Day One

Para viver completamente o seu pior mês

“Existem os livros, filmes e séries que nos entristecem quando acabam. Lamentamos por não ter virado as páginas mais devagar, ou por não ter adicionado pausas para ir ao […]”.

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Data de publicação
28 de abril de 2022
Categoria
Day One

Existem os livros, filmes e séries que nos entristecem quando acabam.

Lamentamos por não ter virado as páginas mais devagar, ou por não ter adicionado pausas para ir ao banheiro, mesmo que a bexiga estivesse vazia.

Existem também as histórias que nos entristecem enquanto duram.

Essas são acompanhadas apenas pelas pessoas de natureza teimosa — que insistem, persistem e continuam até o fim.

O mês de abril tem sido um mês complicado, com queda da Bolsa e alta do dólar. Isso pode lhe render o epíteto de “o pior mês desde o pico da pandemia”.

Ao contrário dos livros e dos controles remotos, que cabem em nossas mãos, não temos o poder de encerrar um mês ruim antes que ele acabe de fato.

Precisamos viver cada pregão de uma vez, incluindo os dias em que a Bolsa cai -1%, -2% ou -3%, e extrair deles algo de útil, ainda que seja um processo doloroso.

Ainda bem que funciona assim.

Não haveria aprendizado verdadeiro se tivéssemos a chance de escolher apenas os pedaços prazerosos da vida.

Ademais, se nos fosse dado o direito de encerrar abril antecipadamente, teríamos ignorado alguns importantes sinais de esperança à frente.

+ Petróleo abaixo de US$ 100.

+ Resultados de Meta e Microsoft lembram que existe geração intrínseca de valor.

+ Leituras de IPCA-15 e IGP-M abaixo do esperado sugerem que os mecanismos clássicos de transmissão monetária ainda funcionam por aqui.

+ Mercado antecipou um resultado mais fraco de Vale, mas não antecipou o tamanho do buyback.

+ Novo Auxílio Brasil de R$ 400, em vez de R$ 600.

Nem tudo é ruim no pior mês desde o pico da pandemia. Ao que tudo indica, abril termina bem melhor do que começou.