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Investimentos

Ibovespa na semana: incertezas geopolíticas, ata do Copom, temporada de resultados e mais destaques

Ibovespa inicia semana aos 187,3 mil pontos, alta de 16% no ano até aqui

Por Matheus Spiess

04 maio 2026, 09:39

Atualizado em 04 maio 2026, 09:50

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Os mercados globais iniciam a semana em tom misto, refletindo tanto o rali recente em Wall Street quanto as incertezas no front geopolítico. As negociações entre EUA e Irã seguem marcadas por sinais contraditórios: enquanto Teerã apresentou uma nova proposta de acordo envolvendo o Estreito de Ormuz, Donald Trump demonstrou insatisfação com os termos, mantendo o impasse.

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Ao mesmo tempo, os EUA anunciaram o “Projeto Liberdade” para facilitar a navegação na região, sem envolvimento direto da Marinha, o que ampliou as dúvidas sobre sua eficácia e elevou o risco de escalada. O petróleo oscilou diante dessas incertezas, mas se mantém acima da de US$ 100 por barril, enquanto os investidores tentam equilibrar a expectativa de alívio com o risco de interrupções prolongadas na oferta. 

· 00:56 — Na expectativa por algum detalhamento

No Brasil, um dos principais destaques da semana é a divulgação da ata da última reunião do Banco Central, prevista para amanhã. A possibilidade de o Copom acelerar o ritmo de cortes da Selic tem se tornado cada vez mais remota, com os bancos revisando suas projeções de forma mais conservadora e já podendo eventualmente considerar a chance de uma pausa no ciclo, a depender da evolução do cenário.

O documento deverá detalhar o racional da decisão divulgada na semana passada e contribuir para calibrar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária, especialmente diante das novas pressões inflacionárias vindas da energia.

Antes disso, vale um catch-up: o Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 1,39%, aos 187.318 pontos, impulsionado pela recuperação da Vale após a queda do dia anterior. Na sexta-feira, durante o feriado no Brasil, o EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, recuou 0,68%, pressionado pelas ADRs da Petrobras.

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Além disso, a temporada de resultados ganha tração com a divulgação dos balanços de grandes bancos, ao mesmo tempo em que indicadores como a produção industrial de março e a balança comercial de abril entram no radar.

Por fim, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, participa hoje do programa Roda Viva, da TV Cultura, às 22h, após anunciar, nesta segunda-feira, o Novo Desenrola Brasil, pacote de medidas voltado à renegociação de dívidas e à redução do nível de endividamento das famílias.

· 01:41 — Semana importante

Lá fora, a semana começou com o aumento das tensões entre EUA e Europa, após o anúncio de tarifas de 25% sobre veículos europeus, medida que deve afetar sobretudo a Alemanha, além da decisão de retirar parte das tropas americanas do país.

Ainda assim, os indicadores econômicos seguem mostrando alguma resiliência: o PMI industrial permaneceu em 52,7 nos EUA e avançou para 52,2 na zona do euro. Nesse contexto, a atenção do mercado se volta para o payroll de abril e para as falas de dirigentes do Fed, em um momento de transição na liderança da instituição, com a saída iminente de Jerome Powell.

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Em paralelo, a temporada de balanços continua intensa, com grandes empresas de tecnologia e consumo divulgando resultados que ajudarão a calibrar a leitura sobre a saúde do consumidor americano. Outros indicadores como o PMI de serviços e o índice de confiança do consumidor também estão na agenda e serão importantes para avaliar os próximos passos da economia, especialmente em um ambiente de juros elevados e incertezas geopolíticas.

· 02:32 — Acelerando investimentos

A aceleração dos investimentos em inteligência artificial pelas grandes empresas de tecnologia tem impulsionado a demanda por infraestrutura energética e beneficiado companhias inseridas nesse ecossistema.

No primeiro trimestre, Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet somaram US$ 131 bilhões em gastos com data centers voltados à IA, sinalizando uma retomada mais intensa desse ciclo de investimentos. Esse movimento favorece produtores de energia, incluindo fontes nuclear e a gás, e empresas de infraestrutura, como a Quanta Services, que vem se destacando tanto pelo crescimento de resultados quanto pela valorização de suas ações, além de realizar investimentos relevantes para ampliar sua capacidade produtiva, em linha com a crescente necessidade de eletricidade para sustentar a expansão da IA.

Ao mesmo tempo, as projeções sugerem que esse ciclo ainda está em estágio inicial, com expectativa de mais de US$ 700 bilhões em despesas de capital por parte dessas empresas em 2026. Ainda assim, o mercado tem demonstrado maior cautela em relação à Nvidia, cujas ações recuaram após a divulgação dos resultados, refletindo a percepção de que o foco dos hiperescaladores pode estar se deslocando, ao menos temporariamente, do acúmulo de GPUs para outros componentes, como memória e infraestrutura proprietária.

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Apesar desse ajuste de expectativas, o quadro geral permanece construtivo: a evolução do ecossistema de IA tende a expandir, e não substituir, a demanda pelos principais fornecedores, evidenciando a amplitude e a complexidade desse novo ciclo de investimento tecnológico.

· 03:28 — Duplo bloqueio em sua terceira semana

O Estreito de Ormuz segue sob um duplo bloqueio imposto por EUA e Irã, mesmo após um cessar-fogo parcial que suspendeu os ataques terrestres, mas manteve as tensões elevadas no mar. A restrição ao fluxo de petróleo já começa a se refletir nos mercados, com expectativas de preços mais altos e efeitos prolongados, embora os investidores ainda não tenham reagido de forma mais aguda.

Há a percepção de que o bloqueio pressiona economicamente o Irã — ao reduzir exportações, limitar a capacidade de armazenamento e estimular a fuga de capitais — ao mesmo tempo em que aumenta a probabilidade de uma solução negociada.

Apesar do cenário tenso, os mercados financeiros globais têm demonstrado resiliência, apoiados por dados econômicos e resultados corporativos positivos nos EUA, o que contribui para conter a volatilidade. Ainda assim, os impactos não são homogêneos: enquanto os ativos americanos se recuperam, a Europa sofre mais, refletindo sua maior dependência dessa rota estratégica.

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Em paralelo, as propostas dos EUA para escoltar navios na região geram incertezas operacionais e ampliam o risco de escalada, mostrando que, embora o impasse continue, sua evolução ainda está cercada de dúvidas e potenciais desdobramentos relevantes.

    · 04:15 — Abertura chinesa

    A China anunciou a eliminação de tarifas de importação para 53 países africanos, em uma iniciativa cujo peso simbólico tende a ser maior do que o impacto econômico imediato. A medida reforça a estratégia chinesa de se apresentar como defensora do livre comércio, em contraste com a postura mais protecionista dos EUA, ao mesmo tempo em que aprofunda uma relação já marcada pela exportação de matérias-primas africanas, como cobre e cobalto, e pela dominância da China no processamento desses insumos. A exclusão de Eswatini, único país africano que reconhece Taiwan, também evidencia o componente geopolítico da decisão.

    Em paralelo, a tensão no setor automotivo global segue aumentando. Enquanto os veículos elétricos chineses avançam rapidamente em mercados como Europa, Sudeste Asiático, África e América Latina, os EUA permanecem praticamente fechados a essa concorrência, com tarifas de até 100% e restrições regulatórias que tornam inviável sua entrada em escala relevante.

    Esse movimento ocorre após anos de uma estratégia industrial chinesa voltada ao desenvolvimento de veículos elétricos, hoje altamente competitivos em tecnologia e custo, e reacende um debate importante sobre competitividade em um setor no qual a vantagem parece depender cada vez mais da velocidade de inovação, e não apenas do tamanho das empresas.

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    · 05:01 — Apple entrega mais um trimestre forte, com iPhone em alta e avanço de margens

    A Apple encerrou o trimestre com resultados acima das expectativas, reforçando a robustez de sua operação mesmo em um ambiente mais desafiador. A companhia reportou lucro por ação de US$ 2,01 sobre uma receita de US$ 111,2 bilhões, superando o consenso de mercado.

    O principal destaque foi o iPhone, com vendas de aproximadamente US$ 57 bilhões, crescimento de quase 22% na comparação anual, além da retomada de desempenho na China, onde a receita atingiu US$ 20,5 bilhões. Observou-se também expansão de margens, com a margem bruta de produtos avançando 2,8 pontos percentuais, evidenciando eficiência operacional mesmo diante de pressões de custos.

    Para além do hardware, o segmento de Serviços segue como um dos pilares centrais da tese, alcançando receita de US$ 31 bilhões e contribuindo para maior previsibilidade e rentabilidade do negócio. Outras linhas, como Mac, iPad e wearables, também apresentaram evolução positiva, somando US$ 23,2 bilhões (+6% a/a). No campo financeiro, a empresa reforçou sua política de retorno ao acionista, com a adição de US$ 100 bilhões ao programa de recompra de ações e aumento de 4% nos dividendos, além de encerrar o trimestre com US$ 62 bilhões em caixa líquido. A transição de liderança, com Tim Cook deixando o cargo e John Ternus assumindo, ocorre em um momento de operação sólida e continuidade estratégica.

    Do ponto de vista de investimento, o conjunto de resultados reafirma a Apple como um ativo central na economia digital, ao combinar escala global, forte geração de caixa e múltiplas avenidas de crescimento, tanto em hardware quanto em serviços. A resiliência operacional, aliada à capacidade de inovação e à disciplina na alocação de capital, sustenta a consistência da tese no longo prazo. Para o investidor brasileiro, essa exposição pode ser acessada de forma eficiente por meio das BDRs AAPL34, que seguem como um veículo relevante para capturar a continuidade dessa trajetória de crescimento e geração de valor.

    Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.