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Mercado em 5 minutos

Ibovespa hoje: empresa de IA eleva mercados e dólar sobe; o que pesa sobre a bolsa brasileira nesta quinta (25)?

Mercados ao redor do mundo voltaram a subir após a recuperação do setor de tecnologia impulsionado especialmente por duas empresas; veja quais.

Por Matheus Spiess

25 jun 2026, 10:19

Atualizado em 25 jun 2026, 10:19

dinheiro investimentos mercados ibovespa ações

Imagem: iStock/ @Dusan Stankovic

Os mercados globais voltaram a operar em alta, impulsionados pela recuperação do setor de tecnologia após os resultados expressivos da Micron e as projeções fortes da Qualcomm, que reacenderam o entusiasmo em torno da inteligência artificial.

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O movimento ajudou os futuros do Nasdaq 100 a avançarem, impulsionou as bolsas asiáticas e sustentou ganhos em ações europeias de tecnologia, como Infineon, STMicroelectronics e ASML. Ainda assim, o caso da Nvidia serve de alerta: estar no centro da tese de IA também transforma a empresa em alvo, especialmente em um momento em que grandes clientes, como Microsoft, Alphabet e outras big techs, buscam controlar seus gastos e reduzir a dependência de fornecedores externos.

Além da tecnologia, os investidores seguem atentos ao PCE de maio nos Estados Unidos, principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed. O petróleo, por sua vez, recuou para níveis anteriores ao conflito entre EUA e Irã, refletindo a retomada gradual do fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, embora os preços dos combustíveis ao consumidor ainda permaneçam acima dos patamares pré-guerra.

· 00:53 — Precisa se explicar

No Brasil, o Ibovespa fechou ontem em queda de 0,44%, aos 170.507 pontos, pressionado principalmente por Petrobras e Vale, em um dia marcado pela forte queda do petróleo e pela continuidade das incertezas em torno da política monetária. No câmbio, o dólar voltou a subir e encerrou a sessão a R$ 5,20, no maior patamar desde março, ainda repercutindo a ata do Copom e a percepção de que o Banco Central reconheceu a piora do quadro inflacionário, mas manteve aberta a possibilidade de continuidade dos cortes de juros.

A bolsa também segue pressionada pela saída de capital estrangeiro, com fluxo negativo de quase R$ 6,5 bilhões em junho até o dia 22, embora o saldo acumulado no ano ainda seja positivo em cerca de R$ 35,2 bilhões.

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A agenda doméstica teve como destaque a inflação e o Relatório de Política Monetária do Banco Central, ambos divulgados na manhã de hoje. O IPCA-15 de junho desacelerou para 0,41%, abaixo do consenso de 0,44% e dos 0,62% registrados em maio, com surpresa baixista em alimentos e serviços subjacentes, além de melhora no qualitativo dos núcleos.

Vale notar, entretanto, que houve aceleração para 4,80% em 12 meses, sinalizando que a inflação ainda pode ganhar tração nos próximos meses. O RPM, por sua vez, trouxe um diagnóstico cauteloso: a atividade econômica acelerou, o mercado de trabalho segue resiliente, a inflação ao consumidor superou o limite superior da meta e as expectativas registraram desancoragem adicional.

Nas projeções do cenário de referência, a inflação sobe até o fim de 2026, permanece por mais de dois trimestres acima do teto do intervalo de tolerância e só volta a cair em 2027, com projeção de 3,7% no horizonte relevante de política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027.

O destaque ficou para a projeção de inflação no primeiro trimestre de 2028, estimada em 3,2%, e não abaixo da meta de 3%, como o comunicado da semana passada parecia indicar (ou a meta não é 3%, o que seria ruim). Isso sugere que o BC está trabalhando com um cenário alternativo que ainda precisa ser melhor esclarecido. Resta ver se a coletiva de Gabriel Galípolo, marcada para hoje para comentar o relatório, ajudará a elucidar essa questão.

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· 01:49 — Micron reacende a tese de IA

O setor de tecnologia voltou a ganhar tração depois que a Micron interrompeu a recente onda de vendas em semicondutores com resultados muito acima das expectativas e uma perspectiva que reforçou a narrativa em torno da inteligência artificial. O desempenho reacendeu o otimismo com a demanda por chips de memória e armazenamento usados em data centers, em um contexto de escassez de oferta e alta de preços, ajudando os futuros do Nasdaq 100 a avançarem mais de 2% e recolocando a Micron no centro da tese de infraestrutura de IA.

Ao mesmo tempo, a tecnologia continua ganhando peso em índices tradicionais, com a entrada da Alphabet no Dow Jones Industrial Average, movimento que consolida a transformação de um índice historicamente industrial em uma referência cada vez mais exposta às grandes empresas digitais.

Com Microsoft, Apple, Amazon, Nvidia, Salesforce e outras companhias já presentes, quase um terço do Dow passa a estar relacionado ao setor de tecnologia. Como o índice é ponderado pelo preço das ações, e não pelo valor de mercado das empresas, a Alphabet deve estrear com participação relevante, próxima de 5%, tornando-se rapidamente uma das companhias mais influentes em sua composição.

No setor financeiro, os testes de estresse do Fed mostraram que os 32 maiores bancos dos EUA teriam capital suficiente para absorver US$ 708 bilhões em perdas mesmo em cenários severos, reforçando a percepção de solidez do sistema e abrindo espaço para anúncios de dividendos e recompras por JPMorgan, Wells Fargo, Goldman Sachs e Morgan Stanley. Ainda assim, o foco do mercado permanece no PCE, principal medida de inflação acompanhada pelo Fed. Os dados de consumo vieram abaixo do esperado, contribuindo para uma descompressão dos juros de mercado.

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· 02:37 — Mais sinais de paz

A queda do Brent para níveis anteriores ao início da guerra entre EUA e Irã reforça a percepção de que o risco geopolítico perdeu intensidade no mercado de petróleo, em um movimento no qual a narrativa passou rapidamente de escassez para excesso de oferta em algumas regiões. A melhora do sentimento foi impulsionada pelo avanço das negociações de paz, pela normalização do tráfego no Estreito de Ormuz e pelo aumento da oferta proveniente do Oriente Médio e da África, fatores que contribuíram para a queda dos preços e aliviaram parte das pressões inflacionárias globais.

Ainda assim, o processo diplomático permanece incompleto: a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) deve realizar inspeções no Irã, mas Teerã ainda condiciona o acesso pleno às instalações nucleares e ao material sensível a um acordo final com Washington e a medidas concretas de suspensão das sanções americanas.

· 03:24 — Monitorando uma ameaça

A ameaça de um possível “super El Niño”, como já comentamos anteriormente neste espaço, começa a ganhar espaço no radar dos mercados, diante do risco de impactos relevantes sobre a produção global de alimentos e sobre os preços das commodities agrícolas.

A Moreton Capital Partners, por exemplo, busca captar US$ 500 milhões para um fundo voltado à negociação de ativos como milho da África do Sul, óleo de palma da Malásia e trigo da Austrália, com base na tese de que os mercados ainda subestimam os efeitos do fenômeno climático. Com riscos associados ao atraso das monções na Índia, ao aumento dos custos de fertilizantes e combustíveis em meio ao conflito envolvendo o Irã e à intensificação do aquecimento global, cresce a percepção de que o equilíbrio global de alimentos pode passar por uma reconfiguração relevante.

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· 04:12 — Impacto direto

A Índia foi uma das principais vítimas colaterais do conflito envolvendo o Irã, em razão de sua dependência de energia importada, de sua proximidade com a zona de tensão e de um momento já sensível para seus ativos, que vinham sendo reavaliados de forma mais cautelosa por investidores estrangeiros.

O impacto apareceu, sobretudo, na forte deterioração da avaliação relativa do mercado acionário indiano e na saída expressiva de capital externo, apesar de a economia ainda apresentar fundamentos robustos, com crescimento de 7,7% no ano fiscal encerrado em março e avanço de 7,8% no último trimestre.

Com a redução das tensões e os primeiros sinais de retorno dos fluxos, começa a surgir uma possível desconexão entre fundamentos econômicos e posicionamento de mercado, o que pode fazer das ações indianas uma das poucas oportunidades relevantes deixadas pelo conflito.

· 05:06 — A escassez de chips ainda joga a favor da tese de IA

A Micron entregou um trimestre muito acima das expectativas, reforçando a percepção de que o ciclo de memória e armazenamento deixou de ser apenas uma dinâmica tradicionalmente cíclica para se transformar em uma das principais engrenagens da expansão da inteligência artificial. A receita avançou 346% em relação ao ano anterior, para US$ 41,5 bilhões, enquanto o lucro ajustado alcançou US$ 25,11 por ação.

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A margem bruta ajustada ficou em 85%, e a margem operacional ajustada, em 81%. O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelos segmentos ligados a data centers, que cresceram 415% na comparação anual, somaram US$ 25 bilhões em vendas e passaram a representar 61% da receita total da companhia.

Mais importante do que a força dos números, porém, foi a sinalização de que esse ciclo ainda pode se prolongar. A companhia indicou que a escassez de chips deve persistir para além de 2027, um prazo mais extenso do que o mercado vinha antecipando, refletindo a demanda estrutural por infraestrutura de IA e data centers. Além disso, a Micron já conta com 16 contratos de longo prazo para fornecimento de chips, muitos deles com depósitos em dinheiro, faixas de preços e volumes mínimos de compra.

Esses acordos aumentam a previsibilidade e reduzem parte da volatilidade típica do setor. As projeções para os próximos trimestres também vieram robustas, com expectativa de receita entre US$ 49 bilhões e US$ 51 bilhões no quarto trimestre fiscal e lucro ajustado de US$ 31 por ação no ponto médio da estimativa.

Para as ações da Micron (MU), e especialmente para os BDRs MUTC34, o cenário permanece construtivo, embora não esteja livre de riscos. O ciclo atual é excepcional e, como ocorre em todo movimento de alta em semicondutores, pode eventualmente gerar excesso de capacidade, compressão de margens ou realização de lucros.

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Ainda assim, a combinação de demanda persistente, maior poder de precificação, contratos de longo prazo, forte geração de caixa livre e posição de caixa reforçada sugere que a companhia entra nesta fase em condição operacional mais sólida do que em ciclos anteriores. Para o investidor brasileiro, os BDRs oferecem uma forma direta de exposição a uma das teses centrais da infraestrutura de inteligência artificial, com a ressalva de que seu desempenho também será influenciado pela variação cambial e pelo apetite global por ações de tecnologia.

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.