O que é renda fixa: prós e contras

Confira o que é renda fixa, suas vantagens e desvantagens.
O que é renda fixa: prós e contras

Você já deve ter ouvido falar sobre a grande disputa entre renda fixa e renda variável - e como a renda fixa é X, Y ou Z. Então hoje vamos te explicar o que é renda fixa e quais suas principais vantagens e desvantagens.

Para começar, o que é renda fixa?

O que é renda fixa? Chamamos assim os investimentos cuja rentabilidade é determinada por uma regra estabelecida no momento da aplicação: 5% ao ano, por exemplo, ou 100% da taxa Selic.

Quando você empresta dinheiro para o governo por meio do Tesouro Direto, para um banco por meio de uma CDB ou para uma empresa por meio de uma debênture, está aplicando na renda fixa. 

A renda fixa se opõe à renda variável, como ações ou fundos imobiliários, em que você não sabe de antemão quanto vai ganhar de rentabilidade.

Quais as vantagens da renda fixa?

A renda fixa atua como um importante componente defensivo da sua carteira de investimentos. Como regra geral, ela tem rentabilidade menor do que a da renda variável, como ações, mas também oferece menor risco.

Ao contrário de uma ação, um título pós-fixado do governo (ou seja, atrelado à Selic, que é a taxa de juros básica da economia) não vai perder 20% ou 30% do seu valor da noite para o dia. Para isso acontecer, o governo teria de dar um calote nos seus credores, e existe um consenso no mercado de que isso está no horizonte.

Se você tiver apenas ações ou fundos imobiliários na sua carteira, estará muito sujeito às oscilações imprevisíveis do mercado. Pense no coronavírus, por exemplo. As ações desabaram 45% ante o pico do começo de 2020. Você está preparado para ver 45% do seu dinheiro derreter? Não, né? Então coloque parte das suas reservas na renda fixa, mais segura.

Quais as desvantagens da renda fixa?

O problema da renda fixa é que ela oferece menos rentabilidade do que as ações e os fundos imobiliários.

Antigamente, a renda fixa no Brasil pagava muito bem. A taxa Selic no final dos anos 90, já com a inflação sob controle, bateu 40% ao ano.

Isso significava que bastava emprestar seu dinheiro para o governo e ir para a praia ser feliz. A vida era fácil. 

Não é mais. O governo brasileira pagava muito porque estava sempre às portas da falência. Como um sujeito que tem nome sujo na praça, precisava se sujeitar a juros astronômicos para que alguém estivesse disposto a assumir o risco de emprestar dinheiro a ele. Juros altos eram também uma maneira de controlar a inflação, ao estimular as pessoas a pouparem o seu dinheiro em vez de consumir.

Isso mudou. Nos últimos anos, os juros pagos pelo governo para os detentores de sua dívida (como no Tesouro Direto) caíram muito, com a Selic chegando a 2% em 2020. A Selic é a referência de taxa de juros para os títulos de curto prazo. Veja que, descontada a inflação, 2% implica juros reais negativos, ou seja, você perde dinheiro.

Os juros podem voltar a subir?

Podem, claro, quem pode garantir? 

Mas há um movimento global de queda dos juros, estimulado por fatores como:

O envelhecimento da população

Gente mais velha têm mais dinheiro guardado, e essas pessoas precisam investir em algum lugar. Isso aumenta muito a demanda por títulos, fazendo com que os governos possam se dar ao luxo de pegar dinheiro emprestado pagando menos;

O enriquecimento de vários países

Especialmente na Ásia, o que cria muita gente abastada e também faz com que a demanda por títulos aumente, novamente abaixando o seu custo para os governos;

Mudanças tecnológicas que diminuem a inflação

Como exemplo temos a Amazon, o Uber e muitas outras iniciativas. Antigamente, juros baixos demais sempre davam em inflação, porque estimulavam as pessoas a consumir. Agora isso não está acontecendo como deveria, porque é compensado pela redução no custo de vida trazida pelas novas tecnologias.

Ou seja, a renda fixa vai pagar pouco e esse movimento veio para ficar. De qualquer forma, tenha em mente que no exterior a renda fixa sempre pagou bem menos do que a renda variável. Nós é que éramos bizarros.

Isso foi demonstrado por diversos autores, entre o professor americano Jeremy Siegel, que escreveu um livro chamado “Ações Para o Longo Prazo”.

Ele mostrou que, desde 1802 até o começo deste século, as ações americanas entregaram 6,6% de rentabilidade ao ano acima da inflação.

Títulos governamentais de longo prazo entregaram 3,6%. Os de curto prazo (no gráfico abaixo, chamados de letras) renderam 2,7%. Note que o gráfico está em escala logarítmica.

Quais os riscos da renda fixa?

Dissemos acima que a renda fixa é mais segura, mas é preciso prestar atenção.

Títulos do governo não devem sofrer calote, porque isso causaria o caos financeiro completo. Bancos investem parte significativa das suas disponibilidades em títulos públicos. O calote traria quebradeira ao setor financeiro, as pessoas não conseguiriam sacar seu dinheiro, seria o caos. O governo sabe disso, obviamente.

Além disso, a dívida brasileira está nas mãos de locais. É difícil dar calote em eleitores, sem falar nos impactos sobre a economia disso. A dívida argentina está nas mãos de estrangeiros e é por isso que eles se sentem tão à vontade para dar um calote atrás do outro. (Não compre títulos argentinos, ok?)

Tenha só um cuidado especial com títulos pré-fixados, ou seja, que estipulam uma taxa fixa de rentabilidade no momento da aplicação (5% ao ano, por exemplo). Especialmente se eles tiverem duração longa, de muitos anos. Se a inflação disparar no meio do caminho, sua rentabilidade ficará menor do que ela.

É verdade que você pode vender tais títulos antes do vencimento, mas obviamente incidirá um desconto astronômico sobre o valor que você pagou originalmente.

Produtos de renda fixa de bancos (como CDB, LCI e LCA) são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito até o limite de R$ 250 mil por CPF em cada banco, com um limite global de R$ 1 milhão por CPF.

Ou seja, se você tiver a alegria de ter R$ 250 mil em cinco bancos e todos quebrarem juntos, só vai receber R$ 1 milhão. O FGC é uma instituição séria, não se preocupe.

O problema mora nos títulos emitidos por empresas privadas (debêntures) e nos fundos de crédito privado, que também emprestam para empresas. Muito cuidado aí. Se a empresa dona das debêntures ou os devedores do fundo quebrarem, você pode perder todo o dinheiro.

Há um drama que se arrasta há um bom tempo envolvendo as debêntures de Rodovias do Tietê, por exemplo. A empresa quebrou e deixou seus credores na mão, e muitos eram pessoas físicas. Cuidado. Não compre debêntures nem invista em fundos de crédito privado sem saber muito bem onde você está se metendo.

O que comprar?

O analista da Empiricus Luiz Rogé sugere alguns produtos, como o CDB do BTG Pactual que paga 150% do CDI (o que representa algo muito próximo de 150% da Selic) ou o mais tradicional Tesouro Selic 2025, do Tesouro Nacional. 

Para ter acesso à carteira completa de Rogé, chamada High Yield e especializada em renda fixa, assine a Empiricus.