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Investimentos

Ibovespa hoje: flexibilização no Estreito de Ormuz e resultado ‘impressionante’ da Nvidia entre os destaques do dia

No Brasil, acompanhamos a melhora parcial do humor internacional, com o Ibovespa voltando a superar os 177 mil pontos e recuperando integralmente as perdas acumuladas ao longo da semana.

Por Matheus Spiess

21 maio 2026, 10:36

Atualizado em 21 maio 2026, 11:07

nvidia nvdc34 ia

Imagem: iStock/ @BING-JHEN HONG

Os mercados globais passaram a operar em tom relativamente mais positivo após sinais de flexibilização parcial no Estreito de Ormuz, com o Irã permitindo a passagem de alguns navios e reduzindo temporariamente a pressão sobre a oferta global de petróleo.

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O movimento contribuiu para a queda do Brent, embora a commodity ainda permaneça acima dos US$ 100 por barril, enquanto investidores seguem apostando que Donald Trump tentará evitar uma escalada mais ampla no Oriente Médio diante dos impactos da guerra sobre inflação, juros e popularidade presidencial.

Ainda assim, o ambiente continua extremamente delicado: Teerã mantém ameaças indiretas, Israel pressiona por novas ofensivas militares e o controle iraniano sobre Ormuz segue como um dos principais fatores de risco para os mercados internacionais.

· 00:53 — Entre a tentativa de recuperação do Ibovespa e a crise na oposição

No Brasil, acompanhamos a melhora parcial do humor internacional, com o Ibovespa voltando a superar os 177 mil pontos e recuperando integralmente as perdas acumuladas ao longo da semana.

A queda do petróleo observada ontem acabou pressionando as ações da Petrobras, limitando parte do avanço do índice e criando um ambiente particularmente favorável para estratégias de geração de alfa. Na agenda doméstica, os destaques ficam por conta dos dados de arrecadação federal e da sondagem industrial da CNI, embora ambos tenham repercussão relativamente secundária sobre os mercados neste momento.

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No campo político, investidores seguem acompanhando com atenção a divulgação de novas pesquisas eleitorais entre hoje e amanhã, ainda em meio à digestão da crise envolvendo o principal nome da oposição no momento.

Segundo o jornal O Globo, aliados trabalham internamente com uma janela de 10 a 15 dias para avaliar a resiliência da pré-candidatura. Ainda assim, parece difícil qualquer estabilização do quadro neste estágio, já que os desdobramentos das primeiras notícias divulgadas na semana passada tendem a aparecer de forma mais clara apenas nos próximos dias.

Além disso, novas informações continuam surgindo gradualmente, ampliando a pressão sobre a oposição em um processo que ainda pode se prolongar. Nesse contexto, cresce a possibilidade de discussão em torno de uma eventual substituição da pré-candidatura mais representativa do campo oposicionista, embora o desfecho permaneça incerto.

· 01:43 — Uma abordagem mais dura

A ata da reunião de abril do Federal Reserve revelou um tom significativamente mais duro do que o percebido após a coletiva de imprensa de Jerome Powell, reforçando que uma parcela relevante dos membros do FOMC continua bastante preocupada com a persistência da inflação nos Estados Unidos.

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Além das discussões sobre a retirada do viés de flexibilização monetária do comunicado oficial, a maioria dos dirigentes passou a admitir de forma mais explícita que novas altas de juros podem voltar ao centro do debate caso a inflação permaneça acima da meta de 2%.

O ambiente se tornou ainda mais sensível diante do recente choque do petróleo provocado pela guerra com o Irã, somado ao avanço dos custos de metais, componentes elétricos e às constantes oscilações tarifárias, fatores que continuam pressionando as expectativas inflacionárias e dificultando o processo de desinflação.

O cenário também representa um desafio importante para Kevin Warsh, novo presidente do Fed, que defende uma postura mais favorável a cortes de juros. Embora Warsh tenha sinalizado maior atenção a métricas alternativas de inflação, como a média aparada do núcleo do PCE calculada pelo Fed de Dallas, parte relevante do mercado teme que esses indicadores estejam subestimando os efeitos secundários do choque energético e das tarifas sobre os preços ao consumidor.

No centro das preocupações permanece o receio de repetir os erros observados em 2022, quando a inflação inicialmente tratada como “transitória” acabou exigindo um ciclo agressivo de aperto monetário. Não por acaso, desde a última reunião, os mercados passaram a precificar uma probabilidade de ao menos uma nova alta de juros até o fim de 2026.

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· 02:36 — Uma nova proposta de paz

O Irã afirmou que está avaliando a proposta mais recente de paz enviada pelos Estados Unidos, enquanto ambos os lados tentam evitar uma nova escalada no Oriente Médio. O plano atualmente em discussão prevê, em um primeiro momento, a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerã e o encerramento do bloqueio americano aos portos iranianos, criando espaço para negociações posteriores sobre o programa nuclear do país.

Donald Trump voltou a afirmar que as conversas estariam nos “estágios finais”, embora tenha mantido o tom de ameaça caso não haja um entendimento entre as partes. Paralelamente, China e Rússia intensificaram os apelos por um cessar-fogo imediato, diante do risco crescente de ampliação do conflito.

Apesar da melhora parcial no humor dos mercados, o ambiente segue extremamente delicado. Há um alerta para uma queda recorde nos estoques globais de petróleo, refletindo os impactos prolongados da guerra sobre a oferta de energia. Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária iraniana ameaçou expandir o conflito para além do Oriente Médio caso EUA e Israel retomem os ataques, reacendendo os temores em torno de uma possível escalada militar em uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento global de petróleo e para a estabilidade dos mercados internacionais.

· 03:27 — Na expectativa pelo IPO

A OpenAI se prepara para dar um dos passos mais aguardados de Wall Street ao trabalhar em um pedido confidencial de IPO, possivelmente já nas próximas semanas, em meio à corrida bilionária pela liderança da inteligência artificial.

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Liderada por Sam Altman, a criadora do ChatGPT busca acessar o mercado de capitais para financiar os custos crescentes com chips, data centers e contratação de talentos, enquanto projeta investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura física nos próximos anos.

O movimento ocorre em paralelo aos planos semelhantes da Anthropic, reforçando a percepção de que a disputa pelo domínio da IA ainda está em estágios iniciais. Ao mesmo tempo, investidores começam a monitorar com mais cautela os riscos embutidos nessa nova onda de entusiasmo tecnológico: a forte interdependência entre startups de IA, fundos de venture capital e gigantes como Amazon e Nvidia levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse ecossistema caso as expectativas extremamente elevadas para o setor não se confirmem ao longo dos próximos anos.

· 04:11 — Uma possível nova leitura

A ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial atravessa um processo acelerado de fragmentação. O avanço de um “Eixo de Autocracias”, simbolizado pela crescente aproximação entre China, Rússia, Irã e Coreia do Norte, ocorre simultaneamente a uma postura cada vez mais errática dos Estados Unidos em política externa e comercial, marcada pela reintrodução de tarifas elevadas e pelo enfraquecimento de instituições multilaterais tradicionais.

Nesse ambiente, democracias médias passam a enfrentar uma combinação de coerção econômica, protecionismo e perda de coordenação geopolítica, ficando espremidas entre a dependência das grandes potências e a inviabilidade prática de uma autossuficiência plena.

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Como alternativa a esse cenário, começar a ver algumas propostas alternativas por entra as lideranças internacionais, como a criação do chamado D7 (7 Democracias) formado inicialmente por Austrália, Canadá, União Europeia, Japão, Nova Zelândia, Coreia do Sul e Reino Unido, reunindo aproximadamente US$ 36 trilhões em PIB combinado, o equivalente a cerca de 30% da economia global.

A proposta do D7 consiste na construção de uma arquitetura democrática mais flexível, pragmática e operacional, baseada em coalizões variáveis para atuação em áreas estratégicas como comércio, defesa, tecnologia, minerais críticos e investimentos globais.

Entre as iniciativas sugeridas estão uma espécie de “Artigo 5 Econômico” contra coerção comercial, uma aliança tecnológica voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial e computação quântica, além de estratégias coordenadas para reduzir a dependência da China em cadeias críticas de suprimentos. Inspirado no modelo da Coalizão dos Dispostos criada em apoio à Ucrânia, o projeto busca substituir estruturas multilaterais lentas e frequentemente bloqueadas por mecanismos mais ágeis entre democracias dispostas a atuar de forma coordenada.

A mensagem central é clara: o poder econômico, tecnológico e institucional das democracias ainda permanece extremamente relevante, mas falta uma arquitetura política capaz de converter esse potencial em ação coletiva efetiva antes que a fragmentação geopolítica avance de maneira irreversível.

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· 05:04 — Nvidia entrega mais um trimestre extraordinário, mas o mercado ainda quer mais

A NVIDIA voltou a entregar um trimestre impressionante, reforçando sua posição como principal símbolo da revolução da inteligência artificial. A companhia reportou receita de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027, acima dos US$ 78,9 bilhões esperados pelo mercado, além de lucro ajustado de US$ 1,87 por ação, também superior às projeções.

Foi o 15º trimestre consecutivo de surpresa positiva em receitas e o 14º em lucros, uma sequência praticamente sem precedentes para uma empresa já avaliada em cerca de US$ 5,4 trilhões. Ainda assim, as ações oscilaram no after, refletindo um fenômeno curioso: o mercado parece exigir da Nvidia não apenas crescimento extraordinário, mas resultados cada vez mais próximos da perfeição.

O principal destaque da divulgação foi a continuidade da forte expansão da demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial. Segundo o CEO Jensen Huang, a “IA autônoma chegou”, impulsionando investimentos agressivos dos grandes hiperescaladores globais, como OpenAI, Google, Meta e Anthropic.

A Nvidia segue posicionada no centro desse ecossistema, fornecendo não apenas GPUs, mas também plataformas completas de computação acelerada, redes e software. A projeção de receita para o próximo trimestre, de US$ 91 bilhões, veio novamente acima do consenso de mercado, enquanto Huang reforçou a expectativa de que os sistemas Blackwell, Rubin e os equipamentos associados possam superar US$ 1 trilhão em vendas até 2027.

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Ao mesmo tempo, investidores passaram a monitorar novas avenidas de crescimento, como as CPUs Vera e soluções integradas à cadeia de memória e inferência, áreas que começam a se tornar gargalos críticos na expansão global da IA.

Apesar do desempenho excepcional, a dinâmica recente do setor mostra uma rotação parcial de fluxo dentro do próprio universo de semicondutores. Empresas ligadas a memória, redes e CPUs avançaram ainda mais rapidamente, impulsionadas pelas restrições de oferta criadas pela própria corrida da inteligência artificial. Ainda assim, isso não reduz a relevância estrutural da Nvidia.

Pelo contrário: a companhia continua sendo a principal porta de entrada para a temática, concentrando escala, software proprietário, ecossistema consolidado e relacionamento com praticamente todos os grandes players globais do setor. Além disso, a administração elevou o dividendo trimestral em 2400%, de US$ 0,01 para US$ 0,25, e autorizou US$ 80 bilhões adicionais em recompras de ações, reforçando a confiança na capacidade de geração de caixa e na sustentabilidade do crescimento ao longo dos próximos anos.

No fim das contas, a Nvidia permanece como uma das principais vencedoras estruturais do novo ciclo tecnológico global. Mesmo após anos de forte valorização, a empresa continua crescendo em ritmo significativamente superior ao do mercado, sustentada por uma demanda que ainda parece estar em estágios relativamente iniciais. Para o investidor brasileiro, as BDRs NVDC34 seguem oferecendo uma forma eficiente de capturar essa tendência diretamente pela B3, com exposição a uma companhia que permanece no epicentro da transformação provocada pela inteligência artificial e da próxima geração da infraestrutura digital global.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.