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Investimentos

Ibovespa hoje: guerra longa no Oriente Médio e juros altos são protagonistas dos trades no mercado; veja destaques desta quarta (20)

Enquanto mercado ainda segue receoso com a guerra no Oriente Médio, a ata do Fed e o balanço da Nvidia (NVDC34) são os próximos temas ‘na fila’ que podem mexer com humor dos investidores

Por Matheus Spiess

20 maio 2026, 10:26

Atualizado em 20 maio 2026, 10:32

guerra mundial eua china russia oriente medio

Imagem: iStock/gopixa

Os mercados globais seguem operando em um ambiente de elevada cautela, cada vez mais concentrados não no risco de um ataque imediato ao Irã, mas nos impactos econômicos de uma guerra prolongada no Oriente Médio. O petróleo permanece sustentado patamar próximo de US$ 110 por barril diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, alimentando preocupações com inflação, juros elevados por mais tempo e desaceleração da atividade global.

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Esse movimento voltou a pressionar os mercados de títulos ao redor do mundo, levando o rendimento das Treasuries de 30 anos ao maior nível desde 2007, enquanto investidores passaram a discutir até mesmo a possibilidade de novas altas de juros por parte do Federal Reserve (Fed). Ao mesmo tempo, cresce o desgaste político interno da guerra nos Estados Unidos, com aumento da resistência no Senado norte-americano à estratégia adotada por Donald Trump em relação ao Irã. 

Nesse contexto, a ata do Fed e o balanço da Nvidia (NVDC34) ganharam relevância ainda maior como potenciais catalisadores para o humor de Wall Street. A gigante de semicondutores continua sendo vista como peça central da narrativa de inteligência artificial (IA), justamente em um momento em que o mercado começa a questionar até que ponto o ciclo agressivo de investimentos em IA conseguirá sustentar valuations elevados em um ambiente de liquidez mais restrita e juros estruturalmente mais altos. 

00:55 — Eleições, juros e o mau humor dos ativos domésticos 

No Brasil, voltamos a observar pressão sobre os ativos domésticos, reflexo de um ambiente externo mais desafiador e de uma perspectiva eleitoral que se tornou mais nebulosa nas últimas semanas, como venho comentando. Ontem (19), o mercado repercutiu a divulgação da mais recente pesquisa AtlasIntel, que enfraqueceu, ao menos no curto prazo, a principal alternativa de oposição percebida como mais alinhada a uma agenda fiscalista.

Desde então, novas informações e desdobramentos vêm aprofundando esse quadro, o que pode ampliar ainda mais a deterioração da percepção sobre a oposição nas próximas pesquisas e, consequentemente, intensificar o mau humor dos investidores. Tudo isso ocorre justamente em um contexto de menor margem para cortes de juros, tanto no Brasil quanto no exterior, tornando o ambiente para os ativos locais mais sensível à combinação entre incerteza política, inflação e condições financeiras mais restritivas. 

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01:48 — Juros nos EUA, Nvidia e mercado de bonds em alerta 

Os investidores passaram a demonstrar preocupação crescente com a forte alta dos juros longos nos EUA, movimento reacendido após a divulgação de um dado de inflação acima do esperado. O rendimento das Treasuries de 30 anos ultrapassou 5,1%, atingindo o maior patamar desde 2007, enquanto os juros de dois anos avançaram para máximas de 15 meses.

A escalada das taxas voltou a pressionar as bolsas globais, especialmente ações de tecnologia e crescimento, já que juros mais elevados reduzem o valor presente dos fluxos futuros de caixa e tornam as condições financeiras mais restritivas (em especial nas teses de growth).

O movimento chama ainda mais atenção por ocorrer justamente em um ambiente de forte otimismo com IA, no qual investidores concentram grande parte das expectativas no balanço da Nvidia, hoje vista como peça central da principal narrativa de mercado. 

O paralelo com 2007 começou a ganhar força, especialmente diante da combinação entre juros elevados, valuations esticados e deterioração gradual das condições financeiras. Naquele período, a alta dos rendimentos dos títulos precedeu o início da crise do subprime e, posteriormente, da Crise Financeira Global.

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Hoje, porém, existe uma diferença importante: a IA surge como um potencial vetor estrutural de crescimento econômico, algo inexistente naquele momento. Ainda assim, cresce a percepção de que parte relevante do mercado passou a depender excessivamente da continuidade do boom de IA para justificar valuations historicamente elevados. Em outras palavras, a discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver também juros, liquidez global e até que ponto a economia conseguirá sustentar um ciclo tão agressivo de investimentos, expectativas e expansão de capital. Nesse contexto, a ata do Fed hoje ganha relevância adicional. 

02:34 — O estresse não é só nos EUA… 

O estresse nos mercados de títulos deixou de ser um fenômeno concentrado nos EUA e passou a atingir simultaneamente diversas economias relevantes ao redor do mundo. A combinação entre guerra prolongada no Oriente Médio, choque persistente nos preços de energia, inflação mais resistente e aumento das preocupações fiscais vem provocando uma forte liquidação global de bonds, elevando os rendimentos soberanos em países como Estados Unidos, Japão, França, Itália, Alemanha e Reino Unido.

O mercado passou a incorporar de forma mais clara a possibilidade de juros elevados por mais tempo (e até mesmo novas altas por parte do Federal Reserve) justamente em um momento no qual governos já convivem com níveis elevados de endividamento e necessidade crescente de gastos emergenciais para amortecer os impactos econômicos da crise energética.

Esse ambiente começa a reduzir parte do entusiasmo recente em torno de inteligência artificial e tecnologia, reforçando que o atual ciclo de mercado depende não apenas de crescimento e inovação, mas também de liquidez global abundante e condições financeiras favoráveis. Em outras palavras, a discussão deixou de ser apenas sobre o potencial transformacional da IA e passou a envolver também os limites macroeconômicos, fiscais e financeiros capazes de sustentar um ciclo tão agressivo de investimentos globais. 

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03:29 — Na expectativa por uma gigante da IA 

A Nvidia (Nasdaq: NVDA; B3: NVDC34) volta ao centro das atenções na noite de hoje (20) com um dos balanços mais aguardados do trimestre, tratado pelo mercado como um teste importante para a sustentabilidade do rali impulsionado pela IA. A expectativa é de crescimento próximo de 80% na receita, sustentado principalmente pelos investimentos bilionários de hyperscalers como Microsoft e Meta em data centers, chips e infraestrutura computacional voltada à IA.

Ao mesmo tempo, investidores começam a discutir até que ponto esse ciclo de expansão pode continuar no mesmo ritmo, em um ambiente marcado por juros globais mais elevados, aumento do custo de capital e sinais de amadurecimento da narrativa inicial de IA. A possível reabertura parcial do mercado chinês também surge como um fator potencialmente positivo para a companhia, embora as restrições americanas e o avanço de concorrentes locais, como a Huawei, tornem o cenário mais complexo. Ainda assim, a Nvidia continua sendo vista como a principal beneficiária da corrida global por capacidade computacional e infraestrutura de IA. 

O entusiasmo em torno da IA também vem alterando a forma como o mercado enxerga grandes ciclos de investimento. Diferentemente do padrão observado ao longo das últimas décadas, quando investidores tendiam a preferir dividendos e recompras de ações, o mercado acionário passou a premiar empresas que elevam agressivamente seus gastos de capital (capex) para expandir infraestrutura de IA. 

Porém, como argumentei, esse movimento começa a gerar desconforto no mercado de crédito, com investidores em bonds exigindo prêmios maiores diante do aumento do endividamento e da incerteza em relação ao retorno efetivo desses investimentos bilionários. Paralelamente, a disputa por talentos em inteligência artificial segue se intensificando no Vale do Silício. Andrej Karpathy, um dos cofundadores da OpenAI e ex-líder do projeto Autopilot da Tesla, anunciou sua ida para a Anthropic, reforçando a migração de pesquisadores e executivos estratégicos entre as principais empresas do setor.

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O episódio evidencia que a corrida pela liderança em IA deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver também capital humano, escala computacional, infraestrutura e capacidade de financiamento de longo prazo. 

04:11 — OTAN, Ormuz e a nova escalada geopolítica 

A OTAN passou a discutir a possibilidade de auxiliar a travessia de navios pelo Estreito de Ormuz caso a hidrovia continue parcialmente bloqueada até o início de julho, movimento que sinaliza uma potencial ampliação do envolvimento ocidental na crise do Oriente Médio. Embora a proposta ainda dependa de aprovação unânime entre os membros da aliança, o simples fato de o tema estar sendo debatido já evidencia o aumento da preocupação global com segurança energética, abastecimento de petróleo e estabilidade das cadeias logísticas internacionais.

O assunto ganhou ainda mais relevância após Donald Trump voltar a ameaçar o Irã com um “grande golpe” militar caso não haja avanço nas negociações, mantendo elevado o nível de tensão geopolítica, mesmo em um momento de acomodação parcial dos preços do petróleo. 

Ao mesmo tempo, o cenário internacional segue marcado por uma crescente fragmentação estratégica entre as grandes potências. Enquanto a OTAN avalia ampliar sua presença indireta na região, Rússia e China aprofundam sua coordenação militar e diplomática. Vladimir Putin viajou a Pequim em meio à realização de grandes exercícios nucleares russos, envolvendo dezenas de milhares de soldados, navios, aeronaves e submarinos.

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O pano de fundo reforça uma percepção cada vez mais presente nos mercados: o mundo caminha para uma dinâmica mais polarizada, na qual guerra, energia, inflação, comércio e segurança passam a se entrelaçar de forma crescente, ampliando a volatilidade dos ativos e os riscos para a economia global. 

05:03 — Google acelera a IA, e mercado pisa no freio 

Google apresentou uma série de anúncios ambiciosos durante sua conferência anual Google I/O, reforçando a aceleração da corrida global pela IA. Dentre os principais destaques, estiveram o Gemini Spark, um agente de IA persistente capaz de continuar executando tarefas mesmo com o dispositivo desligado, novos modelos Gemini mais rápidos e multimodais, ferramentas avançadas de geração de vídeo e codificação, além de óculos inteligentes integrados à inteligência artificial da companhia.

O CEO Sundar Pichai também revelou que o aplicativo Gemini já alcançou 900 milhões de usuários ativos mensais, mais que o dobro do registrado no ano anterior, evidenciando o avanço do Google na disputa estratégica contra OpenAI, Anthropic e Microsoft. 

Apesar do volume expressivo de novidades, a reação do mercado foi fria. As ações da Alphabet recuaram mais de 2% durante o pregão, refletindo dúvidas dos investidores em relação ao retorno financeiro dos investimentos massivos em IA, estimados entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões neste ano. Parte relevante desse montante está sendo direcionada ao desenvolvimento dos chips proprietários TPU 8 e à expansão da infraestrutura necessária para sustentar os avanços em IA.

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A leitura predominante parece ser a de que, embora o Google continue extremamente competitivo do ponto de vista tecnológico, o mercado passou a exigir sinais mais claros de monetização e geração de retorno sobre um ciclo de investimentos cada vez mais agressivo na corrida global pela liderança em inteligência artificial. 

Ainda assim, seguimos enxergando a Alphabet como uma das empresas mais bem posicionadas para capturar estruturalmente a expansão da inteligência artificial nos próximos anos. Além da liderança histórica em busca, publicidade digital e infraestrutura de nuvem, a companhia reúne uma combinação rara de escala, capacidade computacional, geração de caixa e integração entre produtos, fatores que podem acelerar a monetização da IA ao longo do tempo. Em outras palavras, embora o mercado possa continuar mais exigente no curto prazo diante do elevado nível de investimentos, entendemos que as BDRs GOGL34 seguem oferecendo exposição a uma das plataformas tecnológicas mais relevantes, estratégicas e resilientes do mundo em um momento de profunda transformação digital global. 

Estudou finanças na University of Regina, no Canadá, tendo concluído lá parte de sua graduação em economia. Pós-graduado em finanças pelo Insper. Trabalhou em duas das maiores casas de análise de investimento do Brasil, além de ter feito parte da equipe de modelagem financeira de uma boutique voltada para fusões e aquisições. Trabalha hoje no time de analistas da Empiricus, sendo responsável, entre outras coisas, por análises macroeconômicas e políticas, além de cobrir estratégias de alocação. É analista com certificação CNPI.