Não esquecer de colocar o título

Adoramos escrever e gravar vídeos que lhe ensinem como investir melhor. Mas nada disso substitui sua principal fonte de aprendizado: você mesmo, abrindo conta em […]

Adoramos escrever e gravar vídeos que lhe ensinem como investir melhor.

Mas nada disso substitui sua principal fonte de aprendizado: você mesmo, abrindo conta em uma corretora e efetivamente aplicando uma quantia em renda fixa, ações ou fundos imobiliários.

Você é insubstituível.

Fique tranquilo, isto aqui não é uma newsletter merda de autoajuda.

Mas talvez seja uma newsletter de filosofia por alguém que entende picas de filosofia – o que já é um tanto melhor, ou menos pior.

Em seu “Tractatus”, Wittgenstein nos mostrou algo bem interessante: várias (infinitas) coisas da vida não podem ser devidamente definidas dentro do arcabouço da linguagem.

“Aquilo que pode ser mostrado não pode ser dito.”

O problema aí é que palavras criam fronteiras bastante estritas.

“A tendência de todas as pessoas que tentaram escrever ou falar sobre Ética e Religião sempre foi a de correr na direção das fronteiras da linguagem. Essa corrida na direção das paredes de nossa jaula é perfeitamente sem esperança.”

O que Wittgenstein chama de Ética aqui diz respeito ao próprio significado da vida. Ou seja, algo que não pode ser definido nem mesmo pelo método científico.

Qualquer questão ética precisa ser mostrada, pensada ou sentida – e nada mais.

Por corolário, o mesmo vale para o significado de investir ou de enriquecer. A linguagem não basta para explicar esse significado a você, e pode, inclusive, enganá-lo (você achou mesmo que eu tinha esquecido do título?).

Por mais didáticos que sejam os vídeos da Luciana e por mais engraçados que sejam os memes do Felipe, as fronteiras estão sempre lá.

Devo reconhecer que tentamos esticá-las o máximo possível. Usamos nossa criatividade para distanciar as paredes, abrir um pouco mais de espaço em nosso perímetro limitado, respirar oxigênio novo. Mas é isso. Não há como derrubar essas paredes.

CVM, fique tranquila, pois já somos, inerentemente, regulados por Wittgenstein.

Você que é também filósofo, engenheiro ou veterinário só vai sentir o que é investir se o fizer por conta própria, experimentando a ansiedade, a paciência, a ganância e o medo.

Nós temos o compromisso de levá-lo até a fronteira e de fazer pezinho para você pular.

Quem pula a parede é você.

Eu bem que gostaria de lhe mostrar como é do outro lado, mas este texto acaba aqui, como não poderia deixar de ser.

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