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Os mercados globais passaram a operar em tom relativamente mais positivo após sinais de flexibilização parcial no Estreito de Ormuz, com o Irã permitindo a passagem de alguns navios e reduzindo temporariamente a pressão sobre a oferta global de petróleo.
O movimento contribuiu para a queda do Brent, embora a commodity ainda permaneça acima dos US$ 100 por barril, enquanto investidores seguem apostando que Donald Trump tentará evitar uma escalada mais ampla no Oriente Médio diante dos impactos da guerra sobre inflação, juros e popularidade presidencial.
Ainda assim, o ambiente continua extremamente delicado: Teerã mantém ameaças indiretas, Israel pressiona por novas ofensivas militares e o controle iraniano sobre Ormuz segue como um dos principais fatores de risco para os mercados internacionais.
· 00:53 — Entre a tentativa de recuperação do Ibovespa e a crise na oposição
No Brasil, acompanhamos a melhora parcial do humor internacional, com o Ibovespa voltando a superar os 177 mil pontos e recuperando integralmente as perdas acumuladas ao longo da semana.
A queda do petróleo observada ontem acabou pressionando as ações da Petrobras, limitando parte do avanço do índice e criando um ambiente particularmente favorável para estratégias de geração de alfa. Na agenda doméstica, os destaques ficam por conta dos dados de arrecadação federal e da sondagem industrial da CNI, embora ambos tenham repercussão relativamente secundária sobre os mercados neste momento.
No campo político, investidores seguem acompanhando com atenção a divulgação de novas pesquisas eleitorais entre hoje e amanhã, ainda em meio à digestão da crise envolvendo o principal nome da oposição no momento.
Segundo o jornal O Globo, aliados trabalham internamente com uma janela de 10 a 15 dias para avaliar a resiliência da pré-candidatura. Ainda assim, parece difícil qualquer estabilização do quadro neste estágio, já que os desdobramentos das primeiras notícias divulgadas na semana passada tendem a aparecer de forma mais clara apenas nos próximos dias.
Além disso, novas informações continuam surgindo gradualmente, ampliando a pressão sobre a oposição em um processo que ainda pode se prolongar. Nesse contexto, cresce a possibilidade de discussão em torno de uma eventual substituição da pré-candidatura mais representativa do campo oposicionista, embora o desfecho permaneça incerto.
· 01:43 — Uma abordagem mais dura
A ata da reunião de abril do Federal Reserve revelou um tom significativamente mais duro do que o percebido após a coletiva de imprensa de Jerome Powell, reforçando que uma parcela relevante dos membros do FOMC continua bastante preocupada com a persistência da inflação nos Estados Unidos.
Além das discussões sobre a retirada do viés de flexibilização monetária do comunicado oficial, a maioria dos dirigentes passou a admitir de forma mais explícita que novas altas de juros podem voltar ao centro do debate caso a inflação permaneça acima da meta de 2%.
O ambiente se tornou ainda mais sensível diante do recente choque do petróleo provocado pela guerra com o Irã, somado ao avanço dos custos de metais, componentes elétricos e às constantes oscilações tarifárias, fatores que continuam pressionando as expectativas inflacionárias e dificultando o processo de desinflação.
O cenário também representa um desafio importante para Kevin Warsh, novo presidente do Fed, que defende uma postura mais favorável a cortes de juros. Embora Warsh tenha sinalizado maior atenção a métricas alternativas de inflação, como a média aparada do núcleo do PCE calculada pelo Fed de Dallas, parte relevante do mercado teme que esses indicadores estejam subestimando os efeitos secundários do choque energético e das tarifas sobre os preços ao consumidor.
No centro das preocupações permanece o receio de repetir os erros observados em 2022, quando a inflação inicialmente tratada como “transitória” acabou exigindo um ciclo agressivo de aperto monetário. Não por acaso, desde a última reunião, os mercados passaram a precificar uma probabilidade de ao menos uma nova alta de juros até o fim de 2026.
· 02:36 — Uma nova proposta de paz
O Irã afirmou que está avaliando a proposta mais recente de paz enviada pelos Estados Unidos, enquanto ambos os lados tentam evitar uma nova escalada no Oriente Médio. O plano atualmente em discussão prevê, em um primeiro momento, a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã e o encerramento do bloqueio americano aos portos iranianos, criando espaço para negociações posteriores sobre o programa nuclear do país.
Donald Trump voltou a afirmar que as conversas estariam nos “estágios finais”, embora tenha mantido o tom de ameaça caso não haja um entendimento entre as partes. Paralelamente, China e Rússia intensificaram os apelos por um cessar-fogo imediato, diante do risco crescente de ampliação do conflito.
Apesar da melhora parcial no humor dos mercados, o ambiente segue extremamente delicado. Há um alerta para uma queda recorde nos estoques globais de petróleo, refletindo os impactos prolongados da guerra sobre a oferta de energia. Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou expandir o conflito para além do Oriente Médio caso EUA e Israel retomem os ataques, reacendendo os temores em torno de uma possível escalada militar em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global de petróleo e para a estabilidade dos mercados internacionais.
· 03:27 — Na expectativa pelo IPO
A OpenAI se prepara para dar um dos passos mais aguardados de Wall Street ao trabalhar em um pedido confidencial de IPO, possivelmente já nas próximas semanas, em meio à corrida bilionária pela liderança da inteligência artificial.
Liderada por Sam Altman, a criadora do ChatGPT busca acessar o mercado de capitais para financiar os custos crescentes com chips, data centers e contratação de talentos, enquanto projeta investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura física nos próximos anos.
O movimento ocorre em paralelo aos planos semelhantes da Anthropic, reforçando a percepção de que a disputa pelo domínio da IA ainda está em estágios iniciais. Ao mesmo tempo, investidores começam a monitorar com mais cautela os riscos embutidos nessa nova onda de entusiasmo tecnológico: a forte interdependência entre startups de IA, fundos de venture capital e gigantes como Amazon e Nvidia levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse ecossistema caso as expectativas extremamente elevadas para o setor não se confirmem ao longo dos próximos anos.
· 04:11 — Uma possível nova leitura
A ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial atravessa um processo acelerado de fragmentação. O avanço de um “Eixo de Autocracias”, simbolizado pela crescente aproximação entre China, Rússia, Irã e Coreia do Norte, ocorre simultaneamente a uma postura cada vez mais errática dos Estados Unidos em política externa e comercial, marcada pela reintrodução de tarifas elevadas e pelo enfraquecimento de instituições multilaterais tradicionais.
Nesse ambiente, democracias médias passam a enfrentar uma combinação de coerção econômica, protecionismo e perda de coordenação geopolítica, ficando espremidas entre a dependência das grandes potências e a inviabilidade prática de uma autossuficiência plena.
Como alternativa a esse cenário, começar a ver algumas propostas alternativas por entra as lideranças internacionais, como a criação do chamado D7 (7 Democracias) formado inicialmente por Austrália, Canadá, União Europeia, Japão, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Reino Unido, reunindo aproximadamente US$ 36 trilhões em PIB combinado, o equivalente a cerca de 30% da economia global.
A proposta do D7 consiste na construção de uma arquitetura democrática mais flexível, pragmática e operacional, baseada em coalizões variáveis para atuação em áreas estratégicas como comércio, defesa, tecnologia, minerais críticos e investimentos globais.
Entre as iniciativas sugeridas estão uma espécie de “Artigo 5 Econômico” contra coerção comercial, uma aliança tecnológica voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial e computação quântica, além de estratégias coordenadas para reduzir a dependência da China em cadeias críticas de suprimentos. Inspirado no modelo da Coalizão dos Dispostos criada em apoio à Ucrânia, o projeto busca substituir estruturas multilaterais lentas e frequentemente bloqueadas por mecanismos mais ágeis entre democracias dispostas a atuar de forma coordenada.
A mensagem central é clara: o poder econômico, tecnológico e institucional das democracias ainda permanece extremamente relevante, mas falta uma arquitetura política capaz de converter esse potencial em ação coletiva efetiva antes que a fragmentação geopolítica avance de maneira irreversível.
· 05:04 — Nvidia entrega mais um trimestre extraordinário, mas o mercado ainda quer mais
A NVIDIA voltou a entregar um trimestre impressionante, reforçando sua posição como principal símbolo da revolução da inteligência artificial. A companhia reportou receita de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, acima dos US$ 78,9 bilhões esperados pelo mercado, além de lucro ajustado de US$ 1,87 por ação, também superior às projeções.
Foi o 15º trimestre consecutivo de surpresa positiva em receitas e o 14º em lucros, uma sequência praticamente sem precedentes para uma empresa já avaliada em cerca de US$ 5,4 trilhões. Ainda assim, as ações oscilaram no after, refletindo um fenômeno curioso: o mercado parece exigir da Nvidia não apenas crescimento extraordinário, mas resultados cada vez mais próximos da perfeição.
O principal destaque da divulgação foi a continuidade da forte expansão da demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Segundo o CEO Jensen Huang, a “IA autônoma chegou”, impulsionando investimentos agressivos dos grandes hiperescaladores globais, como OpenAI, Google, Meta e Anthropic.
A Nvidia segue posicionada no centro desse ecossistema, fornecendo não apenas GPUs, mas também plataformas completas de computação acelerada, redes e software. A projeção de receita para o próximo trimestre, de US$ 91 bilhões, veio novamente acima do consenso de mercado, enquanto Huang reforçou a expectativa de que os sistemas Blackwell, Rubin e os equipamentos associados possam superar US$ 1 trilhão em vendas até 2027.
Ao mesmo tempo, investidores passaram a monitorar novas avenidas de crescimento, como as CPUs Vera e soluções integradas à cadeia de memória e inferência, áreas que começam a se tornar gargalos críticos na expansão global da IA.
Apesar do desempenho excepcional, a dinâmica recente do setor mostra uma rotação parcial de fluxo dentro do próprio universo de semicondutores. Empresas ligadas a memória, redes e CPUs avançaram ainda mais rapidamente, impulsionadas pelas restrições de oferta criadas pela própria corrida da inteligência artificial. Ainda assim, isso não reduz a relevância estrutural da Nvidia.
Pelo contrário: a companhia continua sendo a principal porta de entrada para a temática, concentrando escala, software proprietário, ecossistema consolidado e relacionamento com praticamente todos os grandes players globais do setor. Além disso, a administração elevou o dividendo trimestral em 2400%, de US$ 0,01 para US$ 0,25, e autorizou US$ 80 bilhões adicionais em recompras de ações, reforçando a confiança na capacidade de geração de caixa e na sustentabilidade do crescimento ao longo dos próximos anos.
No fim das contas, a Nvidia permanece como uma das principais vencedoras estruturais do novo ciclo tecnológico global. Mesmo após anos de forte valorização, a empresa continua crescendo em ritmo significativamente superior ao do mercado, sustentada por uma demanda que ainda parece estar em estágios relativamente iniciais. Para o investidor brasileiro, as BDRs NVDC34 seguem oferecendo uma forma eficiente de capturar essa tendência diretamente pela B3, com exposição a uma companhia que permanece no epicentro da transformação provocada pela inteligência artificial e da próxima geração da infraestrutura digital global.