Também topo mentir para acobertar o Felipe

No Day One de ontem, o Felipe revelou mentiras sinceras que nos interessam. Mentir de verdade demanda coragem. “Você precisa descobrir aquilo que é mentira […]

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Também topo mentir para acobertar o Felipe

No Day One de ontem, o Felipe revelou mentiras sinceras que nos interessam.

Mentir de verdade demanda coragem.

“Você precisa descobrir aquilo que é mentira hoje, mas será verdade amanhã”, escreveu ele.

Quero voltar ao tema, pois a compreensão não é inteiramente óbvia.

Mentiras sinceras transbordam uma premissa da lógica clássica, segundo a qual o falso não pode ser verdadeiro, e o verdadeiro não pode ser falso.

Vejamos um caso nem tão hipotético:

Todos os marcianos conversam sobre ações.
Rodolfo é um marciano.
Logo, Rodolfo conversa sobre ações.

O argumento acima é logicamente verdadeiro, não há qualquer dúvida quanto a isso.

Alguém poderá alegar que não, que é um argumento falso, pois não existem marcianos no universo.

Ao menos até que se descubra algum traço de vida em Marte chamado Rodolfo, conversando sobre ações, para espanto geral da nação.

Nesse exemplo, temos aquilo que consideramos na Empiricus como uma mentira sincera.

O argumento é logicamente verdadeiro, mas encarado pelo mercado como falso, simplesmente porque a comunidade astrofísica ainda não descobriu a existência de um Rodolfo em Marte.

Vejamos agora outro caso:

A Empiricus é considerada picareta por mil financistas da Faria Lima.
Logo, a Empiricus é picareta.

Infelizmente, mil financistas não bastam para validar a eventual picaretagem da Empiricus.

Nem um bilhão de financistas bastaria.

A rigor, conforme Einstein nos ensinou, quanto mais financistas nos consideram picaretas, mais questionável se torna a conclusão do argumento.

Em 1931, cientistas alemães incomodados com a Teoria da Relatividade encomendaram a publicação do livro “100 Autores Contra Einstein”.

Einstein respondeu prontamente: “Se eu estivesse mesmo errado sobre a Relatividade, eles não precisariam ter juntado 100 autores; um único autor seria suficiente”.

Curiosamente, o mercado financeiro adora precificar argumentos do tipo “mil financistas”, a despeito de serem logicamente falsos.

Ao mesmo tempo, ignora-se o argumento do tipo “Rodolfo é um marciano”, só porque não se descobriu ainda um marciano chamado Rodolfo.

Por essas e outras, operamos na Empiricus um long & short altamente rentável, no qual estamos sempre vendidos em mil financistas e comprados em marcianos.

A marciana da vez talvez seja a Marina Silva, em entrevista ao Merval, querendo “recuperar os fundamentos da política macroeconômica do Plano Real”.

E os verdadeiros marcianos certamente são os votos nulos e em branco que lideraram a última pesquisa Datafolha.

Conforme bem interpretou meu amigo Pedro Cerize, da Inversa, “qualquer um pode ganhar, mesmo alguém que não estava na pesquisa”.

Pedro, aliás, também vive em Marte, a uma distância segura dos investidores estrangeiros e institucionais que nunca mentiram na vida, e, portanto, desconhecem a verdade.

Se você um dia visitar o Pedro por lá (recomendo a data de 31 de julho, quando a viagem será de apenas 75 milhões de km), lembre-se de tocar a campainha também do Luiz Alves Paes de Barros.

Alguns o chamam de “o bilionário anônimo da Bolsa brasileira”.

Ao ler o brilhante texto do Luiz Alves na edição de hoje da série As Melhores Ações da Bolsa, você logo vai sacar que os anônimos, nulos, pintados de branco ou de preto, nunca são verdes.