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BMOB3: Conheça a Bemobi, a “Netflix” de aplicativos que abriu seu capital

Em entrevista para o Podcast Tela Azul da Empiricus, Pedro Ripper, CEO da Bemobi, conta sobre o processo de IPO e fala sobre sua trajetória no mundo dos aplicativos, e a evolução deste mercado.

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Data de publicação
28 de abril de 2021
Categoria
Tela Azul

A Bemobi é a mais nova empresa de tecnologia a abrir seu capital. A ideia inovadora por trás do negócio chama a atenção de muitos investidores que agora podem se tornar sócios da companhia de aplicativos, fazendo ela crescer ainda mais. Para falar sobre o potencial de expansão da empresa, a equipe do Tela Azul, o podcast sobre tecnologia da Empiricus, recebeu Pedro Ripper, CEO da Bemobi. 

O serviço oferecido pela empresa funciona como uma espécie de “Netflix” de aplicativos. Hoje a quantidade de aplicativos atraentes, mas pagos, é enorme. Com certeza você já deixou de instalar algum por causa do preço, ou por já estar pagando por outros. A ideia por trás da Bemobi é criar uma plataforma com acesso a uma diversidade de aplicativos e jogos por um valor único de contratação. Semelhante ao que a Netflix fez, deixando as locadoras de filmes online para trás.

A contratação é feita por operadoras telefônicas. Quem não se lembra das propagandas de pacote de conteúdos personalizados, contratados pelas operadoras móveis? Notícias, dicas e muito mais apenas enviando uma palavra por SMS. Mas esse método está voltando, e com propostas totalmente novas!

O surgimento deste modelo foi criado com o objetivo de facilitar o acesso de todos à aplicativos pagos. A empresa presta este serviço para as operadoras móveis, que por sua vez oferecem a plataforma para os usuários de smartphones ou tablets. A fórmula deu certo, e atualmente a empresa oferece suporte para mais de 65 operadoras telefônicas, em mais de 35 países.

A grande novidade aqui, é que a empresa fez um IPO, ou seja, abriu seu capital e distribuiu suas ações na bolsa de valores. O ticker da empresa, nome da ação, é BMOBI3 e já é negociada na B3. Agora qualquer investidor pode embarcar nessa ideia inovadora. Pedro Ripper contou sobre o começo de tudo, e como estão suas expectativas para o futuro. Junto com André Franco, Richard Camargo e Vinícius Bazan, o CEO da empresa está no 29 episódio do Podcast Tela Azul da Empiricus. O bate papo explora de forma aprofundada sobre esse mercado de aplicativos e comenta sobre como será daqui pra frente.

O que faz a Bemobi?

“Todo mundo nos países emergentes, no qual o Brasil faz parte, já tinha um smartphone em suas mãos, ou seja, a penetração de smartphones começou a passar de 90% mesmo em países em desenvolvimento. Mas o preço dos aplicativos pagos, ou as “moedinhas”, normalmente são precificados de maneira global. Então o que é, muitas vezes de fácil acesso para o usuário no país de renda mais alta, acaba sendo considerado muito caro para o país em desenvolvimento.” Explica Pedro Ripper.

O CEO da Bemobi comenta sobre alguns problemas que a Bemobi busca solucionar nesse mundo dos aplicativos pagos. Um deles é a precificação mais justa para países em desenvolvimento, como o Brasil. 

Outra solução que encontraram foi para um problema que o mercado de aplicativos enfrenta constantemente, o método de pagamento. Segundo Pedro, o cartão de crédito cria uma barreira de monetização. Isso porque a maioria dos usuários que faziam o download de aplicativos ou jogos, não costumavam comprar ou pagar pelo serviço, mas sim adquirir o pacote da versão gratuita.

“A solução que a gente arrumou para isso foi tentar um modelo diferente, ou seja, a gente empacota centenas de aplicativos e jogos em um modelo de uso ilimitado, com tudo liberado, a um ticket bem baixo e sem a necessidade de cartão de crédito”.

A cobrança do serviço é feita direto na operadora. A empresa costuma trabalhar com pré-pagos para que possam abranger todos os usuários. Porém essa ideia não é de hoje. Pedro Ripper comenta mais um pouco sobre a evolução desse tipo de serviço. O engenheiro lembra que em 2009 era comum assinarem serviços de “ringtones”, conteúdos informativos e outros conteúdos por meio de operadoras móveis. Esses conteúdos eram mais acessíveis financeiramente naquela época.

Esse foi o “gênesis” da internet em smartphones, e trouxe muito do que usamos hoje. Porém com o passar do tempo esse tipo de conteúdo começou a ser distribuído por outras plataformas como a “Apple store”. A grande mudança sistêmica veio após o surgimento das redes 3G e do primeiro iPhone. Com a entrada da rede de dados, o mercado mudou de mãos.

“O centro de gravidade deixou de ser as operadoras , e passou a ser o dono das grandes plataformas móveis. Uma criou ao redor do Iphone: a “Apple store”, e o Google, depois que comprou o sistema operacional Android, desenvolveu a “Play store e criaram-se dois grandes ecossistemas.”

Pedro conta que viu vantagem nessa mudança, mas tinha foco apenas nos segmentos mais maduros. Somente os que realmente eram usuários mais afluentes e que não teriam problema de pagar pelos serviços usavam o cartão de crédito para adquiri-los, e isso foi se intensificando mais ainda com o tempo.

A ideia da Bemobi é justamente oferecer serviços de qualidade por um preço acessível, e faz isso juntando conceitos dessa época com conceitos modernos. A criação dessa plataforma semelhante à “Netflix”, mas de aplicativos, faz sucesso atualmente no mercado.

E afinal, abriram o capital

As ações da Bemobi começaram a ser negociadas na B3 no dia 10 de fevereiro, com o ticker BMOB3. O processo de IPO já mostrou resultados positivos para a empresa.

“O IPO para a gente foi um marco bastante grande. A gente de certa forma capitalizou bem a Bemobi, a empresa tem zero dívidas.”

Pedro comenta que do ponto de vista do investidor da BMOB3 é razoável esperar duas coisas: “Primeiro que a gente vai manter o crescimento orgânico de maneira consistente, o que a gente vem fazendo nos últimos anos”, e segundo sobre como o mercado interessado é bem vasto e a empresa ainda é “sub penetrada” tendo bastante “pista para crescer”.

A abertura do capital de uma empresa é um processo de captação de dinheiro. A empresa faz uma oferta pública inicial, ou em inglês “Initial Public Offering” (IPO) na qual vende uma fatia do seu negócio na forma de ações para os investidores. Após o IPO, as ações passam a ser negociadas em bolsa.

Pedro fala sobre a grande quantidade de empresas “Techs” fazendo o IPO, como Localweb e Meliuz. Segundo ele, é sinal de que os tempos estão mudando: “Sem a menor dúvida o mercado de Tech está aberto agora no mercado de capitais”, Pedro conclui dizendo que para ele, que está neste mercado a vida inteira, é “um privilégio estar vivendo uma etapa em que isso seja possível.”

As chamadas “Big Techs” são as grandes empresas de tecnologia, como Google, Facebook ou Netflix. Geralmente começam como uma “startup”, como no caso da Bemobi, e crescem exponencialmente no mercado. A grande chama que mantém as “Big Tech” acesas são o caráter inovador.

O Podcast da Empiricus, Tela Azul, traz essa conversa de maneira leve e descontraída. Muito sobre as “Big techs”, o mercado de aplicativos e o IPO da Bemobi é discutido e explicado por Pedro Ripper.