Taxa Selic: tudo o que você precisa saber

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Taxa Selic: tudo o que você precisa saber

A taxa Selic está passando por um período de constante queda. Somente nos últimos 12 meses, ela já caiu seis pontos percentuais.

Então você se pergunta como esse movimento pode afetar a sua vida? Descubra o impacto da queda da Selic na vida dos brasileiros neste guia completo sobre o assunto.

Você sabia que a taxa Selic pode chegar perto da mínima histórica na quarta-feira (25/10/2017)?

De acordo com o Copom (Comitê de Política Monetária) , responsável por fixar os juros básicos da economia, a redução moderada no corte de juros “parece adequada para a perspectiva atual”.

Com isso, a queda dos juros que estava sendo de um ponto percentual, nas últimas quatro reuniões (desde fevereiro de 2017), será um pouco menor em outubro.

A meta para a taxa Selic é determinada e divulgada pelo Copom a cada 45 dias, ou seja, oito vezes por ano.

Caso se confirme a estimativa, a Selic, cotada a 8,25% ao ano, no início de setembro, poderá sofrer um corte de 0,75 ponto percentual, chegando a 7,5%.

O menor nível registrado desde o Plano Real foi de 7,25%, em outubro de 2012, durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

A previsão dos economistas é de que em dezembro os juros caiam para 7% ao ano.

Veja o histórico mensal da Selic nos últimos seis anos:

Observe o histórico da taxas de juros fixadas pelo Copom e a evolução da taxa Selic nos dois últimos anos:

Não confunda a Meta Selic com a taxa Selic realizada. O Copom divulga a meta, mas a taxa Selic mensal é a que consta na tabela acumulada em cada mês. Esta é a que você deve utilizar como referência para rentabilidade de títulos públicos que estão atrelados a esse índice.

Neste artigo vamos esclarecer um pouco mais sobre a Selic e a influência dela em nossas vidas.

Boa leitura!

O que é a taxa Selic

O Banco Central define a taxa de juros tendo como foco o cumprimento da meta da inflação

A Selic é a taxa básica de juros da economia do Brasil utilizada para financiamento de operações diárias com títulos públicos federais como garantia.

É um dos indicadores mais importantes do mercado financeiro, pois serve de referência para toda a economia.

Em resumo, a Selic é a taxa básica de juros que o governo paga para aquele que empresta dinheiro para ele.

É através desse índice que as taxas de juros cobradas pelos bancos brasileiros se balizam.

A sigla SELIC se refere ao Sistema Especial de Liquidação e Custódia, através do qual as instituições financeiras realizam as transações. Pode-se dizer que ele é o depositário central dos títulos emitidos pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional.

Como funciona a taxa Selic?

É preciso entender as diferenças entre a taxa Selic Meta da taxa Selic Over

Muito se discute sobre a Selic, mas poucos entendem como ela é formada e qual a sua aplicação no dia a dia.

Não podemos confundir a Selic Meta (estipulada pelo Banco Central) com a taxa Selic Over (observada no sistema SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).

Vamos entender a diferença entre as duas:

Selic Meta

É a apresentada nos noticiários e que representa a taxa básica da economia do país. Ela é discutida pelo Copom, que leva em consideração as perspectivas para a economia brasileira: inflação, taxa de juro externa, câmbio e outras variantes.

Ela serve de referência para as demais taxas da economia. Normalmente, ela é a taxa mais baixa, porém isso não é uma regra.

Selic Over

A taxa Selic Over surge da necessidade do financiamento interbancário lastreado em títulos públicos.

Para você entender melhor, vamos usar o exemplo a seguir:

O governo precisa de dinheiro para investir no país, como em segurança, na saúde, construir estradas, escolas e hospitais.  

Esse dinheiro pode ser arrecadado através de impostos ou do Tesouro Nacional, com emissão de títulos públicos para obter recursos para o governo.

Grande parte dos títulos do tesouro é comprada por bancos, que são obrigados a depositar uma parte de seus rendimentos em uma conta no Banco Central, a fim de controlar o excesso de dinheiro em circulação na economia e evitar o aumento impulsivo da inflação.

É comum, devido ao grande número de operações bancárias realizadas diariamente, que os bancos fiquem com uma porcentagem maior ou menor, na conta do BC, no final do dia.

Como eles são obrigados a respeitar esse valor, eles acabam fazendo empréstimos de curto prazo (geralmente de 24 horas) com outros bancos para cumprirem a lei.

Sendo assim, a taxa de juros utilizada nesse empréstimo interbancário é a Selic Over.

Como a Taxa Selic influencia os seus investimentos?

De forma diferente, a taxa Selic pode afetar a maioria dos investimentos

A meta da Selic afeta diretamente os seus investimentos. Ter conhecimento sobre esse assunto pode te ajudar a aproveitar cada cenário da economia para realizar bons investimentos e ganhar dinheiro.

Nos investimentos de renda fixa, em que as taxas de juros são usadas como base para a remuneração das aplicações, a relação com a meta Selic é direta.

Na renda variável, no caso das ações, a relação com a meta Selic está, na maioria das vezes, relacionada a influência da taxa básica de juros na economia.

Abaixo vamos explicar melhor como funciona cada uma delas.

Selic e investimentos de renda fixa

Em sua maioria, os investimentos em renda fixa são atrelados a taxa de juros, por isso as alterações na Selic afetam diretamente o rendimento desses investimentos.

As aplicações pós-fixadas, como o Tesouro Selic, dependem da variação das taxas de juros durante o período de investimento. Sendo assim, as mudanças na Selic interferem na correção do valor a ser recebido na data do vencimento.

Isso também ocorre com outros títulos privados pós-fixados, bem como CDBs (Certificado de Depósito Bancário), LCIs (Letra de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio), que pagam porcentagens do CDI (taxa de juros que acompanha de perto a Selic).

A situação para os títulos prefixados é um pouco diferente. Se o investidor comprou um título que paga 8% ao ano, as variações da Selic não irão afetar esse rendimento. Sendo assim, na data do vencimento, ele vai receber o valor investido corrigido pela taxa determinada.

nos investimentos em renda fixa atrelados aos índices de inflação, a Selic é usada como um mecanismo de controle do índice de preços. É importante saber que quando a Selic aumenta, a tendência é que a inflação caia, e vice-versa.

Selic e investimentos de renda variável

Diferente dos investimentos de renda fixa, no caso das ações a relação com a Selic se dá de forma indireta.

Os papéis das empresas sofrem a influência da economia e das condições de mercado (que são afetadas pela Selic), porém não estão vinculados diretamente com a taxa de juros.

Em teoria, a queda de juros favorece a alta dos papéis, uma vez que facilita o acesso a crédito para as empresas investirem em mão de obra e na produção, além de incentivar o consumo.

Quando os juros estão mais altos, há uma queda da ações, uma vez que fica mais caro obter crédito e há uma redução dos resultados das empresas e da atividade econômica.

Taxa Selic e a poupança

Poupança rende menos com a nova Selic, mas ainda é superior à inflação

O rendimento da poupança está diretamente atrelado à taxa Selic vigente no período.

Pode-se dizer que ele se divide em duas situações:

  • Se a taxa Selic for maior que 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês + a taxa referencial
  • Quando a taxa Selic for menor ou igual a 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 70% da Selic vigente no período.

Mesmo com a diminuição dos juros básicos (atualmente em 8,25% ao ano) e, consequentemente, o menor rendimento, o investidor não perde dinheiro ao colocá-lo na poupança.

Isso se explica porque a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) estava em 2,46% no último ano terminado em agosto.

Taxa Selic e a inflação

O governo utiliza a taxa básica de juros para manter o nível de inflação esperado

A Selic, determinada pelo Copom, é usada para controlar a inflação.

Normalmente, o Copom aumenta os juros da economia quando a inflação está alta. Dessa forma, fica mais caro obter crédito, diminuindo o consumo e a alta dos preços. O resultado desse movimento é a queda da inflação.

Quando a inflação está controlada, com baixa atividade econômica, é possível haver uma queda dos juros, facilitando investimentos por parte das empresas e aumentando os empregos e o consumo da população. Dessa forma, haverá maior demanda por determinados produtos, um aumento no seu preço e, consequentemente, a alta da inflação.

Em suma, quanto maior a taxa, menos dinheiro disponível para consumo e uma menor alta de preços, o que leva a uma queda na economia do país. Quando o Banco Central quer estimular a atividade econômica, ele reduz as taxas de juros, estimulando o consumo e elevando a inflação.

Como a Selic pode influenciar na vida das pessoas

É a Selic que define o curso da economia para melhor ou para pior

A Selic serve como referência para todas as outras taxas de juros do mercado, como financiamentos, empréstimos, cheque especial e rotativo do cartão de crédito. Ela tem influência direta na vida dos cidadãos.

As pessoas costumam achar que a inflação é a única capaz de causar o desequilíbrio financeiro, porém é a taxa básica de juros que determina toda a conjuntura econômica.

Vamos falar um pouco mais sobre como a Selic exerce influência em nossas vidas:

  • Produtos importados: quanto maior a taxa de juros, maior o interesse de estrangeiros em investir no país. Isso aumenta a oferta de dólares no Brasil, tornando a moeda mais barata. Esse movimento também deixa os produtos importados mais baratos. O contrário também é verdadeiro.
  • Disponibilidade de crédito: quanto maior a Selic, mais seletivos se tornam os bancos na concessão de crédito, uma vez que eles terão custo mais alto para captar recursos.
  • Empréstimos: em contratos pré-definidos não há alteração na taxa de juros cobrada. Porém, caso a Selic caia, é possível fazer uma renegociação dos valores ou até buscar a portabilidade da dívida para outro banco. Dessa forma você pode conseguir reduzir os juros cobrados.
  • Empregos: o aumento da Selic acarreta na alta dos preços dos produtos. Sendo assim, as pessoas deixam de comprar e, com número baixo de vendas, a empresa também acaba cortando o número de funcionários, uma vez que a produção é menor.

Selic e o CDI

O CDI e a Selic andam lado a lado e precisam ser bem conhecidas para que o investidor saiba tirar proveito delas

O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa de remuneração na negociação entre instituições financeiras, ou seja, de banco para banco.

O cálculo dos juros que o banco devedor deve pagar é obtido através do acúmulo de todas as taxas CDI diárias (durante o período do empréstimo) divulgadas pela Central de Títulos Privados.

A principal diferença entre elas é que a Selic é paga ao governo enquanto o CDI é paga a outra instituição financeira.

Um investidor deve ter a CDI como base de referência para saber se a carteira de investimentos está rentável ou não. Ela é uma meta a ser ultrapassada, pois o Fundo ou investimento tenta render pelo menos o mínimo ou uma porcentagem do valor do CDI.

A Selic serve como termômetro da economia, uma vez que suas alterações acabam movimentando o mercado.

Também é mais fácil acompanhar a Selic, que muda a cada 45 dias, do que o CDI, que possui liquidez diária.

Como obter lucratividade acima da taxa Selic?

Com juros mais baixos os investidores precisam buscar investimentos que rendam acima da Selic

Você sabia que é possível obter rendimentos acima da taxa Selic? Veja como conseguir isso:

  • Investindo em renda fixa (LCI, LCA, LC e CDB), uma vez que os bancos podem remunerar mais do que a taxa básica de juros para atrair o investidor. Esses produtos são assegurados pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em investimentos de até 250.000 reais.
  • Investindo na bolsa de valores, para quem busca rentabilidades maiores, pois possui alto potencial de retorno. Porém aqui, é necessário assumir certo risco para melhores rendimentos.
  • Investindo em fundos imobiliários, uma vez que com a queda da Selic e juros mais baixos, a tendência é que o financiamento volte a crescer.

Conclusão

Utilizada como referência para o cálculo das demais taxas de juros cobradas pelo mercado brasileiro, a taxa Selic é a meta do governo para as operações de venda e recompra de seus títulos.

Pode-se dizer que a Selic é a taxa que o governo paga quando pega dinheiro emprestado do mercado.

É importante entender a diferença entre a Selic meta e a taxa Selic realizada, esta sim utilizada como referência para calcular seus rendimentos com títulos públicos.

Muitos acreditam que a inflação é a grande vilã e causa a instabilidade financeira, mas é taxa básica de juros que comanda todo o mercado.

A Selic pode afetar diretamente a vida dos brasileiros, seja com a alta ou baixa do dólar, com a oferta ou escassez de emprego ou ainda com a facilidade ou dificuldade na hora de pegar um empréstimo.

Por isso é importante estar sempre atento às suas alterações, para saber onde investir (renda fixa ou variável) e conseguir um melhor rendimento ou ainda saber negociar uma dívida com o banco.

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