Eu juro que é racional não ser o normal

Investir como um louco (eufórico ou paranoico, mas principalmente paranoico) pode ser muito racional, segundo a Overton Window.

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Eu juro que é racional não ser o normal

No Day One de hoje, prometo que vou mentir pela última vez.

E que a frase anterior foi justamente minha última mentira nesta vida.

De agora em diante, falarei apenas a verdade.

Como fruto de nossas conversas recentes sobre marcianos versus financistas, o leitor Gabriel M. me mandou uma dúvida:

“Rodolfo, como é que eu sei que uma mentira é de fato sincera”?

Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares, na cabeça de todos os investidores que abominam o consenso de mercado.

Meu caro Gabriel, para saber que se trata mesmo de uma mentira sincera, você tem que olhar pela janela.

Mas não por qualquer janela.

Você tem que olhar pela Overton Window, tal como definida pelo engenheiro elétrico Joseph Overton.

Ela nos diz o seguinte:

Investir como um louco (eufórico ou paranoico, mas principalmente paranoico) pode ser muito racional.

À medida que você vira a cabeça para os extremos, entram em seu espectro de visão as ideias sensatas, aceitáveis e radicais, até chegar nas inimagináveis.

Se você vira rumo à extrema esquerda, percorre ideias “bearish” (O Fim do Brasil, por exemplo, era inimaginável quando originalmente publicada por nós).

Se você vira rumo à extrema direita, percorre ideias “bullish” (A Virada de Mão era também inimaginável quando publicada por nós).

Ao perder uma ideia bullish inimaginável, você deixa de ganhar dinheiro.

Ao perder uma ideia bearish inimaginável, você deixa de ganhar dinheiro e pode também quebrar.

Logo, como eu disse, investir como um paranoico tende a ser melhor do que investir como um eufórico.

No meio do seu campo de visão, encontram-se apenas as ideias populares, pertencentes ao senso comum, que no contexto financeiro formam o consenso de mercado.

Essas ideias centrais não valem mais nada, apodreceram; o tempo delas já passou.

No entanto, ironicamente, as ideias extremas que mais valem são aquelas que um dia se tornarão centrais.

Quando publicamos a tese O Fim do Brasil, fomos chamados de terroristas e difamadores da Pátria Mãe.

Doze meses depois, a economia brasileira já exibia indicadores macro e financeiros consideravelmente piores que os aventados em nossa tese.

Exemplo: falamos em queda do PIB de -1,5% em 2015 quando o Focus previa alta de 1,8%; a retração real, de -3,8%, foi a maior da série histórica atual do IBGE, iniciada em 1996.

Chamando atenção para extremos inimagináveis, a Empiricus quer ajudá-lo a se proteger e a enriquecer. Nosso foco está em você, o investidor individual.

Contudo, também usamos a janela de Overton em prol de uma função de bem-estar social, propagando nossas ideias malucas junto a um grande público, como esta da Bomba de 10,37 bilhões de reais que a Dilma nos deixou.

Quando várias pessoas entram em contato com uma tese inimaginável, mesmo que rejeitada em primeira mão, aquilo que antes parecia loucura começa a ficar um pouquinho mais palatável.

Sim, só um pouquinho, mas não ligo que seja só um pouquinho.

Se pudermos mover a cabeça dos nossos leitores um centímetro para a esquerda ou para a direita, já teremos cumprido o nosso papel.

Isso não serve apenas para a Empiricus.

O mercado tem que falar de privatização da Petrobras para que o Parente consiga vender meia dúzia de plantas de fertilizantes e de biodiesel.

O mercado tem que falar da BRF como “distressed asset” para que o Conselho encontre uma via pacífica (sempre o Parente!) e dê a devida atenção à estrutura de funding.

O Felipe até brincou comigo ontem, virando minha cabeça para a extrema direita: “Dorfo, você notou a perfeita assonância de ‘Parente para Presidente’?”