alemanha e a possibilidade de reduções adicionais. Em outras palavras, as tensões diplomáticas e divergências entre aliados destacam a necessidade de a Europa redefinir seu papel estratégico em um ambiente global cada vez mais complexo e incerto.

· 04:19 — Posição de destaque

O hélio, embora abundante no universo, é um recurso um pouco mais escasso na Terra, passando a ocupar uma posição de destaque após o fechamento do Estreito de Ormuz e os danos às instalações de produção no Catar, que resultaram na interrupção de cerca de 30% da oferta global.

Como consequência, os preços à vista do gás dobraram desde o início do conflito. Mesmo em um cenário de eventual normalização geopolítica, a recomposição da capacidade produtiva pode levar anos, enquanto fornecedores já começam a alertar sobre restrições no atendimento de pedidos.

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A relevância desse choque vai além do curto prazo, dado o caráter essencial e, em muitos casos, insubstituível do hélio em diversas cadeias produtivas, que vão de semicondutores e aeroespacial à fibra óptica.

A questão ganha dimensão adicional com o avanço da inteligência artificial, já que o gás é utilizado tanto na fabricação de chips quanto no resfriamento de data centers. Esse cenário cria um desequilíbrio crescente entre uma oferta limitada e uma demanda estruturalmente em expansão, com potenciais impactos mais amplos.

No setor de saúde, por exemplo, onde o hélio é indispensável para o funcionamento de equipamentos como ressonâncias magnéticas, já se discute a possibilidade de repasse de custos e até de racionamento de serviços. Notamos outros desdobramentos para além do petróleo da crise atual.

· 05:04 — Renda que trabalha: superando o CDI com consistência e disciplina

Como já destaquei anteriormente, a Carteira Recomendada e Automatizada Empiricus Renda Extra foi concebida com um objetivo claro: estruturar uma fonte recorrente de renda passiva por meio de uma seleção criteriosa de 10 a 15 ativos brasileiros, combinando dividendos, juros e outros proventos com potencial de valorização no longo prazo.

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A estratégia vai além da busca por “renda elevada”, priorizando qualidade, previsibilidade e sustentabilidade, com uma alocação diversificada entre renda fixa, ações e fundos imobiliários. Essa abordagem permite que diferentes fontes de retorno atuem de forma complementar, reduzindo riscos específicos e conferindo maior estabilidade ao fluxo de rendimentos, ao mesmo tempo em que o investidor participa da valorização de setores relevantes da economia.

Em abril, esse equilíbrio entre renda e valorização ficou evidente: a carteira registrou alta de 1,46%, superando o CDI de 1,09% no período, em um movimento que ilustra a capacidade de capturar a valorização dos ativos sem abrir mão de resiliência. Desde o início, em fevereiro, o desempenho também se mantém consistente, com valorização acumulada de 3,53%, frente a 3,34% do CDI, o equivalente a 106% do benchmark. O resultado reforça a proposta da estratégia: acompanhar momentos favoráveis de mercado com disciplina, por meio de uma construção de portfólio voltada à geração contínua de renda e à preservação de capital ao longo do tempo.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.