Não importa por onde eu comecei; para lá eu voltarei, sempre

Eu não costumo me impressionar quando percebo que alguma coisa está parada, mas confesso que essa morosidade me surpreendeu.

Compartilhe:
Não importa por onde eu comecei; para lá eu voltarei, sempre

Abaixo você vê o gráfico do S&P 500 desde o início do ano – o principal índice de ações dos EUA.

Não é impossível enxergar uma leve alta aí, mas a verdade nua e crua (filtrando desvios padrão triviais) é que a Bolsa americana está parada em 2018.

Eu não costumo me impressionar quando percebo que alguma coisa está parada, mas confesso que essa morosidade me surpreendeu.

Afinal, na minha cabeça, tem sido um “year to date” de forte volatilidade para o S&P.

E acho que não estou louco, pois os picos e vales de curto prazo – evidentes no gráfico – realmente sugerem isso.

Porém, a ilusão de sobe e desce do mercado – e, sobretudo, do noticiário – não é capaz de ocultar o argumento de que o ser é imutável e imóvel.

O curto prazo é de Heráclito, filósofo do fogo. O médio prazo é de Parmênides, filósofo do gelo. E o longo prazo em Bolsa, naturalmente, não foi feito para filósofos.

Logo, a despeito das provocações tributárias diárias evocadas por Trump e respondidas pela China, nada muito grande está acontecendo lá fora, ao menos por enquanto.

Talvez seja o presságio de uma crise maior por vir. Ou, provavelmente, apenas uma distração que serve de antessala a um novo ciclo, iminente, em que a época do dinheiro barato terá acabado.

Aqui no Brasil, as provocações tributárias já não incitam qualquer tipo de reação belicosa, pois nós, contribuintes, fomos a nocaute há mais de 20 anos.

E dinheiro barato também nunca foi nosso problema.

Então vamos comemorar que podemos ainda ter nossas próprias mazelas, e arriscar nossos próprios elogios aos vira-latas nacionais.

Imutável e imóvel que também sou, não tenho ideias originais. Falo o que digo inspirado no novo livro de ensaios do Giannetti (“O Elogio do Vira-Lata”), cuja leitura recomendo a todos nós, que gostamos de ganhar dinheiro como o homo faber, mas também de beber vinho como o homo ludens.

Sou fã confesso e quero um dia ter o Giannetti dentro do meu Clube Fechado de Leitura.

Seria um enorme elogio a esta vira-lata chamada Empiricus Books®, que não tem coesão com outra coisa alguma e, portanto, é coesa em si mesma.

Aliás, abaixo você vê o gráfico do Ibovespa desde o início do ano – o principal índice de ações do Brasil.

Não é impossível enxergar uma leve baixa aí, mas a verdade nua e crua (filtrando desvios padrão triviais) é que a Bolsa brasileira está parada em 2018.