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Mais uma semana, o mesmo disco arranhado: o Bitcoin voltou a ensaiar um movimento de alta, chegando a superar os US$ 84 mil, impulsionado pela retomada das compras dos ETFs, os fundos de Bitcoin negociados em bolsa.
Mas a reação durou pouco. Dois fatores voltaram a preocupar os investidores: a alta do petróleo, provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, e as dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial. O resultado foi uma fuga dos ativos de maior risco, que levou o Bitcoin de volta à região dos US$ 81 mil.
Apesar do cenário conturbado, o Bitcoin continua demonstrando resiliência, sustentando uma faixa de preços relativamente estreita, próxima dos US$ 80 mil. Sabemos que a volatilidade dos mercados alterna períodos de contração e expansão, e não esperamos que essa estabilidade dure indefinidamente. Embora ainda não exista uma direção clara no curto prazo, a estrutura de alta no médio prazo permanece preservada.
Esse cenário pode representar uma oportunidade para quem deseja construir uma posição gradualmente no Bitcoin, sem precisar acertar o momento exato de entrada, ou mesmo para quem ainda não investe em criptomoedas e pretende começar com uma exposição menor.
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Nesta edição, vamos explicar o que provocou a mudança de humor nos mercados, o que nossos indicadores sinalizam e por que a próxima reunião do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, merece atenção.
Petróleo em alta, dúvidas sobre IA e fuga para a segurança
A quinta-feira foi marcada por uma combinação de notícias negativas para os mercados.
A primeira veio do Oriente Médio. Novos ataques na região aumentaram o receio de interrupções na oferta de petróleo, fazendo o Brent, referência internacional, subir 4%, para aproximadamente US$ 113 por barril. O problema é que a energia mais cara aumenta os custos das empresas, pressiona os preços e reduz o poder de compra das famílias.
Ao mesmo tempo, uma preocupação que já vinha crescendo ganhou força: será que os investimentos bilionários em inteligência artificial vão gerar os retornos esperados?
A dúvida atingiu principalmente as empresas de tecnologia, com o índice de semicondutores recuando 6,7% em apenas um dia. O movimento é relevante porque os investimentos em infraestrutura de IA, como centros de dados, chips e energia, têm ajudado a sustentar o crescimento da economia americana. Se as empresas começarem a reduzir esses gastos, os efeitos podem alcançar outros setores da economia.
Diante da combinação de petróleo mais caro e incertezas sobre o crescimento, os investidores passaram a buscar proteção. É o movimento conhecido como flight to safety, ou fuga para a segurança: o dinheiro deixa ativos considerados mais arriscados e migra para investimentos vistos como mais seguros.
É possível observar esse movimento no mercado de títulos do governo americano, os chamados Treasuries. Com o aumento da procura, os preços desses títulos subiram e suas taxas de juros caíram. O rendimento do título de dez anos recuou de 5,15% para 4,95% ao ano em uma única sessão. Setores mais defensivos da bolsa, como saúde e consumo básico, também atraíram compradores.
O comportamento dos juros chama atenção porque, normalmente, a alta do petróleo tende a pressioná-los para cima, diante do risco de inflação. Desta vez, aconteceu o contrário, sugerindo que a preocupação com uma possível desaceleração da economia americana falou mais alto.
Para o Bitcoin, esse cenário tem duas faces. No curto prazo, a fuga para a segurança costuma prejudicar as criptomoedas, que ainda são tratadas como ativos de risco. Além disso, juros menores nem sempre são positivos quando refletem preocupações com o crescimento econômico.
Por outro lado, a resiliência do Bitcoin merece destaque. Mesmo diante da forte queda das ações de tecnologia, da busca generalizada por proteção e até mesmo do recuo do ouro, a criptomoeda conseguiu sustentar a região dos US$ 81 mil, preservando seu principal suporte.
Essa resiliência abre espaço para uma possibilidade interessante no médio prazo. Se os questionamentos sobre os investimentos em inteligência artificial continuarem e os juros permanecerem mais baixos, parte do capital pode buscar alternativas de investimento, incluindo o próprio Bitcoin. Isso dependeria, porém, de uma estabilização do cenário econômico e de uma recuperação do apetite por risco.
Curto prazo neutro, médio prazo ainda favorável
Toda essa movimentação também apareceu nos nossos indicadores.
O indicador de tendência, que acompanha a força e a direção dos movimentos de preço, chegou a apresentar melhora durante a recuperação do início da semana. Entretanto, com a queda de quinta-feira, voltou à região neutra, sinalizando que o mercado ainda não encontrou uma direção clara.
Quando ampliamos a análise para o gráfico semanal, porém, a leitura continua favorável.
O Bitcoin ainda preserva uma sequência de fundos ascendentes, ou seja, as correções vêm encontrando compradores em níveis superiores aos das quedas anteriores. Esse comportamento é uma característica importante de uma tendência de alta e indica que, apesar das oscilações recentes, sua estrutura de médio prazo ainda não foi comprometida.
Nesse contexto, a região dos US$ 80 mil permanece como o principal nível de atenção. Ela voltou a atrair compradores nas últimas semanas e continua funcionando como uma referência importante para avaliar a força do mercado. Por outro lado, uma perda consistente desse suporte, acompanhada por uma deterioração dos nossos indicadores, exigiria uma reavaliação do cenário.

Agora, todas as atenções se voltam ao Fed
Depois de uma semana de fortes oscilações, o mercado se prepara para seu próximo grande evento: a reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na quarta-feira, 28 de outubro.
O Fed elevou os juros em setembro para combater a inflação, e o mercado ainda considera a possibilidade de novos aumentos até o fim do ano. Agora, o banco central americano precisa lidar com um cenário particularmente delicado: de um lado, o petróleo mais caro ameaça pressionar a inflação; do outro, crescem as dúvidas sobre a força da atividade econômica.
Por isso, mais importante do que a decisão sobre os juros será a mensagem transmitida pelo Fed.
Se o banco central demonstrar maior preocupação com a inflação e sinalizar a necessidade de manter uma política monetária mais rígida, os juros poderão voltar a subir, assim como a taxa terminal esperada pelo mercado, pressionando ações e criptomoedas.
Por outro lado, se o Fed mostrar disposição para aguardar novos dados antes de tomar decisões, poderá trazer algum alívio aos mercados, especialmente depois do aumento recente da volatilidade.
Até lá, acreditamos que o melhor caminho seja manter a disciplina e evitar decisões precipitadas. Afinal, a semana mostrou como o humor dos investidores pode mudar rapidamente.