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Crypto Pulse

Bitcoin (BTC) ensaia alta, mas volta à região dos US$ 80 mil: até quando a criptomoeda aguenta?

Dois fatores voltaram a preocupar os investidores: a alta do petróleo e as dúvidas sobre os investimentos em inteligência artificial

Luis Kuniyoshi 2026

Por Luis Kuniyoshi

25 out 2026, 15:00

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Imagem: iStock.com/scaliger

Mais uma semana, o mesmo disco arranhado: o Bitcoin voltou a ensaiar um movimento de alta, chegando a superar os US$ 84 mil, impulsionado pela retomada das compras dos ETFs, os fundos de Bitcoin negociados em bolsa.

Mas a reação durou pouco. Dois fatores voltaram a preocupar os investidores: a alta do petróleo, provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, e as dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. O resultado foi uma fuga dos ativos de maior risco, que levou o Bitcoin de volta à região dos US$ 81 mil.

Apesar do cenário conturbado, o Bitcoin continua demonstrando resiliência, sustentando uma faixa de preços relativamente estreita, próxima dos US$ 80 mil. Sabemos que a volatilidade dos mercados alterna períodos de contração e expansão, e não esperamos que essa estabilidade dure indefinidamente. Embora ainda não exista uma direção clara no curto prazo, a estrutura de alta no médio prazo permanece preservada.

Esse cenário pode representar uma oportunidade para quem deseja construir uma posição gradualmente no Bitcoin, sem precisar acertar o momento exato de entrada, ou mesmo para quem ainda não investe em criptomoedas e pretende começar com uma exposição menor.

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Fonte: Equipe Empiricus Crypto.

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Nesta edição, vamos explicar o que provocou a mudança de humor nos mercados, o que nossos indicadores sinalizam e por que a próxima reunião do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, merece atenção.

Petróleo em alta, dúvidas sobre IA e fuga para a segurança

A quinta-feira foi marcada por uma combinação de notícias negativas para os mercados.

A primeira veio do Oriente Médio. Novos ataques na região aumentaram o receio de interrupções na oferta de petróleo, fazendo o Brent, referência internacional, subir 4%, para aproximadamente US$ 113 por barril. O problema é que a energia mais cara aumenta os custos das empresas, pressiona os preços e reduz o poder de compra das famílias.

Ao mesmo tempo, uma preocupação que já vinha crescendo ganhou força: será que os investimentos bilionários em inteligência artificial vão gerar os retornos esperados?

A dúvida atingiu principalmente as empresas de tecnologia, com o índice de semicondutores recuando 6,7% em apenas um dia. O movimento é relevante porque os investimentos em infraestrutura de IA, como centros de dados, chips e energia, têm ajudado a sustentar o crescimento da economia americana. Se as empresas começarem a reduzir esses gastos, os efeitos podem alcançar outros setores da economia.

Diante da combinação de petróleo mais caro e incertezas sobre o crescimento, os investidores passaram a buscar proteção. É o movimento conhecido como flight to safety, ou fuga para a segurança: o dinheiro deixa ativos considerados mais arriscados e migra para investimentos vistos como mais seguros.

É possível observar esse movimento no mercado de títulos do governo americano, os chamados Treasuries. Com o aumento da procura, os preços desses títulos subiram e suas taxas de juros caíram. O rendimento do título de dez anos recuou de 5,15% para 4,95% ao ano em uma única sessão. Setores mais defensivos da bolsa, como saúde e consumo básico, também atraíram compradores.

O comportamento dos juros chama atenção porque, normalmente, a alta do petróleo tende a pressioná-los para cima, diante do risco de inflação. Desta vez, aconteceu o contrário, sugerindo que a preocupação com uma possível desaceleração da economia americana falou mais alto.

Para o Bitcoin, esse cenário tem duas faces. No curto prazo, a fuga para a segurança costuma prejudicar as criptomoedas, que ainda são tratadas como ativos de risco. Além disso, juros menores nem sempre são positivos quando refletem preocupações com o crescimento econômico.

Por outro lado, a resiliência do Bitcoin merece destaque. Mesmo diante da forte queda das ações de tecnologia, da busca generalizada por proteção e até mesmo do recuo do ouro, a criptomoeda conseguiu sustentar a região dos US$ 81 mil, preservando seu principal suporte.

Essa resiliência abre espaço para uma possibilidade interessante no médio prazo. Se os questionamentos sobre os investimentos em inteligência artificial continuarem e os juros permanecerem mais baixos, parte do capital pode buscar alternativas de investimento, incluindo o próprio Bitcoin. Isso dependeria, porém, de uma estabilização do cenário econômico e de uma recuperação do apetite por risco.

Curto prazo neutro, médio prazo ainda favorável

Toda essa movimentação também apareceu nos nossos indicadores.

O indicador de tendência, que acompanha a força e a direção dos movimentos de preço, chegou a apresentar melhora durante a recuperação do início da semana. Entretanto, com a queda de quinta-feira, voltou à região neutra, sinalizando que o mercado ainda não encontrou uma direção clara.

Quando ampliamos a análise para o gráfico semanal, porém, a leitura continua favorável.

O Bitcoin ainda preserva uma sequência de fundos ascendentes, ou seja, as correções vêm encontrando compradores em níveis superiores aos das quedas anteriores. Esse comportamento é uma característica importante de uma tendência de alta e indica que, apesar das oscilações recentes, sua estrutura de médio prazo ainda não foi comprometida.

Nesse contexto, a região dos US$ 80 mil permanece como o principal nível de atenção. Ela voltou a atrair compradores nas últimas semanas e continua funcionando como uma referência importante para avaliar a força do mercado. Por outro lado, uma perda consistente desse suporte, acompanhada por uma deterioração dos nossos indicadores, exigiria uma reavaliação do cenário.

Fonte: CoinGecko.

Agora, todas as atenções se voltam ao Fed

Depois de uma semana de fortes oscilações, o mercado se prepara para seu próximo grande evento: a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira, 28 de outubro.

O Fed elevou os juros em setembro para combater a inflação, e o mercado ainda considera a possibilidade de novos aumentos até o fim do ano. Agora, o banco central americano precisa lidar com um cenário particularmente delicado: de um lado, o petróleo mais caro ameaça pressionar a inflação; do outro, crescem as dúvidas sobre a força da atividade econômica.

Por isso, mais importante do que a decisão sobre os juros será a mensagem transmitida pelo Fed.

Se o banco central demonstrar maior preocupação com a inflação e sinalizar a necessidade de manter uma política monetária mais rígida, os juros poderão voltar a subir, assim como a taxa terminal esperada pelo mercado, pressionando ações e criptomoedas.

Por outro lado, se o Fed mostrar disposição para aguardar novos dados antes de tomar decisões, poderá trazer algum alívio aos mercados, especialmente depois do aumento recente da volatilidade.

Até lá, acreditamos que o melhor caminho seja manter a disciplina e evitar decisões precipitadas. Afinal, a semana mostrou como o humor dos investidores pode mudar rapidamente.

Luis Kuniyoshi é especialista em criptoativos na Empiricus Research. É bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e investidor do mercado cripto desde 2017. É consultado regularmente por relevantes portais de notícias brasileiros, como Exame, Valor Econômico, Seu Dinheiro e Money Times. Também integra o Crypto Never Sleeps, um dos maiores podcasts de ativos digitais do Brasil.