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Investimentos

Equatorial (EQTL3) reporta 1T26 sólido, com segmento de distribuição robusto e o de renováveis menos pressionado

Ebitda ajustado atingiu R$ 2,88 bi, alta de 11% ano contra ano

Por Ruy Hungria

14 maio 2026, 13:35

Atualizado em 14 maio 2026, 13:35

equatorial energia eqlt3 (1)

Imagem: iStock.com/Bilanol

A Equatorial (EQTL3) reportou mais um trimestre operacionalmente sólido no 1T26, com desempenho forte de Distribuição compensando parcialmente a pressão financeira e o impacto ainda negativo de negócios não core.

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O ebitda ajustado atingiu R$ 2,88 bilhões, alta de 11,3% ano contra ano, acima das expectativas, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 359 milhões, pressionado pelo pior resultado financeiro e efeitos não recorrentes.

Segmento de distribuição segue como destaque da Equatorial

O principal destaque operacional segue sendo Distribuição. A margem bruta ajustada do segmento cresceu 14%, para R$ 4,09 bilhões, impulsionada principalmente pelo efeito tarifário da Parcela B/Fio B (+R$ 198 milhões) e pelo crescimento de mercado (+R$ 127 milhões). Maranhão (+R$ 168 milhões), Pará (+R$ 108 milhões) e Piauí (+R$ 64 milhões) foram os maiores destaques do trimestre.

O crescimento de mercado seguiu saudável. O mercado fio B avançou 3,8% ano contra ano e a energia medida total cresceu 4,8%, com expansão de consumidores em praticamente todas as concessões. Além disso, as perdas consolidadas continuaram evoluindo positivamente, recuando 0,2 pontos percentuais a/a, enquanto a PECLD consolidada permaneceu controlada em 1,64% da receita operacional bruta, levemente melhor que no 1T25.

Operacionalmente, a companhia também manteve evolução consistente nos indicadores de qualidade. Todas as distribuidoras ficaram dentro do limite regulatório de FEC, enquanto Maranhão, Pará, Alagoas e Amapá permaneceram enquadradas no DEC. Goiás seguiu apresentando melhora relevante, ainda próxima do limite regulatório.

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Já do lado das despesas, o PMSO ajustado cresceu 15% ano contra ano, refletindo principalmente maiores gastos com pessoal, remuneração variável, incentivos de longo prazo e o processo de primarização das operações. Parte dessa pressão, porém, decorre justamente da internalização de equipes terceirizadas, o que reduz despesas em serviços de terceiros e tende a melhorar a eficiência operacional ao longo do tempo. Excluindo efeitos de ILP ligados à performance da ação, o PMSO por consumidor teria crescido apenas 4%.

Em Renováveis, o trimestre seguiu pressionado por restrições de geração (curtailments) impostas pelo regulador, ainda que a piora tenha sido menos intensa que nos últimos trimestres. Por outro lado, a marcação a mercado negativa de contratos de energia do segmento de comercialização pesou no ebitda do segmento, que recuou 34,1%, para R$ 88,1 milhões.

Em Saneamento (Concessionária de Saneamento do Amapá), mesmo com o recuo da receita, o ebitda expandiu de R$ 3,7 milhões no 1T25 para R$ 6,0 milhões no 1T26, ajudado pela redução de custos de construção período.

Sabesp volta a contribuir para o resultado da Equatorial

Por fim, na linha de equivalência patrimonial, a Sabesp voltou a contribuir positivamente para o resultado da holding com R$ 254 milhões no trimestre, crescimento de R$ 40 milhões a/a, reforçando a importância crescente do ativo dentro da tese da companhia.

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No consolidado, a receita operacional líquida cresceu 12%, para R$ 12,75 bilhões, enquanto o ebitda ajustado avançou 11,3%, para R$ 2,88 bilhões. A margem permaneceu praticamente estável em 22,6%, mesmo com o aumento relevante de PMSO, provisões e depreciação, evidenciando que o avanço operacional da distribuição segue compensando as pressões de custo.

O resultado financeiro voltou a pressionar o lucro. A despesa financeira ajustada piorou 5,7% a/a, impactada principalmente pela combinação de CDI mais elevado e aumento do saldo médio da dívida – o CDI médio saiu de 2,99% no 1T25 para 3,41% no 1T26, enquanto a dívida bruta cresceu 14,7% no período.

Assim, mesmo com avanço operacional, o lucro líquido ajustado caiu 23,6%, para R$ 359 milhões. Entretanto, a própria companhia destaca que, em base comparável de mesmos ativos, o lucro ficou praticamente estável (-0,3%), já que o 1T25 ainda contava com contribuição dos ativos de transmissão vendidos posteriormente.

O capex permaneceu elevado em R$ 2,58 bilhões (+12% a/a), concentrado principalmente em expansão, qualidade da rede e combate a perdas em distribuição. Destaque para investimentos ligados ao Luz para Todos e expansão de subestações, especialmente em Alagoas.

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Mesmo com o ciclo forte de investimentos, a alavancagem permaneceu relativamente controlada. A relação dívida líquida/ebitda encerrou o trimestre em 2,7x, ou 3,1x desconsiderando o ganho de capital da venda de transmissão, enquanto a cobertura de caixa sobre dívida de curto prazo melhorou para 2,5x.

EQTL3: recomendação de compra

No fim, o trimestre reforça a resiliência operacional da Equatorial em distribuição, ainda que renováveis e resultado financeiro continuem pressionando o consolidado.

A companhia segue combinando crescimento, disciplina operacional e capacidade de execução, mantendo flexibilidade para continuar expandindo sua atuação em saneamento e infraestrutura. Por 8,4x EV/ebitda para 2026, EQTL3 segue entre as recomendações da casa.

Bacharel em Física formado na Universidade de São Paulo (USP), possui MBA de Finanças na Fipe e iniciou a carreira no mercado financeiro em 2011, na própria Empiricus Research. Está à frente da série da casa focada em opções desde 2018, além de contribuir na elaboração e decisões de investimentos nas séries da Empiricus focadas em microcaps e dividendos, além de fazer o acompanhamento de companhias de diversos setores, com mais foco em Utilities e Oil & Gas. Desde o início de 2020 é colunista do portal Seu Dinheiro.