Prefiro minha vida de lobisomem

O Tesouro Nacional fechou nesta semana uma captação soberana de US$ 3 bilhões na gringa.

O Tesouro Nacional fechou nesta semana uma captação soberana de US$ 3 bilhões na gringa.

Foram duas operações, com papéis de 10 anos e de 30 anos.

No primeiro caso (Global 2029), a demanda foi de 5 vezes a oferta.

No segundo caso (Global 2050), a demanda foi de 3 vezes a oferta.

Proporcionalmente ao duration, foram as menores taxas desde 2012, quando o Brasil ainda era grau de investimento.

Embora eu continue querendo ser John Malkovich quando faço aniversário, não ligo mais para virar "investment grade".

De verdade.

Até prefiro não ser grau de investimento, na real. E não por birra.

O que significa, hoje, ser grau de investimento?

É a zona de acomodação da economia global.

É taxa zero de juros.

Aquilo que Ray Dalio chamou de "mad world" e "broken system" em seu último post no LinkedIn.

É o sujeito em crise de meia-idade que faz piada de tiozão.

Em suma, "investment grade" hoje é muito a perder e pouco a ganhar.

Prefiro mil vezes nosso grau especulativo, aquilo que nos destaca perante o mundo, que faz com que o Brasil seja a primeira bolachona faminta do pacote de Trakinas, e não o último bombonzinho enjoado da caixa de Godiva.

Porque, em investimentos, às vezes é preferível ser o melhor aluno da pior classe a ser o pior aluno da melhor classe.

Os jovens transviados — que oferecem yields positivos — de repente voltam a fazer sucesso.

"Here's to the crazy ones, the misfits, the rebels, the troublemakers, the round pegs in the square holes."

Aliás, a velha transviada Petrobras também faz sucesso, apesar do que dizem por aí sobre o fracasso do leilão de ontem.

Petro tomou quase tudo, e os campos são acretivos para a empresa.  

Se isso significa um fracasso do leilão (não sei se significa), pior para o leilão.

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