E o bumbum sobe, desce e sobe

Para ter coragem de se posicionar, não leve os nomes tão a sério. Hoje é Bolsonaro, é Haddad, mas poderia ser só mais um bumbum. O que importa, nesta história, é o movimento dos nossos ativos de risco.

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E o bumbum sobe, desce e sobe

Após a publicação do Day One de ontem, fui duramente criticado de duas formas, talvez diametralmente opostas.

Na primeira crítica, aqueles que apoiam Bolsonaro exigiram satisfação pela tese do sobe & desce.

Recapitulando brevemente: Paulo Guedes acredita em sua própria práxis liberal e o mercado, por sua vez, quer acreditar em Paulo Guedes. Wishful thinking.

Nas rodas da Faria Lima, o fato de ser Bolsonaro o eleito desponta apenas como um mero detalhe, como o gol-detalhe de Parreira, o mesmo gol que Renato Augusto quase marcou quando estava dois a um para a Bélgica.

No exato momento em que eu pré-reconhecia que a primeira crítica me fazia um pouco enviesado, veio a segunda, como uma bomba.

Aqueles que apoiam Haddad exigiram satisfação pela tese do desce & sobe.

E o mais curioso aqui é que estes estavam indignados com o sobe posterior, não com o desce prévio. “Ele nunca vai se curvar ao mercado”, explicaram-me.

Eu não acredito em imparcialidade, nem mesmo os mortos são imparciais.

Mas, se houver algo próximo da imparcialidade, algo como uma assíntota, ela resulta de ser igualmente criticada por variadas opiniões que não se bicam.

Como não sou imparcial – nem eu, nem a Empiricus – permito-me hoje explorar um pouco mais o desce & sobe de Haddad, com todo o respeito.

Por quê?

Day One é uma newsletter financeira, que busca estritamente propagar as melhores ideias de investimento. Quando necessário, falamos de política como meio, e nunca como fim.

O desce & sobe de Haddad caracteriza, ao meu ver, o cenário que melhor casa a hipótese de um drawdown oportuno em breve (chance rara de montar mais posições a preço de banana) com um upside poderoso daqui a algum tempo.

Não sei exatamente o que significa “se curvar ao mercado”. Só sei que tenho aqui, na manga do meu paletó, algumas peças jornalísticas recém-saídas do forno que introduzem a “Carta ao Povo Brasileiro” de Haddad.

Em particular, sugiro a leitura do editorial da Folha desta terça-feira:

Haddad descartou por completo o boato de Marcio Pochmann como seu ministro da Fazenda.

Isso, por si só, já deveria fazer o Ibovespa subir 10 por cento, em dólares.

Ainda assim, o mercado vai preferir o desce & sobe ao ponderar Haddad dentro da média com Bolsonaro.

Pagar-se-á para ver. Ganhará quem se posicionar antes.

Para ter coragem de se posicionar, não leve os nomes tão a sério. Hoje é Bolsonaro, é Haddad, mas poderia ser só mais um bumbum. O que importa, nesta história, é o movimento dos nossos ativos de risco.